Primeira matéria anunciando o que pode vir no ano novo.

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Vandalismo destruiu 5.843 kms2 de floresta amazônica em 2013. Quantos mais serão em 2014?
Foi comovente o gesto da presidente Dilma em fazer uma visita in loco na zona destruída pelas enchentes no Estado do Espírito Santo. Ela chegou lá ficou horrorizada com a destruição provocada pelas chuvas, com vários mortos, centenas de casas destruídas e milhares de desabrigados. Imagine se ela tivesse a generosidade de fazer um vôo sobre vários estados da Amazônia para contemplar a destruição continuada na floresta. Será que ela se comoveria? choraria? mandaria a Força Nacional ocupar as áreas devastadas e prender os membros do crime organizado, que a ministra do meio ambiente diz serem os culpados?
Todo o esforço do governo federal para iludir os desavisados é como tentar tapar o sol com a peneira, como diz o ditado. O desmatamento  e a destruição da Amazônia vem acontecendo intensamente desde 2003, por causa do alto preço da soja no mercado internacional, do bom  preço dos minérios e das madeiras de lei. Diminuiu nos últimos 5 anos e o governo alardeia que está trabalhando para o desmatamento zero. No entanto, de julho 2012 a julho 2013 o Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica, o Prodes afirma que o satélite detectou que as áreas desmatadas neste período subiram 28%. Isto significa 5.843 quilômetros quadrados, equivalente a cerca de 6 mil campos de futebol de floresta derrubada
Para os que só pensam em faturar com o agro negócio e as empreiteiras das hidroelétricas, isso é apenas o preço que se paga pelo progresso e o crescimento da economia nacional. No Estado do Pará só estes destruíram 2.372 kms2 de floresta, para gado, extração de minérios, madeiras e hidroelétricas.
Com  a maior cara de pau a Ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira garante que esse aumento do desmatamento se deve ao crime organizado. Ela acusa grileiros e garimpeiros ilegais. Fecha os olhos para outro membro do crime organizado, ou melhor oficializado, o próprio governo a que ela serve como ministra. Afinal, cada projeto hidroelétrico causa imenso desmatamento na Amazônia, incluindo o período das construções e também as inundações de floresta para as barragens.
A própria dona Izabela Teixeira deve saber que a desafetação da Floresta Nacional da Amazônia, município de Itaituba, feita a canetada de Medida Provisória pela presidente Dilma, foi de 10 mil hectares. Isso além de mais cerca de 100 mil hectares em áreas de proteção permanente, feitos com a mesma canetada. Quem não sabia disso? Esta já é a previsão para os próximos anos, continuando o que já começaram em Teles Pires, Xingu, Santo Antonio do Jari, Juruena, entre outros.
De que adianta existirem IBAMA, ICMBIO, Ministério do Meio Ambiente, se os crimes são identificados por modernos satélites do PRODES, porém raros são os criminosos hoje no presídio? E se o próprio governo federal  patrocina o aumento de produção de agronegócio da soja , do gado, do dendê e do milho, com financiamentos a longo prazo e juros amigáveis? E se o próprio governo patrocina, através do BNDES as construções de dezenas de hidroelétricas na Amazônia?
A Ministra do Meio Ambiente faz de conta que está escandalizada com mais 5.843 kms2 de desmatamento em 12 meses. Promete mais rigor na fiscalização. Há! se fosse verdade! A presidenta se comove com as enchentes anormais no Estado do Espírito Santo, talvez ela tenha até chorado, deve ter decidido liberar recursos financeiros para ajudar os flagelados, o que seria louvável. Mas até hoje não se comoveu, nem derramou uma lágrima pelo contínuo desmatamento da Amazônia, que provavelmente esteja contribuindo para as enchentes anormais em todo o Brasil. Pelo contrário, hipocritamente manda enviados ao encontro internacional de mudanças climáticas, a COP 19 em Varsóvia e exige que os outros países façam sua parte pelo equilíbrio climático.
O mais triste desse desastre anunciado e executado, é que as populações da Amazônia se calam, os políticos tão hipócritas quanto sua presidente, fazem de conta que não é seu dever defender os 30 milhões de cidadãos da Amazônia, parte deles que lhes apoiaram os elegendo a cargos representativos; também a dita sociedade civil pouco se incomoda, sendo que alguns grupos pequenos que clamam, são desprezados como meros eco chatos. Mesmo assim resistem, como fazem os Munduruku no Tapajós, os movimentos sociais em Santarém, em Altamira e outros lugares. Resistem numa luta de Davi contra Golias, ou como Noé no tempo do dilúvio.
Segundo os cientistas mais responsáveis, hoje 17% da floresta Amazônica já foi desmatada, caso o ritmo continue como atualmente, se chegar a 23 % a destruição será irreversível e a Amazônia se tornará uma savana, sendo que as mais graves consequências serão, para além dos povos da região, para todo o planeta, como os sinais da enchente no Estado do Espírito Santo estão sendo emitidos. Ou se tem vergonha e age ou chorar o caldo derramado será tarde demais.

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