Mês: junho 2015

Análise conjuntura para Rede Pan Amazônia – 25.06.2025

Postado em Atualizado em

Crédito de carbono um mercado de ilusões para nativos

Está em negociação de crédito de carbono no município de Santarém, Amazônia brasileira. Tal iniciativa é um alerta para todos os povos da Pan Amazônia, chamado Projeto demonstrativo de carbono florestal. Estão á frente desse negócio, órgãos do governo federal, ICMBIO (Instituto Chico Mendes de biodiversidade) e organizações não governamentais, como FUMBIO (fundo de biodiversidade) e empresa madeireira, além de outros grupos interessados.

Da parte dos moradores da Reserva Extrativista (63 comunidades rurais) há um clima de desconfiança quanto aos benefícios e consequências. Por que será que os negociantes de fora estão oferecendo dinheiro aos moradores e sua organização, só para manter a floresta em pé? Quanto é? E quem vai administrar? E quais as obrigações em troca? Os negociantes andam de comunidade em comunidade falando das vantagens.

Se  é comércio, por que alguns países parecem tão generosos e os intermediários tão dedicados a explicar as vantagens de tal negócio? Manter a floresta em pé é uma coisa interessante, mas como vão fazer suas roças tradicionais, se não poderão mais derrubar árvores?

Pelo que se sabe,  os países que oferecem dólares aos moradores das florestas não param de poluir o firmamento com suas fábricas e milhares de veículos motorizados. Então sujam por lá e se tenta limpar por aqui. No entanto, dizem os pesquisadores que a temperatura ambiente está aumentando ano a ano.

Já o governo brasileiro apoia o crédito de carbono e até dispõe de um órgão federal para entrar no jogo, mas não consegue parar o desmatamento na Amazônia. As obras do PAC (programa de aceleração do crescimento econômico) depende da exploração das riquezas da Amazônia (minérios, madeiras, fazendas de gado, grandes plantações de soja e hidroelétricas), que explicam o aumento do desmatamento da floresta.

Em maio passado isto chegou a 389 km2 de floresta no chão, elevando o desmatamento, de agosto 2014 a maio 2015, a 2. 286 km2 (IMAZON 18.06). A situação é mais grave. Levantamento obtido com exclusividade pela Folha de São Paulo indica que a presidente Dilma Rousseff, em seu primeiro mandato, reduziu para R$ 1,78 bilhão os gastos com prevenção e combate ao desmatamento na Amazônia. Em relação à despesa do governo anterior (R$ 6,36 bilhões), uma queda de 72% (IHU 07.04.2015).

Essa contradição de governos progressistas da América do Sul acontece na Bolívia, no Peru, na Colômbia, no Equador e nos outros países da Pan Amazônia. O que fazer? Cruzar os braços e chorar? O que propõe o Papa Francisco a todos?

Anúncios

Um dos únicos estadistas do mundo hoje

Postado em Atualizado em

EDITORIAL – RNA – 16.06.2015

O Papa Francisco é hoje praticamente a única autoridade mundial respeitada, não por ter bombas atômicas, nem por controlar o Banco mundial, a economia capitalista, mas por ter uma identidade moral para buscar justiça social global, respeito às pessoas, aos povos e à mãe natureza, além de coragem de denunciar o atual sistema de vida que acumula bens destruindo a vida do planeta.

Depois de amanhã, será publicada a segunda carta encíclica do Papa Francisco, com o título – Louvado seja. Como nenhuma outra encíclica de um Papa anterior esta é esperada com inquietude e alegria, por católicos e não católicos, por políticos e defensores do ambiente. Os motivos de tantas expectativas, umas contrárias as outras é que o assunto da carta papal toca em questões tão sérias e sensíveis, como o presente e o futuro do clima e do planeta terra. Os que usufruem das riquezas da natureza destruindo-a, não admitem que um líder religioso se meta a fazer interferências em matérias de ambiente, de economia destruidora da natureza.

Uma autoridade da Organização das Nações Unidas, afirma que a encíclica do Papa Francisco causará grande impacto, por falar da obrigação MORAL de proteger o planeta, pensando nas gerações futuras. Um militante em defesa da Amazônia, questionado por correspondente de uma revista europeia, sobre os possíveis impactos da encíclica papal sobre a sociedade brasileira, país com maior população católica do mundo e maior floresta tropical do planeta, o militante explicou que, o episcopado brasileiro certamente se legrará com a encíclica porque vem confirmar a opção profética dos bispos da Amazônia, que já em 2012 assumiram em documento a missão profética de defesa da Amazônia e seus povos. No entanto, a maioria da população que vive a pobreza, terá pouca possibilidade de estudar e  compreender o conteúdo da carta papal.

Já o governo brasileiro, certamente fará elogios ao Papa e à encíclica, porém nada mudará em seu programa de aceleração do crescimento econômico, que vai em linha contrária ao apelo moral do Papa Francisco. Enquanto a encíclica reivindica uma forma de vida mais justa em relação ao convívio com a natureza, o PAC do governo brasileiro se baseia justamente em explorar a floresta, o subsolo, os rios, para extrair madeira, agronegócio de soja e gado, minerais e hidroelétricas. O governo brasileiro prefere destruir a natureza e os povos tradicionais para garantir o crescimento econômico do país. Por isso, a tão esperada encíclica pouco efeito terá na maior nação católica do planeta.

Ou se para de construir hidroelétricas na Amazônia, ou…

Postado em

Análise da semana para Nossa Voz é nossa vida – 07.06.2015

“Ou se para de construir hidroelétricas na Amazônia, ou se perderá todo o bioma da região”… Este foi um alerta que saiu no seminário sobre plano energético do governo brasileiro e  o contraponto das energias alternativas. O referido seminário ocorreu neste último fim de semana em Santarém. Bioma significa o conjunto de seres que existem na região, entre outros povos, florestas, rios e animais. Participaram cerca de 130 pessoas entre universitários, membros de associações urbanas e rurais. O alerta tem sentido, ao se saber que o plano energético do governo federal prevê a construção de 85 grandes barragens na Amazônia, das quais 43 hidroelétricas só na bacia do rio Tapajós. A primeira delas já prevista para ser leiloada ainda neste ano é a de São Luiz do Tapajós, cuja barragem teria 36 metros de altura, 50 metros de largura e 7 quilômetros de comprimento, fechando o rio. Se os moradores do Tapajós permitirem vai gerar um lago de 732 quilômetros quadrados rio acima e grande rebaixamento do Tapajós abaixo até a cidade de Santarém. Seminário ocorrido no auditório da UFOPA na sesta feira passada foi organizado pelo Movimento Tapajós Vivo em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará e teve prosseguimento ontem no auditório do Grupo de Defesa da Amazônia, GDA. Lá aconteceu uma oficina sobre as possibilidades que se tem na nossa região do uso da energia solar. Embora para muitos o custo de instalação pareça muito alto, o assessor Joilson explicou que os preços de placas solares estão baixando no mercado e a legislação está permitindo a conexão com a rede pública nas cidades e residências particulares no meio rural podem planejar instalar painéis solares com auxilia de bateria de acumulação para uso noturno. Assim podendo até ter sua geladeira, ventilador e lâmpadas acesas em suas casas.

O seminário e oficina sobre energia para a vida promovido pelo Movimento Tapajós Vivo em parceria com a UFOPA conseguiu mostrar que ao mesmo tempo que  não se pode conformar com os desastres da s hidroelétricas se tem alternativas de geração de energia sem destruir o ambiente. Entre outras  já é possível se gerar energia elétrica pelos ventos, a chamada eólica, pelo sol, a chamada  fotovoltaica, pela bio massa, com a queima de balaços de cana  e outros vegetais, e ainda pelo aproveitamento das ondas do mar. Para a região do Oeste do Pará a mais viável é a energia foto voltaica pela abundância de sol na região. O governo federal tenta iludir as populações para justificar os desastres das hidroelétricas alegando que a energia solar e eólica ainda são muito caras. Mas não acha caro gastar 30 bilhões de reais para construir Belo Monte, que ao final só vai servir a grandes empresas e às empreiteiras, que financiam campanhas eleitorais e exigem retorno com esses contratos bilionários. Para esse plano o governo vila a constituição brasileira, utiliza regras do tempo da ditadura militar para levar adiante os desastres sem levar em conta os direitos dos povos atingidos, como os indígenas, os ribeirinhos e as cidades próximas. Hoje, a cidade de Altamira e o rio Xingu são espelhos para os povoas do tapajós se mirarem. Altamira que tinha cerca de 100 mil habitantes antes de Belo Monte, hoje está com cerca de 160 mil moradores num caos social e ambiental. Como diz o ditado: quando abarba do vizinho está pegando fogo, a gente bota a nossa de molho. É preciso impedir a construção da hidroelétrica de São Luiz e as outras, antes que seja tarde. E só os moradores de Santarém, Belterra. Itaituba e demais comunidades se unirem ao povo Munduruku para salvar o Tapajós e seus povos.