Igreja sinodal não tem dono, nem chefe, mas líderes

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Análise da semana Nossa Voz é nossa Vida  17.10.2021

Bom dia Rafaela, que legal podermos dialogar com nossas/os ouvintes pelo rádio. É uma diálogo especial, quando nós provocamos você, ouvinte a refletir, pois lhe oferecemos informações, questionamentos e você sente que não basta ouvir, mas precisa escutar, conferir se o que está escutando merece aprofundar. Por isso, nos alegramos que você, neste horário de domingo, sempre que pode, está em sintonia com nosso programa. Saiba que nós aqui da apresentação preparamos durante a semana o programa pensando em muitas pessoas que querem compreender melhor o sentido das coisas.

Hoje, convido você a aprofundar um acontecimento importante da semana que passou. Talvez tenha acompanhado pelo rádio e houve várias pessoas que presenciaram.  Na sexta feira aconteceu a chamada abertura da assembleia sinodal arquidiocesana de Santarém. Foi com uma santa missa concelebrada por vários padres, muitos cristãos leigos e leigas e o arcebispo, Dom Irieneu.

Você já tem uma ideia do que significa essa boa novidade chamada sinodalidade? Se não sabia, preste atenção: sínodo significa trabalhar juntos, como companheiros/as na construção do reino de Deus, que começa aqui na comunidade. Você pode perguntar, mas e daí? A gente já está junto na missa, na novena, na reunião de grupo! Por que agora essa novidade de sinodalidade?  Calma, ouvinte, o Papa Francisco está orientando com a força do Espírito Santo, que nossas comunidades cristãs precisam evangelizar como Jesus fazia lá em Jericó, Nazaré e na Galileia em geral. Isto é, ele evangelizava cuidando dos necessitados: curava doentes, expulsava demônios, ressuscitava mortos e libertava os oprimidos. No grupo de seus seguidores não havia um que mandava e outro que obedecia, trabalhavam juntos.

O tempo avançou, a sociedade cresceu e as pessoas necessitadas aumentaram. Mas, nesse meio tempo, dois venenos surgiram entre nós cristãos. Um, a religiosidade individualista onde muitos só frequentam a comunidade para salvar sua alma no céu. Com a ideia de cada um por si e Deus por todos. Isso Jesus alertou ao jovem rico, que não salva a gente só cumprir as leis. Outro veneno surgido na Igreja foi a organização em que a última palavra é do Papa, na arquidiocese é do bispo e na paróquia é do padre. Eles mandam e os cristãos obedecem. É assim ainda na sua comunidade? Ora esse estilo é contrário a sinodalidade, que era o que jesus ensinava. “o maior no reino é o que mais serve”. Portanto, não o que manda.

Então, Papa Francisco convocou um sínodo com representantes de todas a Igrejas no mundo para 2023 em Roma. Mas primeiro ele deseja que cada diocese escute os cristãos leigos/as, freiras e frades, como é a organização de sua paróquia, quem manda nela e o que precisa mudar para testemunharmos a presença de Jesus na sociedade e não apenas dentro da comunidade. Se cada paróquia e cada diocese, em Santarém, Brasil, África, Portugal, mundo todo colher essas respostas serão juntadas num relatório e em 2023 os que forem ao sínodo com o papa Frâncico, irão debater por três meses, para renovar nossa maneira de testemunhar Jesus no mundo. Não é legal? Daí que Dom Irineu convidou os cristãos para a missa da última sexta feira para iniciar a assembleia sinodal na nossa arquidiocese que irá acontecer em breve.

Uma outra informação aconteceu também na sexta feira e interessa especialmente aos moradores das 19 comunidades do assentamento Eixo Forte, e também a todos que cuidam de preservar nossa dignidade amazônida. O Ministério Público Estadual pronunciou uma recomendação à prefeitura municipal de Santarém, de que antes de iniciar qualquer obra turística na comunidade Ponta de Pedras os moradores do assentamento Eixo Forte sejam consultados bem informados do projeto e sejam livres para decidir se aceitam qualquer investimento turístico naquela praia. O MPE segue as orientações da convenção 169 da OIT além de outras medidas. 

Isto significa que a prefeitura não pode meter a cara e fazer obras sem consultar os que serão impactados antes e depois de iniciada. O MPE atende solicitação de duas organizações sociais, por causa de outra obra feita na praia do maracanã, sem respeitar consulta ampla aos moradores da área. Caso o prefeito e seu secretário desrespeitem essa recomendação arcarão com processo judicial. A recomendação do MPE não é só para os moradores de Ponta de Pedras, mas todas as comunidades do assentamento devem ser consultadas, conforme a lei.

Pátria amada não é pátria aRmada

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Notícia para Riomar – 18.10.2021

Gecilene, importante radialista de Manaus, bom dia, bom dia você também ouvinte que valoriza uma rádio que ajuda a refletir e buscar a verdade.

Talvez você tenha ouvido falar de um sermão pregado por um bispo ena cidade de Aparecida, no último dia 12. Para relembrar, cito aqui uma frase que deu o que falar, por dizer uma grande verdade. O bispo afirmou que “uma pátria amada, não é uma pátria armada, uma pátria amada não é uma pátria que alimenta ódio”. Tal afirmação é fiel ao ensinamento de Jesus de Nazaré, concorda? Pois bem poucos dias depois, um político de São Paulo, usou a tribuna da Assembleia legislativa de lá, para agredir o bispo e não só, agrediu todos os bispos que compõem a Conferência dos Bispos de Brasil, a CNBB. O tal deputado puxa saco do presidente Bolsonaro, não só agrediu o bispo do sermão da pátria amada, como usou ofensas morais contra o autor, e o difamou publicamente.

Você ouvinte, poderá dizer: mas o que temos nós a ver com aquilo? Se pensou assim, discordo. Veja bem, discordar de alguém é direito de cada um de nós, difamar outra pessoa é crime e o deputado poderá ser processado por crime de difamação moral. Aliás os dirigentes da CNBB lançaram uma nota de repúdio contra a estupidez do tal deputado. Na nota afirmaram que: “A Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que exigirem os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum, ou a salvação da humanidade”.

Por que vale a pena refletir sobre tal acontecimento triste? Porque, enquanto já morreram mais de 600 mil brasileiros em um ano e oito meses, só por causa da irresponsabilidade do governo federal, que deixou de comprar vacinas no ano passado, ao mesmo tempo gasta dinheiro com motocarreaatas e viagens ao estrangeiro, não tem recursos para garantir um auxílio emergencial para os que passam fome. Ao mesmo tempo, estimula a compra de armas e prega o ódio entre nós brasileiros.

Lembra, ouvinte que só em Manaus quantas famílias perderam seus entes queridos por covid19 e foram enterrados em valas comuns.

Então, o sermão do bispo faz sentido sim e precisamos também nós defender a justiça e a vida humana.

Uma revolução mundial eclesial será possível?

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Editorial RNA 14.10.2021

Merece uma reflexão de peso o que está acontecendo na Igreja Católica sob liderança do papa Francisco. Alguém já chegou a dizer que nunca antes na história se provocou uma revolução universal como o que propõe o papa Francisco. Ele deseja e convoca uma escuta sobre como os leigos, padres, bispos, em fim, o povo de Deus a dizer como a caminhada de fá cristã deve acontecer no mundo de hoje. Ele não se conforma de escutar apenas os bispos, quer que todos estes convoquem os  leigos, leigas religiosas e até os críticos da forma como a Igreja se comporta hoje na sociedade.

Ao querer uma Igreja sinodal, Papa Francisco compreende que não dá mais neste novo século, continuar uma Igreja em forma de pirâmide, onde quem decide as coisas é o Papa, são os bispos e nas paróquias são os padres. Isso não tem mais sentido hoje.

Daí a forma de trabalhar em conjunto, sínodo  que dizer isso. Aliás Papa Francisco leva a sério o texto do Evangelho onde Jesus, afirma que o maior no reino do céu é o que serve, e não o que ordena.

Ora, se cada padre, cada bispo, acredita que Papa Francisco é um profeta, inspirado pelo espírito de Deus, e assim levar a sério iniciar essa mudança de comportamento, certamente que será uma reviravolta de prática pastoral também na Amazônia. Se até hoje é o padre quem decide as coisas, os leigos e leigas serão sujeitos das decisões sobre a forma de anunciar o Evangelho, de ligar a fé com as questões sociais, como fazia Jesus na Galileia. Aumentará a responsabilidade dos e das leigas e se quebrará com que se julgam donos da igreja de cima para baixo. Será de fato uma revolução sem tamanho.

Na arquidiocese de Santarém. Amanhã será abertura oficial da assembleia sinodal da Igreja local com a perspectiva de que se inicie a mudança de prática pastoral em forma de pirâmide como tem sido até agora: Arcebispo, padre, que decidem e o povo que obedece. Se levada a sério a proposta de pastoral sinodal como sonha o papa Francisco, será uma revolução de verdade na arquidiocese.

Romper com o individualismo na Igreja é o desafio

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                      A FÉ COMPARTILHADA – 29DTC       Texto escrito por meu amigo padre Luiz Pinto Azevedo 14.10.2021

“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir

                         e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

35 “Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que te vamos pedir”. 36 Ele perguntou: “Que quereis que eu vos faça?” 37 Responderam: “Permite que nos sentemos, na tua glória, um à tua direita e o outro à tua esquerda!” 38 Jesus lhes disse: “Não sabeis o que estais pedindo. Podeis beber o cálice que eu vou beber? Ou ser batizados com o batismo com que eu vou ser batizado?” 39 Responderam: “Podemos”. Jesus então lhes disse: “Sim, do cálice que eu vou beber, bebereis, com o batismo com que eu vou ser batizado, sereis batizados. 40 Mas o sentar-se à minha direita ou à minha esquerda não depende de mim; é para aqueles para quem foi preparado”.41 Quando os outros dez ouviram isso, ficaram zangados com Tiago e João. 42 Jesus então os chamou e disse: “Sabeis que os que são considerados chefes das nações as dominam, e os seus grandes fazem sentir seu poder. 43 Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, 44 e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos. 45 Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,35-45).

Nos versículos 32 e 33 deste capítulo de Marcos, o evangelista situa a cena descrita acima: continuando Sua caminhada para Jerusalém, Jesus vai à frente do grupo de discípulos que, “assombrados, O seguiam com medo”. O Mestre continua a ensiná-los, insistindo, pela terceira vez, no que iria acontecer com Ele: o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos”. Os discípulos, apesar do “medo”, persistem em suas aspirações e ambições terrenas de grandeza, resistindo às propostas do Mestre de serviço radical ao Reino e sua Justiça. Essa atitude será fruto da incompreensão ou da má vontade em querer compreender a lógica do Reino, com as quais o grupo não concorda, devido às exigências radicais contrárias à lógica do poder e da autoridade, enraizada em seus sonhos humanos de prestígio e glória? Apesar de tudo isso, Jesus continua Sua catequese sobre as exigências da pertença ao Reino e à integração na comunidade messiânica.

Na primeira parte do texto (vv. 35-40), os filhos de Zebedeu, Tiago e João, apresentam sua pretensão, à qual acham que têm direito: queremos sentar-nos um à tua direita e outro à tua esquerda, “na tua glória”. O modo arrogante e exigente como se dirigem a Jesus mostra que, apesar de toda a catequese recebida no caminho para Jerusalém, os dois irmãos continuam dominados pela lógica do mundo, distantes ainda lógica do Reino, contrária a toda aspiração por poder e grandeza. Tiago e João expressam a ignorância e resistência dos discípulos em compreender a nova proposta e em aceitar as diferenças e oposição existentes entre uma e outra lógica, porque transferem para a nova sociedade, na qual o chefe é servo e o grande é escravo, o mesmo esquema de privilégios e discriminações próprias da sociedade atual, que não admite relações fraternas de serviços mútuos.

Jesus procura deixar claro que há dois modelos de sociedade: aquela que está aí, com seu sistema de opressão e de abuso de poder sobre os pequenos e pobres, e a nova sociedade do Reino, nascida dos ensinamentos e da prática de Jesus. Adverte Seus discípulos dizendo-lhes que para se sentarem à mesa do Reino devem estar dispostos a “beber o cálice” que Ele vai beber e a “receber o batismo” com o qual Ele será batizado (v. 38). Isso significa: partilhar do mesmo destino de entrega da vida pela imersão na paixão e morte de cruz. Portanto, o caminho para ser aceito na nova sociedade do Reino implica em sofrimento, entrega, doação da vida, até à morte, se necessário for.

Na segunda parte do texto (vv. 41-45), aproveitando da reação de indignação dos outros dez discípulos diante da pretensão dos dois irmãos, Jesus volta à Sua catequese sobre o serviço, insistindo que no modelo da nova sociedade o poder é entendido como serviço, que é a base para a organização e convivência sociais. O serviço ao próximo se torna fator primordial para a existência de um mundo melhor, no qual as relações fraternas, sem competições fratricidas, expressam o desejo e o compromisso de dar a vida pela vida dos outros. Aqui está a grande diferença com os sistemas orientados pela lógica do mundo: “Saibam que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem o poder sobre elas. Entre vocês, porém, não pode ser assim” (v. 42-43). Esse esquema não pode servir de modelo para a comunidade do Reino. E completa: Não pode ser assim porque o sistema da atual sociedade é excludente e injusto, no qual se busca a visibilidade, o destaque e o poder em benefício próprio.

Por isso, a insistência de Jesus para que, nessa nova comunidade, a autoridade não seja caracterizada pelo ato de mandar e controlar, mas sim por uma atitude e postura de serviço. Só assim se compreende a afirmação de Jesus que diz ter vindo para “servir e dar a vida para salvar muita gente”. Seus exemplos confirmam isso quando, na última Ceia, ao lavar os pés dos discípulos, diz que esse gesto e atitude de serviço devem ser repetidos por eles, ao afirmar “façam como eu fiz” (Jo 13, 15).

Em obediência ao mandato de Jesus para fazer como Ele fez, o papa Francisco convocou a Igreja Católica para fazer um exercício de Sinodalidade em todos os seus espaços e instâncias.  O Papa deu início à uma caminhada sinodal, na firme convicção de que “o Espírito nos guiará e concederá a graça de avançarmos juntos, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um discernimento sobre o nosso tempo, tornando-nos solidários com as fadigas e os anseios da humanidade”. A palavra “sínodo”, de origem grega, significa “caminhar juntos”. O desejo do papa Francisco é transformar este Sínodo numa experiência de “Sinodalidade”, pois, segundo suas palavras “só será verdadeiramente fecundo se se tornar expressão viva do ser Igreja, de um agir marcado pela verdadeira participação… não por exigências de estilo, mas de fé”.  É um convite à conversão para a maneira original de ser Igreja: Povo de Deus, convocado pelo Espírito, no Batismo, à missão de anunciar e construir o Reino de Deus na história. Para muitas de nossas Igrejas Locais, a convocação para a sinodalidade vem confirmar a caminhada já feita, com muitos esforços, nas últimas décadas, especialmente após o encontro dos bispos da Amazônia, na cidade de Santarém, em maio de 1972.

O tema escolhido para o Sínodo é: “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. “Por uma Igreja sinodal” significa o mesmo que dizer: por uma Igreja não clerical. Se é verdade que a Igreja não é democracia – forma de governo em que o povo exerce a soberania, pelas decisões da maioria – também ela não é hierarquia – entendida como uma distribuição ordenada de poderes, atribuídos aos ministros ordenados pelo sacramento da Ordem. A Igreja sinodal, toda ela ministerial, tem uma hierarquia a serviço de sua Sinodalidade. Certamente pode-se afirmar que esse acontecimento eclesial é o mais importante, depois do Concílio Vaticano II, pois, pela primeira vez na história da Igreja, todo o Povo de Deus é chamado a participar de um Sínodo eclesial. O Espírito que inspirou o para Francisco a convocar este Sínodo sobre a Sinodalidade da Igreja é o mesmo que falou por Jesus, quando disse: “quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos” (vv. 43-44).

Antes de enchermos nossas bocas de “sinodalidade”, abramos o coração e a mente para escutarmos a voz do Espírito que nos levará a discernir Seus apelos e nos tornarmos “solidários com as fadigas e os anseios da humanidade”. Pensemos nisso!

Pe. Luís Pinto Azevedo

Brasil país de contrastes, que contrastes?

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Notícia comentada para Red Panamazônica  13.10.2021

É possível que não haja país mais cheio de contrastes do que o Brasil: desigualdade sócio econômica sem semelhante no mundo, país rico em biodiversidade, em recursos hídricos e em arte de sobreviver na miséria de 50 milhões de sub cidadãos. Nesta última terça feira apareceu outro contraste, este de cunho religioso e político. O psicopata Bolsonaro, ainda presidente da república foi até a basílica de Nossa Padroeira do Brasil, salvo engano único país do planeta que tem uma santa católica como padroeira nacional. Bolsonaro é o homem que frequenta várias igrejas evangélicas, onde é batizado, vem à basílica católica para participar da santa missa e receber a hóstia consagrada.

Esse um dos contrastes da semana. O outro foi o sermão festivo do arcebispo de Aparecida. Durante o sermão ele pronunciou a seguinte frase com direção visível ao Bolsonaro : “Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira”. Uma hora depois chegou à igreja o presidente Bolsonaro sob vaias de muitos devotos presentes, que o chamavam de genocida. E teve a sem-vergonhice de ir comungar a hóstia consagrada.

Para ampliar a lista dos contrastes de país tropical, enquanto o câmbio do dólar chega a 5,60 reais por um, e a gasolina chega hoje a 6,15 reais o litro, o ministro responsável pela economia do país, mantem 18 milhões de dólares pessoais em paraíso fiscal na Europa. Quanto mais a moeda nacional perde valor, mais aumenta o lucor do tal ministro em dólares  no paraíso dele.

Assim que o cantor popular Zé Ramalho canta assim, “pode ser o país do futebol, pode ser o pais do carnaval, pode ser o pais da corrupção, mas não é meu país não”.

Quem é mais importante para a juventude , deputado, ou professora/or?

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Editorial RNA 06.10.2021

Quanto ganha um deputado Estadual na Amazônia? E quanto ganha um professora/a na região?  Também depende; há estados que não pagam nem o piso nacional do salário do e da professora. No Pará, segundo o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação Pública do Pará, o projeto apresentado pelo governador e aprovado, de aumento de 24%, ainda não garante o pagamento de horas de extrapolação e fixa a gratificação de magistério. O aumento deve beneficiar 40 mil servidores da educação no Estado, que não têm piso reajustado desde 2016.

Para surpresa e sinal de um governo que faz justiça a uma das mais importantes categorias profissionais, o governo do Maranhã garante o salário de 6.358,96 centavos para 200 horas semanais.

Duas questões se levantam aqui. Uma, como explicar que um Estado dos mais pobres do país consegue pagar um salário razoavelmente justo para os educadores e outros estados, como o Pará e Amazonas que aparecem como mais equilibrados financeiramente, não chegam a pagar ao menos 3 mil e 500 reais para 40horas aula?

Outra questão escandalosa, como explicar que um deputado estadual em Rondônia 8.000 mil reais e Acre 15.000 reais, salário   e os educadores ganharem menos de 5 mil reais por 40 horas aulas semanais? E mais escandaloso, o salário de um deputado estadual do Amazonas é de apenas 4 mil reais, porém no total com verba de gabinete ele recebe 39 mil 250 reais mês.

Tal situação só confirma a mentalidade do atual ministro da educação que não é diferente da realidade da justiça salarial dos educadores. Se o ministro despreza a entrada de pobres na universidade, os políticos confirmam isso, ao manterem os salários dos educadores em vergonhoso de nível, comparado aos seus. Na Amazônia, professor é escravo e não servidor público.

Qual é a estrada da felicidade?

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  10.19.2021

Bom dia pe. Guilhermo e paz de Jesus para você, ouvinte. Repare que a paz que lhe desejo, não é qualquer paz. O próprio Jesus chamou atenção sobre isso, quando ele disse: “a paz que eu dou a vocês não é a paz da sociedade”. E qual é paz de Jesus? Quem escutar com atenção o Evangelho proclamado hoje em muitas celebrações, entenderá Jesus. Pois ali, veio um rapaz, até bom rapaz, procurando em Jesus um caminho para o céu. Ele queria a paz. Mas quando Jesus lhe propõe uma paz diferente da falsa paz que ele tinha e não lhe satisfazia, a falsa paz de bens, de riqueza, aí ele esmoreceu quando Jesus lhe convida a deixar sua vida fácil e seguir o mestre, cuidando dos outros.

Quando li este texto ontem, fiquei a pensar que de fato, todo mundo quer ir para o céu… mas do seu jeito, cumprindo leis, mantendo a devoção e praticando uma religião individualista. Exatamente como aquele rapaz do evangelho de hoje.

Mas também, conheço uma pessoa, que não pratica nenhuma religião, se diz ateu. Mas é generosa, se dispõe a solidariedade com os pobres, ganha um pequeno salário, mas arranja tempo para participar de campanhas solidárias, sonha com uma sociedade mais justa e defensor da mãe natureza. É aí que lembro o Evangelho e uma frase do nosso querido papa Francisco que disse outro dia: “Prefiro um ateu solidário, do que o um cristão acomodado…” Sabe que ele tem razão.

Se olharmos com o jeito de Jesus de Nazaré, a situação social em nossas comunidades, podemos sentir a provocação de Jesus aos discípulos, quando disse a eles, que o maior no reino de Deus é o que mais se dedica ao bem comum e dos outros. E aí vem a pergunta que várias pessoas fizeram a João batista: ..”e eu, o que devo fazer para entrar no reino de Deus? A um João dizia, seja honesto no serviço, a outro dizia, não explore os outros e aos sabidos da lei ele dizia meio irritado:  o que querem vocês? Será que tem salvação para vocês que vivem acomodados e explorando os pobres?”

Certamente quando ouvimos que o Ministro da economia do Brasil estava enganando e prejudicando nós brasileiros para aumentar o lucro dele no chamado paraíso fiscal no estrangeiro. O presidente da república não faz nada para prendê-lo; como pode alguém honesto ainda apoiar o presidente Bolsonaro? Quando Jesus disse ao rapaz: ”vai, vende tudo que tens e dá aos pobres, certamente ele queria dizer, não pense só em si e nos seus, mas pense partilhe com os desempregados e os que vivem abaixo da pobreza. O que você acha, ouvinte, será que Jesus exagerou e por isso espantou o rapaz que a queria ir para o céu?

Se a gente refletir a vida de nossa comunidade, os vizinhos, as necessidades que enfrentamos, olhando isso com o jeito de Jesus, vamos sentir que não basta cuidar só de nós. Veja um exemplo aqui da cidade. bem ali na comunidade do Perema, tem um lixão venenoso. Cada dia são despejados cerda de 160 mil quilos de lixo a céu aberto. Lixo que eu, você e muitos, produzimos, está prejudicando os moradores da vizinhança. Por que ficamos acomodados e não exigimos do poder público a retirada daquele lixão dali? Santarém que gera 160 toneladas de lixo por dia precisa urgente de um legítimo aterro sanitário, que cuide seletivamente do lixo que produzimos. Por que aparece dinheiro para fazer orla e asfaltamento de ruas e não tem para cuidar do lixo? Não temos nada a ver com aquilo? Para que servem os vereadores e o prefeito do município?

Formação da Frente de Resistência Tapajônica

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa Vida  03.10.2021

Bom dia pe. Guilhermo, bom dia ouvinte, cá estamos para mais reflexão sobre coisas da vida que tem a ver conosco. Entramos no mês de outubro, que a Igreja Católica consagra como mês das missões. Pois é, quando eu era pequena lá na vila Bode de Belterra, aprendi que missionários eram os padres estrangeiros que vinham dedicar suas vidas em missão na Amazônia. Quando eu cresci e passei a interpretar o Evangelho mudei a compreensão. Afinal Jesus era missionário lá mesmo na terra dele, a Galileia. E como era a missão dele? Cuidar dos deficientes, os leprosos e combater as injustiças. Hoje compreendo que todos/as batizadas somos missionários, isto é, cuidar dos outros, e assim anunciar que o reino de Deus já está aqui no meio de nós. Você sabia disso?

Ao analisar presença do reino de Deus na semana que passou, percebi alguns sinais. Um deles foi lá no Curuai do Lago Grande e outro semelhante aqui na cidade de Santarém. Nos dois acontecimentos percebi o Espírito Santo presente e atuando. Diante do sofrimento de tantas famílias que estão privadas de comer carne, por estar muito cara, por diminuir o consumo de arroz, feijão, comida em geral por causa da carestia, muita gente foi pra rua gritar que não podemos mais continuar desse jeito. Quando sobe o preço da gasolina sobe logo as passagens e os preços das mercadorias. Enquanto isso, neste mês se acaba o auxílio emergencial, o desemprego aumenta e os governantes, só dizem como o infeliz presidente Bolsonaro falou outro dia com ironia: “nada do que está ruim que não possa piorar”. Ao mesmo tempo o irresponsável Bolsonaro gastou um milhão de reais com as motocarreatas passeando no sul. Maravilha foi que essa manifestação contra a carestia e fora Bolsonaro aconteceu em 305 cidades do Brasil, incluindo as daqui de Santarém.

A participação das pessoas nas duas manifestações aqui em nosso município foi bem positiva. No Curuai com bastante entusiasmo  a participação popular demonstrou que a carestia e desprezo das autoridades  atinge a dignidade da população da região. Em Santarém, a manifestação bem organizada deu o grito de basta Bolsonaro que lidera o massacre do povo brasileiro com 600 mil mortes de covid e os altos preços dos alimentos.

Um dos passos para frente aconteceu na preparação aqui na cidade da manifestação ocorrida ontem na praça do pescador, foi a decisão dos participantes de organizar uma frente de resistência tapajônica permanente. Ela está iniciada com representantes de vários movimentos sociais, sindicatos, juventude e pastorais sociais. O importante é que daqui pra frente será um trabalho conjunto das várias organizações sociais e populares em defesa da vida, do território e da justiça social. E será uma frente de luta aberta para outras organizações sociais que buscam semelhantes objetivos de justiça social. Todos que sonham com outro mundo melhor do que este que vivemos, são chamados a participar.

Assim mudaremos a história desse país tão rico e com gente passando fome. Povo Unido jamais será vencido, apesar do Bolsonaro.

As manifestações contra a carestia no sábado passado

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Notícia comentada para Riomar 04.10.2021

Bom dia Gecilene, boa semana ouvinte. Primeira segunda feira de outubro. No mundo cristão, é celebrado o dia do homem símbolo da defesa do meio ambiente do bem viver, Francisco de Assis. Imagino que em Manaus deve estar em festa em vários bairros que veneram este santo especial Isto porque Francisco de Assis, naquela época conseguiu mostrar que se pode bem viver sem muitas coisas. No Japão, país budista por excelência, há uma estátua em homenagem a Francisco de Assis, pelo seu amor à mãe natureza; Mahatma Gandhi venerava Francisco de Assis, por ter sido homem da paz total. No Brasil, hoje tão violentado em suas florestas e rios, mais do que nunca precisamos de quem se mire na figura deste homem de Deus e do bem viver.

Então ouvinte manauara, como foi a manifestação popular contra a carestia e contra o psicopata Bolsonaro, em Manaus no sábado passado? Você participou? Não me diga que você não está nem aí para os gritos dos que passam fome, ou passam aperreado. Sabe quem não se importa com as manifestações populares? São os empresários, os políticos e os fanáticos bolsoninos. Você é um desses?

Para você ter uma ideia de como foram as manifestações contra a carestia, saiba: aconteceram em 305 cidades do Brasil e em vários países estrangeiros que apoiam os pobres do Brasil. No Estado do Amazonas, houve manifestações populares em Humaitá, Parintins, Presidente Figueiredo, e Manaus. Para os paraenses que vivem e ajudam Manaus a viver, houve manifestações bem organizadas em Curuai no lago Grande e em Santarém, além de altamira, Belém e outras cidades.

Para quem ainda não entendeu o significado das manifestações populares, ela são a força que poderá mudar a triste situação do povo no país. Povo que suporta tudo calado é escravo, mas hoje ninguém que ser chamado de escravo. No entanto, quem se cala é humilhado, pois até cachorro quando leva um chute late e até morde se derem chance.

Então, ouvinte, fique alerta, são esses movimentos sociais que mudarão o sofrimento dos brasileiros. Dia 15 de novembro haverá nova manifestação popular em Manaus e em todo o Brasil. Se você sente a dor da carestia e da indiferença dos políticos e autoridades, não fique de fora. Pois sonho que se sonha juntos é início de solução de nossos sofrimentos. Pois gasolina a 6 e 20 reais só pesa nos pobres.

Carta produzida por Edilberto Sena e Everaldo Martins e aprovada pelo coletivo abaixo

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Carta dos Movimentos Sociais aos Vereadores de Santarém 01.10.2021

Senhores vereadores e senhora vereadora,

Aqui estamos militantes dos movimentos sociais, sindicatos e Pastorais sociais da arquidiocese de Santarém, que organizam e promovem mais um grito contra a carestia do povo brasileiro.

Como toda a sociedade, nós aqui representados, nos preocupamos e não só, mas queremos pressionar as autoridades para parar o sofrimento da população, especialmente os mais pobres.

Então convidamos todos/as senhores vereadores/as a participar conosco na manifestação no próximo dia 02 de outubro, na Praça dos Pescadores a partir da 17.30.

Vocês são representantes dos moradores deste município, por isso convocamos seu envolvimento em defesa do povo diante de várias situações graves que atingem maioria dos moradores.

  • Sobe o preço dos combustíveis e com isso sobem os preços do arroz, açúcar, gás de cozinha, passagens de ônibus, etc. Ouvimos os clamores dos que passam grande necessidade, mas não escutamos reações da Câmara de Vereadores, por quê?
  • Acaba de subir seriamente a tarifa de energia elétrica, atingindo gravemente os moradores pobres especialmente das periferias de Santarém. Não temos sentido reações das autoridades locais, procurando questionar a distribuidora de energia, sobre o aumento do preço da tarifa, quando temos energia elétrica proveniente das hidroelétricas de Tucuruí e Curua-Una do nosso Estado do Pará como fontes. Será que a Câmara de Vereadores não tem nada a fazer?
  • A cidade de Santarém está inchando com mais de cinco ocupações urbanas espontâneas, há uma lei de ordenamento urbano, chamada REURB. Mas nem o prefeito se interessa, nem os vereadores tomam providência, por quê? Apenas para exemplo, há o chamado bairro Bela Vista do Saúbal, com cerca de 500 famílias, mas lá não há escola, nem posto médico, nem água encanada, nem ruas trafegáveis. A prefeitura anuncia asfaltamento da rodovia interpraias, mas não há nada pra melhorar o mínimo da vida de 500 famílias da ocupação. Será que a Câmara de Vereadores não tem nada a fazer sobre isso?
  • E ainda recente estourou mais um grave problema no lixão do Perema, que por causa do grave problema de saúde e ambiental; comunidades do entorno, reagiram, pressionaram, inclusive um vereador esteve apoiando a luta do povo. Será que a Câmara de Vereadores pode tomar as dores dos que sofrem com o lixão do Perema?

Afinal, no dia 02 de outubro estaremos na praça clamando por justiça social e ambiental de nosso município e queremos contar com os senhores e senhoras vereadores na luta conosco,

Acreditamos que com 21 vereadores junto conosco, podemos superar a grave situação que vivemos, daí o convite para estarem conosco na manifestação pública do próximo sábado às 17.30 na Praça do Pescador.

Santarém, 28 de setembro de 2021

Fórum Sindical Popular

Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Pará, SINTEP Regional Oeste

Coletivo Juntos – Juntas

Juventude do PT, JPT

Movimento Tapajós Vivo, MTV

Movimento pela Soberania Popular na Mineração, MAM

Coletivo Tapajós de Fato, TdeF

Rede de Notícias da Amazônia, RNA

Advogados Populares – Maparajuba

Movimento Kizomba

Partido Socialismo e Liberdade, PSOL

Partido Comunista do Brasil, PCdoB

Partido dos Trabalhadores, PT

Padres da Companhia de Jesus – Jesuítas

Comissão Justiça Paz da Arquidiocese de Santarém, CJP

Pastoral Social da Arquidiocese de Santarém