Análise para ALER – traduzida e transmitida para rádio Equador (10.10.2015)

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Quem acompanha de fora a crise político econômica que vive o mais potente país da América do sul, certamente tem dificuldade de compreender as causas dessa conjuntura brasileira. Como é possível a sétima economia mais forte do planeta cair em dois anos para nona economia? Como explicar o declínio repentino de um ciclo de prosperidade social promovido desde a entrada no poder do presidente Lula da Silva e  do Partido dos Trabalhadores? Por que Dilma Rousseff perdeu o rumo?

São várias as causas, mas duas podem ser as principais. O programa de crescimento econômico, PAC aconteceu sob dois fatores positivos, de um lado a economia internacional ia bem durante o mandato de Lula da Silva. Isso favoreceu as exportações brasileiras de produtos primários e extrativistas: madeira, gado, minérios e soja. Ao mesmo tempo o então presidente montou uma política de atender os mais pobres com assistencialismo e atender os ricos em seus interesses. O mercado internacional entrou em crise a partir de 2008 e refletiu na economia brasileira. Dilma Rousseff assumiu em 2010 e continuou a estratégia do seu mestre, mantendo os ganhos dos bancos e do agronegócio e o assistencialismo aos pobres. Veio a crise econômica.

Outra causa da atual conjuntura  é que a presidente Dilma entrou em choque político com a oposição e com as oligarquias rurais e empresariais. Estes dois grupos comandam o congresso nacional com maioria de votos e querem afastar a presidenta do poder. Buscam motivo para um impeachment dela. Sem apoio suficiente de aliados, sem competência política para negociar, Dilma Rousseff tenta salvar seu mandato apertando a vida dos pobres, retirando orçamento da educação, da saúde e até de seguros trabalhistas, sem exigir contribuição dos bancos  empresários. Para completar a situação estourou os roubos da empresa Petrobrás.

Enquanto isso, o país entra numa recessão econômica, sobem os preços de energia elétrica e dos combustíveis e sobe a inflação. Aumentam as greves de trabalhadores exigindo direitos. Eis a nona economia mais forte do planeta em crise séria.

O que pode acontecer daqui para frente? Há analistas que preveem um impeachment e outros acham muito difícil, porém dado  o aumento dos problemas a presidente pode renunciar ao cargo antes do final do mandato em 2017.

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