Nota Postado em

 De boas intenções a estrada do inferno está ladrilhada – 23.02.2014

 

Na sexta feira passada (20.02)  aconteceu um programa de debate radiofônico em Santarém, na Rádio Rural, com o tema – o Programa de Aquisição de Alimentos, PAA. Este programa federal surgiu como resposta positiva do governo à reivindicação dos produtores familiares, como forma de garantir o escoamento da produção da agricultura familiar. Até aí estava correto o PAA. A CONAB deveria negociar a compra de toda a produção familiar de hortifrúti granjeiros  a preços compensadores a aos produtores. Também  deveria encaminhar  o arrecadado a três destinos: merenda escolar, entidades que cuidam de pessoas com necessidades especiais e para famílias carentes. Nada contra esses três destinatários, desde que fossem bem administrados.

O debate radiofônico em Santarém revelou que existe uma distância enorme entre as intenções iniciais do PAA e as práticas atuais e que provavelmente não é só no município de Santarém. Um sintoma de que  a gestão do PAA não anda bem aqui na região, foi a forma como o gerente municipal primeiro se desculpou de não aceitar o convite para participar do debate e, já no final do programa, apareceu tentando justificar sua não participação.

Outro sintoma do desvio do Programa é a forma como o destino dos alimentos tem ocorrido a pessoas carentes. Um exemplo desse desvio é o caso de num bairro de periferia da cidade é feita a entrega dos alimentos. Quem faz a entrega é o presidente da associação de moradores. Ele e seus auxiliares decidem quem deve ou não receber os alimentos. Isto cria uma insatisfação nas famílias que são carentes e não são eleitas a receber os donativos. Acusam o presidente da associação de fazer politicagem com os alimentos do PAA.

Neste caso, se a prefeitura municipal tem recursos para montar uma equipe especial a cuidar do PAA, ela deveria ter competência organizativa para a distribuição justa e honesta dos produtos arrecadados. Entregar à associação de moradores, sem uma fiscalização correta só contribui para desvios de aplicação. Ora, o município tem um cadastro do programa Bolsa Família, que indica quem realmente é mais carente por viver na miséria. Não seria este o guia mais preciso da distribuição dos  alimentos? E aí aparece mais uma contradição. Se o programa Bolsa Família existe para atender as famílias na miséria, por que ainda precisa de alimentos do PAA? Significa que a quantia do  Bolsa família é uma migalha de até R$ 450,00 mês,  que não supre as necessidades dos que vivem na miséria. Para uma aplicação mais justa da migalha do PAA bastaria a equipe da prefeitura seguir o cadastro do Bolsa família. Por que não é feito assim?

O governo federal tenta tapar o sol com peneira ao dizer que o programa Bolsa Família já promoveu alguns milhões de miseráveis à classe média brasileira, o que parece ironia. O Plano original Fome Zero,  tinha realmente a intenção de garantir que cada brasileiro chegasse a ter três refeições dignas por dia. Infelizmente ficou reduzido  a algumas bolsinhas, como o família, o verde, o natalidade e agora o PAA. A desigualdade social continua um escândalo planetário.

A gestão do PAA é apenas mais uma ilusão de cuidado do governo com a desigualdade social do país, pois enquanto investe 150 bilhões de reais por ano no agronegócio, investe mal os 20 bilhões à agricultura familiar, além de  mal administrado, como revelou o programa radiofônico de Santarém na semana passada. Por isso que esse programa social do governo é mais ladrilho no caminho do inferno, que está cheio de boas intenções mal realizadas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.