Mudams os impérios permanecem os vassalos

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América do Sul nova Colônia do império chinês – 25.05.2015

Edilberto Sena

Da RNA para a Rede Pan amazônica

A recente visita do primeiro ministro chinês ao Brasil, na semana de 18 a 21 de maio, em viagem que tem roteiro até Chile, Peru e Colômbia, as manchetes dos jornais foram  exuberantes. O jornal Estado de São Paulo no dia 19.05 escreveu: “China deve participar também de acordo em 11 projetos de parques eólicos; Chineses dizem interessados nas usinas do Tapajós”. José Augusto Valente é especialista em logística escreveu no dia 24.05 – “ O Pacote ChinêsA China visualiza a possibilidade de reduzir o custo logístico da importação significativa que faz da soja brasileira”.  No dia 20.05 o periódico Bloomberg saiu essa manchete: “China amplia presença na América do Sul após baixa das commodities. China abre os cofres para fortalecer presença na América Latina. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, começa esta semana no Brasil a sua série de visitas a países da América do Sul, prometendo mais apoio financeiro para a região e destacando os esforços de Pequim para ajudar os países em desenvolvimento abatidos pela queda na demanda chinesa por matérias-primas”.

“Na terça-feira, Li deve discutir com a presidente Dilma Rousseff planos para construir uma ferrovia interoceânica gigantesca, aquisições de empresas e a liberação de bilhões de dólares para reformas na envelhecida infraestrutura brasileira, em preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no próximo ano”.

“Na mesma semana, Li será recebido com pompa na Colômbia, Peru e Chile, parte da campanha do primeiro-ministro chinês de mostrar a seus parceiros comerciais que a desaceleração na China não vai afetar o envolvimento do país na região. Acordos para que a China passe a comprar produtos acabados, em vez de apenas commodities estão na agenda, reforçados pelos bancos chineses, que assumiram riscos que poucos investidores globais aceitariam, para se transformar na principal fonte de financiamento da América Latina”. Paulo Trevisani, Rogerio Jelmayer, de Brasília.

Com esse tipo de manchetes da midia nacional pode se imaginar o que está acontecendo na América do Sul, especialmente nos países considerados por alguns, como proressistas. Até então estes países estavam submissos ao império norte americano, tanto na economia, como na cultura imposta através dos filmes, do rock in roll e tecnologia dos computadores. Agora já são invadidos os mercados deses países, com produtos made in China, desde a caneta esferográfica, aos eletrodomésticos. Mas pouco a pouco o império chinês entra com mais que vendas de pequenos produtos, agora com muito capital e interesse de injetar dinheiro em projetos de infraestrutura.

Qual será o motivo dessa pseudo generosidade do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang  de emprestar 3.5 bilhões de dólares à Petrobrás, exatamente num momento em que ela está em queda por causa dos roubos do lava jato? E qual outro motivo para o governo chinês injetar 50.3 bilhões de dólares em projetos de infraestrutura no governo Dilma Rousseff? Um pouco antes, houve mais generosidade: “Mais recentemente, o Banco de Desenvolvimento da China esteve entre os bancos chineses que aprovaram acordos avaliados em US$ 10 bilhões com a estatal Petrobras nos últimos dois meses. O Bank of Communications Co., quinto maior da China, fechou a compra de 80% do brasileiro Banco BBM”. Bloomemberg 20.05.

A China hoje é a segunda maior economia do planeta, logo abaixo dos Estados Unidos da América do Norte, que deve ceder o lugar aos chineses que crescem 7% ao ano e não dependem de fábricas de armas para guerras a fim de sustentar sua economia.

O que deve preocupar a nós sul americanos,  é que a injeção de bilhões de dólares chineses nos países progressistas da América do Sul não tem nada de solidariedade. É capitalismo puro. O que esses países têm a oferecer à China não é negócio entre iguais, em que ambos se desenvolvem e beneficiam o futuro e presente de seus povos. Oferecem espaço para importação de bens primários, especialmente soja e minérios, que o mercado chinês está muito carente. Então,  para baratear o transporte desses produtos, os chineses financiam infraestrutura, mas sob controle deles. Em outras palavras, eles entram nos países sul americanos, financiam obras e controlam os produtos a serem exportados pelo Brasil, Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, etc.

Ao final da história nossos países ditos progressistas diminuem a submissão ao império norte americano e se submetem ao império asiático.  Dentro em breve as escolas desses países obrigarão seus estudantes a estudarem o mandarin antes do inglês. Triste destino!

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