Mês: outubro 2015

A Chamada da Floresta o que será?

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Análise da semana – Nossa voz é nossa vida – 25.10.2015

Andando pelas ruas nesta semana, algumas pessoas me paravam e perguntavam – mas será que a presidenta Dilma vem ao rio Arapiuns na semana? E eu dizia que na minha opinião, ela não virá por vários motivos, entre outros, porque ela não tem nada a garantir aos povos da floresta. Afinal, é o próprio governo federal que ignora os direitos e necessidades dos pescadores, dos, indígenas, ribeirinhos e moradores das cidades da floresta amazônica. Como poderá ela dizer aos participantes do chamado da floresta que ela se preocupa com o bem estar deles e delas, se já garantiu firme que não abre mão da hidroelétrica de São Luiz do Tapajós? E para aquilo ela já desligou 10 mil hectares de floresta do Parque Nacional da Amazônia, por causa do grande lago que será formado caso nós permitamos que seja construída a barragem de São Luiz? Como satisfazer os povos da floresta se o governo federal continua estimulando a entrada de empresas nacionais e estrangeiras para explorar minérios na região, poluindo o Tapajós e tantos rios, destruindo floresta como a ALCOA em Juruti?

Gostaria de sugerir aos moradores da comunidade de São Pedro do Arapiuns e de todo o rio Arapiuns , como também aos moradores das comunidades de Parauá, Surucuá, Boim e de toda a Resex, a perguntarem ao Ministro de Minas e Energia, se ele aparecer por lá, por que o programa Luz para todos não chegou em todas as comunidades da |Resex, quando a energia de Tucuruí já cruzou o rio Tapajós, serve eletricidade a Itaituba e chega defronte de Fordlândia. Portanto faltam poucos quilômetros de distância da Resex. Pressione e não aceitem respostas vagas, exijam prazo curto para o luz para todos chegar às comunidades da margem esquerda do Tapajós e só questão de compromisso, já que há recurso federal para o programa Luz para todos.

Nesta semana outro tema que escandaliza parte da sociedade é o corte violento feito pelo governo sobre o salário desemprego do período do defeso. A Colônia dos pescadores tem tentado dialogar com órgãos do governo, mas há garantia da mudança de decisão que  foi tomada para fazer corte no orçamento do ajuste econômico.  Para eles não importa que os pescadores percam o salário desemprego e voltem a prejudicar a desova das espécies que podem desaparecer. Se é para controlar o orçamento federal  por que o governo não muda a política econômica que faz os bancos todos ganharem grandes lucros? Por que não cobra das grandes empresas sonegadoras de impostos?

O chamado da Floresta que anuncia a presença de três mil participantes de toda a Amazônia e que estarão lá quatro ou cinco ministros do governo, não podem aceitar conversa fiada e bater palmas. O momento é de mostrar que o governo federal abandonou os povos da floresta e permite grandes projetos que geram lucros para poucas empresas e desgraça para os povos da floresta. O governo precisa sentir que os povos da Amazônia não tem sangue da barata e não somos ingênuos e conformados. O Movimento Tapajós Vivo estará presente e fará um manifesto claro exigindo respeito aos nossos direitos. A Amazônia não é colônia de exploração, aqui moram cerca de 35 milhões de seres humanos que merecem atenção tanto quanto os Bancos e as grandes redes de televisão.

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Editorial publicado na Rede de Notíias da Amazônia

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Editorial para Rede de Notícias da Amazônia – 20.10.2015

Se ela vier… e se ela não vier?

No final deste mês acontecerá o Chamado da Floresta desta vez na Reserva extrativista Tapajós Arapiuns, no Pará. É uma promoção do Conselho Nacional do Seringueiro.  Este chamado é uma tentativa de chamar a atenção  da sociedade,  que os povos da floresta estão vivos e precisam ser respeitados.  Busca se dar vida às lutas dos movimentos dos povos da floresta. Os organizadores esperam receber cerca de 3 mil pessoas de toda a Amazônia lá na comunidade São Pedro na Resex Arapiuns.

Na atual conjuntura brasileira não se pode esperar grandes passos na melhoria da qualidade de vida dos povos da Floresta, nem reforma agrária, nem luz para todos, nem estímulo à melhoria da qualidade de vida dos moradores da floresta. Pelo contrário, os planos do governo federal são hidroelétricas,  no rio Xingu, no rio Teles Pires e proximamente mais sete barragens no rio Tapajós.

O grande evento Chamado da Floresta corre o risco de ser mais um encontro sem resultados, de colegas sofridos sonhando com um mundo que não virá. Anunciam a presença da presidente Dilma Rousseff no encontro em São Pedro do Arapiuns.

Será que ela vem? E se vier o que dirá aos ansiosos ouvintes? Irá dizer que se preocupa com os povos da floresta? Com os direitos dos quilombolas, dos ribeirinhos e dos seringueiros? Dirá por acaso, que os projetos hidroelétricos nos rios, Xingu, Teles Pires e Tapajós são para o desenvolvimento dos povos da floresta?

Mas como ser verdade se ao mesmo tempo, ela já decretou por medida provisória,  a inundação de 10 mil hectares da Floresta Nacional do Tapajós e mais 100 mil hectares de floresta das outras áreas de proteção permanente da bacia do Tapajós? Tudo isso para destruir o grande rio com sete hidroelétricas?

E se ela não vier e enviar seus ministros, o que poderão dizer? O mesmo discurso dela? O que dirá o atual ministro das minas e energia, o santareno Eduardo Braga? Irá dizer que as hidroelétricas no Tapajós serão energia para vida dos povos da Resex que até hoje só tem 3 horas de eletricidade por noite queimando óleo diesel? Se disser isso, será mais uma mentira pois a energia de Tucuruí que está bem próxima da Resex, não chega nas comunidades por falta de compromisso do programa Luz para todos. Quem vai acreditar nos discursos dos que vierem de Brasília para o Chamado da Floresta? É duro dizer isso, mas os organizadores do chamado da floresta  podem estar gastando tempo e recurso sem que algo novo possa acontecer.  Vivemos um tempo de incertezas para as vidas dos pobres.

O Chamado da Floresta e a presidente Dilma, virá ou não?

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Editorial para Rede de Notícias da Amazônia – 20.10.2015

Se ela vier… e se ela não vier?

No final deste mês acontecerá o Chamado da Floresta desata vez na Reserva extrativista Tapajós Arapiuns, no Pará. É uma promoção do Conselho Nacional do Seringueiro. Este chamado é uma tentativa de chamar a atenção  da sociedade,  que os povos da floresta estão vivos e precisam ser respeitados.  Busca se dar vida às lutas dos movimentos dos povos da floresta. Os organizadores esperam receber cerca de 3 mil pessoas de toda a Amazônia lá na comunidade São Pedro na Resex Arapiuns.

Na atual conjuntura brasileira não se pode esperar grande passos na melhoria da qualidade de vida dos povos da Floresta, nem reforma agrária, nem luz para todos, nem estímulo à melhoria da qualidade de vida dos moradores da floresta. Pelo contrário, os planos do governo federal são hidroelétricas, no rio Xingu, no rio Teles Pires e proximamente mais sete barragens no rio Tapajós.

O grande evento Chamado da Floresta corre o risco de ser mais um encontro sem resultados de colegas sofridos sonhando com um mundo que não virá. Anunciam a presença da presidente Dilma Rousseff no encontro em São Pedro do Arapiuns. Será que ela vem? E se vier o que ela dirá aos ansiosos ouvintes? Irá dizer que se preocupa com os povos da floresta? Com os direitos dos quilombolas, dos ribeirinhos e dos seringueiros? Dirá por acaso que os projetos hidroelétricos nos rios Xingu, Teles Pires e Tapajós são para o desenvolvimento dos povos da floresta?

Mas como ser verdade se ao mesmo tempo ela já decretou por medida provisória a inundação de 10 mil hectares da floresta nacional do Tapajós e mais 100 mil hectares de floresta das outras áreas de proteção permanente da bacia do Tapajós? Tudo isso para destruir o grande rio com sete hidroelétricas?

E se ela não vier e enviar seus ministros, o que eles poderão dizer? O mesmo discurso dela? O que dirá o atual ministro das minas e energia, o santareno Eduardo Braga? Irá dizer que as hidroelétricas no Tapajós serão energia para vida dos povos da Resex que até hoje só tem 3 horas de eletricidade por noite queimando óleo diesel? Se disser isso será mais uma mentira pois a energia de Tucuruí que está bem próxima da Resex não chega por falta de compromisso do Luz para todos. Quem vai acreditar nos discursos dos que verem de Brasília para o Chamado da Floresta? É duro dizer isso, mas os organizadores do chamado da floresta podem estar gastando tempo e recurso sem que algo novo possa acontecer.  Vivemos um tempo de incertezas para as idas dos pobres.

Editorial para Rede de Notícias da Amazônia – 14.10.2015

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Editorial – RNA – 14.10.2015

Na Amazônia, como no Brasil todo existe hoje uma crise ética, nas relações da administração pública, na prática da justiça e até nas relações de grupos e de pessoas. O que é justo, o que é injusto, o que é legítimo depende de quem toma decisões.

Em Santarém do Pará ocorre nestes dias mais um caso exemplar dessa crise. Na periferia da cidade há uma área de 200 x 2.500 metros, ocupada por 550 famílias sem teto, há mais de um ano e meio. Desde setembro do ano passado há uma liminar da justiça exigindo reintegração de posse reclamada por uma empresa imobiliária. Esta mesma está sub judice por ter cometido crime ambiental ao destruir 157 hectares de mata nativa ilegalmente bem próximo da área ocupada pelos sem teto. A ação de reintegração não foi executada desde 2014 e neste meio tempo os advogados dos sem teto conseguiram documento oficial provando que a reclamação da imobiliária era falsa e que área não lhe pertence.

O juiz recebeu a documentação pelos advogados dos sem teto, demorou umas semanas e mandou executar a reintegração de posse, ignorando a falsidade ideológica da reclamante. Alega que não se está discutindo propriedade da área, mas a posse pela empresa, mesmo os documentos revelando que a área não pertence à imobiliária. Onde fica a prática da ética?

Para onde irão as 550 famílias sem teto? Quem se responsabilizará pelo destino delas? O juiz? O prefeito? Propriedade não é um direito absoluto, já o Papa João Paulo segundo afirmava que sobre toda propriedade paira uma hipoteca social. No caso da área em litígio nem propriedade é, mas apenas alegada posse e assim mesmo contestada pelos advogados dos sem teto.

Casos como o dos sem teto de Santarém devem se repetir em outras regiões da Amazônia e do país. É muito grave, pois quando a ética é violada até por autoridades a sociedade entra em decadência.

Análise para ALER – traduzida e transmitida para rádio Equador (10.10.2015)

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Quem acompanha de fora a crise político econômica que vive o mais potente país da América do sul, certamente tem dificuldade de compreender as causas dessa conjuntura brasileira. Como é possível a sétima economia mais forte do planeta cair em dois anos para nona economia? Como explicar o declínio repentino de um ciclo de prosperidade social promovido desde a entrada no poder do presidente Lula da Silva e  do Partido dos Trabalhadores? Por que Dilma Rousseff perdeu o rumo?

São várias as causas, mas duas podem ser as principais. O programa de crescimento econômico, PAC aconteceu sob dois fatores positivos, de um lado a economia internacional ia bem durante o mandato de Lula da Silva. Isso favoreceu as exportações brasileiras de produtos primários e extrativistas: madeira, gado, minérios e soja. Ao mesmo tempo o então presidente montou uma política de atender os mais pobres com assistencialismo e atender os ricos em seus interesses. O mercado internacional entrou em crise a partir de 2008 e refletiu na economia brasileira. Dilma Rousseff assumiu em 2010 e continuou a estratégia do seu mestre, mantendo os ganhos dos bancos e do agronegócio e o assistencialismo aos pobres. Veio a crise econômica.

Outra causa da atual conjuntura  é que a presidente Dilma entrou em choque político com a oposição e com as oligarquias rurais e empresariais. Estes dois grupos comandam o congresso nacional com maioria de votos e querem afastar a presidenta do poder. Buscam motivo para um impeachment dela. Sem apoio suficiente de aliados, sem competência política para negociar, Dilma Rousseff tenta salvar seu mandato apertando a vida dos pobres, retirando orçamento da educação, da saúde e até de seguros trabalhistas, sem exigir contribuição dos bancos  empresários. Para completar a situação estourou os roubos da empresa Petrobrás.

Enquanto isso, o país entra numa recessão econômica, sobem os preços de energia elétrica e dos combustíveis e sobe a inflação. Aumentam as greves de trabalhadores exigindo direitos. Eis a nona economia mais forte do planeta em crise séria.

O que pode acontecer daqui para frente? Há analistas que preveem um impeachment e outros acham muito difícil, porém dado  o aumento dos problemas a presidente pode renunciar ao cargo antes do final do mandato em 2017.

ANÁLISE DA SEMANA PARA NOSSA VOZ É NOSSA VIDA – 27.09.2015

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Dois acontecimentos se destacam na semana que passou. Um aqui na região e outro, um pouco distante, mas que tem muito a ver com nossa realidade. O primeiro destaque foi a assembleia do povo Munduruku do médio Tapajós. De segunda feira até ontem estiveram reunidos cerca de 120 pessoas, maioria delas do povo Munduruku debatendo assuntos importantes para a vida deles. Questões como a necessidade de uma educação específica para seus filhos, que é obrigação do município de Itaituba garantir e não está respeitando; a questão da assistência à saúde que a Funai tem obrigação de prover e não está oferecendo suficiente; a questão do território que o governo federal se recusa a respeitar a constituição nacional que exige que suas terras sejam demarcadas e protegidas contra mineradores e garimpeiros. O governo se recusa a realizar  o reconhecimento do território porque pretende construir a barragem que vai expulsá-los de suas terras; finalmente outro assunto  tratado doi sobre as hidroelétricas no rio Tapajós, que eles não aceitam em hipótese alguma, porque será destruição deles, dos ribeirinhos de toda a bacia do Tapajós, além dos prejuízos ao meio ambiente. Todos esses assuntos  foram debatidos com seriedade e tirados compromissos de exigir dos responsáveis cumprimento do que a constituição brasileira requer.

Além dos munduruku estiveram presentes convidados aliados das lutas do povo do médio Tapajós, entre os quais o procurador Dr. Felício Pontes, que explicou o direito ao território,  que o governo será obrigado a demarcar; também estiveram convidados   representantes do Movimento Tapajós Vivo de Santarém, que dialogaram com lideranças munduruku sobre a importância da aliança entre  todos os moradores da bacia do tapajós, munduruku, ribeirinhos, quilombolas, moradores das cidades ao logo do rio para juntos enfrentarem os crimes do governo brasileiro na questão dos projetos hidroelétricos no Tapajós. Os caciques reconhecem que só eles não terão força suficiente, nem os ribeirinhos, nem o Movimento Tapajós vivo, mas juntos serão capazes de barrar os projetos hidroelétricos, úteis para grandes empresas, mas perversos para os povos tradicionais da região. O governo federal já adiou mais uma vez o início da construção da barragem de São Luiz do Tapajós, por não ter dinheiro e porque as empreiteiras estão envolvidas nos roubos da Petrobrás. Isso dá mais tempo para  fortalecer a aliança entre os  defensores da vida do rio e dos moradores da região.

Outro acontecimento de destaque da semana está sendo a visita do Papa Francisco em nossa América. Desde segunda feira ele esteve em Cuba, em celebrações com o povo cubano e visitas ao grande líder revolucionário Fidel Castro e ao presidente Raul Castro; em seguida viajou aos Estados Unidos da América do Norte, onde está até o dia de hoje. Muitos pensavam que Papa Francisco nãos seria bem recebido pelos políticos norte americanos, ficaram surpresos com o discurso que ele fez dentro do Congresso federal deles. Dez afirmações del são aqui destaque. Ei-las: A reportagem foi publicada pelo jornal argentino El País, 24-09-2015.

  1. “Se é verdade que a política deve servir à pessoa humana, não pode ser escrava da economia e das finanças”

Essa foi uma das primeiras frases de Francisco no discurso.

  1. “Tratemos os demais com a mesma paixão e compaixão com que queremos ser tratados”

Depois dessa frase, Francisco pediu ao Congresso a abolição da pena de morte.

  1. “O sonho de Luther King ressoa em nossos corações”

O Papa lembra da marcha que Martin Luther King Jr. encabeçou de Selma a Montgomery, na campanha para realizar o sonho de plenos direitos civis e políticos para os negros nos EUA.

  1. “Falo a vocês como filho de imigrantes, como muitos de vocês que são descendentes de imigrantes”

O pontífice pediu compaixão com os imigrantes.

  1. “A responsabilidade que temos de proteger e defender a vida humana em todas as etapas do desenvolvimento”

Francisco, em alusão ao aborto.

  1. “Diante do silêncio vergonhoso e cúmplice, é nosso dever enfrentar o problema e acabar com o tráfico de armas”

Em meio a aplausos, o Papa pediu que se ponha fim ao tráfico de armas.

  1. “Uma nação é considerada grande quando defende a liberdade, como fez Abraham Lincoln”

Francisco destacou a contribuição de norte-americanos como Lincoln, Martin Luther King Jr. e Dorothy Day.

  1. “Nenhuma religião é imune a diversas formas de aberração individual ou de extremismo ideológico”

O Papa, referindo-se à violência perpetrada em nome de uma religião.

  1. “O desafio ambiental que vivemos e suas raízes humanos nos interessam e afetam a todos”

Francisco aproveitou o discurso para pedir atenção ao planeta.

  1. “Não posso esconder minha preocupação com a família, que está ameaçada, talvez como nunca, desde o interior e desde o exterior”

No último trecho do discurso, o Pontífice voltou a exaltar o papel da família como valor essencial

Assim a vida e a esperança continuam entre nós. Não podemos desanimar, nem ficar conformistas pensando que não há soluções para esses projetos destruidores das vidas humanas e da natureza. Testemunhos como do povo Mundurku e do Papa Francisco devem ser para todos nós certeza de que unidos somos muitos e venceremos as batalhas.

 

Análise da semana para Nossa Voz é Nossa Vida – 11.10.2015

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Várias pessoas tem me perguntado se a presidente Dilma vai ser deposta do cargo por impeachment. Minha opinião, baseada nas leituras que acompanho, é de que ela dificilmente será deposta por impeachment, mesmo que os parlamentares desejem muito isso, para acabar com a era Lula no poder. O líder de oposição, senador Aércio Neves, e o presidente da Câmara Eduardo Cunha estão sem moral para lidera tal ação. Mas a pressão sobre Dilma Russeff continua muito forte e seus aliados muito fracos e omissos e pode ser que ela renuncie ao cargo antes do fim. É possível.

Isso sobre a conjuntura nacional. Venhamos aqui para perto, no Tapajós… No final de semana estivemos na cidade de Aveiro. Participamos e um encontro com a equipe ecumênica de Justiça e Paz daquele município. Foi uma agradável surpresa encontrar uma experiência de trabalho pastoral ecumênica de justiça e paz. Estão unidas/os membros das igrejas cristãs Assembleia da Paz, da Paz, Católica e mais outras igrejas existentes na cidade. Que eu saiba é a primeira equipe ecumênica na Diocese de Santarém. Como foi comentado no encontro, os cristãos comprometidos podem orar e celebrar a vida  a seu modo, mas na realização das bem aventuranças propostas por Jesus, aí não tem sentido uma igreja ir para um lado e outra se omitindo diante da injustiça, dos conflitos sociais.

No encontro de ontem na cidade de Aveiro, várias situações que vivem as populações da cidade e das comunidades rurais e que necessitam que os cristãos encarem na luz da palavra de Jesus nos evangelhos. A situação político administrativa de Aveiro é lastimável, como aliás em vários outros municípios da região. Na avaliação da equipe ecumênica de justiça e paz, o município historicamente tem sofrido por falta  de gestores comprometidos com o bem estar social e econômico de seus munícipes. Nestes dias os servidores públicos municipais estão para entrar em nova greve por atraso de salários, que tem sido constante. Os mais prejudicados são os estudantes, porém a culpa não é dos educadores mas do prefeito que recebe recurso normalmente do FUNDEB e atrasa pagamento dos funcionários. Outro grave problema que afeta cerca de 5 mil moradores da cidade é a falta de água potável para consumo. Estão usando água direta do rio Tapajós, sem tratamento quando se sabe que as águas do rio estão contaminadas de mercúrio e lama dos garimpos. O escândalo desta situação é que  lá está uma placa anunciando recurso federal para ser construído um sistema de água limpa com poço. Há mais de sei meses está a placa mas nenhum serviço foi iniciado e o povo não sabe ode está o dinheiro liberado do Ministério da saúde.

Durante  o encontro com a equipe ecumênica de Justiça e Paz foi apresentado um projeto de ações em busca da justiça no município. Três compromissos são prioritários para a equipe: trabalhar a formação contínua dos membros  e de seus grupos de influência; continuar o combate `corrupção na política e lutar na defesa e promoção dos direitos humanos: civis, políticos, culturais e ambientais. Neste ponto os membros da equipe ecumênica de justiça e paz se comprometem a participar das campanhas em defesa do rio Tapajós junto com o Movimento Tapajós vivo de Santarém e com os parentes Munduruku do médio e do alto Tapajós.

Eis o motivo porque Aveiro foi escolhido como destaque da análise e da semana em nosso programa. Oxalá outros municípios e cidades da diocese sigam esse exemplo de ecumenismo. Assim deseja o Papa Francisco como tem agido mundo afora.