Mês: janeiro 2014

UFOPA: nova e já viciada?

Nota Postado em Atualizado em

UFOPA: nova e já viciada?

 Santarém, 30 de janeiro de 2014

Edilberto Sena

Assim é titulado um pequeno artigo na edição do JP de nº 552 de janeiro 2014. Ali, Lúcio Flávio Pinto afirma que “a UFOPA tinha um projeto inovador de ensino e pesquisa, para se ajustar às condições ecológicas e sociais da região Oeste do Estado”. Esta afirmação me chamou a atenção pelo… projeto  inovador de ensino e pesquisa, para se ajustar… outra palavra do artigo intrigante foi a do título – …já viciada?  Até podemos concordar que a UFOPA tinha um projeto inovador de ensino e pesquisa.

De fato era inovador, mas não significa que fosse  a melhor opção para se ajustar às condições ecológicas e sociais da região  Oeste do Pará. À época da construção do modelo, houve sim vários debates e reuniões entre o professor Seixas Lourenço com sua equipe de apoio e um grupo da sociedade civil organizada de Santarém, liderada por estudantes da UFPA, então vigente na região.

Nos vários encontros de diálogo, se é que aquilo podia se chamar de diálogo, o professor Seixas Lourenço apresentava um ante projeto, trazido de Brasília, já pronto. Por demanda do grupo da sociedade civil organizada ele sentava à mesa de diálogo, ouvia as propostas de construção da UFOPA, mas não cedia nem um milímetro do que tinha em mãos, vindo diretamente do MEC em Brasília. Em dado momento o reitor da UFPA, Carlos Maneschy  veio a Santarém, sentou à mesa, mas apenas sustentou que a melhor proposta de modelo era a que  vinha de Brasília e não carecia de modificação.

Qual era basicamente o ponto principal de divergência? A proposta dos mocorongos era de que, se a UFOPA seria uma nova universidade dentro da Amazônia, que a Amazônia fosse o objeto de estudos, pesquisa e ciência de qualidade e não uma escola de formação de mão de obra especializada para atender o mercado extrativista mineral e do agro negócio em expansão na região. Que  os cursos servissem para  estudar a Amazônia nos aspectos antropológicos, arqueológicos, ciência das águas, urbanismo e outras ciências humanas. Já a proposta do Seixas Lourenço prioriza os cursos tecnológicos, engenharia disso e daquilo, geologia, etc como pode ser visto no atual  quadro de cursos da UFOPA. Ela se tornou apenas mais uma universidade, que pouco se diferencia da UFPA, UFRA e semelhantes.  Daí que concordamos que ela veio como INOVADORA, mas não NOVA de um novo modelo científico.

Seixas Lourenço, que tinha a carta branca do MEC para construir a nova universidade, foi tão prepotente e arrogante que rejeitou até a proposta de se adquirir uma área nobre de frente para o rio Tapajós e ali construir um Campus universitário digno e até cartão postal, pois seria ao lado da rodovia que leva ao aeroporto Wilson Fonseca. Ele preferiu enfiar a UFFOPA num estreito espaço que fora da UFRA, tendo de um lado um terminal de combustível e as Docas do Pará e do outro, um centro privado  do Iate Clube. Posteriormente alugou um hotel para agasalhar mais estudantes que entram a cada ano.

Mas para não se raciocinar vagamente,  apresento aqui um resumo da proposta A UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS que foi matéria dos diálogos  de surdos. Liderado pelo então universitário do curso de direito da UFPA, Laurimárcio Figueira o grupo se apresentou assim:

PROJETO A UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS

Santarém – Amazônia, agosto de 2009.

“Outra universidade é possível”

APRESENTAÇÃO

No início era um pequeno e valoroso grupo de estudos do Projeto da UFOPA que se encontraram umas duas vezes e perceberam de antemão que não deveriam travar uma luta sozinhos e perceberam que “o homem coletivo sente a necessidade de lutar” (Chico Science).

Convidaram, então, entidades, sindicatos, estudantes, movimentos sociais e cidadãos em geral para expor o cenário em que se encontrava o processo de instalação da nova universidade: por ora claro, por ora obscuro, além de questões absurdamente inaceitáveis.

Como a Comissão de Implantação restringiu a sociedade e classe estudantil do processo de implantação, foi criado a Comissão Popular para a Nova Universidade, que atualmente militam (em ampliação):

FDA – Frente em Defesa da Amazônia

SINPROSAN – Sindicato dos Professores de Santarém

SINTEPP – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará

FAMCOS – Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém

UES – União dos Estudantes de Ensino Superior de Santarém

DA/UFPA – Diretório Acadêmico/UFPA – Santarém

CA/UFRA – Centro Acadêmico/UFPA – Santarém

CADED – Centro Acadêmico de Direito Evandro Diniz/UFPA – Santarém

CABIO – Centro Acadêmico de Biologia/UFPA – Santarém

AMDS – Associação de Mulheres Domésticas de Santarém

AMBL – Associação de Moradores do Bairro da Liberdade

Pastoral Social da Diocese de Santarém

Rádio Rural de Santarém

Nosso processo de decisão é coletivo, submetido à sociedade organizada. Mesmo sem recursos financeiros conseguimos realizar nossos eventos com uma logística simples e eficaz.

Em seguida um extrato do projeto coletivo:

INTRODUÇÃO

A criação de uma Universidade na Amazônia é motivo deveras a ser comemorado.

Sim! Se sua intenção for de beneficiar a própria a Amazônia (seus povos, suas

culturas, suas origens). Se sua construção for verdadeiramente coletiva. Se sua implantação for devidamente transparente. Se sua funcionalização for de fato democrática. Se de fato resgatar os fundamentos basilares de uma universidade.

1. VISÃO ESTRATÉGICA

Conceber a Amazônia em seu conjunto social, antropológico, biodiversidade e

recursos naturais como centro de estudos científico e empírico a serviço do desenvolvimento ao alcance de seus povos e do planeta Terra.

2. MISSÃO

Trabalhar a formação para a vida amazônica, levando em conta as fontes autóctones de pesquisa, contribuindo para a valorização das práticas, dos saberes culturais e da humanização das relações sociais e ambientais, através de um modelo de educação questionadora que leve a comunidade acadêmica e populações da Amazônia a serem sujeitos de transformação social.

3. OBJETIVOS

_ Garantir espaço de estudo, pesquisa e extensão que possibilite desenvolver

inteligências a serviço da humanização da vida do mundo, priorizando as populações da Amazônia;

_ Adotar uma metodologia que una fortemente o estudo acadêmico (ensino, pesquisa e extensão), o intercâmbio permanente com o saber empírico das populações locais, numa formação holística associando às ciências exatas, às ciências sociais e às ciências humanas com uma inclusão humanística no processo educativo;

_ Priorizar a criação de um corpo docente competente e de tempo integral e a garantia de espaço físico amplo, adequado, bem estruturado, possibilitando o convívio da comunidade acadêmica, prevendo o futuro da universidade, quando ela terá dezenas de milhares de estudantes, centenas de pesquisadores.

Assim, como Seixas Lourenço tinha carta branca de Brasília as vozes nativas foram ignoradas, ou talvez  consideradas pessoas medíocres e sem capacidade de pensar algo realmente novo. Deu no que está dando e assim, pode se imaginar que a UFOPA já nasceu viciada e o que vem depois é apenas consequência.

Juiz condena empresa incompetente no Pará

Nota Postado em Atualizado em

Juiz condena empresa incompetente no Pará

Santarém, 30.01.2014

Edilberto Sena

Uma canção romântica dos anos noventa expressava a dúvida assim: “será mentira ou será verdade, que ela não me ama…”. Mas essa dúvida pode ser aplicada hoje sobre o efeito da condenação do juiz sobre a empresa que foi condenada a ressarcir consumidores paraenses, lesados pelas interrupções nos serviços de internet. Será verdade? Pela informação publicada, o juiz botou pra valer exigindo ressarcimento dos  prejuízos a todos os consumidores da dita empresa no período de 2005 a 2010. Apenas em sete meses de verificação no ano 2008 foram 75 interrupções de serviço de internet.

Porém como será o ressarcimento? Como é que serão identificados os prejudicados e o valor dos prejuízos? Se em sete meses foram 75 interrupções, quantas terão sido em cinco anos? Isso o juiz não determinou e por isso a dúvida se a sentença é pra valer, ou apensa um faz de conta.

Outra questão que inquieta, é se esse precedente sobre a empresa incompetente, vai ser levado  adiante pelo ilustre juiz, sobre outras empresas e órgãos públicos que têm causado tantos prejuízos a outros consumidores e usuários. Entre outras estão incompetentes empresa distribuidora de energia elétrica. Empresa de coleta de lixo urbano, outras empresas fornecedoras de internet e de telefone. Umas dessas são mais mortas do que vivas, outras  são mais escuras do que claras e outras fazem mais ai! Do que oi! Todas causam tantos aborrecimentos a usuários. Mas também há secretarias municipais que não cumprem com suas responsabilidades públicas e prejudicam os munícipes que pagam impostos e não são bem atendidos em seus direitos. Isto para não falar da empresa responsável pelo serviço de água e esgotos da cidade.

Então, o juiz para manter a credibilidade  e a moral de seu cargo terá que  também mandar pesquisar os serviços das outras empresas que a população sente prejuízos vários, talvez o próprio juiz sofra  prejuízos por causa dessas empresas incompetentes. Se ele levar adiante a responsabilidade de moralizar esses serviços, com certeza não será apenas uma empresa a ser condenada e  além disso,  se terá esperança que a vida da população terá menos  aborrecimento e menos prejuízos. É aguardar para se sentir até onde vai a coerência do juiz corajoso que condenou a empresa prestadora de serviço de internet.

Rede Globo fere a ética na comunicação

Nota Postado em Atualizado em

Esta matéria é uma reflexão indignada ao Jornal nacional de sexta feira passada, 17.01.2014

REDE GLOBO FERE A ÉTICA NA COMUNICAÇÃO

Edilberto Sena,

 Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém

 

Ao ver o programete embutido no tal Jornal Nacional da Rede Globo na última sexta feira,  fiquei indignado. Uma pergunta me veio imediata à mente: quanto custou ao governo federal essa propaganda enganosa? Que interesse tem a Globo ao produzir tais informações falaciosas?

Quem vive lá em Altamira, no Pará e na Amazônia, especialmente os que já sofrem as desgraças provocadas pelas hidroelétricas empurradas goela abaixo pelo governo federal, será que aplaudiram as mentiras do programete da Globo? Por que será que o povo Munduruku está resistindo aos projetos no rio Tapajós e o governo envia batalhão da Força Nacional para Jacareacanga? Por que será que o projeto Belo Monte já teve tantas paralizações, ocupações de indígenas e tem carca de 16 processos encalhados na Justiça Federal?

O programete do Jornal Nacional só apresentou maravilhas produzidas pelo consórcio construtor de Belo Monte. Omitiu os prejuízos causados aos produtores rurais que perderam suas terras e não foram indenizados com justiça, como as famílias da  comunidade Santo Antônio e tantos outros; o repórter não entrevistou militantes do Movimento Xingu Vivo, nem o bispo Dom Erwin Krautler, que vivem na região e conhecem  a realidade cruel da maioria dos moradores de Altamira, Vitória do Xingu e da Volta Grande; não entrevistou os povos indígenas para saber por que eles ocuparam mais de uma vez os canteiros de obras.

Marcelo Salazar, militante do Instituto Sócio ambiental, ISA, que foi entrevistado pelo repórter da Globo, ao ver a falta de ética da produção reagiu indignado. Diz textualmente na internet: “A matéria (da TV GLOBO) foi mesmo canalha, pelo conteúdo e  pela postura falsa do repórter em campo. O Marcos Losekan mostrou-se revoltado com a situação da cidade e veio com um discurso de fazer uma matéria sobre o não cumprimento de condicionantes, porém, o que vimos foi o oposto. Mostrou de forma rápida e quase sem importância problemas graves de saúde, saneamento, de impactos aos povos indígenas, inchaço populacional fazendo cortes maldosos da minha fala e da fala da procuradora. Quase não dá para ouvir a fala de um médico do hospital municipal e do sr. Agostinho da Aldeia Muratu da Volta Grande. O repórter colocou o microfone na mesa e pediu para gravar a conversa preliminar antes da entrevista. Depois de explicar o processo de licenciamento, diversas irregularidades, mostrar dados das barbaridades que estão ocorrendo no local, atrasos enormes na implantação das condicionantes, ele perguntou se não havia nada de bom com a usina. Caí na armadilha e falei que alguns dos direitos das populações locais só estão chegando por conta de Belo Monte, que estão começando a ser cumpridos com a vinda desses projetos, o que é um absurdo, pois são políticas públicas de direito dos cidadãos. Então o repórter fez um corte maldoso de uma fala introdutória, que desfigurou o contexto que estava falando e não colocou as falas mais substanciais”.

Nossa indignação com tal falta de ética da GLOBO é que faz um jogo farsante do Consórcio construtor de Belo Monte e certamente do governo federal. Estes deveriam ser honestos em dizer abertamente à sociedade brasileira, que as obras do PAC, entre elas as hidroelétricas na Amazônia  serão feitas a qualquer custo, violando preceitos constitucionais, ignorando vidas dos povos da Amazônia e da natureza, porque o governo está a serviço da ditadura do capital.

A Rede Globo poderia então abertamente publicar quanto recebe em publicidades  do governo para produzir informações falaciosas. Aí a presidente poderia dizer claramente que desafetou milhares de hectares de floresta das  Unidades de Conservação, como os Parques, o Nacional da Amazônia e o do Jamanxin, para  poder inundar todas as áreas, pelas barragens no rio Tapajós.  Por esta via os militares da ditadura de 1964 foram mais coerentes. Embora também desonestos.

O programete do Jornal Nacional da Globo da semana passada só faz a emissora perder cada dia mais credibilidade e, com certeza perde mais audiência. Isto porque informação não pode ser mercadoria e,  ética  é uma condição básica de credibilidade em tudo e mais ainda na comunicação.

Ao dito progresso se abrem três pistas da rodovia, aos 20 mil seres humanos em 4 bairros de Santarém, prometem uma passarela de humor perverso

Nota Postado em Atualizado em

Ao dito progresso se abrem três pistas da rodovia, aos 20 mil seres humanos em 4 bairros de Santarém, prometem uma passarela de humor perverso

 

Li a matéria sobre a triplicação da rodovia br 163 dentro da área urbana de Santarém. Fico preocupado com as decisões políticas  empresariais em relação às consequências negativas desse projeto, a falta de sensibilidade dos entusiasmados com a melhoria do asfaltamento. O progresso das empresas é o que interessa, quanto à qualidade de vida dos moradores dos bairros no entorno do que deveria ser chamado de rua, ou avenida, pois está dentro do perímetro urbano.

1. O estado atual da estrada, avenida – duas pistas, sem acostamento, sem calçamento para pedestres e sem ciclovia para os usuários de bicicleta. A promessa agora do DNIT é asfaltar três pistas, uma dela só para carretas de soja e milho;

2. Diante de algumas preocupações de moradores do bairro da Matinha, algumas autoridades foram lá, inclusive o prefeito. A promessa que fizerem foi de construir uma passarela elevada. Uma absurda falta de respeito aos seres humanos. Uma passarela dentro da cidade será um atropelo para crianças e idosos;

3. A estrada, avenida ao descer a serra do Piquiatuba, corta ao menos 4 bairros da cidade (Cambuquira, Matinha, esperança e Caranazal) com uma população de aproximadamente 20 mil pessoas, entre crianças, jovens e adultos. Ao menos duas escolas estão localizadas à beira da estrada (Morais Sarmento e Seminário Pio X, além de outas escolas dentro dos bairros. Alunos moram dos dois lados da estrada e precisam atravessá-la todos os dias para estudar.

4. Se a opção das autoridades municipais e federais é  pela pior delas a passarela, quantas passarelas terão que construir para atender os moradores dos quatro bairros????? ao menos dez passarelas.

5 Sabendo que várias pessoas já morreram por atropelamento no trecho em discussão, alguns moradores apelaram para a construção de várias LOMBADAS  para os carros (não só as carretas) diminuírem a velocidade e proteger as vidas humanas. A resposta que as autoridades deram é que isso não é possível porque é uma rodovia federal. Não é um absurdo? as máquinas ficam protegidas e os seres humanos que morram.

6. Uma solução mais justa e respeitosa dos direitos humanos será construírem: calçamento para pedestres + ciclovia para ciclistas + acostamento para parada de carros. Melhor ainda e mais humano será colocar alguns sinais luminosos nas entradas dos bairros. Afinal, os moradores não têm culpa se as autoridades ao longo dos anos, desde a construção da rodovia permitiram que surgissem tantos bairros. O prefeito, se tiver um mínimo de respeito pelos  seus eleitores e pela sua cidade exigirá que as melhorias na rodovia dentro do perímetro urbano, garanta toda proteção aos moradores dos bairros do entorno.

Até quando Santarém a bela Pérola do Tapajós será lançada aos porcos do progresso???

Carta aberta ao Sr. Prefeito Alexandre Von

Nota Postado em Atualizado em

Vale a pena ler e apoiar

Carta aberta ao  Sr. Prefeito Alexandre Von

Santarém, 07 de janeiro de 2014

Ilmo sr. Prefeito de Santarém,
Sr. Alexandre Von,

Segundo notícia veiculada no Blog do Jeso (03.01.2014),  a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) já liberou a construção de um conjunto imobiliário pelo consórcio SISA/BURITI na área em frente à rodovia Fernando Guilhon, próximo ao Lago do Juá. A liberação teria acontecido mediante um TAC assinado pelo consórcio, e agora só dependeria de um SIM do sr. Prefeito Alexandre Von. Se for verdade essa informação, nós signatários de movimentos sociais, defensores da dignidade de nossa cidade de Santarém fazemos uma indagação e responsabilização:

1. Como pode a SEMA estadual liberar um crime ambiental e administrativo de tamanha envergadura? O crime ambiental pelo desmatamento  sem  EIA RIMA de cerca de 180 hectares de mata original dentro da área  urbana de Santarém. Além disso, o secretário de meio ambiente da Prefeitura de Santarém à época da venda da área era pessoa não idônea, já que era ligado a SISA, que vendeu  parte da área à Empresa Buriti e, portanto, cometeu crime de prevaricação  administrativa.

2.  Ainda conforme o Blog do Jeso, a liberação foi feita mediante um TAC  assinado pela Buriti. Como é que  a sociedade civil organizada que vem  protestando  contra a destruição da área e do lago do Juá desconhece este  TAC? Será que o prefeito de Santarém conhece os termos do TAC? E se conhece concorda sem consultar as partes interessadas na proteção do ambiente do Lago do Juá e da área desmatada?

3. Agora que a SEMA estadual parece compactuar com os crimes cometidos e os  prejuízos irreversíveis ao Lago do Juá, o sr. Prefeito vai liberar a ação  da imobiliária? Onde está seu compromisso com a dignidade do povo santareno e de sua cidade que merece respeito?

4. Diante dessa insistência da imobiliária em continuar seu comércio imobiliário e a omissão da SEMA do Estado, só resta apelar à dignidade do Sr. Prefeito de embargar as obras, exigir punição eficaz aos que cometeram os crimes e atender às propostas feitas pela UFOPA de construir um Horto Florestal, oferecer ao governo do estado para construir um Centro de cultura em parte da área desmatada e oferecer outra parte para o Movimento organizado pela Moradia para construir casas mais decentes do que as do Minha Casa Minha Vida. Se um mal tão grande foi feito, não se justifica premiar os criminosos.

Apelando à consciência cidadã do prefeito Alexandre Von assinamos:

MOVIMENTO SALVE O JUÁ

MOVIMENTO EM DEFESA DO IGARAPÉ DO IRUMARI

MOVIMENTO TAPAJÓS VIVO – MTV

CENTRO DE APOIO A PROJETOS DE AÇÃO COMUNITÁRIA – CEAPAC

MOVIMENTO DE TRABALHADORES E TRABALHADORAS EM LUTA PELA MORADIA – MTLM

GRUPO DE DEFESA DA AMAZÔNIA – GDA

CENTRO DE FORMAÇÃO E PESQUISA DOS TRABALHADORES E TRABALHARORES DO BAIXO AMAZONAS – CEFT-BAM

ORGANIZAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES DA RESERVA EXTRATIVISTA TAPAJÓS ARAPIUNS – TAPAJOARA

ASSOCIAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DE MULHERES TRABALHADORAS DO BAIXO AMAZONAS – AOMT-BAM

FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE MORADORES E ORGANIZAÇÕES COMUNITÁRIAS DE SANTARÉM – FAMCOS

SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS RURAIS DE SANTARÉM – STTR

SINDICATO DOS TRABALHADORES NA EDUCAÇÃO DO PARÁ – SINTEPP

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SUBSEÇÃO SANTARÉM – OAB

CUSTÓDIA FRANCISCANA DE SÃO BENEDITO DA AMAZÔNIA – OFM

UNIÃO DE ENTIDADES COMUNITÁRIAS DE SANTARÉM – UNECOS

CONSELHO INDIGENA TAPAJÓS ARAPIUNS – CITA

GRUPO DE CONSCIENCIA INDIGENA – GCI

UNIÃO DOS ESTUDANTES DE SANTARÉM – UES

UNIVERSIDADE FEDERAL DO OESTE DO PARÁ – UFOPA

ORGANIZAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS  TERRA DE DIREITOS

A doença está na raiz, mas querem curar cortando os galhos

Nota Postado em Atualizado em

Editorial na Rede de Notícias da Amazônia – 15.01.2014
A DOENÇA ESTÁ NA RAIZ, MAS QUEREM CURAR CORTANDO OS GALHOS
A situação dos presídios no Brasil é mais séria do que as soluções apresentadas até agora. O que está ocorrendo nestes dias em Pedrinhas no Maranhão é só uma amostra de que o caso é grave e sem solução imediata, como querem fazer, transferindo alguns mais perigosos a para outro presídio. Todos estão superlotados e sendo escola de revoltados. Em Santarém, o presídio Silvio Rol de Mora está construído para mais   com papelotes de droga, outros que deixaram de pagar pensão alimentícia e outros perigosos assassinos condenados.
Em Santarém, como em Porto Velho, Maranhão e São Paulo os condenados estão vivendo em situação desumana, em promiscuidade o que leva a revoltas, queimam de celas e assassinatos em série como nestes dias no Maranhão. Os mais violentos eliminam os mais fracos para abrir espaço de vida, pois não é possível estarem numa cela para 4 pessoas se espremerem 8 ou 10 prisioneiros. Imaginar que vão ficar quietos e orando a Deus o dia inteiro, quando não podem nem dormir sossegado é querer demais.
Causas para essas fábricas de criminosos são várias. Uma delas  é a lentidão da justiça, que permite um infrator de pequena causa permanecer meses no presídio morando entre criminosos perigos.  Outra causa mais grave ainda é a desigualdade social existente no Brasil.  Um quarto da população de 200 milhões de habitantes vive na miséria confirmada pelo cadastro do Bolsa Família. Pobres e miseráveis são  a quase totalidade dos moradores de presídios. Enquanto isso, criminosos do colarinho branco, senadores e deputados, juízes e doutores, ou não são são condenados, ou quando são ficam em celas especiais, porque têm um diploma, ou são eleitos pelo voto.
Agora, quando acontece mais uma tragédia anunciada como as mortes no presídio de Pedrinhas no Maranhão, então querem abafar a responsabilidade da governadora Sarney, senadores vão fazer visita inútil lá, pois as soluções não vão chegar à raiz do problema de todos os presídios. Querem apenas podar uns galhos, transferindo alguns perigos para outro presídio, ou construir mais um ou dois pavilhões.
 Não adianta quererem esconder o sol com uma peneira.

Uma análise de um encontro com o prefeito Alexandre Von

Nota Postado em Atualizado em

14 de janeiro de 2014

Uma análise de um encontro com o prefeito Alexandre Von

É preciso dar um voto de confiança e credibilidade ao prefeito santareno nestes dias. Ele tem sido criticado por seu governo lento e comprometido com a classe empresarial. Mas outros pensam diferente  pois afinal, ele só concluiu o primeiro ano de mandato.

O voto de confiança proposto é sobre sua palavra dada no último dia 10 de janeiro, a um grupo de representantes de movimentos sociais. O grupo estava inquieto e preocupado com uma notícia que saiu no blog do Jeso recentemente, sobre o caso dos crimes cometidos pela dupla SISA/BURITI,  devastando 185 hectares de mata nativa, ao lado da rodovia que liga a cidade ao aeroporto. A informação dada pelo blog do Jeso dizia, que a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará SEMA, havia liberado a licença ambiental para  empresa Buriti em Santarém. E que agora só faltava o SIM do prefeito para ela continuar seu empreendimento imobiliário, mediante um TAC que a empresa já havia assinado. Os representantes dos movimentos sociais queriam saber do prefeito,  se ele conhecia o tal TAC e se concordava com ele; queriam saber também se ele iria dar o sim, sem  manter diálogo com os movimentos que vêm lutando há mais de um ano, em defesa do lago do Juá e do meio ambiente da cidade. Estavam surpresos com a decisão da  SEMA  estadual porque ainda no ano passado, em visita a Santarém, o governador do Estado havia se comprometido a estudar a desapropriação da área, exigir punição monetária pelos prejuízos ambientais causados e ali construir um Centro de Convenções para Santarém.

O diálogo entre o prefeito e os representantes dos movimentos sociais foi bem franco e Alexandre Von concluiu assim:

a)      O prefeito de Santarém desconhece o Termo de ajuste de conduta  produzido pela SEMA estadual;

b)      Se houve a licença da SEMA foi só a licença ambiental e não autoriza a empresa prosseguir com seu empreendimento;

c)      O prefeito de Santarém só aceita discutir um TAC mediante a presença do Ministério Público, da SEMA, da Universidade Federal do Oeste do Pará  e da empresa, pois só o MP tem poder de exigir cumprimento das regras do TAC;

d)      Para discutir qualquer decisão sobre o futuro da área prejudicada, o prefeito exigirá a presença de representantes dos movimentos sociais, que lutam  em defesa do lago do Juá e do novo destino da área devastada.

Estas foram as afirmações claras e públicas do prefeito Alexandre Von, que foram gravadas pelos participantes do diálogo. Por isso, se deve dar um voto de confiança na palavra do prefeito, que certamente não recuará de suas convicções de administrador sério,  que defende sua cidade e a população. O poder econômico não pode prevalecer sobre o bem comum de uma cidade como Santarém.