Quem ajudará os povos Indígenas a sobreviver?

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Editorial RNA – 13.07.2015

Lutando contra tudo e contra todos, os povos indígenas tentam sobreviver. Hoje, 180 povos indígenas vivem na Amazônia, sendo que cerca de 80 povos são isolados. São 350 mil pessoas vivendo nas florestas e periferias de cidades. O Estado do Amazonas tem a maior concentração deles com 168 mil parentes.

Mesmo essa população tendo crescido nos últimos 30 anos, poderia ser maior, mas tantas são as mortes, assassinatos, invasões de suas terras. Seus maiores inimigos, não são as feras da mata, nem a malária, mas são madeireiros, mineradores, fazendeiros, garimpeiros e o próprio governo brasileiro. Todos eles sempre deram pouca importância aos povos indígenas, considerando-os obstáculos ao crescimento econômico e à produção.

O atual governo da presidente Dilma Rousseff tem sido o mais cruel. A Fundação Nacional do índio, FUNAI, que teria a responsabilidade de zelar pelos direitos dos povos indígenas, é hoje um órgão inútil, já que assim trata o próprio governo federal. Os políticos do congresso nacional, em sua maioria estão a serviço do latifúndio e das empresas mineradoras, querem acabar de esvaziar o poder da FUNAI. Assim exterminarão mais facilmente os que atrapalham seu progresso.

As construções de várias hidroelétricas na Amazônia pelo governo federal são demonstrações dessa perversidade, contra não só os povos indígenas, mas também às populações tradicionais da região. Assim tem sido no rio Madeira, no rio Teles Pires, no rio Xingu e agora a bola da vez é o rio Tapajós, onde vivem 12 mil indígenas Munduruku e milhares de ribeirinhos e quilombolas.

Aqui o governo se recusa intransigente a demarcar e homologar as terras Munduruku do médio Tapajós, para evitar conflitos legais ao construir a barragem de São Luiz do Tapajós. Até onde irá a campanha perversa de extermínio dos povos tradicionais em troca de atender ao mercado? Quem se levantará contra tais crimes hediondos?  Só quando eles decidirem ir à guerra, cortar cabeças e usar a magia de seus pajés. Mesmo quando um líder Munduruku acaba de ir fazer a denúncia na dita Organização das  Nações Unidas, o resultado é pífio; mesmo havendo uma convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, em defesa de seus direitos, pouco efeito acontece, pois o governo federal viola até a constituição nacional para construir barragens.

Poucos são seus aliados, mesmo assim sem força de enfrentamento direto aos criminosos. Igrejas, Movimentos sociais e ONGs pouco fazem para estancar o genocídio dos povos indígenas. Nós não indígenas apenas denunciamos, clamamos, mas não temos estratégia de enfrentamento em defesa da dignidades dos povos originários deste país. Lamentável!

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