Povos indígenas resistem a destruição da Amazônia, capital destrói sem dó

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Editorial para RNA 19.04.2021

Hoje é dia de protesto dos povos indígenas, pois a sociedade brasileira e seus governantes lhes tiraram a alegria de todo dia ser dia de índio. Eles são muitos entre milhões de outros amazônidas, tratados ainda hoje como descartáveis pelas elites civis, militares e políticas deste país tão miscigenado, mas de mentes atrasadas, elites do atraso, como descreve o sociólogo Jessé de Sousa.

Nestes dias chega informação de mais uma desgraça sócio ecológica lá de Itacoatiara Estado do Amazonas. Sábado passado dezenas de famílias daquela cidade saíram correndo de suas casas, por causa de um derrame de gasolina transbordando da Empresa Terminal Fluvial do Brasil S/A. Lá chegaram funcionários da empresa, apenas orientando os moradores a saírem da área, sem prestar nenhum outro socorro. Alto teor de veneno se espalhou pelo bairro, mas até agora não lhes falaram de indenizar os prejuízos.

Tais agressões ambientais e a moradores pobres das cidades amazônicas se repetem constantemente. Em Santarém, além de mais um porto graneleiros dentro da área urbana da cidade, atualmente está sendo construído mais um terminal de armazenamento de combustível, num bairro periférico de Santarém. Depois de implantar 97 % da tal desgraça, sem licença ambiental, a empresa, denunciada por organizações sociais, tenta barganhar um termo de ajuste de conduta, oferecendo pagar um milhão de reais aos moradores prejudicados.

A justiça até agora, está aceitando a continuidade do empreendimento, mesmo sabendo do grande risco de acidentes como o de Itacoatiara. E assim, certamente está ocorrendo em tantas cidades da Amazônia. O progresso capitalista tem vez e voz, a justiça e os políticos se submetem e os que saem discriminados são os indígenas, os ribeirinhos, os moradores de periferias. Afinal, até quando o lucro prevalecerá sobre as vidas humanas na Amazônia?

Uma hora é violação de rios com empreendimentos de risco, outra hora são madeiras extraídas ilegalmente e apoiadas pelo ministro do meio ambiente e assim vai a destruição dos povos e da biodiversidade de nossa Casa Comum. Até quando?

Em Santarém pandemia na faixa laranja podre

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa vida 18.04.2021

Bom dia ouvinte, estamos vivos em mais uma semana. Infelizmente nosso irmão franciscano frei Manoel foi tragado pelo covid19 e com ele muitos outros e outras viajaram por causa do vírus e a demora dos governantes em providenciar vacinas. Dói a gente saber que o governo não comprou vacinas quando havia bastante e estamos pagando com vidas tais irresponsabilidades. Agora os políticos lá em Brasília, vão gastar tempo e dinheiro num julgamento sobre o presidente culpado de tantas mortes, mas há pouca esperança que façam justiça ao irresponsável. Pelo andar da carruagem lá vão realizar um faz conta e as mortes continuarão.

No Evangelho proclamado neste domingo em várias comunidades, Jesus dá um recado direto: O que aconteceu com os discípulos logo após a ressurreição ainda acontece hoje com muitos cristãos: imaginam Jesus de um jeito, quando ele está presente de vários modos. Aqueles ficaram surpresos e com medo, pensando ser um fantasma. Hoje ainda há os que olham Jesus lá em cima, quando como diz a cantiga – seu nome é Jesus Cristo e está com fome e dorme pela beira da calçada, e a gente quando vê passa adiante, pensando que dormiu embriagado…

Durante a semana Jesus andou por aqui, será que você percebeu?  Certamente ele bateu em sua porta, ou em sua mente quando entrou a campanha Puxirum pela vida, o apelo à partilha de cestas básicas com os que estão em pior de situação do que nós. São muitas famílias em cada bairro e comunidade, que por falta de trabalho, doença, ameaças da pandemia, estão se alimentando pouco, e outras nem conseguem ter almoço e janta todo dia. Aí está Jesus ressuscitado esperando por mim e por você.

Por falar em pandemia, será que podemos confiar no decreto do governo que alivia a situação aqui em nossa região? Como crer nele dizendo que nossa situação aliviou de vermelho para laranja?  O número de mortos pelo covid19 continua em seu ritmo. Veja, na sexta feira havia 12 mortos suspeitos de terem sido pelo covid19 e 59 em UTI; no dia anterior constava mais 9 mortos suspeitos e 7 óbitos confirmados. Quando na terça feira 13, o número de óbitos foi de 9 e mais 9 em análise. Então, se na terça feira o número de mortos era de 895 e na sexta feira chegou a 906, podemos calcular que a pandemia está sem diminuir, por que os governantes liberam mais atividades da população?

 Um grupo que acompanha essa trajetória trágica, faz a seguinte análise dessa situação em Santarém:

Perguntam: “Quais os dados técnicos que sustentam essa faixa laranja?

  1. Baixíssima cobertura de vacinas, com menos de 2% da população acima de 65 anos vacinadas;
  2. Taxa de ocupação de UTI do regional acima de 90%;

Taxa de ocupação do hospital municipal acima de 100%

  • Média de 400 pessoas com sintomas gripais procurando a escola Paulo Freire
  • Taxa de mortalidade de 300 óbitos por 100 mil habitantes
  • Fila de espera de UTI por outras causas.
  • Afinal, quantos mais precisam morrer para sensibilizar os governantes? Só nestes 3 meses e meio já morreram 436 pessoas. Quem será o responsável?

Quem tem juízo não se fia no que dizem as autoridades. A pandemia continua matando muita gente. Até nossos amigos franciscanos perderam dois frades nas últimas semanas.

Refletindo ainda sobre a ressurreição de Jesus, a gente fica surpreso como tem muita gente que nem acredita que Jesus existiu, já pensou? Parece ser o caso do ministro do meio ambiente Ricardo Salles. Você lembra que duas semanas atrás ele veio aqui na região defender o roubo de 210 mil metros cúbicos de madeira? O chefe da Polícia Federal da região, cumpriu sua responsabilidade e prendeu a madeira roubada. Veio o tal ministro e tenta desmentir o Polícia federal. Sabe o que aconteceu nesta semana?  demitiram o delegado da polícia federal e os 210 mil metros cúbicos de madeira ilegal, podem até ser liberados. Justiça? Cadê. Para completar, o presidente Bolsonaro jurou de pés juntos diante do presidente norte americano, que vai preservar a Amazônia sem nenhum desmatamento em cinco anos. Você acredita? eu não.

Quem defende a lei é punido pelo governo

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Notícia par RioMar  – 19.04.2021

Bom dia Gecilene e boa semana ouvinte manauara. Será que você ouviu falar alguns dias atrás, de mais uma situação ligada à destruição da Amazônia? Pois é, se não sabia escute agora. Alguns dias atrás, a polícia federal apreendeu nas matas entre o Pará e o Amazonas, 210 mil metros cúbicos de madeira de lei ilegal. Isso dava aproximadamente para carregar 230 caminhões madeireiros. Acontece que o ainda ministro da destruição da Amazônia, Ricardo Salles veio lá de Brasília, em avião do Estado para tentar legalizar o crime ambiental. Os madeireiros diziam que todas 50 mil árvores derrubadas vinham de plano de manejo, então seriam legalizadas.

O delegado Saraiva da Polícia federal do Amazonas, que chefiava a operação, diante da insistência do ministro Salles de legalizar o crime, declarou que aqui não deixaria passar a boiada. Em outras palavras, não recuava da fiscalização do crime. Você ouvinte, diante de um conflito como esse, quem você apoiaria, o delegado que cumpria a lei, ou o ministro que queria legalizar o crime? Você sabe qual está sendo o final da triste novela? Imagine! Simplesmente o governo retirou o poder do delegado defensor da lei e do ambiente, substituindo por outro delegado, que não se sabe ainda se vai manter a prisão da madeira, ou obedecer ao ministro da destruição da Amazônia.

Ligado a essa absurda violação da ética do governo federal, os bispos do Brasil, estiveram reunidos e assembleia na semana passada. Em sua declaração ao final, eles afirmaram que: diante da atual situação pela qual passa o Brasil, sobretudo em tempos de pandemia, não podem se calar quando a vida é “ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”.

Os bispos afirmam ainda que os três poderes da República têm, cada um na sua especificidade, a missão de conduzir o Brasil nos ditames da Constituição Federal, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado” e que o momento exige competência e lucidez.

Daí, ouvinte, a gente está sofrendo por causa da pandemia do corona vírus, mas pior ainda é sofrermos por assistir a destruição de nossa Amazônia, com autoridades corruptas como parece ser o atual ministro do meio ambiente do país. Pense nisso e não fique indiferente.

Mais uma cúpula do clima, com ou sem os povos tradicionais da Amazônia?

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Notícia para Red PAM 14.04.2021

Eis uma questão bastante atual sobre o presente e futuro da Amazônia. A pandemia de covid19 expõe que o corona vírus veio por meio de um animal agredido em seu habitat. Continuando a destruição doa Amazônia, uma próxima pandemia poderá surgir daqui.

Daí a preocupação dos povos indígenas e dos bispos da Rede Pan amazônica.  Ontem apareceu a seguinte notícia: “A pedido do presidente Joe Biden, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, se reuniu na segunda-feira com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A reunião aconteceu, depois que a entidade solicitou, no mês passado, abertura de um “canal direto” de comunicação com os EUA sobre assuntos ligados à Amazônia brasileira. A conversa acontece às vésperas da cúpula sobre o clima, organizada pelo governo norte-americano, que será realizada de modo virtual na próxima semana”.

Duas organizações tem preocupações específicas com esta chamado cúpula sobre o clima. Isto porque, embora o presidente Biden seja democrata, no entanto, seu governo obedece aos interesses do sistema político econômico do Estado. A ambição geopolítica norte americana, olha a Amazônia a partir do seu interesse.

Por isso, os povos indígenas organizados na APIB, querem alertar o presidente Biden sobre o compromisso com a defesa das terras indígenas, hoje ameaçadas de invasão pelo agronegócio, mineradoras e o presidente Bolsonaro.

Já os bispos ligados à Amazônia, manifestam também sua preocupação com a cúpula do clima. “O presidente da REPAM-Brasil, dom Erwin Kräutler, e o presidente da Comissão para a Amazônia da CNBB, dom Claudio Hummes, manifestam preocupação pela falta de envolvimento dos povos amazônicos na tal cúpula do clima. Dizem os dois: “O atual governo dos EUA está se reunindo, sem transparência nem participação alguma dos povos da Amazônia, com o governo federal do Brasil, com a possibilidade de traçar acordos em proteção desse bioma. As principais lideranças dos povos indígenas, quilombolas, seringueiros e camponeses estão muito preocupadas na perspectiva de acordos e financiamentos internacionais a um governo abertamente anti-ambiental, anti-indígena, antidemocrático, negacionista da ciência, cuja gestão da pandemia está levando cada dia mais pessoas à morte e à pobreza.”. Afirma  o presidente da REPAM.

Assim, com as manifestações tanto dos povos indígenas como dos bispos da Amazônia, o governo norte americano terá que definir se vai defender o ecossistema da Amazônia, para o equilíbrio do planeta, ou para atender interesses próprios e do presidente Bolsonaro.

A vacina em gota gotas e a fome em grande escala

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Análise da Semana Nossa Voz é Nossa Vida 11.04.2021

Entramos em nova semana de luz e trevas, de esperança e incertezas, devido a insistência da pandemia e a falta de solução imediata das autoridades. Isto porque só quando tivermos vacinação de ao menos 150 milhões de brasileiros poderemos ficar mais ou menos livres do vírus. No entanto, com a irresponsabilidade do governo federal, a população está recebendo vacinas com lentidão. Até agora apenas 8 em cada 100 brasileiros receberam a primeira dose da vacina. Dai, se explica o alto número de mortos, hoje em torno de 4.195 mil mortos pelo covid19. Em Santarém até sexta feira o registro era de 874 mortos e 71 em UTI. Caso não se aplique um isolamento total no país, em todos os Estados e municípios, dentro de poucos meses se chegará a 600 mil mortos. Porém, empresários e o criminoso Bolsonaro não aceitam paralisar a população por ao menos 30 diretos, pois defendem a economia dos patrõe

Enquanto isso, a fome aumenta devido a paralização da população em isolamento social, falta trabalho, falta comida. Hoje pesquisadores garantem que já estão em insegurança alimentar, cerca de 19 milhões de famílias no Brasil. Aqui em nossa região, as periferias das cidades estão mais ameaçadas pela fome, do que mesmo as comunidades rurais. Estas ainda tem uma roça, um peixe quem mora na beira dos rios. Mas quem mra numa das oito ocupações das periferias da cidade, esses e  essas tão tem de onde tirar a comida. Também em Belterra, Mojuí, Curuá,  Monte Alegre e outros municípios vizinhos. Somente a solidariedade dos que tem um pouco mais pode aliviar a dor de muitas barrigas vazias, especialmente das crianças que não compreendem as causas da fome em suas casas. Felizmente o espírito humanitário e cristão de vários grupos estão distribuindo cestas básicas, que aliviam as famílias por alguns dias.

A Pastoral social da arquidiocese de Santarém, junto com movimentos sociais estão fazendo uma campanha com o puxirum pela vida, algumas igrejas protestantes também estão fazendo sua parte solidária. Também o Projeto Saúde e Alegria e o Movimento Tapajós Vivo tem feito sua parte em buscar aliados que enviam recurso para campanha de cestas básicas. Mas estão conscientes de que estas campanhas, assim como a mixaria do auxílio emergencial do governo não resolverão o problema da pandemia. Nisto os governos municipais, estaduais e federal precisam tomar uma decisão urgente de decretar  isolamento total por um mês, como fez o governo da Inglaterra. Ou isso, ou vai morrer muita gente de fome e de covid19. Você ouvinte e eu precisamos pressionar para essa urgente decisão do chamado lockdown total.

Um outro fato da semana precisamos refletir as consequências graves. Trata-se da destruição continuada de nossa floresta e o apoio do criminoso Ministro do meio ambiente, Ricardo Salles. Talvez você tenha ouvido notícia de um delegado da polícia federal que prendeu  uma imensa derrubada de árvores aqui na região do rio Arapiuns. Lembra? Foram 210 mil metros cúbicos de madeira ilegal, montante para mais de 200 caminhões madeireiros. Pois bem, que você acha de um ministro dito de defesa do meio ambiente, pegar um avião e pousar duas vezes em 10 dias, chegando em Santarém, para tentar legalizar o crime de 210 mil metros cúbicos de madeira que a polícia federal flagrou e prendeu por estar ilegal.

Como aceitar que uma pessoa paga pelo nosso impostos para vigiar e defender o meio ambiente, venha lá de Brasília decretado para defender crime tão evidente? O que você acha ouvinte: quando um pequeno agricultor derruba uma árvore para fazer seu coçado, se não tem licença do IBAMA, ele é multado e até preso; Como explicar que o tal ministro do meio ambiente venha duas vezes em dez dias à Amazônia só para defender  madeireiros que cortaram 210 mil metros cúbicos de madeira que a Polícia[E1]  federal confirma que são ilegais? Em que país vivemos?


 [E1]

Eu não sou pardo seu IBGE

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Notícia para Riomar de Manaus 12.04.2021

Bom dia Gecilene, bom dia ouvinte de toda segunda feira pela manhã, hoje  tenho uma questão que me inquieta e quero saber se inquieta você também: afinal, você é pardo? Você é indígena, negro ou branco?

Por que tal pergunta?  É que o IBGE insiste em nos classificar assim. Tenho uma reação negativa, pois eles me classificam de pardo e eu não me sinto pardo. Para mim pardo é cavalo, boi, ou bode,

Ora, vamos analisar a população de Manaus: com 15 mil indígenas vindo das aldeias morar em Manaus, com nossos avós tendo misturado as vidas, vindos do nordeste, do sul e da Europa e aqui se apaixonado pelas morenas e morenos, pelos negros e negras, casando e se ajuntando, gerando novos filhos da terra, como dizer se alguém em branco, ou negro?

Se a gente olhar pelas fisionomias da maior parte dos moradores de Manaus, de Itaquatiara, de Careiro Castanho, ou qualquer comunidade amazonense, ou paraense, como classificar de pardo? Só mesmo para os otários chefes do IBGE, não acha? Ou será que você se sente pardo, ou parda? O que nós somos mesmo, é caboclos com toda honra. Mesmo quem tem pele clara como nossa companheira Gecilene, não acredito que ela se sinta branca, meio portuguesa, ou francesa.

Nós amazônidas precisamos ter orgulho de sermos mestiços de sangue indígena, afinal estes foram e são os legítimos originários desta imensa Amazônia. São eles que nos ensinaram a gostar do tucumã, do cupuaçu, da mandioca e do tarubá. Foram eles e  elas que nos ajudaram a falar desse jeito hum, hum, ham ham, e a valorizar o canto dos pássaros e as lendas do boto e da cobra grande. Por isso, nada de pardo, mas caboclos com a graça de Deus.

Será que aconteceu milagre em Manaus?

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Notícia para Riomar 05.04.2021

Será que se pode considerar milagre o que está acontecendo no Estado do Amazonas? Aqui chegou uma notícia que se verdadeira, merece  um aleluia, uma ressurreição de verdade. Diz mais ou menos assim “uma queda de 80% no número de mortes por Covid-19, na comparação com janeiro deste ano. Em março, o estado contabilizou 670 óbitos causados pelo coronavirus. Em janeiro, foram 3.556 vítimas”. Deus queira que isso seja verdade. Pelo jeito, a queda de mortes foi no Estado todo.

Não deixa de ser surpreendente isso. Outros estão anunciando dias terríveis no Brasil, no mês de abril. Haverá aumento rápido de casos de infecção e mortes por covid19. Prognósticos são de que até o fim deste mês poderá chegar a 3 mil mortes por dia, deixando o Brasil como o país isolado do mundo, como num leprosário.

Em janeiro foi um aumento de internados  e mortes  devido o surgimento de uma nova variante do vírus em Manaus. Isto, além das festas de fim de ano, com muitas aglomerações. Já em março, parece que tanto as autoridades sanitárias e políticas, como a sociedade civil se deram conta que não se podia continuar desafiando o vírus feroz.

O Amazonas acelerou a vacinação, sendo hoje o Estado com maior número de vacinados em primeira dose. Isto não é a cura total, pois ainda há várias faixas etárias que não foram vacinados. E aqui está a grande chaga do país. O governo federal demorou tanto para priorizar o cuidado da população, não comprou vacinas a tempo e em quantidade, e chegamos em abril com apenas cerca de 8 por cento dos 210 milhões dos brasileiros receberam a primeira dose. Portanto se Manaus hoje aparece com queda de mortos e o Estado com a maior número de vacinados, você ouvinte, não pode ficar tranquilo, pois a situação não está resolvida. A queda de mortos não é certeza de que não haverá mais vítimas. E o número de vacinados ainda é bastante pequeno. Possivelmente você que nos escuta agora ainda não foi vacinado. O cuidado continua para todos nós, pois o seguro morreu de velho não é isso?

Aqui se faz aqui se paga, Deus não castiga

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Editorial RNA 06.04.2021

Deus não castiga ninguém, mas as pessoas se castigam. A maioria dos brasileiros não cometeu crimes tão violentos, por que estão sendo castigados com essa pandemia que já matou mais de 300 mil moradores? Há quem diga que do jeito que está indo, o castigo será ainda maior e em junho poderá chegar a 500 mil mortos pelo covid19. Como aqui se faz e aqui se paga, vamos identificar quem são os criminosos da nação brasileira.

Se um país como os Estados Unidos da América do Norte, consegue agora vacinar 3 milhões de pessoas por dia; se um país pobre como o Chile, conseguiu vacinar metade da população, por que no Brasil, só vacinaram 8 de cada 100 brasileiros com a primeira dose?

Você já deve ter respondido, não é? Isso mesmo, é que no Brasil estamos vivendo uma outra pandemia ainda mais grave. A direção dos recursos nacionais estão nas mãos de uma equipe de perversos psicopatas submissos a perversos ricos empresários e Bancos nacionais e estrangeiros. Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, Ricardo Salles, entre outros da equipe, são uma equipe criminosa, que adiou ao máximo a compra de vacinas. Agora, com receio de perder as eleições do próximo ano, correm da sala para a cozinha prometendo comprar milhões de vacinas, quando já o mercado de oferta está lotado.

Então, o que vem pela frente? Com poucas vacinas chegando aos municípios da Amazônia, resta a você e a mim, ficar em casa 20 horas por dia, toda a semana, pois como a vacina não vai chegar tão cedo, só podemos nos isolar, e usar máscara quando formos à rua. Os criminosos, governantes, políticos e judiciário, vão mentindo ou calando fingindo não ver a desgraça matando milhões de brasileiros. Quem ainda apoia Bolsonaro também será castigado mais cedo ou mais tarde. Por que aqui se faz e aqui se paga.

Em Manaus cientista perseguido por revelar ameaças ao ambiente

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Notícia para Riomar 22.03.2021

Bom dia Gecilene, bom dia ouvinte, que bom que estamos vivos nesta manhã de nova semana. Veja bem que amanhecer vivo nesta pandemia é um vitória, quando no Brasil a pandemia já levou mais de 195 mil brasileiros/as ao cemitério. Para atender interesses dos paraenses que vivem hoje em Manaus, só em Santarém e a você que tem parentes e amigos no baixo Amazonas, desde o início da pandemia Santarém até o sábado, já sepultou 761 infectados pelo covid19 e está com 78 doentes em UTI.

Mas hoje, precisamos encarar uma situação escandalosa ocorrendo em Manaus nos últimos dias. Na última quarta-feira, um noticiário da capital deu a seguinte notícia: “O Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas (Sindsep-AM) irá acionar a Central Única de Trabalhadores (CUT) e a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal em defesa de Lucas Ferrante, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Por causa de seus estudos sobre o coronavírus (covid-19), o desmatamento na região, a questão ambiental na BR-319 e outros temas, o pesquisador tem sofrido diversas ameaças, até mesmo de morte, com um caso recente de agressão física”.

Você sabia que o pesquisador do IMPA estava sendo perseguido por revelar as consequências negativas, no caso do projeto asfaltamento da rodovia Manaus Porto Velho, e também por denunciar o desastre que seria o projeto do governo federal de plantio de cana de açúcar na produção de etanol na Amazônia. O cientista do IMPA pesquisa as consequências ambientais do grande desmatamento que ocorre na Amazônia. Você ouvinte sabia disso? Inclusive Lucas Ferrante, pesquisador do IMPA já vem sendo perseguido des 2019 por causa que seus estudos incomoda os interessados de enriquecer a qualquer custo, mesmo destruindo a floresta, rios e as populações tradicionais da Amazônia.

Talvez você ouvinte não sabia dessa triste situação em que um cientista em Manaus é ameaçado de morte simplesmente por revelar consequências humanas da forma como estão explorando a natureza. Mas fica aqui a pergunta: e daí? Você não tem nada a ver com isso? Podem matar o pesquisador que busca proteger a vida e nós ficamos indiferentes? Não é meu parente, como não? se ele está procurando denunciar os que destroem nossas vidas? É isso, fica aqui a informação e a provocação a todos os moradores de Manaus e onde estão ouvintes da Riomar. Bom dia.

Pandemia no Brasil, Deus não é culpado, quem será?

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  21.03.2021

Bom dia prezado/a ouvinte, Primeiro vamos lembrar que amanhã é comemorado o dia da água. Que significado tem essa comemoração? Nós que vivemos cercados de águas pelos rios e lagos, igarapés, águas abundantes da chuva, aguas subterrâneas, como o aquífero Alter do Chão, corremos o risco de nem valorizar muito as águas que usamos, que desperdiçamos e os rios que poluímos. No entanto, a água calculam uns estudiosos, está sendo motivo de guerras no mundo. Primeiro porque falta água potável em muitos lugares; além disso as grandes empresas estão se apossando as fontes de água e usando e abusando sem pensar nos outros. Um terço das águas doces estão sendo usadas pelas indústrias, pelo agronegócio e outros agressores. Daí a importância de nós neste dia e todos os dias pensarmos em como cuidar bem das fontes de nossas águas, em respeito aos que são obrigados a comprar água por não terem rios e igarapés como nós.

Agora, chegou momento de refletirmos sobre o que acontece ao nosso redor, além da água e como enfrentar as consequências, para construirmos um futuro melhor. No evangelho Jo. 12,20 a 33 proclamado hoje, Jesus é bastante claro alertando seus seguidores. “Quem quer salvar sua vida para si, vai perde-la, mas quem arrisca sua vida pela causa do reino vai garanti-la para a vida eterna”.

Não há dúvida que quem vive para si apenas, não tem chance de ser feliz. Por isso, estão no caminho certo os vários grupos que nestes dias de calamidade da pandemia estão sensíveis aos que passam fome. Os grupos de comunidades, as pastorais sociais que tiram um pouco do que têm para partilhar no puxirum pela vida; mas não só gente das Igrejas, também, o Projeto Saúde e Alegria, o Movimento tapajós Vivo, o grupo da Fancos, entre outros movimentos sociais que partilham do que tem, com os que não tem suficiente para alimentar. Esta é uma boa notícia.

O lado triste da semana foram os que tiveram que morrer por falta de um correto combate ao covid19. Para se ter ideia da tragédia de nossa região, basta conferir quantos faleceram durante a semana. Enquanto os  hospitais continuam lotados, na segunda feira foram 05 óbitos; na terça-feira mais 05 óbitos; na quarta feira subiu para 06 óbitos; já na quinta feira faleceram mais quatro filhos e filhas de Deus, que morreram por causa da corona vírus; na sexta feira o número de  08 mortos; e assim ontem, hoje e assim por diante, faltam médicos especializados para entubação, aumentam as filas de espera. Do início da pandemia até sexta feira passada nos cemitérios de Santarém, foram sepultados 751 pessoas vítimas do coronavirus. No Brasil os cemitérios já acolhem cerca de 288 mil mortos apenas do covid19, sem contar as outras causas.

Por que tantas mortes?  Como outros países já controlam a pandemia e no Brasil não, por quê? Quem tem culpa? Deus? a natureza? Não!.. Muitos que não se protegem são culpados. Mas o principal culpado é o presidente da república.

Na segunda feira passada líderes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em conjunto com entidades nacionais como a OAB, a Sociedade brasileira de imprensa afirmam que “A ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória. Governadores e prefeitos não podem assumir o papel de cúmplices no desprezo pela vida. Assim, apoiamos seus esforços para garantir o cumprimento do rol de medidas sanitárias de proteção, paralelamente à imunização rápida e consistente da população.

A carta teve a participação do presidente da CNBB, de governadores, cientistas e entidades da sociedade civil. Para os participantes, em unanimidade, a tragédia causada pela covid-19, que já custou a vida de mais de 285 mil brasileiros, tem o presidente da República como o maior responsável. A carta denunciando o primeiro culpado pela tragédia foi endereçada aos governos estaduais, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF) é assinada, além da CNBB, pela OAB, Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, Academia Brasileira de Ciências (ABC), ABI e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Diante do sr. Jair Bolsonaro culpado pela falta de vacina, por estimular andar sem máscara, em chamar de gripezinha para tantos mortos pelo vírus, como é que ainda há pessoas aqui em Santarém, em Belterra, Monte Alegre e na região que acham esse homem bom? Como pode uma pessoas seguidora de Jesus ainda apoiar Bolsonaro, que favorece uso de armas para matar?  Será que ainda há pessoas que pensam em votar nele nas próximas eleições? O que mesmo quer Jesus dizer quando no evangelho afirma que “quem quer salvar sua vida para si vai perde-la”?