O Chamado da Floresta e a presidente Dilma, virá ou não?

Postado em Atualizado em

Editorial para Rede de Notícias da Amazônia – 20.10.2015

Se ela vier… e se ela não vier?

No final deste mês acontecerá o Chamado da Floresta desata vez na Reserva extrativista Tapajós Arapiuns, no Pará. É uma promoção do Conselho Nacional do Seringueiro. Este chamado é uma tentativa de chamar a atenção  da sociedade,  que os povos da floresta estão vivos e precisam ser respeitados.  Busca se dar vida às lutas dos movimentos dos povos da floresta. Os organizadores esperam receber cerca de 3 mil pessoas de toda a Amazônia lá na comunidade São Pedro na Resex Arapiuns.

Na atual conjuntura brasileira não se pode esperar grande passos na melhoria da qualidade de vida dos povos da Floresta, nem reforma agrária, nem luz para todos, nem estímulo à melhoria da qualidade de vida dos moradores da floresta. Pelo contrário, os planos do governo federal são hidroelétricas, no rio Xingu, no rio Teles Pires e proximamente mais sete barragens no rio Tapajós.

O grande evento Chamado da Floresta corre o risco de ser mais um encontro sem resultados de colegas sofridos sonhando com um mundo que não virá. Anunciam a presença da presidente Dilma Rousseff no encontro em São Pedro do Arapiuns. Será que ela vem? E se vier o que ela dirá aos ansiosos ouvintes? Irá dizer que se preocupa com os povos da floresta? Com os direitos dos quilombolas, dos ribeirinhos e dos seringueiros? Dirá por acaso que os projetos hidroelétricos nos rios Xingu, Teles Pires e Tapajós são para o desenvolvimento dos povos da floresta?

Mas como ser verdade se ao mesmo tempo ela já decretou por medida provisória a inundação de 10 mil hectares da floresta nacional do Tapajós e mais 100 mil hectares de floresta das outras áreas de proteção permanente da bacia do Tapajós? Tudo isso para destruir o grande rio com sete hidroelétricas?

E se ela não vier e enviar seus ministros, o que eles poderão dizer? O mesmo discurso dela? O que dirá o atual ministro das minas e energia, o santareno Eduardo Braga? Irá dizer que as hidroelétricas no Tapajós serão energia para vida dos povos da Resex que até hoje só tem 3 horas de eletricidade por noite queimando óleo diesel? Se disser isso será mais uma mentira pois a energia de Tucuruí que está bem próxima da Resex não chega por falta de compromisso do Luz para todos. Quem vai acreditar nos discursos dos que verem de Brasília para o Chamado da Floresta? É duro dizer isso, mas os organizadores do chamado da floresta podem estar gastando tempo e recurso sem que algo novo possa acontecer.  Vivemos um tempo de incertezas para as idas dos pobres.

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