Com ele entre nós reforça a esperança

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Editorial RNA – 02.01.2018

Quase  todos os votos de ano novo expressam desejo de dias melhores. Pedem saúde, alegria e até compromisso com outro mundo possível. Desejos são desejos, mas a realidade da Amazônia não parece tão promissora. A disputa pelo território amazônico está muito desigual. O extrativismo predador, apoiado e financiado por um governo ilegítimo, está avançando impiedosamente, tratando os povos tradicionais como apenas obstáculos descartáveis.

Mesmo assim, algo de bom dá sinal de acontecer. Dentro de mais três semanas a Pan Amazônia estará recebendo a presença de um grande companheiro. Papa Francisco está chegando na cidade Maldonado, Peru bem vizinho de Cruzeiro do Sul no ACRE.

Nada mais promissor e abençoado do que esta visita do Papa Francisco à Amazônia. Ele é diferente de papas anteriores, pela sua ousadia e fidelidade ao compromisso com o projeto de Jesus Cristo. Não vem à Amazônia apenas para orar e celebrar missa. Vem também trazer a palavra profética em defesa da mãe natureza e dos direitos dos povos tradicionais da região.

Já a chegada dele em Maldonado será um grande apoio às lutas dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, povos das periferias das cidades e vilas, além de grande apoio aos movimentos populares que lutam em defesa da vida na região. Porém o milagre maior será se Papa Francisco decidir esticar sua visita à região do rio Tapajós. Afinal ele foi convidado pela Rede Eclesial Pan Amazônia, REPAM e pessoalmente pelo bispo da Prelazia de Itaituba.. Uma visita dele, mesmo que por uma hora apenas será um grade reforço para nossa luta contra as 43 hidroelétricas projetadas  para a bacia do rio Tapajós. Sua palavra tem força planetária e para nós será um reforço extraordinário.

A vinda do Papa Francisco à Amazônia é a grande notícia do ano, se ele vier ao Tapajós será uma apoteose em nossa luta. Virá ou não? Deus sabe, e nós podemos solicitar a Deus esse milagre.

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que esperar do amanhã se a e herança é maldita?

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ANÁLISE DA SEMANA ÚLTIMA DO ANO 2017 – 31.12.2017

Um analista político interpretando sobre o ano que se encerra daqui a pouco, disse algo que chamou a atenção. Escreveu ele que quem morreu em 2017 teve sorte. Será? Observemos um exemplo da herança deixada para nós no ano novo. Enquanto o preço da gasolina teve aumento quase semanal durante o ano, chegando hoje em Santarém a 4 reais e 40 centavos, também subindo frequente os preços do óleo diesel e gás de cozinha, o salário mínimo não subiu nada e a partir de janeiro terá um reajuste escandalosamente pequeno.  Já os preços do açúcar, arroz, e todos os alimentos subiram de preço, como também tarifa de ônibus e  tarifa de energia elétrica.

Para completar a herança maldita, a ditadura Michel Temer com seus submissos deputados e senadores prostitutos,  negociaram a destruição das leis trabalhistas. Em breve, querem destruir também a lei da aposentadoria dos trabalhadores, com a modificação da lei da previdência social.

Com tal herança maldita deixada para maioria dos brasileiros, o que se espera do ano que se inicia amanhã? Não do ano em si, mas dos governantes dessa ditadura e das populações submetidas a tantas injustiças? Desemprego, falta de assistência à saúde, escolas fechadas, mais famílias dependendo do programa Bolsa Família. Para ilusão de milhões de angustiados brasileiros, serão oferecidos divertimentos, como campeonatos de futebol, carnaval, festas do Sairé, mega senas e loterias.

É possível se modificar esse cenário do próximo ano? Não só possível mas urgente. Aguarda-se o grito popular, o estouro da rebelião dos excluídos. Afinal, mais e mais fica visível que os governantes tiram o pão da boca dos pobres para enriquecer Bancos, empresários e o agronegócio.  A crise imposta aos trabalhadores, aos estudantes e aos povos indígenas será a munição da rebelião que deve estourar em 2018 neste país tão rico e tão mal administrado.

Infelizmente será uma rebelião indignada, quando deveria ser uma revolução popular como foi a cabanagem no Pará em 1835. Faltam líderes com visão de um novo modelo de administrar o país para a maioria dos povos. Quem poderia organizar essa urgente revolução seriam as centrais sindicais e seus filiados sindicatos nas bases, porém estão todas elas sem capacidade de liderança. Quem poderia estimular a entrada dos pobres na resistência seriam as lideranças das igrejas, tanto a católica, como as protestantes, mas infelizmente se calam e se dedicam a doutrinas e espiritualidades desligadas da realidade. Deixam os povos como ovelhas sem pastor.

Buscando algum sinal de esperança para 2018, se pode alegrar com a visita do Papa Francisco à nossa Pan Amazônia. Dia 19 de janeiro ele estará na cidade de Maldonado no Peru, bem vizinho do Estado do Acre. Ele sim, pastor que grita e testemunha defender as ovelhas mundo afora. Não teme os políticos opressores e acolhe os que sofrem, católicos, mulçumanos, protestantes, quem estiver sofrendo e denuncia os opressores.

Com tal exemplo do Papa Francisco, que o novo ano espera de você e eu? Primeiro,  espera que tomemos a sério a consciência de nossa responsabilidade social e cristã diante do que está acontecendo em nosso município, na Amazônia e no Brasil. Você e eu, somos também responsáveis de ajudar a mudar esta triste herança do ano que termina hoje. Começando por debater as situações em seu grupo de fé, na associação de moradores onde deve participar, na sua escola, na universidade; ao mesmo tempo compreender que não se pode mais reeleger políticos que se preocupam com seus benefícios e ignoram os e as eleitoras. Nenhum deputado e senador que vendeu seu voto ao ditador Michel Temer para destruir as leis trabalhistas e da previdência social, nenhum deles deve ser mais votado pra nada. São traidores dos trabalhadores e dos pobres. Eleitor que tiver consciência humana nunca mais votará nesses traidores.

Isso é o mínimo que o novo ano espera de mim, de você e de todos que sofrem dessa herança maldita do passado.

Natal é aniversário do menino, ou do homem que amou até o fim?

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Editorial RNA – 19.12.2017
Na próxima segunda feira é feriado mundial, por ser aniversário de um grande homem. liás, mais que um grande homem, e sim, aquele galileu,considerado por muitos lá, como herege. Isto porque não se prendia a doutrinas e leis religiosas. Apenas uma lei ele seguia e ensinava – amar e amar.
Era Jesus de Nazaré, o que revelou a humanização de Deus aos que andavam errantes na vida, presos a leis estéreis. Este é o aniversariante de segunda feira. Está na hora de se deixar de contemplar o meninosinho deitado na cocheira e mirar o homem que revelou Deus misericordioso. De tanto amar, arriscou a vida e acabou assassinado aos 33 anos, porque amou até a última gota de sangue. Ele venceu a morte e deixou o túmulo vazio, por isso precisamos fazer do Natal a festa da vitória.
Mais do que nunca, hoje precisamos nos sentir convocados pelo aniversariante. Pois, no Brasil e na Amazônia são tantos os Herodes, Pilatos, Saduceus e doutores da lei. Eles impõem a lei do mais forte em Brasília, Belém, Porto Velho. Também tiram o pão da boca dos trabalhadores, e estudantes em Santarém, Parintins, São Luiz do Maranhão e tantas comunidades que perdem o direito às leis trabalhistas e agora são ameaçados de perder aposentadoria. Igual como as autoridades políticas e religiosas do tempo de Jesus, os de hoje são cínicos, sem escrúpulos.
Porém, também como na Galileia, as populações vivem como ovelhas sem pastor. São exploradas, mas ficam caladas e submissas. Correm o risco de no próximo ano votarem nos mesmos bandidos, que hoje mudam as leis em prejuízo dos pobres. Esse aniversário do dia 25 de dezembro é também uma intimação a todos os formadores de opinião que defendem a vida. as ovelhas precisam de pastores comprometidos em defendê-las. Outros Pedros, Tiagos, Paulos e Andrés, que amem e defendam seus irmãos.
Dia 25 próximo é dia de aniversário e ele aceita presente. O único que ele aceita é que tenhamos coragem de segui-lo e defendermos suas ovelhas, mesmo que para isso sejamos perseguidos e caluniados.
Cantar o noite feliz parece coisa do passado. Melhor será cantar – Seu nome é Jesus Cristo e está presente na vida dos sofridos. E aí sim, dizer – Feliz natal irmão e irmã.

Ainda atual: povo unido jamais será vencido

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Análise da semana – Nossa Voz é nossa vida – 10.12.2017

Você, como eu e todos os cidadãos e cidadãs que querem bem a este município e respeitam a mãe natureza, não podemos ficar indiferentes diante do que está acontecendo. Entre os cristãos, a omissão é um pecado muito grave; para os não religiosos, a indiferença é um crime contra a ética.

Santarém rural e urbana se tornou ultimamente uma arena em disputa pelo território. Dois tipos de pessoas estão neste conflito. De um lado, os empresários, apoiados pela maioria dos vereadores deste município. Do outro lado, os movimentos populares organizados, lutando pelo bem comum, tendo como aliados os ministérios públicos.

Depois que as audiências públicas ocorreram para atualizar o Plano diretor do município, as batalhas se intensificaram. A conclusão das audiências garantiram a permanência das Áreas de Proteção ambiental, as APAS. As principais são a do Maicá, a do Saúbal, a do Alter do Chão e a do Juá. Os empresários ficaram inconformados porque querem usar e abusar no uso do território, para aumentar seus lucros. Primeiro, a empresa laranja que pretende à força construir portos graneleiros na boca do lago do Maicá. É laranja, por que quer construir os portos e entregar para empresa estrangeira. É apoiada pelos sojeiros da região. O outro grupo composto por empresários da construção civil, querem eles a todo custo a liberação do uso do solo para construírem prédios de seis, dez e mais andares nas áreas balneárias de Alter do Chão, Ponta de Pedras, Carapanari e outras. Estes são apoiados por boa parte dos vereadores de Santarém, interesseiros. Não se preocupam com os sofrimentos dos moradores, que buscam a paz e não só o lucro a qualquer custo. Os insistentes interessados em destruir parte da APA Maicá, não revelam as consequências negativas para 450 pescadores que extraem pescado no lago do Maicá; não revelam os desastres com a proposta de construção de uma larga avenida cruzando nove bairros da periferia da cidade para transportar 800 carretas diariamente. Certamente aumentarão os números de acidentes, de prostituição e desemprego.

Do outro lado, estão os movimentos organizados de Alter do Chão e do Eixo Forte, os movimentos populares de Santarém e alguns universitários. Estes lutam pelo direito ao bem viver numa cidade mais humana, com mais direitos aos pedestres

Como durante as audiências públicas da atualização do Plano Diretor, a pressão popular fez prevalecer a defesa do solo para convivência humana, agora as batalhas estão na Câmara de Vereadores. Ali, está em jogo, o interesse de facilitar as ambições dos empresários, violando o novo Plano Diretor.

Já que foi aprovado por decisão democrática da sociedade civil, o dever dos vereadores seria apenas confirmar aquela decisão. Mas insistentemente querem modificar exatamente a lei do uso do solo, para atender os interesses dos empresários. Na semana passada, como os movimentos populares lotaram o plenário da Câmara, os vereadores não votaram o maldito projeto, alegando a ausência do autor do projeto, justamente um vereador empresário.  Possivelmente amanhã em nova sessão da Câmara será debatido o tal projeto e votado.

Daí a necessidade de todos os cidadãos e cidadãs que amam esta cidade e este município, comparecerem amanhã à tarde no plenário da Câmara para pressionar os vereadores a respeitar as decisões do plano diretor do município. Continua válido o ditado que diz: Povo unido jamais será vencido. Afinal, uma cidade existe primeiramente para ser habitada em convivência harmoniosa dos moradores. Não pode ser casa de mãe joana, onde quem tem dinheiro manda mais. Você concorda? Então não fique de fora, que a luta é de todos nós.

 

Quando movimentos populares agem uma luz aparece

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ANÁLISE DA SEMANA – Nossa voz 26 de 11 2017

O assunto que analisamos hoje foi tema de muito debate, com participação de 786 cidadãos e cidadãs, urbanos e rurais do município de Santarém. Aconteceu a Audiência Pública de construção do novo Plano Diretor do Município. Houve uma grande disputa de interesses opostos. De um lado, os movimentos sociais, estudantes universitários e sindicalistas, que defendiam um plano diretor que respeite o direito da convivência humana, priorizando a defesa do ambiente, moradia e espaços de lazer coletivos.

De outro lado, sojeiros e empresários, acompanhados de ingênuos moradores das periferias, onde querem instalar vários portos graneleiros dentro da cidade de Santarém. A maioria dos ingênuos vestia uma camisa com a frase – na minha terra pode, desenvolvimento sustentável. No meio dos debates ficavam os funcionários públicos encarregados de conduzir a atualização do plano diretor.

Foi uma verdadeira disputa por território da cidade e do meio rural. Existe uma ilusão pregada por empresários e políticos, que afirmam Santarém precisar de emprego e renda e só os grandes projetos vão desenvolver ao município. Para isso justificam a necessidade de construir portos graneleiros, prédios de 15 andares, expandir conjuntos imobiliários de luxo.

Ignoram o espelho falso que é a CAGILL em Santarém. Exporta mais de dois milhões de toneladas de soja e milho por ano, empregando menos de quinhentos funcionários e continuando isenta de pagar imposto de exportação. Assim é e assim será com os portos da EMBRAPS (empresa brasileira de portos de Santarém) se a sociedade deixar acontecer. Os pobres serão jogados para mais longe para novas ocupações desordenadas. O plano diretor poderá freiar essa agressão ao bem viver de uma sociedade.

Ao final da audiência ontem à tarde, com efeito vinculante as partes do plano diretor foram aprovadas por maioria. Entre outras, a Área de Proteção Ambiental Maicá deve ser preservada, ficando excluídos os portos da Embraps. No dia primeiro de dezembro deve haver mais uma audiência pública para leitura do que foi votado nesta semana e será levada à Câmara de Vereadores para aprovar.

Resta saber até que ponto a maioria dos vereadores respeitará as decisões da audiência desta semana. Pelo fator vinculante, os vereadores não terão porque vetar alguma decisão. Mas é público e notório que um grupo de vereadores defende a todo custo a implantação dos portos da EMBRAPS na boca do lago do Maicá.

Uma questão fica esperando resposta – para que serve um Plano Diretor de um município? Numa democracia de verdade, o plano diretor é como uma bíblia dos cristãos, um livro a ser respeitado e seguido à risca. Mas num país como o Brasil, em que os políticos consideram-se donos de   seus mandatos, fica-se sempre com um pé atrás. Basta ver como o prefeito atual, decidiu terceirizar a gestão do hospital municipal e privatizar o serviço de água e esgoto da cidade, sem consultar ao menos seus eleitores. Ele não pergunta se os moradores da cidade concordam com a tal proposta. Se acha simplesmente no direito porque foi eleito pelo povo.

Um outro fato que chamou a atenção, foi a liberação pelo prefeito atual de Santarém, para a empresa Buriti continuar desterrando e preparando o novo conjunto habitacional para classes média, na rodovia para o aeroporto. Exatamente onde desmatou violentamente 186 hectares de mata nativa. Ele não poderia ter feito tal liberação, já que a destruição de mata nativa está embargada pelo IBAMA desde 2013. Só o próprio órgão, ou um juiz federal podia fazer o que o prefeito fez. Este poderá responder por improbidade administrativa. Como se pode perceber, a situação ditatorial do Congresso Nacional em Brasília, começa a contagiar governos estaduais e municipais. Batem nas costas do eleitores em tempo de campanha eleitoral e depois, vão se juntar aos inimigos da Amazônia e de Santarém. Mas a resistência dos movimentos populares e seus aliados tem surtido efeito de freiar a invasão territorial.

Estranho muito estranho o silêncio do gigante

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Editorial RNA 14.11.2017

“Tenho que gritar, tenho que lutar, ai de mim se não o faço! Como escapar de ti, como calar, se tua voz arde em meu peito…” Assim cantam  cristãos, de vez em quando em suas igrejas. O canto é bem expressivo e comprometedor. Sair da liturgia e ir às ruas lutar por justiça social, política e direitos.

Porém, na realidade está havendo um vácuo entre o cantar e a prática na sociedade. O Brasil vive uma escandalosa ditadura, com graves consequências nas vidas dos trabalhadores, estudantes, dependentes do Bolsa família, produtores familiares, povos indígenas. Essas consequências atingem em cheio todos esses filhos de Deus nos nove estados da Amazônia.

Entre seus 27 milhões de habitantes, cerca de 18 milhões são congregados nas diversas igrejas cristãs. E destes ao menos 10 milhões cantam esse canto de alerta na Igreja católica. “tenho que gritar, tenho que lutar, ai de mim se não o faço…

Nesse triste momento de nossa história, a ditadura Michel Temer impõe com total apoio de deputados e senadores, a 160 milhões de brasileiros voltarem à escravidão, que foi abolida pela princesa Izabel cem anos atrás. É estranho, tanto a conivência de quase todos os deputados e senadores do país e entre eles, dos nove estados da Amazônia, como de juízes, ministros do Supremo Tribunal Federal.

Mais estranho ainda é a passividade dos 160 milhões de brasileiros hoje escravos de patrões com a nova deformação das leis trabalhistas. Surpreende também, os que cantam nas igrejas louvores a Deus e só esperam que Jesus venha salvar seu povo. Não há resistência, não há greves nem há cristãos indo às ruas dizer ao ditador, que não aceitam mais serem escravos de patrões e4;nimnbasdxsaa de políticos corruptos. Como podem ler o Evangelho onde Jesus afirma que bem aventurados são os que tem fome e sede de justiça? O povo unido é o braço e a força de Deus. Estranho, muito estranho…

Gigante adormecido começa a rugir

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 12.11.2017

Precisamos alimentar a esperança por melhores tempos, enquanto vivemos nas trevas da ditadura, que amplia a escravidão dos trabalhadores brasileiros.

Revisando a semana que passou, comecemos com duas boas notícias. A primeira foi a assembleia da Rede de Notícias da Amazônia em Manaus. Nos dias 7 e oito, terça e quarta feira 13 diretores da RNA avaliaram os oito anos de serviço comunicacional aos povos da Amazônia. Hoje são 19 emissoras associadas em rede gerando um noticiário de 30 minutos de segunda a sexta feira transmitidos em sete dos nove estados da Amazônia. Além disso, transmitem um programa de educação ambiental uma vez por semana. Todos os programas são produzidos nas emissoras sócias, coletados na cabeça de rede e todas as emissoras transmitem em horário adequado. Cerca de 3 milhões de ouvintes podem sentir o que se passa nas lutas dos povos de todo o bioma amazônico.

Outra boa notícia aconteceu em Santarém. Sindicatos, e movimentos sociais organizados marcaram presença firme na audiência de construção do Plano diretor do município de Santarém. A audiência em si foi movimentada, inclusive com tumultos, porque um grupo do agronegócio tentou impor seus interesses no plano diretor, evitando as propostas que já tinham sido definidas em audiências anteriores.  A presença ativa dos movimentos populares evitou que o novo plano diretor seja apenas para atender interesses dos empresários. A secretaria de planejamento, com seus auxiliares concluíram a audiência confirmando a terceira audiência para finalização da atualização do novo plano diretor para o final deste mês.

Toda essa tensão resulta por que há uma disputa pelo território do município. De um lados os empresários que desejam utilizar a cidade e o campo para extrair mais lucros; do outro os que lutam para a o município seja uma espaço primeiro para o viver bem dos moradores. Daí os conflitos em Alter do Chão, as imobiliárias em Santarém e os que carecem de um teto para morar e uma cidade com lazer para todos.

Por fim, uma grave notícia, que não pode deixar os pobres indiferentes. Trata-se do assassinato da democracia consumado ontem em Brasília. Entrou em vigor a deformação total das leis trabalhistas, sancionada pelo ilegítimo presidente Michel Temer. Se não houver uma reação em massa dos trabalhadores urbanos e rurais, inclusive funcionários públicos, a fome e a miséria vai aumentar em Santarém, Baixo Amazonas, Oeste do Pará e em todo o país. Mas de cem artigos em defesa dos trabalhadores foram modificados. Sindicato não terá mais importância em defesa do trabalhador. As negociações entre este e o patrão, será só entre os dois. Comparando, comum um ratinho negociando com o gato. É a escravidão abolida pela princesa Izabel e restaurada pelo ilegítimo Michel Temer.

A situação é grave, muito grave e fere os trabalhadores todos e suas famílias. Se não houver uma reação firme organizada será o fim da democracia e da paz. Quem tem ouvidos para ouvir que escute e sinta sua responsabilidade.