ONDE TERMINA A ESPERANÇA?

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ONDE TERMINA A ESPERANÇA?

Hoje se tem um grande desafio na sociedade, como alimentar a esperança, quando quem domina basicamente todas as relações políticas, econômicas e sociais, é o deus mercado.

Na Amazônia se pode usar a expressão do livro do apocalipse, que fala do dragão de sete cabeças a tentar devorar o menino. A besta fera aqui é o mercado que devora tudo o que encontra pela frente, as florestas, os minérios, os rios, os povos tradicionais. Tudo está a serviço dele, a política, a economia, as leis. As autoridades públicas são servidoras do grande dragão. A servidão voluntária chega ao nível de degradação, que são violadas leis constitucionais em função do crescimento econômico, são bloqueadas muitas ações de resistência em busca de direitos de sindicatos, de movimentos sociais que lutam por dignidade, direito ao território e até em defesa do meio ambiente.

Autoridades públicas chegam ao ponto de criminalizar movimentos populares que protestam nas ruas. No Brasil, precisamente no Estado do Mato Grosso do Sul, está ocorrendo uma situação bem ilustrativa da desigualdade social e a opção das autoridades de pressionar movimentos sociais. Lá, os povos indígenas estão sendo perseguidos, assassinados por pistoleiros a mando de fazendeiros mas, juízes e governo federal não só estão indiferentes ao extermínio do povo Guarani Caiowá, como enviam forças militares que ainda protegem os fazendeiros que mandam matar indígenas. Como alimentar esperança numa situação assim? Os Guaraní no entanto, insistem em resistir na defesa de seus territórios.

Mas não é só lá que se vive a angústia da desigualdade social e política, ao mesmo tempo se alimenta a esperança. Nas comunidades tradicionais da Amazônia a invasão do dragão de sete cabeças causa indignação e resistência em vários movimentos sociais. Além dos povos indígenas estão resistindo, ribeirinhos, quilombolas, movimentos populares em defesa de rios e lagos, contra a depredação de áreas pesqueiras e contra barragens para hidroelétricas. Tem sido uma luta desigual, por vários motivos.

Uma hora é o processo de cooptação por parte de empresas invasoras em busca de minérios e florestas madeireiras. Tais empresas se aproveitam da ingenuidade de várias pessoas carentes de recursos, que aceitam a corrupção com pequenos favores, em troca de não resistirem à invasão das empresas; outra hora são autoridades publicas favorecendo os invasores e perseguindo os que resistem às invasões. A lei é aplicada aos movimentos que resistem á degradação de direitos. Além disso, há ainda imaturidades de lideranças de movimentos de resistência, que dificultam unidades na luta, já que uns se sentem mais capazes do que os outros e assim dividem os movimentos de luta em vez de juntar forças.

No Brasil, como em vários países da América do Sul, nos últimos anos houve sinais de que a esperança dos povos oprimidos renascia. Com a eleição de um operário como presidente da república, os pobres sonharam que a esperança vencia o medo. De fato, nos primeiros anos parecia que os pobres teriam vez na sociedade. Já se passaram 13 anos e hoje no Brasil a esperança está ameaçada de morrer. Também está ameaçada a esperança nos países progressistas da América do sul, Venezuela, Equador, Argentina, onde ela brilhou mais fortemente nos últimos anos. Seus governantes não resistiram aos tentáculos do dragão devorador, o deus mercado. Hoje, nesses países progressistas, para tentar oferecer o mínimo de bem estar aos mais pobres, os governantes são obrigados a se submeterem às imposições das leis do mercado internacional. Para isso, abrem suas riquezas a empresas estrangeiras que saqueiam florestas, rios, riquezas minerais, deixando pouca renda aos países ricos de matérias primas, porém pobres de autonomia político econômica.

Dizia uma vez um teólogo, se me tiram a fé ainda posso viver, mas se me tiram a esperança perco o sentido da vida. Porém, como alimentar a esperança se o sistema imposto pelo deus mercado, obriga os mais fracos servirem de escravos aos mais fortes? Para não deixar a esperança morrer é preciso se olhar a história e buscar inspiração nos exemplos passados. Quando se descobre que Mahatma Gandhi persistiu por 50 anos ao império inglês até conseguir a liberdade de seu povo indiano, com sua estratégia pacifista. Quando se contempla a figura do grande Nelson Mandela, que passou 27 anos isolado na prisão, mesmo assim conseguiu a liberdade de seu povo sul africano. Quando se analisa a resistência de Fidel Castro que resistiu em longa jornada pela Sierra maestra até libertar seu povo da ditadura capitalista. E assim, quando se contempla esses e outros exemplos de lutadores por liberdade, é possível não deixar a esperança desaparecer.

Todas as lutas de resistência hoje ocorrendo no Iraque, no povo Curdo, na Síria e na Eritreia, como as lutas de resistência dos povos indígenas do Brasil e do Peru, as lutas de resistência dos sem terra e dos sem teto do Brasil, são testemunhos de que a esperança é última que morre. Ou melhor, a esperança não morre, mesmo quando esmagada pelas cabeças do dragão perverso. São tais testemunhos que explicam o porque de tantos lutadores sociais continuarem resistindo contra todas as aparentes possibilidades de mudança. Quando tudo parece perdido, a esperança surge das cinzas. A luta do povo palestino é hoje um dos grandes exemplos de que vale a pena resistir. Pode se perder a fé mas se tem a certeza de que a esperança não morrerá jamais.

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