Munduruku e Francisco algo em comum

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ANÁLISE DA SEMANA PARA NOSSA VOZ É NOSSA VIDA – 27.09.2015

Dois acontecimentos se destacam na semana que passou. Um aqui na região e outro, um pouco distante, mas que tem muito a ver com nossa realidade. O primeiro destaque foi a assembleia do povo Munduruku do médio Tapajós. De segunda feira até ontem estiveram reunidos cerca de 120 pessoas, maioria delas do povo Munduruku debatendo assuntos importantes para a vida deles. Questões como a necessidade de uma educação específica para seus filhos, que é obrigação do município de Itaituba garantir e não está respeitando; a questão da assistência à saúde que a Funai tem obrigação de prover e não está oferecendo suficiente; a questão do território que o governo federal se recusa a respeitar a constituição nacional que exige que suas terras sejam demarcadas e protegidas contra mineradores e garimpeiros. O governo se recusa a realizar  o reconhecimento do território porque pretende construir a barragem que vai expulsá-los de suas terras; finalmente outro assunto  tratado doi sobre as hidroelétricas no rio Tapajós, que eles não aceitam em hipótese alguma, porque será destruição deles, dos ribeirinhos de toda a bacia do Tapajós, além dos prejuízos ao meio ambiente. Todos esses assuntos  foram debatidos com seriedade e tirados compromissos de exigir dos responsáveis cumprimento do que a constituição brasileira requer.

Além dos munduruku estiveram presentes convidados aliados das lutas do povo do médio Tapajós, entre os quais o procurador Dr. Felício Pontes, que explicou o direito ao território,  que o governo será obrigado a demarcar; também estiveram convidados   representantes do Movimento Tapajós Vivo de Santarém, que dialogaram com lideranças munduruku sobre a importância da aliança entre  todos os moradores da bacia do tapajós, munduruku, ribeirinhos, quilombolas, moradores das cidades ao logo do rio para juntos enfrentarem os crimes do governo brasileiro na questão dos projetos hidroelétricos no Tapajós. Os caciques reconhecem que só eles não terão força suficiente, nem os ribeirinhos, nem o Movimento Tapajós vivo, mas juntos serão capazes de barrar os projetos hidroelétricos, úteis para grandes empresas, mas perversos para os povos tradicionais da região. O governo federal já adiou mais uma vez o início da construção da barragem de São Luiz do Tapajós, por não ter dinheiro e porque as empreiteiras estão envolvidas nos roubos da Petrobrás. Isso dá mais tempo para  fortalecer a aliança entre os  defensores da vida do rio e dos moradores da região.

Outro acontecimento de destaque da semana está sendo a visita do Papa Francisco em nossa América. Desde segunda feira ele esteve em Cuba, em celebrações com o povo cubano e visitas ao grande líder revolucionário Fidel Castro e ao presidente Raul Castro; em seguida viajou aos Estados Unidos da América do Norte, onde está até o dia de hoje. Muitos pensavam que Papa Francisco nãos seria bem recebido pelos políticos norte americanos, ficaram surpresos com o discurso que ele fez dentro do Congresso federal deles. Dez afirmações del são aqui destaque. Ei-las: A reportagem foi publicada pelo jornal argentino El País, 24-09-2015.

  1. “Se é verdade que a política deve servir à pessoa humana, não pode ser escrava da economia e das finanças”

Essa foi uma das primeiras frases de Francisco no discurso.

  1. “Tratemos os demais com a mesma paixão e compaixão com que queremos ser tratados”

Depois dessa frase, Francisco pediu ao Congresso a abolição da pena de morte.

  1. “O sonho de Luther King ressoa em nossos corações”

O Papa lembra da marcha que Martin Luther King Jr. encabeçou de Selma a Montgomery, na campanha para realizar o sonho de plenos direitos civis e políticos para os negros nos EUA.

  1. “Falo a vocês como filho de imigrantes, como muitos de vocês que são descendentes de imigrantes”

O pontífice pediu compaixão com os imigrantes.

  1. “A responsabilidade que temos de proteger e defender a vida humana em todas as etapas do desenvolvimento”

Francisco, em alusão ao aborto.

  1. “Diante do silêncio vergonhoso e cúmplice, é nosso dever enfrentar o problema e acabar com o tráfico de armas”

Em meio a aplausos, o Papa pediu que se ponha fim ao tráfico de armas.

  1. “Uma nação é considerada grande quando defende a liberdade, como fez Abraham Lincoln”

Francisco destacou a contribuição de norte-americanos como Lincoln, Martin Luther King Jr. e Dorothy Day.

  1. “Nenhuma religião é imune a diversas formas de aberração individual ou de extremismo ideológico”

O Papa, referindo-se à violência perpetrada em nome de uma religião.

  1. “O desafio ambiental que vivemos e suas raízes humanos nos interessam e afetam a todos”

Francisco aproveitou o discurso para pedir atenção ao planeta.

  1. “Não posso esconder minha preocupação com a família, que está ameaçada, talvez como nunca, desde o interior e desde o exterior”

No último trecho do discurso, o Pontífice voltou a exaltar o papel da família como valor essencial

Assim a vida e a esperança continuam entre nós. Não podemos desanimar, nem ficar conformistas pensando que não há soluções para esses projetos destruidores das vidas humanas e da natureza. Testemunhos como do povo Mundurku e do Papa Francisco devem ser para todos nós certeza de que unidos somos muitos e venceremos as batalhas.

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