Mês: janeiro 2016

Um pouco de conjuntura regional

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Análise da semana para Nossa Voz é nossa vida – 17.01.2016

A semana que passou teve sinais de vida e sinais de doenças sociais na nossa região. Vale a pena se refletir sobre ambos para sentir em que sociedade estamos vivendo e como podemos contribuir para mais vida e menos doenças sociais.

Sinais de vida foram vários, destacamos alguns mais evidentes:

  1. Uma reunião de presidentes de associações de moradores dos bairros ameaçados por grandes projetos de construção de portos graneleiros. Estes projetos ameaçam milhares de moradores de nove bairros da periferia da cidade, além de várias comunidades rurais no planalto santareno. Na reunião, os líderes estudam como participar de uma audiência pública, que vai acontecer em breve, sobre um tal Eia Rima dos portos. Querem desmascarar as ilegalidades do Relatório de Impactos Ambientais, feito às pressas para justificar a destruição de uma Área de Proteção Ambiental, APA na boca do lago do Maicá. O que os deixa mais indignados é que a maioria dos vereadores e prefeito de Santarém apoiam declaradamente tais projetos prejudiciais a milhares de famílias da cidade e planalto. A organização e resistência dos líderes e suas associações é sinal de vida.
  2. Outro sinal de vida. O compromisso assumido pelo Ministério Público Federal, MPF de realizar em Santarém, uma audiência pública. Também serão analisadas as ilegalidades e falsificações do estudo de impactos ambientais, EIRA RIMA do projeto de construção da barragem de São Luiz do Tapajós. A AUDIÊNCIA será no dia 29 de janeiro, das 14 às 19 horas, no auditório da Associação Empresarial de Santarém, ao lado do prédio dos correios, na frente da cidade. Para o MPF será importante a participação de estudantes, professores, associações de moradores, comunitários da FLONA, da RESEX, das igrejas cristãs. Segundo o convite do MPF estão convidados: Ministério de Minas e Energia de Brasília, IBAMA, FUNAI, Prefeitos de Santarém, Belterra, Itaituba, Jacareacanga, deputados paraenses, empresários, entre outros. Serão focados graves erros de informação pelo governo sobre a hidroelétrica de São Luiz do Tapajós.
  3. Mais um sinal de vida foi o programa “Rural Debate” da Rádio Rural de sexta feira passada. O assunto debatido por três representantes da sociedade civil, foi a questão da privatização da rodovia Br. 163, que passará a ser rodovia Cuiabá Miritituba, em vez de Santarém Cuiabá. Empresários e políticos santarenos estão preocupados com esse abandono da região e cidade. Um dos participantes do debate chegou a dizer que esse asfaltamento atual entregue a empresários do Mato Grosso se deve á força política do pessoal de lá. Ele não disse, mas ficou evidente que os políticos e empresários de Santarém e do Pará não tem capacidade política, nem interesse de lutar pelos povos daqui. Outra evidência dessa privatização da rodovia é que ninguém está preocupado com as vidas humanas dos moradores ao longo da rodovia e das cidades do entorno, mas sim garantir o escoamento de grãos do Mato Grosso pelo caminho mais rápido e para isso as grandes empresas estão construindo 8 portos em Miritituba. Os destaques para os sinais de doenças sociais são:
  1. A situação dos governos municipais da região, com prefeitos cassados e recassados e as populações abandonadas. Assim, Monte Alegre, Alenquer, Oriximiná, Belterra. Nesse clima como é que podem esperar os candidatos/as ter simpatia dos eleitores nas próximas eleições de outubro?
  2. Já em Santarém, cidade polo regional, a descrença nos políticos é geral. O prefeito, 11 meses restantes de governo, anuncia reforma administrativa. Que significa isso? Corte de funcionários, encolhimento de secretarias, tudo para sobrar dinheiro e ele iniciar algumas obras em vista das eleições de outubro. O hospital materno infantil de Santarém iniciada construção em 2013, faltam 60% para construir e o prefeito afirmou que concluirá até dezembro. Se isto acontecer pode se contar como milagre. Quem acredita nesse tipo de milagre?
  3. Fica uma pergunta no ar para ser respondida pelas comunidades da região de Arapixuna – o que poderá ser diferente com a criação do novo Distrito de Arapixuna? Apenas a honra do título? Não é ironia, basta olhar o que tem de diferente nos distritos de Curuai e Boim. Neste a barreira está para derrubar a igreja de São Tomé, não tem cais de arrimo, não tem correio bancário, não tem energia do linhão, que está já próximo de Daniel de Carvalho e não avança. Já o distrito de Curuai era pra ter correio bancário, onde mais de 5 mil pessoas recebem salários ou pensões pelo banco; lá a estrada Translago vive sempre numa lástima, a energia elétrica interrompe mais que funciona e ainda, nenhum político do município, ou do Estado defende o povo das ambições da ALCOA que quer invadir o território do Lago Grande. Assim sendo, o que mesmo diferencia um distrito de uma comunidade comum?
  4. Essas são algumas situações conjunturais da região que chamaram a atenção. Você pode refletir e tirar suas conclusões. Incluindo ainda a ânsia por um emprego em mais de mil pessoas que estão neste momento na cidade de Mojui dos Campos, disputando uma vaga no concurso municipal. Quantas pessoas não estão sonhando com ter uma renda própria nesta época difícil de alta inflação e crise econômica, não é mesmo?.

Como construir a paz na realidade nacional?

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Análise da semana – Nossa Voz é nossa Vida – 03.01.2016

Vamos começar com o apelo do Papa Francisco aos povos do mundo, no dia Mundial pela Paz. Ele estimula que se rompa com a indiferença e se conquiste a paz. Portanto a paz não se ganha de graça. O novo ano que começa nestes dias, nos abre desafios sérios, tanto pessoal, como coletivamente. Observando um pouco do que ficou do ano passado, não dá para se ficar indiferente só cuidando de si. Vários municípios estão sem rumo, com prefeitos sendo despostos, câmaras de vereadores cuidando mais de seus interesses que de suas responsabilidades no cargo; em outros municípios, prefeitos continuam no cargo mas com muita decepção dos munícipes, por incompetência e falsas promessas de campanha. Por falar nisso, neste ano um dos grandes desafios para todos os e todas eleitoras é que, em outubro haverá eleições municipais. O grande desafio é, quem merece meu voto para prefeito e para vereador? O quadro inicial de pre candidatos não deixa esperança. Se os critérios forem Honestidade, competência e compromisso com a população, está muito difícil enfrentar esse desafio.

Na cidade de Santarém, 300 mil habitantes fixos e mais uns 15 mil visitantes regionais e de fora, continuam os conflitos sociais, territoriais e ambientais. Tudo por causa de projetos que chegam com promessas de desenvolvimento, mas na realidade buscam apenas progresso econômico para poucos, com problemas para a maioria. Assim são casos como, a ampliação do Porto da Cargill, com a usurpação do bosque e do campo esportivo da Vera Paz e o aumento de centenas mais de carretas atravancando as ruas da cidade. Sem contar também esse grande projeto dos portos graneleiros, invadindo área de proteção ambiental na boca do lago do Maicá. O projeto já está ameaçando prejudicar milhares de famílias em sete bairros e mais comunidades rurais por onde querem construir uma rodovia e avenida para passagem de mil carretas diárias. Imagine o desafio de impedir essa desgraça, quando as autoridades municipais estão dando todo apoio aos projetos.

Outro grande desafio para conquistar a paz é quem vai morar nos projeto Minha Casa minha Vida. Estão previstas mais de duas mil famílias que vão se amontoar ali, sem árvores, sem posto de saúde, sem igrejas, sem praças. Sem contar que podem estar ameaçados pelo próximo inverno, já que as casas estão construídas em terreno inadequado, como já revelou o inverno passado. Não se pode ignorar também o desastre da imobiliária Buriti que ainda não foi resolvido e o inverno está chegando ameaçando mais uma vez o lago do Juá, preciso criatório de peixes, hoje atolado em lama. Que vai recuperar o lago assoreado? Quem vai romper a indiferença nesses casos? E assim, com esses e outros graves problemas sociais e ambientais, são grandes os desafios que esperam rompimento da indiferença de todos que fizeram a caminhada pela paz. Esperam principalmente de todos os que tem fé em Jesus Cristo, de todas as igrejas e até dos que não congregam em organizações e igrejas mas têm uma consciência ética. Alguns sinais positivos já se manifestam: um grupo de pessoas comprometidas do bairro Santarenzinho se organiza para dinamizar a associação  de moradores do bairro. Aquela associação já foi uma das mais guerreiras da cidade e hoje está moribunda. Tal inciativa deve ser estímulo para a maioria das 48 existentes  na cidade e que também parecem moribundas ou sendo castelo de presidentes eternos.

Para se levar a sério o rompimento da indiferença e conquistar a paz como propõe o Papa Francisco, é preciso cada um de nós começar por si, olhando a realidade do bairro, da comunidade, da cidade, da região. É preciso sair da indiferença. Não se pode ignorar que o governo federal, como um anti cristo está obcecado em destruir o rio Tapajós, como já destruiu os povos do rio Xingu. Agora quer construir a barragem de São Luiz e as outras. Esse desafio é para os moradores das cidades tapajônicas e ao redor, como Oriximiná, Mojuí e as demais. Também para os ribeirinhos da bacia do Tapajós, para nos juntar aos parentes Munduruku e formarmos um exército forte para impedir tais desgraças. Se eles vem com fuzis e força nacional, nós precisamos enfrentar com a força da união e coragem de barrar a desgraça. No mês de abril o Movimento Tapajós Vivo está organizando mais uma caravana até a comunidade de Pimental, lá onde o governo quer levantar uma barragem de 36 metros de altura fechando o rio. Precisamos romper com a indiferença e irmos junto com centenas de outros companheiros para mostrar ao governo que não vamos deixar acontecer mais desgraças aos povos da Amazônia.