01 de abril 2014 dia da mentira e 50 anos do golpe de Estado no Brasil

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Presidente da república culpa a natureza pelos desastres em Rondônia e Bolívia

As notícias mais graves sobre as enchentes do rio Madeira, em Rondônia, para quem está mais distante, parecem coisas do passado. Os grandes meios de comunicação, quando ainda produzem informações são apenas sobre o crescimento das águas pela enchente histórica, como dizem. A mais recente notícia da grande imprensa, especialmente a oficial, foi sobre a recente viagem da presidente Dilma Rousseff a Rondônia e Acre. Ela não chegou a descer de helicóptero para conversar com os desabrigados de Jaci Paraná, ou Guajaramirim, para sentir o ponto de vista dos prejudicados. Apenas sobrevoou no avião presidencial e lá de cima viu apenas as inundações.

Ao voltar à capital federal a presidente, aparentemente preocupada com os impactos da cheia histórica, se saiu com afirmações sem o menor pudor que o cargo lhe exigiria. Uma delas: “ é um absurdo atribuir às duas hidroelétricas, a quantidade de água que vem pelo rio”. Nem na boca de um analfabeto lá da margem do rio Madeira, se esperaria tal conclusão. O professor Luiz Fernando Garzon, da Universidade de Rondônia comentou tal dito da presidente assim: “Absurda é a própria alegação de que alguém possa atribuir tal dom às hidroelétricas. Não há registro de qualquer afirmação de que as hidroelétricas multipliquem água… o problema nunca foi a água quem vem pelo rio, mas a que ficou no meio do caminho por conta de dois reservatórios concebidos e operados sem estudos suficientes e que abrangessem a bacia do rio Madeira”.

De fato, a preocupação real da presidente foi negar responsabilidade das empresas construtoras de Jirau e Santo Antônio como dos órgãos (IBAMA, ANEEL) e Ministério das Minas e Energia, pelos desastres humanos e da natureza, causados pelas duas hidroelétricas. Se tivesse a honestidade de admitir esses culpados, ela teria que suspender os outros projetos em andamento em Belo Monte, Teles Pires e no Tapajós. Mas isso, sua obsessão e submissão aos compromissos com as construtoras e as empresas consumidoras de energia intensiva, não quer interromper o caminho já andado. Ela mesma disse uns dois anos atrás, pressionada pelos movimentos sociais, que “o que tem que ser feito será feito, doa em que doer”.

Seus subalternos falam em construções de hidroelétricas a fio d’água como a solução ambiental na Amazônia, mas as duas primeiras, Jirau e Santo Antônio são o desmascaramento dessa fantasia. Com barragens de 54 metros de altura, retendo as águas, junto com uma cheia do rio fora do comum, dá no que está dando, tanto inundação rio abaixo na cidade de Porto Velho, com mais de 5.000 famílias desalojadas e perdendo seus pertences, como as graves inundações rio acima, submergindo Jaci Paraná, Guajaramirim e mais grave ainda, os prejuízos no país vizinho, a Bolívia, com mais de 100 mil cabeças de gado morto e mais de 50 pessoas mortas com destruição de agricultura de vasta região da Amazônia boliviana.

Com tudo isso, como pode a presidente ter a coragem de dizer que os prejuízos foram causados apenas pela cheia histórica? Ela não pode ser tão leviana de negar o que é tão evidente, como analisou o professor Garzon.

O que é mais grave dessa conjuntura é que esses projetos megalomaníacos, tão maníacos como desastrosos, estão em andamento nos outros rios como, Teles Pires, Xingu e Tapajós. O que preocupa a alguns é que a maioria da população da bacia do Tapajós continua alheia aos sinais do tempo, não quer encarar que os desastres do rio Madeira poderão ocorrer no Tapajós sim. Se a sociedade civil tapajônica não reagir conjuntamente com o povo Munduruku, mais cedo ou mais tarde chorará o caldo derramado. Como no rio madeira, as desgraças serão irreversíveis.

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