Progresso pode ser sinônimo de regresso

Nota Postado em Atualizado em

Matéria 02 para o Blogdopadresena.wordpress.com

PROGRESSO PODE SER SINÔNIMO DE REGRESSO

Diante da euforia de certos grupos da sociedade santarena, com as novidades de projetos econômicos na região causa espanto. Preocupa o grau de insensibilidade para com  as vidas humanas da maioria dos 300 mil habitantes da cidade e seu  entorno. Mortes no trânsito, assassinatos, assaltos, presídio superlotado, hospitais engarrafados de pacientes sem os cuidados necessários, cidade sem água potável permanente, lixos amontoados nas ruas e o buraco de Santo André sem solução, isso e muito mais atesta a indiferença criminosa para com a vida humana e a mãe natureza.

Os sinais do progresso estão à vista. Tanto os poderes públicos (prefeito, vereadores, ministérios públicos, vereadores e deputados da região), como o empresariado manifestam entusiasmo com os projetos anunciados e em andamento. São novos portos graneleiros, novo shopping center, ampliação do porto das Docas, asfaltamento da rodovia federal, invasão de carretas e caminhões baús nas apertadas ruas da cidade e outras novidades chegando. O prefeito viaja a São Paulo cheio de vida para oferecer vantagens de sua cidade para instalação de uma fábrica de cimento. Ele não publicou quais as vantagens oferecidas, nem onde será  a tal fábrica, mas informações não oficiais, dizem que será no subúrbio da cidade, em área urbana.

E tem mais, os empresários da Zona Franca de Manaus ganharam direito de construir um galpão de armazenamento de produtos da ZF para serem embarcados de Santarém pela rodovia br. 163. Quais as vantagens oferecidas,  não se sabe, mas certamente tudo a troco de alguns empregos que serão gerados, talvez de carregadores e vigias.

Com financiamento generoso da Caixa Econômica, disparam vários conjuntos imobiliários para a classe média, já que para os sem teto pobres e usuários do bolsa família,  restam as casinhas de pombo do Minha Casa Minha Miséria. Como é que o dinheiro público pode ser utilizado para construir aquele conjunto de casas de pombo? Que famílias poderão morar alí dignamente?  Será que o gerente da Caixa Econômica teria coragem de se mudar para lá? E ainda para cúmulo da ironia instalaram em cada casinha daquelas, um painel solar, certamente para esquentar água, não bastasse  os 36 graus centígrados de cada dia na cidade.

Diante desse quadro de vida, que até parece exagero, se não fosse verdadeiro, poucos levantam sua voz para salvar a dignidade da população atropelada pelo progresso. Afinal, esse progresso é bom, ou é ruim para  a maioria da população? É um avanço social, uma melhoria da qualidade de vida desse povo? Poucos se preocupam com a devastação e crimes ambientais gerados pelo progresso da cidade. A área destruída pela imobiliária Buriti e as outras áreas devastadas para outras empresas imobiliárias continuam acontecendo impunes. Ainda há certos grupos que apoiam tais crimes achando que quem é contra não quer o bem da cidade.

Noutro dia, depois de várias mortes por acidente na rodovia br.163 que passa pelos bairros da Cambuquira, Matinha e Esperança, algumas autoridades foram ao bairro da Matinha, para acalmar os moradores, por causa das mortes do trânsito e prometeram construir uma passarela, como se aquilo fosse solução. Perguntadas sobre a construção de lombadas para diminuir a velocidade das carretas e outros carros que descem a serra em alta velocidade, desculparam que não podiam construir lombadas porque era uma rodovia federal. Veja só, as vidas humanas ameaçadas que se lixem, afinal é uma estrada federal, mesmo sem acostamento, sem calçadas para pedestres, pois o que importa são as 450 carretas de soja que chegarão em breve e terão pressa em desembarcar e voltar, afinal… tempo é dinheiro. Prometem construir passarelas, sem dizer quando, nem quantas. Entre os bairros do Cambuquira e Esperança seriam necessárias ao menos cinco passarelas, mesmo sacrificando as pessoas idosas  e cadeirantes que não subiriam as passarelas.

Diante desse caos urbano se pergunta ao sr. Prefeito, qual o plano de urbanização que está utilizando? Como está aplicando o plano diretor do município já aprovado no mandato passado? Também se pergunta aos vereadores, como é que os srs. E sras. estão se preocupando com esse caos provocado pelo progresso da cidade? O que vocês exigem do prefeito para aplicação das leis de urbanização? Do código de postura da cidade? Vocês aprovaram candidamente o tal NGO do interesse do prefeito, quanto aquilo vai custar aos cofres do município? Precisava de todos aqueles novos funcionários regiamente pagos?

Desenvolvimento urbano é uma coisa, implica qualidade de vida da maioria. Progresso é outra coisa e quando só beneficia uma minoria e leva ao caos da cidade é crime, mesmo que seja aprovado pelos poderes públicos.

Este quadro meio pessimista é um alerta às autoridades e à sociedade santarena, incluindo aqui as federações de associações de bairros, Igrejas. Ordem dos Advogados secção santarena e ao empresariado. Ou será que, em nome do progresso, aceitamos que em cinco anos Santarém esteja ao nível de Belém uma das dez cidades  mais violentas do planeta?

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