Índio não quer apito, quer seus direitos respeitados

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Editorial do dia 27.02.2015 Rede de Notícias da Amazônia

Os povos indígenas dão grande exemplo de militância por causas justas e amplas, aos outros povos da Amazônia e do Brasil. Eles estão botando por terra preconceitos históricos dos não indígenas, que quase sempre diziam que os povos originários eram brabos, indolentes e ingênuos.

Estes povos indígenas se organizam e enfrentam os poderes econômicos e os governantes que os ignoram e insistem em violar seus direitos constitucionais. Nas últimas semanas, um grupo de líderes do povo Munduruku do Tapajós esteve em Brasília e entregou nas mãos do Ministro do desenvolvimento agrário, um documento exigindo por parte do governo, cumprimento da lei que supõe consulta prévia e informada, antes de iniciar qualquer obra pública, que venha ameaçar suas vidas. O ministro recebeu, não garantiu atender a demanda, mas sabe o governo que o diálogo não pode ser de surdos e que eles vão resistir a qualquer violação de seus direitos.

Na semana seguinte, líderes do povo Kaiapó, do Xingu foram ao Congresso Nacional exigir dos políticos que não seja votada a emenda constitucional, a PEC 215, porque tal emenda permitiria mais violações das terras indígenas do país. Os políticos ligados aos latifundiários querem mudar a constituição nacional,  para invadir as terras indígenas e retardar mais ainda a demarcação e homologação de muitas terras de povos tradicionais, que ainda estão sem demarcação.

Na semana seguinte, outra organização indígena mais ampla, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, APIB, está empenhada em ir a Brasília para pressionar os congressistas a respeitar a Constituição e não emendá-la para atender a interesses capitalistas, a tal PEC 215.

Assim, se percebe que algo novo está acontecendo neste país cheio de atitudes negativas, como corrupção, escândalos financeiros dos deputados e governo cortando direitos trabalhistas, para salvar a economia do país, sem tocar nas riquezas dos empresários e banqueiros. Os povos indígenas revelam maior consciência sobre seus direitos e maior organização de resistência, montam estratégias de ação articulada, vão às portas dos poderes da nação e não aceitam destruição de seus territórios. Eles não querem guerra, mas se o governo e os congressistas insistirem as guerras vão acontecer.

Eles são exemplo de cidadania para pescadores, ribeirinhos, trabalhadores rurais e urbanos, que estão sendo também violados  em seus direitos mas não resistem firmes. Apenas murmuram, xingam  pelos corredores, diante das notícias de que o governo está aumentando o preço da tarifa de energia, que está cortando direitos trabalhistas e enfia goela abaixo obras do PAC sem respeitar os direitos dos pobres.

Parabéns aos povos indígenas que sabem exigir respeito a seus direitos e que assim podem mudar preconceitos dos que sofrem sem reagir com firmeza.

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