Ventos de tempestade estão aumentando

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Editorial RNA 18.02.2020

Começa a soprar um vento forte no Brasil, incluindo a Amazônia. É o temporal que se aproxima. O governo Bolsonaro já dá sinais de nervosismo. Uma hora agride grotescamente uma jornalista, outra hora agride a pessoa do Papa Francisco. Assim ele tenta desviar a atenção da população para o temporal que se aproxima. Sente que a brava gente brasileira já canta:  onde vai temor servil, ou ficar a pátria livre ou lutar pelo Brasil.

Assim, nesses dias começam a valer os 21 mil funcionários da Petrobrás em greve há 18 dias, inclusive os petroleiros da base petrolífera de Urucu no Amazonas e os da refinaria de Manaus. Além dos petroleiros, ontem entraram de greve geral os caminhoneiros. Estes que no ano passado foram enganados pelo governo Bolsonaro e seu capanga o ministro da economia Paulo Guedes, agora erguem os braços e gritam que desta vez ou vai ou racha, enganação não cola mais. Pararam os caminhões ontem, sem data para voltar, até que o governo atenda realmente suas reivindicações.

E o vento forte sinal de chuva vai aumentando. Agora são os professores que estão combinando uma paralização nacional em protesto contra a destruição da educação promovida pelo analfabeto ministro da educação.

Outro sinal de temporal chegando, acontece na cidade de Santarém, Estado do Pará. O juiz federal acaba de decretar paralização de uma obra criminosa, um grande porto armazenador de combustível iniciado sem licença ambiental correta e sem consulta aos 10 mil moradores que vivem nas proximidades do monstro. Além dos riscos para os moradores, o porto causará dano ambiental na praia e no rio Amazonas. Por isso, depois de protestos das associações de bairros, a justiça federal paralisou a obra.

Outra obra grotesca acontece do outro lado da cidade de Santarém, bairro Maracanã, onde fica a praia mais próxima do centro da cidade. Desta vez foi o prefeito que causou a violação das leis para construir uma tal passarela no meio da praia. Moradores se rebelaram e agora, apelam à justiça para impedir a coisa. Caso a justiça não resolva, pensam tomar outras atitudes.

E assim, o Brasil vive um temporal amazônico a tomar conta do país. Ou ficar a pátria livre ou lutar pelo Brasil.

e se outros prejudicados se unirem?

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Notícia para RioMar 17.02.2020

Boa tarde Gecilene e você ouvinte ligado na grande RioMar, será que você está sabendo que o governo federal está ameaçado de paralisar? Além do número de trabalhadores estar beirando 14 milhões desempregados, além de o governo estar provocando uma guerra com todos os povos indígenas do país, inclusive os que vivem em Manaus, agora o presidente Bolsonaro e seus auxiliares enfrentam duas grandes greves nacionais. Primeiro, são os funcionários da Petrobrás que estão em greve á há 16 dias. Agora são os caminhoneiros que foram enganados pelo governo Bolsonaro, na primeira greve do ano passado, decidiram fazer paralização geral a partir da próxima quarta feira.

Os petroleiros estão paralisados há pouco mais de duas semanas e exigem decisão do governo. Pressionam a gestão da Petrobras para que suspenda as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná, que já tiveram início de paralização na sexta-feira. Também para que a empresa cumpra as regras do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Amanhã, uma grande marcha nacional em defesa do emprego, da Petrobrás e do Brasil será realizada no Rio de Janeiro, com a participação de caravanas de trabalhadores de vários estados.

Em Manaus 35 trabalhadores da petrolífera de Urucu chegaram ontem para se juntar aos companheiros em greve na capital amazonense e no país. Eles recusam a ideia do governo Bolsonaro de entregar a Petrobrás para a empresa privada. A província Petrolífera de Urucu, no Amazonas, é o maior campo de produção terrestre da Petrobras,

Desta vez, os caminhoneiros decidiram realizar uma nova greve nacional na próxima quarta-feira, dia 19 de fevereiro. Vão protestar contra a suspensão da votação no Supremo Tribunal Federal, da constitucionalidade da tabela do frete. A paralisação de quarta feira será comandada pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, que é presidida por  Walace Landim. Os trabalhadores fazem greve contra o novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do cais do porto de Santos São Paulo, reivindicam um valor mínimo para serviços de frete e a retirada do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. Como o governo está acuado com a queda da economia do país, tenta prejudicar os trabalhadores retirando direitos e a rebelião está começando a crescer. Um dia virá quando todos os prejudicados hoje estarão junto com os petroleiros e caminhoneiros…

 

 

 

 

 

Dois monstrengos em construção contra o povo

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa Vida 16.02.2020

Parece que chegou mesmo o inverno nesta semana passada, com chuvas e chuvas. Mas, por causa das mudanças climáticas com as grandes derrubadas de floresta na Amazônia, não é garantido que esse inverno será forte até junho. Experimentados ribeirinhos afirmam que o Tapajós ainda não subiu como era costume nesse mês. O teólogo Leonardo Boff afirma que “nós seres humanos somos assassinos de nós mesmos”. A natureza não perdoa o mal que se faz a ela.

Neste sentido, duas violências graves estão acontecendo aqui em Santarém. No lado esquerdo de quem olha para o rio, a prefeitura iniciou a construção de um monstrengo, em plena praia do Maracanã. Meio silenciosamente os engenheiros foram enfiando estacas de cimento no meio da praia, dizendo que era para construir uma passarela turística. Houve uma conversa com alguns barraqueiros que se iludiram pensando que seriam beneficiado com aquela. Infelizmente o troço começou no ano passado e só recentemente um grupo de  moradores se deu conta da desgraça. Entenderam que assim como a CARGILL se apossou da praia da Vera Paz e parte do rio Tapajós, agora pode ser semelhante na praia do Maracanã. Estão se organizando, pedindo apoio da OAB, da CJP, do Movimento popular. O que se pode fazer é impedir de modo organizado a continuação daquele troço que é um crime social e ambiental. Antes tarde do que nunca. O prefeito segue o estilo do presidente Bolsonaro que não respeita o povo, nem as leis ambientais. Estão procurando os caminhos legais denunciado no Ministério Público, com orientação da OAB. Caso não se resolva por esse caminho, buscarão outros, contanto que se salve a praia do Maracanã, que é do povo.

Do outro lado da cidade, surge outro projeto mais criminoso ainda. Um porto armazém de combustíveis. Dentro do bairro cercado de residências, está sendo levantado o projeto com grande tanques. Dizem que será muito maior do que o porto de combustíveis Sabbá ao lado do porto da cidade. Outra violência às leis ambientais, possivelmente apoiado pela prefeitura. Também ali a sociedade organizada, as associações de moradores agora estão reagindo ao novo monstro ameaçando o rio e cerca de 10 mil moradores do bairro Maicá. A cidade de Santarém vai deixando de ser lugar de convivência humana para ser depósito de empresas. Também para os moradores dos bairros ameaçados pelo monstro de combustíveis, só resta pressionar as autoridades judiciais e se organizar para impedir a continuidade de mais um inimigo do ambiente e do povo.

Agora um assunto bem positivo aconteceu na semana. A Exortação do Papa Francisco confirmando as conclusões do sínodo para a Amazônia. Este é um documento que todos deverão procurar adquirir uma cópia nas livrarias e nas paróquias. Conhecer como o Papa se preocupa com os povos e com a mãe natureza. Ele começa a exortação chamando Querida Amazônia, considerando-a sujeito de direitos e de carinho. Aprovou quase tudo o que os bispos dos nove países da Pan Amazônia afirmaram ser necessário para se cuidar da fé e da ecologia. Para evitar maiores divisões dentro da Igreja, ele retirou a possibilidade agora de serem ordenados padres, homens casados e fiéis a Deus. Foi um recuo no momento para se  confirmar um pouco mais tarde. Padre casado em cada comunidade cristã é uma necessidade pois os cristãos tem direito a santa missa ao menos toda semana, o que não está acontecendo na Amazônia, por serem poucos os padres solteiros.

 

Papa Francisco um passo atrás para dois passos à frente

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Notícia para Red Pan 13.02,2020

Ontem por coincidência com a publicação da Exortação apostólica Querida Amazônia, pelo Papa Francisco, foi aqui na Amazônia celebrada a memória de nossa santa mártir Dorothy Stang. Não foi ainda canonizada pelo Vaticano, mas seguimos a orientação de Jesus, que afirma, quem for morto por estar defendendo o projeto dele, está no Reino eterno.

No caso da exortação apostólica do Papa Francisco, confirmando as conclusões do sínodo da Amazônia, houve um certo recuo. Mas já o título chama carinhosamente a querida Amazônia. É uma expressão forte tratando a região como sujeito digno de respeito e afeto. A exortação confirma em quase tudo o que os sinodais aprovaram e está no documento final. Papa Francisco “sonha com uma Amazônia que preserve a riqueza cultural, que a caracteriza e na qual brilha de maneira variada a beleza humana”.  Salienta que o conteúdo principal do documento sinodal, é o diagnóstico sobre a Amazônia e salienta que a parte mais consistente do sínodo na expressão dele: “o diagnóstico cultural, o diagnóstico social, o pastoral e o ecológico”. Segundo ele, a sociedade precisa assumir responsabilidade por esse diagnóstico amazônico.

Surpreendente foi que o Papa Francisco tenha excluído a possibilidade de ordenação de homens casados ao sacerdócio comunitário. Afinal, ele acompanhou todo o desenrolar dos debates e a provações dos assuntos durante o sínodo. Além disso, já antes ele dava estímulo a se discutir a necessidade do povo católico ter a santa eucaristia, como fonte de vida cristã. Conhecedores da realidade da Pan Amazônia, 128 bispos aprovaram a possibilidade de ordenação de homens casados como sacerdotes comunitários. Apenas 48 foram contra.

A pergunta que paira hoje nas mentes dos líderes católicos da Amazônia brasileira é: qual terá sido a razão de o papa mudar a decisão do sínodo? Teria ele se convencido de algo diferente? Ou teria sido por pressão de cardeais e bispos conservadores e reacionários no Vaticano e outras partes do mundo? Uma outra hipótese, mais coerente com a linha pastoral de Francisco é: ele deu um passo atrás, para dar dois passos a frente adiante. Ele sabe que a Igreja na Amazônia precisa de muitos padres a serviço do povo de Deus e que os padres solteiros não são muitos e nem vai aumentar suficiente. Ele sabe que os povo de Deus tem direito a santa eucaristia com mais frequência do hoje. Ele sabe também, que Não basta só aumentar o número de diáconos casados, pois estes não tem poder sacerdotal. Mas a pressão de cardeais conservadores e mesmo a intromissão do Bento16, podem ter feito Francisco dar um passo atrás.

Herói quem defende a pátria, mártir quem defende a vida

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Editorial RNA 12.02.2020

Quem arrisca sua vida por uma causa justa e morre é um herói. Quem arrisca sua vida pelo bem de outros seres humanos e morre, é um mártir. Hoje celebramos não uma heroína, mas uma mártir na e da Amazônia. Irmã Dorothy Stang, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos. Por 24b anos viveu para os pobres posseiros do município de Anapu, no Pará. Norte americana de nascimento e amazônida por vontade e vocação. Hoje celebramos 18 anos desde que Dorothy morreu e ressuscitou.

Sobre ela o bispo emérito do Xingu, Dom Erwin Krautler dá o seguinte testemunho: “o que me impressionou, desde que ela chegou aqui, em 1982, é a sua opção radical pelos pobre. Foi para uma área que, naquela época era, não apenas de pobreza, mas de miséria”. Ele ainda afirma, “eu quase não acreditei no início, porque essa mulher vem lá dos Estados Unidos, do conforto e tudo o que tem lá naquele país, e vai se meter numa situação, numa realidade tão cruel. Mas ela foi, e ficou até o dia da sua morte”.

Esta santa mártir não é a única que derramou seu sangue pelo bem dos outros. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 2005 a 2014, 325 pessoas foram vítimas de assassinatos motivados por conflitos agrários. Mais da metade destes casos aconteceram na Amazônia Legal. E mais, tantos outros mártires na Amazônia das recentes décadas: Zé Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, casal de líderes extrativistas era conhecido pela defesa do manejo sustentável da mata e pela oposição a sua exploração irrestrita. Sindicalista Josias de Castro e sua esposa, Ereni Silva, em agosto do ano passado, em Guariba, no Mato Grosso; e também ao assassinato de José Dutra da Costa, o Dezinho, ocorrido em novembro de 2000, em Rondon do Pará.

A lista dos mártires continua:  Alejandro Labaka e Inés Arango, Ezequiel RaminChico MendesJosimo TavaresVicente Cañas, Cleusa Rody Coelho, Alcides Jiménez, Rodolfo Lunkenbein e Simón Bororo, além de muitos outros.

O mestre Jesus garantiu:  ”Felizes os que são perseguidos por defenderem a justiça porque destes e destas é o Reino de Deus”. Eis um recado para quem luta pelo bem dos outros.

Extermínio indígena iniciado em 1.500 está continuado por decreto hoje

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Notícia para Riomar – 10.02.2020

Só para recordar, ouvinte, outro dia falei a você que boa parte dos povos indígenas do Brasil estão no Estado do Amazonas. No alto Negro  são 14 povos indígenas vivendo ali há séculos; no Alto Rio Solimões há vários povos, como os ticuna, os tucano entre outros. Todos esses povos tem seu território, falam cada qual, seu idioma e seus costumes ancestrais. E assim, no rio madeira, rio Juruá e outros.

Pois bem, será que você já ouviu falar que o presidente Bolsonaro, acaba de assinar um decreto para exterminar todos os povos indígenas? Isso mesmo, ele está autorizando entrada de garimpeiros a explorar ouro e diamantes nas terras indígenas. Dois especialistas que conhecem a realidade dos garimpos dizem o seguinte: “O garimpeiro com a bateia nas mãos buscando ouro e diamante no curso das águas de um rio, foi substituído por trabalhadores equipados com super-escavadeiras, motobombas e balsas gigantescas comandadas pelos ‘donos dos barrancos’, pessoas que controlam os garimpos, usando mercúrio, cianeto, explosivos sem critério e cuidado, envenenando pessoas, rios e solo pelo lucro fácil”. O decreto do presidente Bolsonaro pretende autorizar estes e outros tipos de agressão ao rio e ao solo das terras indígenas para satisfazer a ganância dos garimpeiros.

Hoje ainda existem cerca de 900 parentes indígenas, maioria na Amazônia, dos seis milhões que existiam quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Bolsonaro está provocado a ira dos indígenas de hoje, que não são mais tão ingênuos quantos de 1500. Basta escutar a declaração que a articulação indígena acaba de fazer ao governo. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) vem de público manifestar o seu veemente repúdio às manifestações de ódio e racismo visceral que o governo Bolsonaro desde o seu primeiro dia de governo tem manifestado rotineira e publicamente contra os povos, organizações e lideranças indígenas do Brasil.  Denuncia a manipulação que o governo Bolsonaro faz do nosso direito à autonomia e chama a toda a sua base e movimentos, organizações e segmentos solidários da sociedade nacional e internacional a se somarem conosco nesta batalha pela vida e o bem viver não apenas dos povos indígenas mas de toda a humanidade e o planeta.

Diz um ditado que quem com ferro fere, com ferro será ferido. É o que está procurando o governo brasileiro ao provocar a impaciência dos indígenas. Diante de mais esse crime oficial, resta aos povos indígenas resistir, como já uma vez declarou um líder mundurucu. Se querem guerra vamos enfrentar a guerra e defender até que respeitem nossos direitos constitucionais.

 

Antes que Nossa Casa Comum seja destruída

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Editorial RNA 31.01.2020

Amazônia, nossa casa comum este é um novo significado da grande bacia que sustenta a vida na América do sul. Esta casa comum ajuda a sustentar o planeta. Porém está ameaçada pela ambição do capital e pela falta de cidadania de muitos de seus ocupantes.  De acordo com estudiosos, se não for modificado o modo atual de vida e cuidado na mãe terra, em trinta anos a Amazônia será transformada em uma savana, sem mais floresta e com desequilíbrio sem retorno do clima no planeta.

Se todos os moradores desta casa comum são responsáveis por cuidar dela, mais razão tem os cristãos de todas as Igrejas. Além de serem usuários dos bens, tem o dever moral implícito no Evangelho, que os alimenta. Em boa hora surgiu o sínodo para a Amazônia e nele, os bispos da Pan Amazônia participaram durante três semanas em debates e consensos para cuidar também da ecologia integral. Tal compromisso inclui cuidar da justiça social, respeito às culturas dos povos tradicionais e também cuidar do meio ambiente.

Neste sentido pode fazer a diferença a posse depois de amanhã, do novo arcebispo de Santarém, dom Irineu Roman. Também nos próximos dias tomará posse o arcebispo de Manaus Dom Leonardo Stein. Estes dois líderes cristãos estiveram participando das três semanas do sínodo para a Amazônia e portanto, são co produtores do documento de compromissos desta nova forma de evangelizar a Amazônia. Com eles também estiveram participando bispos de todas as dioceses da Amazônia e da Pan Amazônia.

Deles, a Casa Comum espera novo ritmo na ação dos cristãos em defesa  da  ecologia integral e assim salvar a mãe natureza e seus povos. Os bispos assumiram compromisso de animar seus liderados a enfrentar os desafios de cuidar da vida em todos os sentidos. Assim, o documento sinodal afirma: “A Igreja tem oportunidade histórica de se diferenciar das novas potências colonizadoras, ouvindo os povos da Amazônia para poder exercer sua atividade profética com transparência.” A casa comum Amazônia aguarda a liderança destes dois arcebispos e seus companheiros.