Mês: novembro 2015

Nossa Amazônia na COP21

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Analise da Semana para Nossa voz é nossa Vida – 29.11.2015

Amanhã começa em Paris, capital da França, a Cúpula dos Povos, COP21 assim chamada. É uma tentativa meio desesperada dos diretores da Organização das nações Unidas, ONU de salvar o planeta terra. A coisa está cada vez mais séria, como bem sente as populações de Santarém e da Amazônia. A temperatura está chegando a 37 graus centígrados todo dia, a estiagem continua sem chuva e dizem que irá até janeiro. Quem vai até a orla de Santarém pode ver que o famoso encontro das águas foi expulso da frente da cidade, empurrado para além da praia da Maria José. Assim, imagine nós todos desta região, incluindo moradores do planalto santareno, Belterra,  e todo o baixo Amazonas, caso deixemos o governo construir a barragem de 36 metros de altura fechando o rio Tapajós lá em Pimental, como ficará o nosso rio Tapajós dominado pelas águas barrentas do amazonas…

Em Paris, os chefes de Estado do mundo todo decidirão em poucos dias, se salvam o planeta com políticas sérias, ou se determinarão a morte de 7 bilhões de seres humanos e toda a biodiversidade da terra, continuando com a poluição contínua como hoje. A Amazônia é considerada por todos como um dos mais importantes centros de controle do clima por causa de sua floresta. Mas imagine só o grau de desmatamento que vem acontecendo sem que o IBAMA, o ICMBIO e os governantes ajam com rigor sobre os gafanhotos do Egito que desmatam sem escrúpulos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, o grau de desmatamento na Amazônia está nesse ritmo:

De agosto de 2013 a julho de 2014 foram conferidos 5.100 kms² de floresta derrubada; de agosto do ano passado a julho deste ano, foram 5.900 km² de desmatamento, portanto 800 kms² a mais; Os maiores desmatadores foram os fazendeiros de gado, de cana de açúcar e milho, os madeireiros e os sojeiros, e os estados com maior grau de desmatamento foram,  Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. Mas escute só quanto já foi desmatado nos últimos anos: desde 2005 a 2013 foram 89.000 kms²; só do ano em que a Cargill começou a funcionar seu porto ilegal, em 2003/2004 foram 27 mil kms² de floresta derrubada na Amazônia. Mas também os lavradores da agricultura familiar contribuíram para o aumento do desmatamento, derrubando e queimando mais de 20% de seu lote. Essa fumaceira que cobre as estradas e os rios nestes dias, indicam isso. A diferença é, além do tamanho do lote, também o IBAMA vigia e multa mais os pequenos do que os grandes desmatadores. Assim eles se queixam.

O certo é que a natureza está gritando por socorro, os chefes de Estado em Paris dificilmente tomarão decisões sérias para refrear o desequilíbrio do clima, mas nós aqui na Amazônia podemos fazer algo que proteja as florestas. Isso faremos, cuidando de nosso lote, denunciando quem está desmatando grandes áreas sem controle e além disso, enfrentando os projetos do governo de construir hidroelétricas no Tapajós, que também destruirão florestas. Só a barragem de São Luiz serão 350 kms² de matas inundadas, caso deixemos a estupidez do governo fazer a barragem. Não podemos ficar indiferentes, achando que uma andorinha só não faz verão. Cruzar os braços, continuar a desmatar e deixar outros desmatarem é se tornar cúmplices dos crimes.

Munduruku e Francisco algo em comum

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ANÁLISE DA SEMANA PARA NOSSA VOZ É NOSSA VIDA – 27.09.2015

Dois acontecimentos se destacam na semana que passou. Um aqui na região e outro, um pouco distante, mas que tem muito a ver com nossa realidade. O primeiro destaque foi a assembleia do povo Munduruku do médio Tapajós. De segunda feira até ontem estiveram reunidos cerca de 120 pessoas, maioria delas do povo Munduruku debatendo assuntos importantes para a vida deles. Questões como a necessidade de uma educação específica para seus filhos, que é obrigação do município de Itaituba garantir e não está respeitando; a questão da assistência à saúde que a Funai tem obrigação de prover e não está oferecendo suficiente; a questão do território que o governo federal se recusa a respeitar a constituição nacional que exige que suas terras sejam demarcadas e protegidas contra mineradores e garimpeiros. O governo se recusa a realizar  o reconhecimento do território porque pretende construir a barragem que vai expulsá-los de suas terras; finalmente outro assunto  tratado doi sobre as hidroelétricas no rio Tapajós, que eles não aceitam em hipótese alguma, porque será destruição deles, dos ribeirinhos de toda a bacia do Tapajós, além dos prejuízos ao meio ambiente. Todos esses assuntos  foram debatidos com seriedade e tirados compromissos de exigir dos responsáveis cumprimento do que a constituição brasileira requer.

Além dos munduruku estiveram presentes convidados aliados das lutas do povo do médio Tapajós, entre os quais o procurador Dr. Felício Pontes, que explicou o direito ao território,  que o governo será obrigado a demarcar; também estiveram convidados   representantes do Movimento Tapajós Vivo de Santarém, que dialogaram com lideranças munduruku sobre a importância da aliança entre  todos os moradores da bacia do tapajós, munduruku, ribeirinhos, quilombolas, moradores das cidades ao logo do rio para juntos enfrentarem os crimes do governo brasileiro na questão dos projetos hidroelétricos no Tapajós. Os caciques reconhecem que só eles não terão força suficiente, nem os ribeirinhos, nem o Movimento Tapajós vivo, mas juntos serão capazes de barrar os projetos hidroelétricos, úteis para grandes empresas, mas perversos para os povos tradicionais da região. O governo federal já adiou mais uma vez o início da construção da barragem de São Luiz do Tapajós, por não ter dinheiro e porque as empreiteiras estão envolvidas nos roubos da Petrobrás. Isso dá mais tempo para  fortalecer a aliança entre os  defensores da vida do rio e dos moradores da região.

Outro acontecimento de destaque da semana está sendo a visita do Papa Francisco em nossa América. Desde segunda feira ele esteve em Cuba, em celebrações com o povo cubano e visitas ao grande líder revolucionário Fidel Castro e ao presidente Raul Castro; em seguida viajou aos Estados Unidos da América do Norte, onde está até o dia de hoje. Muitos pensavam que Papa Francisco nãos seria bem recebido pelos políticos norte americanos, ficaram surpresos com o discurso que ele fez dentro do Congresso federal deles. Dez afirmações del são aqui destaque. Ei-las: A reportagem foi publicada pelo jornal argentino El País, 24-09-2015.

  1. “Se é verdade que a política deve servir à pessoa humana, não pode ser escrava da economia e das finanças”

Essa foi uma das primeiras frases de Francisco no discurso.

  1. “Tratemos os demais com a mesma paixão e compaixão com que queremos ser tratados”

Depois dessa frase, Francisco pediu ao Congresso a abolição da pena de morte.

  1. “O sonho de Luther King ressoa em nossos corações”

O Papa lembra da marcha que Martin Luther King Jr. encabeçou de Selma a Montgomery, na campanha para realizar o sonho de plenos direitos civis e políticos para os negros nos EUA.

  1. “Falo a vocês como filho de imigrantes, como muitos de vocês que são descendentes de imigrantes”

O pontífice pediu compaixão com os imigrantes.

  1. “A responsabilidade que temos de proteger e defender a vida humana em todas as etapas do desenvolvimento”

Francisco, em alusão ao aborto.

  1. “Diante do silêncio vergonhoso e cúmplice, é nosso dever enfrentar o problema e acabar com o tráfico de armas”

Em meio a aplausos, o Papa pediu que se ponha fim ao tráfico de armas.

  1. “Uma nação é considerada grande quando defende a liberdade, como fez Abraham Lincoln”

Francisco destacou a contribuição de norte-americanos como Lincoln, Martin Luther King Jr. e Dorothy Day.

  1. “Nenhuma religião é imune a diversas formas de aberração individual ou de extremismo ideológico”

O Papa, referindo-se à violência perpetrada em nome de uma religião.

  1. “O desafio ambiental que vivemos e suas raízes humanos nos interessam e afetam a todos”

Francisco aproveitou o discurso para pedir atenção ao planeta.

  1. “Não posso esconder minha preocupação com a família, que está ameaçada, talvez como nunca, desde o interior e desde o exterior”

No último trecho do discurso, o Pontífice voltou a exaltar o papel da família como valor essencial

Assim a vida e a esperança continuam entre nós. Não podemos desanimar, nem ficar conformistas pensando que não há soluções para esses projetos destruidores das vidas humanas e da natureza. Testemunhos como do povo Mundurku e do Papa Francisco devem ser para todos nós certeza de que unidos somos muitos e venceremos as batalhas.

Francisco de Assis o rebelde cristão

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Análise da semana – para Nossa Voz é nossa Vida – 03.10.2015

Hoje poderia destacar um fato bastante triste ocorrido em Santarém – a decisão do juiz que confirmou liminar anterior, expulsando 450 famílias da ocupação, ao lado da  rodovia Fernando Guilhon. Preferiu dar razão a quem não é proprietário do terreno, abandonado   há mais de 50 anos. Escolheu o caminho mais cômodo de supor valor legal à terra, do que o direito humano de 450 famílias sem teto, pobres que já tinham moradia em seus barracos há mais de um ano. Reconhecendo em sua sentença que não se estava discutindo propriedade, mas posse requerida pela empresa acusadora, o juiz desconheceu documentações que mostravam que a demanda de direito era equivocada. Preferiu mandar a polícia expulsar as 450 famílias da ocupação dentro de poucos dias.

Mas hoje há outro acontecimento que merece reflexão positiva. É o dia aniversário de vida eterna de São Francisco de Assis. Por que este homem merece uma análise semanal? Era  filho de um comerciante burguês e ambicioso. Sua mãe, uma mulher religiosa e generosa. Inicialmente o filho uma mistura dos dois. Francisco, ainda jovem, deu uma guinada em sua vida. Largou a vida boa da família e foi construir uma caminhada itinerante, sem lenço e sem documento, seguindo o Evangelho de Jesus Cristo ao pé da letra, como se diz. De início causou escândalo, desprezo e desconfiança de heresia. Depois foi atraindo sem querer, outros jovens, atraídos por aquela rebeldia que transmitia alegria. Para Francisco todos eram seus irmãos, o leproso, o lobo, a lesma, o esfarrapado, a água, a lua, a natureza completa.

Ao mesmo tempo em que contestava a sociedade dividida, também a Igreja acomodada, cuidando de rezas, mas desligada dos pobres, Francisco vivendo despojado de bens, atraia a atenção da população, todos eram seus irmãos e irmãs. Ao morrer aos 42 anos, foi reconhecido como santo e até hoje é visto como um dos poucos homens que mais perto chegou do projeto de Jesus Cristo. Reverenciado por outro santo não cristão, Mahatma Gandhi, como também por outras religiões, é chamado o patrono da mãe natureza, símbolo do cuidado com o ambiente.

Aqui está o motivo para Francisco ser destaque da semana. Ao conhecê-lo melhor somos obrigados a nos perguntar – O que ele está a nos dizer hoje? Boa parte de nós está incomodada com o calor aumentando, outros incomodados com tanta madeira exportada ilegalmente da floresta, tanto inseticida e herbicida jogados nas plantações, envenenando rios e terra, tanto óleo diesel jogando nos rios, tanto mercúrio utilizado pelos garimpos, tanta fumaça e queimadas. O que Francisco tem a nos dizer diante dessa realidade? Em vida ele mudou sua vida e mudou vidas de muita gente. Será que ele nos estimula a fazer nossa parte? Será que podemos ser rebeldes hoje também? A mãe natureza clama por socorro, quem vai cuidar dela?

Cristãos com Direito de decidir – o quê?

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Cristãos  com Direito de decidir – o quê?

No meio da semana passada fui convidado a participar de uma mesa redonda, onde era o único homem entre 40 mulheres. Isto aconteceu em Santarém. Organizou o seminário a ONG Católicas com direito a decidir. Eunice Sena, minha irmã é uma das articuladoras da ONG em Santarém, Esta ONG é internacional e tem extensão no Brasil. Quando cheguei à sala da reunião, com o pouco que conhecia da ONG me senti provocado, como cristão e padre para enfrentar a questão da liberdade de decisão sobre o corpo e  a sexualidade.

 

Basta ler o título da mesa redonda – Diálogos inter- religiosos no Brasil, combate ao fundamentalismo e promoção do Estado Laico. Éramos três na mesa (junto com Francy Junior, licenciada em história, ativista do movimento feminista de Manaus; também a Valéria Cristina Vilhena, paulista, teóloga e mestre em ciência da religião. Coordenadora da mesa era Yury Puello Orozco, colombiana da coordenação das Católicas pelo direito de decidir do Brasil), diante de 40 mulheres convidadas da região, maioria católica da associação de organizações de mulheres do Baixo Amazonas. Muitas minhas amigas e outras, conhecidas.

Como sou atrevido e não costumo fugir da raia, sentei à mesa e logo fui o primeiro a expor durante 15 minutos. Veja o roteiro abaixo que segui. Confesso que me preparei bem imaginando que seria bombardeado pelas católicas. Mas ao final da mesa redonda saí vivo, mesmo tendo passado por uns apertos, já que defendo a vida desde a concepção até a morte natural.  Partilho com você  a experiência.

 

Seminário sobre  Fundamentalismo religioso e direitos humanos

Santarém – 20.11.2015

Cristãos  com Direito de decidir – o quê? (um contraponto às Católicas com direito…)

  1. * Seguir o projeto de libertação de Jesus Cristo; Lucas 4, 16-21. Não me sinto fundamentalista, mas tendo seguir o fundamento da fá, que é o projeto de Jesus.
  2. * Aprender a ler os sinais do tempo: uma crise múltipla
    • Social – a desigualdade é uma chaga com muitas consequências
    • Ambiental – O planeta está sendo destruído pelas ambições capitalistas
    • Religiosa – há um supermercado de religiões e há procura para todas
    • Ética – o individualismo predomina sobre que é de todos.
  1. Vivemos uma mudança de época cuja crise múltipla é uma das consequências:

* A Igreja Católica que foi dominante durante séculos, hoje não é mais

* O Estado se tornou laico e plural

* Os valores antigos entraram em esvaziamento:

** Amor hoje se expressa  diferente “ agente se gosta, mas não sabemos se é amor”…

** Moral hoje é muito variada de igreja para igreja, de religião para religião

  1. Os fundamentalismos são hoje acentuados em todas as religiões e igrejas, creio por serem fruto da crise de valores, da lassidão dos meios de comunicação que banalizam o sexo. Isso gera reação das doutrinas que não sabem separa o joio do trigo;

* O Papa Francisco hoje manifesta uma maneira de vivenciar o projeto libertador de Jesus Cristo, mais pela misericórdia do que pela lei:

**Respeita os diferentes e dialoga com todos que encontra;

**Mantém convicções sobre o essencial do Evangelho

** É pastor mais do que Papa no sentido tradicional

  1. Há um tema sensível nos dias de hoje para todos nós, a defesa da vida. Para nós cristãos esa defesa da vida é desde a concepção até a morte natural.

* Quando se discute a questão do aborto  temos que buscar soluções para as causas de tanto estupro e gestação precoce – a banalização da sexualidade. O estupro é um crime e deixa sequelas dolorosas para as vítimas, mas em nossa linha de pensamento precisamos atacar as causas, ajudar as vítimas  a superar os traumas e não simplesmente encaminha para o aborto. Assim como a vítima não tem culpa a criança no seu ventre também não tem culpa e não pode ser castigada sendo extraída.

* Da forma como a televisão, as novelas, as revistas expõem a sexualidade tão estimulante e fácil, essas são as causadoras de tantos estupros e gestações precoces.

Quem tem culpa pelos desastres em Minas Gerais?

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Quem tem culpa pelos desastres em Minas Gerais?

O que está acontecendo nestes dias, em Minas Gerais, centro do Brasil, não é uma tragédia ocasional da natureza. Mesmo que a empresa Samarco tenha tentado passar essa mentira de que teria havido um ligeiro terremoto causador na região. Não colou. É sim, consequência do saque inescrupuloso de empresas mineradoras e subserviência das autoridades federais, estaduais e municipais. Os grandes canais de comunicação, também dependentes das publicidades das mineradoras, passam as informações como sendo apenas erros isolados e sem culpa das empresas. Inclusive, dão mais ênfase e informações sobre os acontecimentos de Paris, culpando o terrorismo do ISIS, ignorando intencionalmente o terrorismo da França e USA  na Líbia, Iraque e demais países bombardeados por eles.

No caso das tragédias de rompimento das barragens de rejeitos de minérios, os grandes canais de comunicação tentam esconder que a multinacional brasileira VALE é uma das criminosas sócias das tragédias. Só em Minas Gerais são 43 barragens de rejeitos de minérios, várias ameaçadas também de rompimento. Mas não é só em Minas Gerais, também na Amazônia estão explorações de minérios de bauxita, cassiterita, com suas barragens de rejeito, além da exploração de ouro no rio Tapajós, feito por dragas potentes que contaminam o rio com lama, arsênico e mercúrio.

As autoridades evitam discutir essas tragédias anunciadas, pois estão presas a elas pelos financiamentos de campanhas e propinas. Os deputados e senadores estão discutindo nova lei de mineração, tentando facilitar mais ainda as mineradoras. São ridículas as multas aplicadas pela justiça à Samarco, no caso do rompimento de barragens em Minas, apenas R$250 milhões de reais, enquanto os Estados Unidos multou a petrolífera britânica BP, em função do vazamento de petróleo provocado por explosão no Golfo do México, um total R$ 76,7 bilhões !!! Segundo análises mais sérias, só a recuperação do maior rio invadido pela lama da barragem, o rio Doce levará 10 anos.

Mas as tragédias em Minas Gerais não impedirão de continuar a intensa exploração de ferro, cassiterita, ouro, bauxita e demais minérios na Amazônia. Afinal tudo isso interessa ao crescimento da economia do país e enriquecimentos das mineradoras nacionais e estrangeiras. Quanto aos prejuízos ambientais e sociais são apenas detalhes que logo esquecerão. Parafraseando o indígena norte americano: quando as últimas minas secarem, quando não houver mais água potável nos rios e lagos, quando milhões de trabalhadores forem soterrados por exploração mineral, então é que os governos progressistas lamentarão o fim do crescimento econômico baseado em extrativismo não renovável.

A tragédia em Minas Gerais é um alerta para nós do Tapajós

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Análise da semana para Programa Nossa Voz é nossa Vida – 15.11.2015

Novamente um ditado curto e certo faz sentido nesta análise da semana: “Quando a barba do vizinho está pegando fogo, o certo é agente botar a própria de molho…”. O Evangelho de Jesus Cristo traz uma afirmação do mestre apropriada também: “Dizia ele aos doutores da lei – vocês sabem interpretar os sinais quando o dia vem clareando com céu limpo dizem hoje será u dia lindo; quando à tardinha o céu fica escuro dizem, lá vem  chuva. Mas não sabem ler os sinais da vida”… Pois então, precisamos nós  saber ler os sinais do empo e botar a barba de molho. Muitos devem ter visto nestes últimos dias na televisão e ouvido pelo rádio, a tragédia em Minas Gerais. Um jornal sério deu a seguinte leitura: “ Desastre em Minas Gerais alerta para a urgência do debate sobre o modelo de desenvolvimento do país. O rompimento das duas barragens de rejeitos de minério de ferro(isto é, a extração de  minérios é da Samarco, ( que pertence à Multinacional VALE) é um exemplo de como o atual modelo de desenvolvimento brasileiro é um risco para o meio ambiente e para a própria vida das pessoas”. Vamos entender a gravidade do desastre em Minas Gerais: mais de duas mil famílias ficaram sem casa, sem roupa, sem peixe do rio, sem terra para trabalhar e até sem água para beber pois o rio ficou completamente envenenado. Estão mortos os rios que receberam a lama e podridão da barragem.

E agora, que podemos pensar? Tudo isso e mais poderá acontecer em Belo Monte e no rio Tapajós, se deixarmos construírem as desgraças de São Luiz do Tapajós.  Em Minas foi uma barragem de rejeito de minérios, mas no rio Teles Pires uma barragem nova da hidroelétrica de lá já se rompeu. Que nos garante que a barragem de Belo Monte não vai romper?

Infelizmente ainda há pessoas em Santarém, Belterra, Mojuí, Aveiro, Trairão, Itaituba, Jacarecanga, que estão de braços cruzados sem se importar com a desgraças das hidroelétricas; uns nem sabem o que está acontecendo, outros ainda até aplaudem e pensam que virá melhoria de vida para nós do Tapajós. Precisamos aprender a ler os sinais do tempo e um deles está sendo a tragédia de  Minas Gerais. Queremos esperar por algo assim no Tapajós? E se não, o que já podemos fazer?