Mês: março 2015

Cristo apaixonado pelos pobres, os oprimidos enfrenta os corruptos ontem e hoje

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MEMÓRIA DA PÁIXÃO DE CRISTO

  1. Fazer memória é perceber no presente, algo ou alguém que existiu no passado e continua de alguma forma presente hoje. Cada ano, os cristãos tentam fazer memória da paixão de Cristo. Nem sempre conseguem quando ficam apenas nas lembranças e nos rituais. Paixão é palavra ligada ao verbo APAIXONAR. Esta palavra tem forte sentido afetivo de se entregar por amor a alguém.
  2. No caso da paixão de Cristo temos que olhar bem, tanto o apaixonar, como o fazer memória. Jesus Cristo se apaixonou pelas pessoas, pelos discípulos, suas amigas, os e as que ele encontrava nas ruas e beiras do lago, como todas as pessoas do seu  tempo e de hoje. Ele assumiu sua paixão até o ponto de enfrentar os opressores que mantinham as multidões na servidão, tanto religiosa, como econômica e política.  Por conta de sua paixão compreendeu que seu povo era como ovelhas sem pastor e também por essa paixão  enfrentou a tortura e morte de cruz. Tanto se comovia com o aleijado à beira da piscina milagrosa, com a sogra de Pedro estava com febre alta, como também perdeu a paciência com os donos do templo que faziam comércio na Casa do Pai. A tal ponto chegou sua paixão apaixonada que enfrentou a tortura e a condenação à morte cruel pela cruz.
  3. Mas a paixão de Cristo não encerrou na sexta feira da paixão, nem mesmo ao sair do túmulo no domingo pela madrugada. Ela continua se prolongando hoje … MÚSICA: Seu nome é Jesus Cristo  e passa fome… Não podemos fechar os olhos e pensar que tudo está consumado. Não se pode apenas repetir as cerimônias da via sacra, se comover com as leituras da paixão deixadas pelos evangelistas e continuar a rotina da vida. Ao fazer memória é necessário se fazer a pergunta – valeu a pena a paixão de Cristo? Valeu mesmo ele ter ressuscitado ao terceiro dia? Da parte dele certamente que sim, ele fez sua parte.
  4. No entanto, ao fazer memória vai se perceber imediatamente que a paixão de Cristo continua hoje no mundo, no Brasil e seguramente na Amazônia. A coroa de espinhos continua sangrando na cabeça de Jesus, quando vemos a quantidade de agrotóxicos espalhada nas terras do agronegócio, envenenando rios, igarapés e roçados. Os pregos nas mãos e pés de Jesus continuam a machucar hoje, quando 14 milhões de famílias no Brasil, 27 mil delas só no município de Santarém, vivem na miséria conferida pelo programa Bolsa Família; as chicotadas dos soldados se repetem hoje de tantos modos, como com a falta d’água em tantas cidades, inclusive em Santarém e em comunidades rurais que não têm água potável. Jesus continua arrastando  a madeira da cruz quando hoje autoridades públicas não assumem suas responsabilidades com educação de qualidade, mantendo escolas multi seriadas, invasão de carretas pelas ruas e avenidas da cidade, sem cuidado com as vidas humanas expostas a acidentes. Jesus Continua pendurado no madeiro e gritando abandonado quando tantos cristãos de todas as igrejas só cuidam de sua própria salvação e não atendem as necessidades dos que sofrem opressões. Quando igarapés estão morrendo por assoreamento e poluição, quando hidroelétricas são construídas nos rios da Amazônia, quando empresas destroem a região extraindo minérios, Jesus está pedindo água pois tem sede e lhe dão vinagre.
  5. A paixão de Cristo se prolonga hoje no  mundo, no Brasil e na Amazônia  de modo particular. Mas o apaixonado Jesus também continua  amando seu povo e esperando que seus seguidores se deem conta que sua responsabilidade é representá-lo  hoje na sociedade, cuidando dos oprimidos e denunciando a corrupção, os maus administradores  dos bens públicos e abrindo os olhos dos que ainda estão cegos para a realidade dos oprimidos que precisam de quem lhes dê a mão.
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Alo novo está acontecendo na Amazônia

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Este editorial foi publicado em fevereiro quando está silenciado o blog, por isso chega um pouco atrasado, mas o novo do povo Munduruku está continuando. Por isso vale a pena ler este também.

Editorial do dia 27.02.2015 Rede de Notícias da Amazônia

Os povos indígenas dão grande exemplo de militância por causas justas e amplas, aos outros povos da Amazônia e do Brasil. Eles estão botando por terra preconceitos históricos dos não indígenas, que quase sempre diziam que os povos originários eram brabos, indolentes e ingênuos.

Estes povos indígenas se organizam e enfrentam os poderes econômicos e os governantes que os ignoram e insistem em violar seus direitos constitucionais. Nas últimas semanas, um grupo de líderes do povo Munduruku do Tapajós esteve em Brasília e entregou nas mãos do Ministro do desenvolvimento agrário, um documento exigindo por parte do governo, cumprimento da lei que supõe consulta prévia e informada, antes de iniciar qualquer obra pública, que venha ameaçar suas vidas. O ministro recebeu, não garantiu atender a demanda, mas sabe o governo que o diálogo não pode ser de surdos e que eles vão resistir a qualquer violação de seus direitos.

Na semana seguinte, líderes do povo Kaiapó, do Xingu foram ao Congresso Nacional exigir dos políticos que não seja votada a emenda constitucional, a PEC 215, porque tal emenda permitiria mais violações das terras indígenas do país. Os políticos ligados aos latifundiários querem mudar a constituição nacional,  para invadir as terras indígenas e retardar mais ainda a demarcação e homologação de muitas terras de povos tradicionais, que ainda estão sem demarcação.

Na semana seguinte, outra organização indígena mais ampla, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, APIB, está empenhada em ir a Brasília para pressionar os congressistas a respeitar a Constituição e não emendá-la para atender a interesses capitalistas, a tal PEC 215.

Assim, se percebe que algo novo está acontecendo neste país cheio de atitudes negativas, como corrupção, escândalos financeiros dos deputados e governo cortando direitos trabalhistas, para salvar a economia do país, sem tocar nas riquezas dos empresários e banqueiros. Os povos indígenas revelam maior consciência sobre seus direitos e maior organização de resistência, montam estratégias de ação articulada, vão às portas dos poderes da nação e não aceitam destruição de seus territórios. Eles não querem guerra, mas se o governo e os congressistas insistirem as guerras vão acontecer.

Eles são exemplo de cidadania para pescadores, ribeirinhos, trabalhadores rurais e urbanos, que estão sendo também violados  em seus direitos mas não resistem firmes. Apenas murmuram, xingam  pelos corredores, diante das notícias de que o governo está aumentando o preço da tarifa de energia, que está cortando direitos trabalhistas e enfia goela abaixo obras do PAC sem respeitar os direitos dos pobres.

Parabéns aos povos indígenas que sabem exigir respeito a seus direitos e que assim podem mudar preconceitos dos que sofrem sem reagir com firmeza.

Entrevista ao blog do Manoel Dutra

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Para quem está distante, na semana passada houve uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Santarém sobre um projeto escandaloso contra a cidade e seus moradores de construção de quatro portos graneleros em frente da cidade. Tem o apoio do prefeito e dos vereadores em sua maioria com algumas poucas exceções. Durante a sessão eu estava lá no plenário que estava  lotado de moradores e de repente o presidente da mesa me deu a palavra e pronunciei três reivindicações em nome da Comissão Justiça e Paz da Diocese  de Santarém em favor dos moradores e pressionando os vereadores a tomar posição em defesa da dignidade da cidade e dos moradores. Estes se ofenderam com minhas palavras e prometeram enviar uma carta de repúdio ao bispo e à CNBB, contra “esse padre que em vez de pregar a paz prega a discórdia. Em razão deste contexto produzi uma mensagem ao bispo com minha versão da situação antes que ele recebesse a carta de repúdio. Não  sei o que ele pensou e o que disse aos vereadores. mas o jornalista Manoel Dutra me enviou essas perguntas que respondi e ele publicou. O que vem pela frente é a semana santa, que vou fazer memória e essa questão do projeto criminoso dos portos graneleros pode fazer parte da Paixão de Cristo atualizada. Boa semana santa.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Hidrelétricas do Tapajós são mais destrutivas do que a contaminação dos rios por mercúrio, cianeto e barro, diz Padre Edilberto Sena

Nesta entrevista, o coordenador da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém, Padre Edilberto Sena, responde ao vereador Maurício Correa (PSD) que, em sessão da Câmara semana passada disse que o padre foi ao plenário disseminar “lambanças”. Edilberto, ao falar numa reunião aberta ao público, queixou-se de que a maioria dos vereadores não se empenham na solução dos problemas do município, sobretudo os problemas trazidos pela economia de exportação de matérias primas, com a abertura e ampliação de novos portos.

De modo geral, o religioso faz aqui uma análise daquela reunião e diz que está aberto ao diálogo com a Câmara de Vereadores, desde que esta o queira.

A respeito da contaminação do Rio Tapajós e de vários de seus afluentes pelos rejeitos venenosos da garimpagem, diz Edilberto que “nós, do Movimento Tapajós Vivo, sentimos o problema, mas analisamos que neste momento barrar as hidrelétricas é mais urgente e tão, ou mais grave do que a poluição dos garimpos. Não temos pernas para assumir as duas lutas e não creio que possamos enfrentar as duas ao mesmo tempo. Assim, esperamos que outros grupos entrem na pressão contra as poluições dos garimpos”.

A seguir, a entrevista:

Pergunta – No jornal O Impacto tu dizes que foste mal interpretado pelos vereadores. Onde está o mal-entendido?

Resposta – O mal entendido deles, quanto à minha fala, foi que não falei que eles sejam otários, nem os chamei de corruptos. Falei que os empresários podem implantar suas empresas, mas não onde e como querem. NÃO SOMOS OTÁRIOS. Isto é, não somos ingênuos para aceitar passivamente o que eles querem. Além disso, falei que nós do plenário não podemos nos fiar nos políticos para defender nossos direitos e nosso território. Com isso, falava que até agora, mais de um ano depois de os projetos dos portos estarem em andamento, os políticos não tomaram posição na defesa dos nossos direitos. pelo contrário, o vereador Matias Junior e o vereador Henderson Pinto já manifestaram anteriormente que são a favor dos portos graneleros no bairro Área Verde, quando a maioria dos moradores está contra e nós da Pastoral Social da Diocese também.

P – Segundo o mesmo jornal o vereador Maurício Correa (PSD) disse que “o padre não poderia ter usado a tribuna do Poder Legislativo para usar da demagogia, fazendo lambança, para ser aplaudido e eu o repudiei em defesa do Poder Legislativo”. Qual seria a tua resposta ao referido vereador?

R – A acusação do vereador Maurício Correa de que eu estava fazendo lambança é sua interpretação. Eu estava ali como membro da sociedade civil santarena que defende o respeito aos direitos da população. Não entendo como o dito vereador achou, que eu estivesse agredindo a Câmara de Vereadores, quando o que disse foi que eles foram eleitos por nós para defender os direitos da população e que, portanto, assumissem seu papel. Não é o que estamos vendo no caso dos projetos, tanto do aumento do porto da Cargill, destruindo o bosque e campo da Vera Paz, e eles não abriram as bocas, como no caso dos portos novos em discussão, não ouvimos ainda eles tomando posição em defesa dos moradores e da cidade de Santarém, com exceção da vereadora Ivete Bastos (que justiça se faça, tem sido uma das poucas que sempre defende os interesses da população). Então, quem tem feito demagogia são os políticos que, em tempo de campanha, prometem maravilhas aos eleitores e depois de eleitos se calam diante das agressões aos direitos da população.

P – A partir desse episódio ainda há possibilidade de diálogo com a Câmara Municipal?

R – Possibilidade de diálogo com a Câmara de vereadores, da minha parte não me fecho, estou sempre pronto ao diálogo e ao debate de ideias e propostas. Se eles fecharem as portas da “casa do povo” tenho outras portas abertas para continuar minha missão como coordenador da Comissão Justiça e Paz e como cidadão santareno.

– Os atuais vereadores têm condição de exigir uma revisão dos projetos em andamento no município, referentes à construção de portos para exportação de grãos e também no caso do loteamento da Buriti, além de outros?

R – Condição responsável eles têm de rever todos esses projetos de empreendimentos em andamento na cidade. Se eles têm vontade de enfrentar a força do poder econômico é que duvido. São poucos os vereadores/as que tomam posição firme diante do que acontece na cidade e no município. Alguns exemplos de omissão: a ampliação do porto da Cargill, a discussão sobre esses projetos tão impactantes de 3 ou 4 portos na área da APA Maicá, a questão do desastroso projeto Minha Casa minha Vida, os loteamentos que estão sendo abertos na região do Eixo Forte e coroando as omissões da Câmara de Vereadores é o escandaloso caso do dito empreendimento Buriti. Quando foi que a dita Câmara tomou posição firme na defesa dos direitos ao território da cidade? Que saiba quem tem assumido as dores tem sido pequenos grupos dos movimentos sociais populares. Então, ao contrário da queixa que eu teria ofendido o poder legislativo, sinto que aquele poder é que tem se omitido constantemente diante de graves agressões à população santarena.

P – Na tua análise e na análise da Comissão Diocesana de Justiça e Paz, quais os principais problemas que hoje afetam a cidade e o município e que são ameaças futuras?

R – Na minha análise, Santarém está sendo agredida por tantos projetos do dito progresso. Além do que já apontei, acrescento: o tráfego na rodovia Santarém Cuiabá dentro da cidade. Cinco bairros desde a descida da serra do Piquiatuba, não têm nenhuma proteção às vidas humanas: não há placas de redução de velocidade, não há lombadas, não há calçadas para pedestres. Lideranças daqueles bairros já realizaram vários encontros em busca de solução, pois vários acidentes já ocorreram, inclusive com mortes. Em uma das reuniões dos bairros compareceu um vereador, que mostrou-se preocupado, mas não compareceu nas outras reuniões. A Câmara de vereadores nunca tomou posição na defesa dos moradores. Para ironia da vida, mais recentemente o DENIT, responsável pela proteção das vidas humanas, realizou duas obras: recuperou o asfalto da rodovia apenas para os veículos, sem construir calçamentos para pedestres, nem redutores de velocidade e, para coroar o desprezo pelos seres humanos dos cinco bairros, colocou vários “pardais” desde o porto da Cargill até o viaduto. Os vereadores nunca exigiram que o DENIT respeitasse a defesa das vidas ao menos até o pé da serra.

P – Como tu analisas a realização da manifestação deste domingo, em Santarém, contra as hidrelétricas do Tapajós, especialmente a de São Luiz, a mais adiantada?

R – As manifestações de domingo passado foram um avanço na demonstração de que mais pessoas e organizações da sociedade civil organizada estão acordando para os graves impactos que as hidroelétricas no Tapajós trarão para nós. Não foi só em Santarém que ocorreram as manifestações, mas em Belterra, Aveiro, Itaituba, Jacareacanga. As mais amplas foram em Itaituba e Santarém, com participantes de bairros, comunidades rurais, escolas e universitários. Apenas um vereador esteve presente.

Compreendemos que a única forma de enfrentarmos o perverso projeto do governo para o Tapajós é trabalharmos a união de vários movimentos populares, igrejas e povo Munduruku, ao estilo Chico Mendes. Desafio maior é abrir os olhos das populações não indígenas, principalmente das cidades da bacia do Tapajós. Sem isso vamos cair na mesma desilusão do povo do Xingu. Nossa vantagem é que o governo está metido na arapuca da crise internacional com reflexos na economia brasileira (O BNDES não poderá mais abrir o cofre a qualquer custo) e o “lava a jato” é outro aliado, pois as empreiteiras estão metidas nos crimes e se for feita justiça não poderão mais fazer obras públicas. Enquanto isso vamos trabalhando a sensibilização das comunidades tapajônicas, mesmo lutando sem recursos e sem apoiadores políticos e classe média. P – Como vês a degradação ambiental causada pelos garimpos industriais do médio Tapajós, que ameaça os sete municípios daquela região, com o despejo de mercúrio, cianeto e barro? Essa questão, acoplada ao caso dos projetos de hidrelétricas, como tu analisas?

R – A poluição do rio e dos povos pelos garimpos é outro crime grave e que não tem tido ação das autoridades e pouco da sociedade. Já na década de 90 nós do Grupo de Defesa da Amazônia, lutamos contra o Estado brasileiro e paraense por causa da poluição mercurial dos garimpos. Fomos até a capital holandesa com a denúncia contra o governo brasileiro e Estado do Pará. Houve uma condenação moral, mas nada de punição aconteceu. Nós do Movimento Tapajós Vivo sentimos o problema, mas analisamos que neste momento barrar as hidroelétricas é mais urgente e tão, ou mais grave do que a poluição dos garimpos. Não temos pernas para assumir as duas lutas e não creio que possamos enfrentar as duas ao mesmo tempo. Assim, esperamos que outros grupos entrem na pressão contra as poluições dos garimpos.

A Presidenta em seu labirinto

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A presidenta em seu labirinto

Finalmente despertou o gigante adormecido em berço esplêndido, como canta o hino nacional brasileiro. Bastante gente saiu às ruas, em dezenas de cidades para clamar que do jeito que está a situação nacional não dá para continuar. Dois relativamente grandes movimentos de ruas aconteceram nos últimos dias.

Mesmo com dois tipos distintos de motivação, os manifestantes de sexta feira passada e os de domingo, tiveram alguns pontos em comum. Divergiam quanto a querer, ou não, o impeachment da presidente Dilma. Os manifestantes de domingo passado, animados pelos canais de televisão das oligarquias da comunicação, exigiam o afastamento da presidenta. Diziam que foi a maior manifestação popular no país e muitos anos, enquanto os críticos  lembravam que muito mais milhões a elegeram na eleição de outubro passado e que o clamado impeachment não tem sentido agora, pois a presidente Dilma não cometeu crime para tal punição.

O que se revelou comum nos dois tipos de manifestação, foi o grito por justiça e paz, por  mudança na atual estrutura econômica e política do país e contra a corrupção que se alastra há muitos anos e explodiu no recente caso do rombo na Petrobrás. O que os manifestantes expuseram, é que não é possível a presidente, para manter seu cargo, sacrifique a maioria dos brasileiros com impostos, aumento da tarifa de energia elétrica e submissão do governo aos deputados e senadores.

A presidenta está acuada. Não parece saber como sair deste labirinto. Para salvar seu mandato e escapar de seus opositores, ela colocou em importantes ministérios federais, representantes dos latifundiários, dos banqueiros e empresários. Prefere tal política de acordo com os ricos, a salvar as vidas dos mais pobres. A economia do país está caindo de produção, a corrupção desmascarada na Petrobrás e o revanchismo dos opositores que perderam nas eleições passadas, ampliam a crise atual que vive o País.

De repente os clamores populares chegam às ruas, exigindo moralização na política, direitos adquiridos não sejam mudados e os corruptos sejam rigorosamente punidos. O lulismo continuado por Dilma Rousseff chegou ao limite e possibilidade. Em doze anos e meio de mandato não deu para conciliara com uma mão distribuir assistencialismo barato aos miseráveis, com a outra deixar os ricos ganhando lucros enormes, além das propinas. Daí o labirinto em que está metida a presidente Dilma.

Se a curto prazo não haverá mudanças mais radicais na política do governo, se o impeachment da presidenta não vai acontecer agora, uma das soluções necessárias está sendo proposta pelas lideranças da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB e a Conferência Nacional dos bispos do Brasil, CNBB, junto com centrais sindicais e Consulta Popular: Realizar urgente um plebiscito popular  pela criação de uma constituinte exclusiva e soberana. Esta é a saída mais viável para a sociedade brasileira. Não será solução imediata porém, a mais segura. Desde que os políticos de mandatos atuais estejam fora da Constituinte, sendo ela soberana e exclusiva.  Só a sociedade civil organizada e comprometida com o bem comum da nação poderá mudar a conjuntura grave em está metida. Daí a importância de entidades sérias  e mais isentas como a OAB e CNBB estarem assumindo o compromisso com o plebiscito por uma Constituinte exclusiva e soberana. A presidente Dilma, ao ser retirada do labirinto em que está perdia  deverá voltar para casa e cuidar de seus netos.

Brasil e Venezuela dois países ricos à beira do abismo

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Análise de conjuntura para Rede Pan Amazonia/ ALER – 11.03.2015

Dois países ricos da América do Sul estão em grave crise, tanto econômica como política. Ne3m dá para se medir neste momento, qual dos dois está mais próximo do fundo do poço, se a Venezuela, ou o Brasil. Deixando a análise sobre a Venezuela para nossos companheiros/as da Rede Fé e Alegria, partilho aqui uma pequena análise sobre o Brasil.

A crise econômica acontece, segundo analistas do ramo, por causa de pelo menos dois fatores, um a crise internacional que repercute nas exportações de produtos brasileiros e também por causa de um erro de opção política dos dois governos do partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma em 12 anos de mandatos. O Partido no poder construiu um pacto unilateral de conciliar interesses antagônicos, entre os ricos e os pobres. Com uma mão atendia os pobres com assistencialismo do programa Bolsa família e anexos para 50 milhões de brasileiros na miséria O que era para ser emergencial se tornou política pública  permanente; com a outra mão garantiu a continuidade do enriquecimento dos que já eram ricos, os Bancos, o agronegócio, os grande empresários. Com isso os governos petistas quiserem ignorar a luta de classes que já existia muito antes de Lula chegar ao poder. Tal pacto era falso e chegou ao ponto que chegamos hoje.

O balão da economia que ia mais ou menos bem nos oito anos de Luta no poder, explodiu nos dois mandatos da sucessora. Para ser reeleita iludiu seus eleitores com promessas da garantir os direitos dos pobres. Eleita, em apenas um ano e meses, faz  exatamente o contrário, cortando direitos dos trabalhadores, aumentando tarifas de energia elétrica, mas sem tocar nas facilidades dos ricos. Ela tenta salvar seu mandato, sem se importar com seus eleitores.

Com o escândalo da Petrobrás, com o chamado lava Jato, vários membros do Partido dos Trabalhadores e membros do governo, a oposição que não aceita a continuidade um governo popular no poder tenta agora provocar o impeachment da presidenta. Mais grave na crise é que várias empresas empreiteiras que vivem de contratos com o governo para construir grandes obras como as hidroelétricas na Amazônia, entre as quais a barragem de Belo Monte, já com metade construída e com quase 30 bilhões de reais em custo, o governo diz não abrir mão das hidroelétricas no rio Tapajós, mesmo violando a constituição nacional e o tratado internacional da Organização Internacional do Trabalho, que implica respeito aos direitos dos povos tradicionais da região. Essas mesmas empreiteiras estão construindo obras nos países vizinhos e com seu envolvimento no escândalo da Petrobrás, o governo federal tenta salvar o direito das empresas continuarem com as construções das hidroelétricas na Amazônia e nos países vizinhos. Resta saber como a justiça vai concluir as investigações e sentenças que serão aplicadas.

O Impeachment da presidente Dilma não parece acontecer, mas ela continua muito desgastada perante a opinião pública alimentada pelas grandes redes de televisão e redes sociais. O futuro próximo do Brasil é incerto, tudo pode acontecer. O certo mesmo é que os pobres vão continuar sofrendo diminuição de sua renda e a democracia ficará mais manchada.

Resistir é preciso, aceitar é humilhação

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Resistir é preciso, aceitar é humilhação

Movimento Tapajós Vivo

Edilberto Sena, comissão Justiça e Paz da Diocese de Santarém

Na atual conjuntura nacional, com a polarização política, entre governo e oposições, com a crise econômica e o ajuste fiscal do governo federal, massacrando os pobres, sem enfrentar os ricos, para salvar seu mandato, a situação do projeto hidroelétrico do governo também entra em crise. As empreiteiras que estão à frente dos projetos de barragens foram flagradas nas propinas do dinheiro público e agora pressionam o governo e a justiça para punir os funcionários sem atingir as empresas. Alegam que se forem punidas ficarão sem poder fazer contratos para obras públicas. E sem estes contratos todas as empreiteiras acusadas de envolvimento nas propinas entrarão em falência.

Nesta conjuntura de crise, o governo federal não quer abrir mão das construções das hidroelétricas de Teles Pires, de Belo Monte, ambas já em execução, nem quer abrir mão das duas primeiras hidroelétricas no rio Tapajós, ainda em projeto. Até há pouco, os agentes do governo vinham tentando ludibriar o povo Munduruku com pseudos diálogos repudiados pelos líderes Munduruku, que exigem consultas prévias e livres antes de iniciar as obras. Ao mesmo tempo, os ribeirinhos e todos os moradores não indígenas da bacia do Tapajós tem sido ignorados pelo governo em seu projeto de hidroelétricas. Também esses tem sido iludidos com promessas de compensações caso as barragens prejudiquem seu habitat.

Caso a hidroelétrica de São Luiz do tapajós seja construída, além dos graves danos ambientais, prejuízos para a fauna e a flora e floresta, serão gravemente atingidos mais de 200 mil habitantes, que vivem nas comunidades ribeirinhas e nas cidades de Jacareacanga, Itaituba, Trairão, Rurópolis, Aveiro, Belterra e Santarém. Mesmo com tudo isso, o governo federal despreza essas populações e afirma que não abrirá mão das hidroelétricas no Tapajós.

Porém, vário  movimentos sociais populares estão montando uma estratégia de resistência abrangendo todos os ameaçados pelos projetos do governo no Tapajós, incluindo os Munduruku  e as comunidades não indígenas. Além do povo Munduruku, do Movimento dos atingidos por barragens, está o Movimento Tapajós Vivo seguindo um plano de sensibilização das populações da região. A força motivadora da resistência é a importância que tem este rio para todos os habitantes da sua bacia. O rio é vida, pois é via de caminhada pela navegação entre as várias comunidades e cidades; é também uma preciosa cozinha, pois de suas águas são retiradas várias espécies d e peixes, que serão extintos caso sejam feitas barragens; e também o belo rio Tapajós é banheiro, pois suas águas potáveis e suas praias são parte de sua riqueza turística. Por esse e outras razões as população estão sendo espertadas para os crimes planejados pelo governo federal. Hidroelétricas podem ser energia limpa de mercadoria para os de fora, mas suja e criminosa para os habitantes da região. Por isso, o grito a ecoar pela região é – Este rio é Nossa Vida não abrimos mão dele.

No próximo dia 22 de março, dia Internacional das águas, mais uma a manifestação pública vai acontecer em seis cidades da região do tapajós ( Jacareacanga, Itaituba, Aveiro, Belterra, Rurópolis e Santarém). Vários movimentos estão se organizando, para dar um grito de resistência em defesa do rio  e dos povos tapajônicos.

Dois objetivos unirão os milhares de manifestantes das seis cidades: um, ampliar a consciência dos habitantes ainda alheios às ameaças das barragens e assim também ampliar a militância da resistência; outro objetivo será enviar mensagem à presidente da república a lhe dizer que, pelo fato de ser presidente da república, não tem direito de impor projetos hidroelétricos na Amazônia violando direitos humanos, ambientais e tratados internacionais como  a violação do artigo 169 da OIT, por falta de consulta prévia, livre e abrangente dos povos ameaçados pelos projetos hidroelétricos.

As manifestações nas ruas e praças das seis cidades terão lema comum: DEFENDER A VIDA DO RIO TAPAJÓS É DEFENDER NOSSA PRÓPRIA VIDA. Em cada cidade uma equipe de liderança assumirá a organização da manifestação, convidando as autoridades locais, as várias organizações populares para  expressarem seu compromisso com a defesa do rio e dos povos tapajônicos. Um grande abaixo assinado será feito pelos manifestantes das manifestações como aceitação da resistência. Este documento será coletado e enviado ao governo federal, como prova de que não abrirão mão do belo rio ameaçado pelas barragens. Os canais de televisão locais e emissoras de rádio serão convidados a fazer cobertura dos eventos.

Despertar as consciências dos desinformados e iludidos pelas promessas do governo sobre os benefícios das hidroelétricas, unir as forças do povo Munduruku com as dos habitantes das diversas comunidades ribeirinhas e urbanas do Tapajós será a forma de enfrentar as arbitrariedades dos que insistem em destruir um belo rio e seus povos para gerar eletricidade mercadoria para grandes empresas do país.