Se a Amazônia está muito quente não culpe o sol

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NOTÍCIA PARA Rio Mar  11.11.2019

Boa tarde Gecilene e você, escutando nosso programa de fim de tarde. Semana passada estive aí em Manaus por três dias, num importante encontro da Rede de Notícias da Amazônia. Pude sentir o quanto você e muitos sofrem com o calor forte, especialmente à tarde e noite. Aja ventilador e central de ar, não é mesmo? Mas por que tanto calor? Não pode ser apenas por causa do verão, nem porque Manaus está em plena Amazônia. Santarém sofre do mesmo mal, calor intenso, um pouco menos, porque aqui temos dois rios abertos com boa ventilação. Mesmo assim, um ignorante engenheiro teve a audácia de mandar derrubar várias mangueiras de uma rua ajardinada, simplesmente para abrir canal para saneamento. Assim Santarém fica mais quente por causa da falta de uma secretaria de infraestrutura com noção de cidadania. Será que coisa semelhante acontece em Manaus?

Pois bem, repare alguns fatos que explicam o aumento de calor em Manaus, no Amazonas e em toda nossa Casa Comum. De acordo com informações de pesquisadores do Instituto do homem da Amazônia, IMAZON e do Instituto de pesquisas espaciais INPE, em Setembro deste ano o desmatamento na Amazônia chegou a 802 quilômetros quadrados, 80% mais do que em setembro do ano passado. Praticamente em todos os estados da Amazônia aconteceram matas derrubas, inclusive no Estado do Amazonas.

Escute mais essa: já nestes primeiros dez dias de outubro caíram por terra 555 quilômetros de mata destruída. Imagine quantos quilômetros mais serão no fim do mês.

Como explicar tanta destruição? Simples, os invasores em busca de lucro a qualquer custo, fazendeiros, sojeiros, mineradores, entre outros.  Esses fazem essas desgraças porque tem um governo que não dá importância para os povos da Amazônia e despreza os indígenas. Daí, deixa órgãos fiscalizadores sem recursos, como IBAMA e ICMBIO e pronto, aguente o povo de Manaus, Santarém e toda a região a sofrer as consequências.

Mas até quando vamos suportar humilhados e de braços cruzados? Pense você.

Se Deus é por nós, quem será contra nós?

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Análise da semana NOSSA Voz é Nossa Vida 10.11.2019

Vale a pena nós revisarmos a semana que passou refletindo sobre algumas situações à luz da Boa Nova de Jesus de Nazaré.  Então vá fazendo um retrospecto da semana por onde você andou e o que envolveu você, e que lhe fez refletir.

Por aqui, trago à nossa reflexão três fatos que considero bem relevantes. O primeiro aconteceu em Manaus. Quinta feira estávamos na assembleia anual de diretores da Rede de Notícias da Amazônia RNA. Éramos 11 onze diretores das 20 emissora sócias da RNA. Se você é um/a ouvinte fiel dos programas de notícias e educação ambiental da RNA, sabe que oferecemos notícias importantes das lutas sociais dos povos tradicionais da Amazônia, notícias que não saem nos canais de televisão e rádios comerciais. Se ainda não escutou a RNA então, crie juízo e sintonize a Rádio Rural de segunda a sexta feira às 19 horas, logo após a santa missa, para as notícias e aos sábados 7:30 para escutar o programa Caminhos da Amazônia. Pois bem, em Manaus avaliamos nossa caminhada de dez anos de serviço radiofônico e planejamos como melhorar no próximo ano.

Outro fato importante da semana, foi a nomeação do novo bispo para a diocese de Santarém. Aliás, ele vem com novo título de arcebispo, significa líder de uma região eclesial chamada província eclesiástica. Ao longo dos próximos dias você terá mais explicações sobre esse acontecimento. Oramos a Deus que Dom Irineu seja um pastor que anda no meio de seu rebanho, seja um profeta da Amazônia e ajude seu povo a lutar pelo bem viver e cuidado com nossa mãe natureza. Nós o povo de Deus, temos que aprender a ligar nossa fé em Jesus, com o projeto de libertação vivido e ensinado por ele. Pois, como escreveu o apóstolo Tiago, fé sem obras é morta e as obras da fé são vida digna para todos.

Um terceiro acontecimento merecedor de nossa reflexão foi a decisão do Supremo Tribunal Federal, STF lá em Brasília. Finalmente os ministros do STF decidiram respeitar a Constituição Federal, depois de muita vacilação. Confirmaram a regra imutável, de que uma pessoa acusada de crime, só poderá ser condenada depois do processo passar pela última instância e transitar em julgado. Assim, não apenas o ex presidente Lula, mas outros condenados injustamente foram libertados. Há pessoas raivosas que ainda pensam que o STF foi injusto. Um deles é o vice presidente da república General Mourão, justamente um militar que se supõe que aprendeu nos quarteis a zelar pela constituição federal. Veja o que ele disse abertamente: “O Estado de Direito é um dos pilares de nossa civilização, assegurando que a Lei seja aplicada igualmente a todos. Mas, hoje, dia 8 de novembro de 2019, cabe perguntar: onde está o Estado de Direito no Brasil? Ao sabor da política?”  

Imagine que esse homem foi defensor da ditadura militar de 1964. Como ele é ligado a Bolsonaro e foi eleito com ele, numa eleição arranjada com o então juiz Moro, que prendeu erradamente Lula da Silva, agora fala em defesa do Estado de direito, justamente a defesa que fez o STF. Neste caso, não defendemos apenas o ex presidente Lula, mas a defesa da democracia no Brasil que anda muito pra baixo. Basta ver como usam a mudança de lei para prejudicar os trabalhadores, estudantes, esvaziando o SUS e permitindo invasão em terras indígenas. Isso o general Mourão se cala e consente. Nós cidadãos, temos que defender a justiça e o direito como nos falou a Campanha da Fraternidade deste ano.

Lutadores sociais da Amazônia tem seu diálogo

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Editorial  RNA  05.11.2019

Desde terça feira até hoje, estão reunidos em Manaus 10 diretores, das 20 emissoras sócias da rede de Notícias da Amazônia. Junto com coma diretoria e assessores da RNA, estão avaliando a caminhada de dez anos de serviços aos povos da Amazônia e planejando novos passos a partir das inspirações do Sínodo para a Amazônia.

Comunicar não é tão difícil; se comunicar é mais exigente pois precisa ser entendido; porém fazer comunicação em diálogo é necessário muito mais saber escutar, entender o jeito do outro, sua forma de compreender o conteúdo em andamento para ampliar seu conhecimento e sua vontade de ser feliz. Fazer comunicação libertadora na Amazônia é um desafio para quem ousa servir aos povos tradicionais da região, que é um mundo  variado de culturas, linguagens, desafios e violências causadas por quem invade o território para exploraras riquezas e os povos.

Foi por isso que surgiu dez anos atrás a experiência da Rede de Notícias da Amazônia, hoje com 20 emissoras unindo os povos da região através de uma comunicação dialógica, levando em consideração as lutas e esperanças de ribeirinhos, agricultores familiares, povos indígenas e moradores de periferias de cidades. É colocar o rádio como forma de ligar os povos da floresta se entendendo e se inspirando em suas lutas. Nestes dois dias e meio estão reunidos em Manaus, diretores e assessores da Rede de Notícias da Amazônia, fazem uma avaliação e renovam propostas de avançar no serviço de comunicação dialógica a serviço dos lutadores sociais em busca de bem viver, usufruindo das riquezas que a natureza lhes oferece. Ao mesmo tempo esses lutadores sociais combatem os ambiciosos semeadores de sofrimentos dos nativos violentando a floresta, os rios e o subsolo da Amazônia.

Os diretores da Rede de Notícias estão mais comprometidos com a missão comunicacional, inspirados agora com a conclusão do sínodo da Amazônia. Um dos compromissos assumidos é cultivar a ecologia integral, incluindo a ecologia econômica, social, política e a ambiental.

A escravidão de hoje é da consciência

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa Vida 02.11.2019

Ontem cristãos e pessoas sem religião, mas que tem saudade dos seus, celebraram o dia de finados, anteontem celebraram o dia de todos os santos. Quem é santo? São aqueles e aquelas que a gente crê que estejam na casa do Pai. Os que foram felizes fazendo outras pessoas felizes. Vários foram reconhecidos pela Igreja com esse título, pela forma intensa como viveram sua fé e solidariedade. Assim, Santos Antônio, Sebastião, Maria mãe de Jesus, e outros milhares. Também há os que não foram ainda patenteados pela Igreja, mas o povo já os reconhecem, como Padre Cícero Romão, e irmã Dorothy. Há também os anônimos que souberam viver intensamente o amor solidário e foram honestos. É digna a festa em homenagem aos santos e santas cultivadas pelo povo. Afinal, são inspiração para todos nós, que podemos ser santos como eles são.

Hoje temos alguns fatos dignos de reflexão, por serem oportunidade de você e eu compreendermos como anda a vida em nossa sociedade. Especialmente a vida de tantos que continuam lutando para o bem viver seu e dos outros. São os que caminham para a santidade.

Primeiro, uma história de alguém que luta e sofre para sobreviver. Encontrei um trabalhador rural lá do Tapajós. Um esforçado pai de família que vive da produção de farinha. Além de peixe que busca para alimentar a família, sua renda vem da venda de farinha. Indaguei quanto ele ganha com a venda de um saco de farinha. Disse que trazendo na cidade vende por 70 reais o saco. Mas tem que trazer mais de um saco, pois as passagens ida e volta levam 60 reais. Na conversa perguntei porque não vendia direto nas tabernas em vez de entregar no atravessador? Ele não tinha experiência disso e tinha pressa de voltar quando vinha à cidade. Mais tarde, passei numa taberna de esquina e perguntei quanto era um quilo de farinha; a pessoa disse que custava 4 reais. Veja só o prejuízo do caboclo. Um saco de 60 quilos vendido no retalho a 4 reais, vai dar 240 reais. A pergunta é, por que o produtor de farinha não vende nas tabernas da cidade? Quando falei depois com o farinheiro do Tapajós sobre o preço vendido na taberna, ele me disse: É mesmo!!! Será que ele e outros vão mudar seu modo de ser escravos?

Outro fato que merece reflexão. Há poucos dias houve uma reunião entre moradores do Lago Grande do Curuai, vereadores e chefe do INCRA em Santarém. Tratavam de busca de melhoria na estrada e serviço de água. No meio da reunião, um morador do médio Lago perguntou ao chefe do INCRA se ele podia desfazer o assentamento PAE Lago Grande. Dizia ele que a Federação da Gleba Lago Grande não fazia nada, só atrapalhava e cobrava mensalidade. O chefe do INCRA não tem como desfazer uma lei federal. A questão é: por que aquele homem se inquietava com o PAE Lago Grande? Antes de haver o assentamento, ele nunca saiu da pobreza, sempre foi submisso aos políticos oportunistas da região. A estrada Translago surgiu graças ao esforço do padre, o posto de saúde melhorado hoje, surgiu graças à pressão sobre o governo estadual. Hoje a maior ameaça aos moradores da gleba Lago Grande é o monstro de sete cabeças chamado ALCOA. Se a multinacional ainda não invadiu o território de lá, foi graças à luta da Federação FEAGLE. Então, será que aquele caboclo estava na reunião defendendo a invasão da ALCOA? Triste vida de pobre sem consciência de classe, que prefere ser cambão dos exploradores.

Incêndios, petróleo nas praias, que mais?

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Editorial RNA – 31.10.2019

Quem mora bem dentro da Amazônia e até quem mora nas cidades da região, talvez tenha dificuldade compreender o tamanho dos impactos provocados por mais este grande desastre causado pela derrama de petróleo nas praias de todo o nordeste brasileiro. Informações dão conta que praias de 200 comunidades de 88 municípios estão contaminadas. Já desse Paraíba até o sul da Bahia famílias de pescadores artesanais está sem poder trabalhar e as famílias estão passando fome. São 20 mil pescadores sem poder trabalhar, além de restaurantes estão parados por falta de peixe para servir aos turistas que desapareceram da região.

Enquanto a desgraça atinge moradores do Nordeste, o governo federal tenta escapar da responsabilidade de cuidar de identificar as causas e a reparação do acidente. Ministros tem inclusive tentado acusar a Venezuela e o Greenpeace como causadores do acidente. Pesquisadores da universidade de Alagoas já identificaram a área geográfica de onde está vindo a derrama de óleo. Inclusive levantam a hipótese de que o óleo está surgindo do fundo mar. Possivelmente por vazamento da extração de petróleo do Pre Sal.

Se nada for feito pelo governo para estancar a derrama de óleo no mar a contaminação poderá chegar nas praias do Rio de Janeiro e até em Portugal. Também a Amazônia poderá ser atingida, pois os ventos podem arrastar as ondas contaminadas á costa do Amapá e de lá pelo rio Amazonas. Vivemos num país desgovernado e as populações sofrem as consequências.

 

E agora que o SÍNODO encerrou?

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Editorial RNA 29.10.2019

E agora que o Sínodo da Amazônia foi concluído? Entre outros compromissos, foi assumida a ecologia integral, que abrange os cuidados com a justiça social, a política com seriedade, uma economia sustentável e o cuidado com o ambiente. Se for assumido firme por cidadão honestos, cristãos que levam a sério o projeto do mestre Jesus e políticos éticos, certamente a Amazônia terá melhorias, mesmo que enfrente conflitos com os que a buscam apenas como lugar de saque e busca de lucros.

Da parte dos cristãos vai ser urgente uma mudança de mentalidade clerical de muitos bispos, padres e animadores de comunidades. Eles que deverão ser os primeiros a dar exemplo de uma Igreja sinodal, caminhando junto com seu povo. Deverão enfrentar os impactos da invasão capitalista, que destrói o bem viver dos povos tradicionais. O sínodo compromete a Igreja com a construção de um bem viver. É contrapor aos planos de extrativismo predador. Levar a sério as conclusões do sínodo, é enfrentar conflitos com quem olha a Amazônia, apenas como um eldorado de riquezas a serem retirados e deixando estragos para os que vivem na região.

Muito vai depender da mudança de mentalidade, tanto dos líderes cristãos, políticos, bispos, padres, educadores e movimentos sociais. Inclusive os responsáveis das emissoras da Rede de Notícias da Amazônia. A RNA surgiu como instrumento de integração dos lutadores sociais, partilhando informações estimuladoras da luta comum. Outro compromisso estrutural da RNA é a defesa da Casa Comum. As emissoras sócias  precisam interpretar bem o conteúdo do sínodo e a luta do Papa Francisco pela defesa da grande Amazônia. Dificuldades e conflitos surgirão, como o próprio Papa Francisco tem enfrentado. Mas, concluído o sínodo, não será mais possível vermos a Amazônia sendo destruída e seus povos abandonados e líderes de braços cruzados.

 

Análise de conjuntura nacional com foco na Amazônia

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Capítulo dos Frades Franciscanos – São Benedito – 25.10.2019

 

  • A conjuntura no tempo – com uma estrutura democrática em desmonte, a conjuntura muda quase a cada semana. Mas também há fatores positivos na conjuntura amazônica como o sínodo Para a Amazônia. Daqui a uma semana, quando apresentaremos a análise, provavelmente já haverá outros fatores em andamento.
  • Lembremos que há conjunturas acidentais, como um raio que cai, no entanto a grande maioria das conjunturas é consequência de uma estrutura frágil, como também por fatores humanos, como é o caso da atual conjuntura da nossa Amazônia. Uma casa construída com esteio de embaubeira, facilmente poderá cair”.
  • Na conjuntura destes dias, os fatos mais relevantes para nossa análise são: o desmoronamento da democracia brasileira; o grau de destruição da infraestrutura da Amazônia; impactos na Amazônia e seus povos; a correlação de forças; o sínodo para a Amazônia e as perspectivas para a Igreja e para a ecologia integral.
  • Vamos por partes:
  • O desmoronamento da democracia – O Brasil que há dez anos era a sexta economia mais forte do planeta, hoje está sem rumo. Mesmo tendo uma reserva cambial de cerca de US$ 280 bilhões de dólares, o que lhe garantiria sobreviver à crise do capitalismo internacional, hoje gasta 48% de toda a arrecadação de impostos para pagar juros da dívida pública. Os maiores credores do Brasil são Bancos públicos e privados, que devem ao mesmo tempo, 450 bilhões à Previdência Social.

# com um governo sem responsabilidade social, guiado por um banqueiro medíocre (Paulo Guedes), os dirigentes federais decidem privatizar o patrimônio econômico do país (Embraer, Alcântara, Eletrobrás, Pre Sal, etc).

  • A destruição da Amazônia – De 2003 até 2018 foram 140 mil quilômetros de floresta destruída. Com a entrada da soja na região se intensificou o desmatamento. Além da soja, ampliaram as fazendas (Brasil exporta carne de gado para mais de cem países, além de frango e porco. Ao mesmo tempo acelerou a exploração madeireira e mineral. O rio Tapajós turvo e envenenado por mercúrio é um exemplo. Pra ampliar a destruição chegam as logísticas a serviço da exportação de comodities. Daí o asfaltamento da Br. 163, os 23 portos previstos entre Santarém e Miritituba, a ferrogrão com 940 quilômetros entre Lucas do Rio Verde e Miritituba. Com estímulo do governo Bolsonaro e seus ministros do meio ambiente e da agricultura também irresponsáveis, grileiros e garimpeiros se sentem livres para exigir invasão de terras indígenas. Bolsonaro, bobo da corte dos empresários ironiza dizendo: “índio porra que nada, é o minério que interessa”.
  • Os maiores impactos recaem sobre a natureza e sobre os povos tradicionais. Calculam os pesquisadores que 18% da floresta amazônica já está desmatada. Se continuar nesse ritmo e chegar a 25 % do desmatamento, a Amazônia desequilibra e se torna uma savana sem retorno. Também os moradores da região, hoje em torno de 25 milhões de seres humanos, estamos sendo impactados e não só os indígenas, ribeirinhos e moradores nos entornos das barragens. Todos estamos sofrendo já os impactos negativos da destruição. O envenenamento com agrotóxico nas plantações de soja e nos produtos vegetais importados (tomate, repolho, laranja maçã, etc). Para se ter ideia da gravidade, em pesquisa no Hospital regional em Santarém, foi constatado que só neste oito primeiros meses do ano entram na área de oncologia 1.776 em tratamento. Em média 48 casos de câncer de próstata. Dr. Erick afirma que mesmo não havendo pesquisa científica, desde que entrou a soja na região aumentou o número de pacientes com câncer.
  • A correlação de forças na atual conjuntura – aqui está um gargalo na soberania dos povos da Amazônia e do país todo. Como o governo Bolsonaro, tem tido uma segurança meio oculta para destruir as regras do jogo, vai desfazendo os direitos dos trabalhadores, estudantes, doentes, indígenas, etc; vai entregando o patrimônio nacional (Petrobrás, Embraer, Eletrobrás, Alcântara, etc; ao mesmo tempo vai estimulando a destruição da Amazônia sem escrúpulo. Ao mesmo tempo as resistências da sociedade são ainda muito frágeis. No País, nem as centrais sindicais, nem os partidos de oposição, conseguem criar uma unidade forte para enfrentar os desmonte da democracia. O PT não consegue ser solidário com os outros partidos que buscam uma unidade. De um lado PT se sente no direito de comandar, por ter mais deputados federais eleitos; de outo lado fica muito dependente do Lula da Silva. Este mesmo dentro da prisão, em quem parece dar as cartas do partido. Por exemplo, impôs recentemente o nome da Gleice Hoffmam para presidência do Partido, quando um grupo dentro do partido queria o nome de Haddad. Pelo lado dos Movimentos sociais a resistência é muito pontual (caminhoneiros, indígenas, quilombolas); Aqui mais perto de nós é ainda mais frágil. Temos o STTR, o MTV, o CITA, a Pastoral social. Em Itaituba está havendo mais uma desgraça com a dragagem dos portos das empresas em frente da cidade e até agora, tem uma tentativa de trazer a denúncia para o MPF em Santarém, mas por falta de dinheiro não fizeram ainda.
  • A Participação da Igreja na Conjuntura e a presença do Sínodo Para a Amazônia –
  • Em matéria de compromissos assumidos, a Igreja na Amazônia pode impressionar. Documento 1972 em Santarém “ Cristo aponta para a Amazônia”, Documento de 2012 “Memória e Compromisso”, Documento de Manaus 1997 “ A Igreja se faz carne e arma sua tenda na Amazônia”; Assembleia diocesana de Santarém 2014 – depois de uma pesquisa prévia que constatou entre outras coisas, que a Pastoral concreta nas regiões pastorais não conseguia ligar a fé com a vida real, tirou como prioridades para 2015/2017 Pastoral social focalizando a dimensão social da Evangelização, defesa da vida e dos povos da Amazônia. No entanto, não avançou para a prática. Impressiona o número de dez pastorais sociais, porém são equipes isoladas fazendo seu trabalho sem que as paróquias assumam o mesmo compromisso.
  • Mas agora chegou o Sínodo Para a Amazônia – o que tem de novo e como está sendo cultivado na diocese:
  • Um novo Pentecostes acontece na Igreja de Jesus. Tinha que surgir um profeta no século 21 para que o vento do Espírito venha soprar com força dentro da Igreja, o Sínodo Para e não sobre a Amazônia. Por que Para e não Sobre?
  • Dois objetivos centrais são buscados pelos participantes sinodais: Novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para uma ecologia integral. Que significam: Novos caminhos e Ecologia integral? …
  • Alguns pontos em discussão:

** enculturação da Evangelização para a Amazônia;

** Foco nos povos indígenas por quê?

** Padre casado em cada comunidade cristã

** Nossa Casa Comum a teologia da criação (Gênesis 1)

** ???

  • Perspectivas:
  • A nível de Brasil e Amazônia – sombrio, vamos levar uns 20 anos para voltar a ser um país em desenvolvimento e uma democracia mais ou menos madura;
  • Igreja encarnada e evangelizadora na Amazônia, vai depender de uma real conversão da hierarquia (bispos, padres e religiosos/as) para que as decisões do sínodo armem a tenda na Amazônia. Pelas conclusões do sínodo, não se pode garantir que em breve teremos uma nova evangelização na Amazônia, pois depende muito das hierarquias e estas caminham em ritmo de jaboti
  • Na diocese de Santarém esperamos que o Espírito Santo tenha vez na escolha de um novo bispo corajoso, líder natural, profeta e perseverante para nos ajudar a mudar.

** Peimwieo grande desafio do novo bispo será cuidar ntender e

trabalhar uma conversáo de nós Padres. H[a problemas s[erios entre

nós, além de que vários se sentem autónomos demais. Por isso, uma

das qualidades urgentes do novo bispo será a capacidade de

enfrentar esse problema clerical’

** Um outro desafio para o novo bispo será levar adiante as conclusóes

do S[inodo Para a Amazönia aqui na diocese. Ajudar o povo a tornar

a questão social e ambiental como essencial à evangelizacáo.

** Um terceiro desafio urgente ao novo bispo – Salvar a Radio Rural da

falencia primeiro montando um plano de buca de recurso entre os e

as catolicas para cobrir as divdas e segundo reestruturar a direcao

da emissora para torna-la uma FM cristä comprometida com a

cidadania.