Quem vive em NOSSA CASA comum

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Quem vive em nossa CASA COMUM?

Num recente encontro de pessoas interessadas e comprometidas com o cuidado com nossa CASA COMUM, causou surpresa e desconhecimento geral que se tem sobre o chamado pulmão do planeta, a bacia amazônica. Não sabiam quantos povos vivem ali, nem quantas línguas próprias são faladas na região. Ficaram surpresos com a informação de que são mais de 30 milhões de seres humanos vivendo nos nove estados da chamada Amazônia legal.

Outra surpresa, não existem índios, ou indígenas na grande bacia, existem sim povos, Mundurucu, Wapixana, Axaninka, Mura, entre mais de 100 outros, com cultura própria, língua própria e seu território. O desconhecimento sobre a região vai mais longe até para muitos que aqui vivem. Por exemplo, são vários tipos de floresta, inclusive savanas; são costumes distintos, como por exemplo, o piracuí do baixo Amazonas paraense não é produzido em outros estados. Apenas conhecem a chamada farinha de peixe em Boa Vista e em Balsas no Maranhão. Também o tacacá, que no Pará é bebido em cuias com jambu e camarão, em Porto Velho é bebido no copo e com colher. Assim costumes diversos, peixes variados, várias amazônias. Isto sem falar nos fusos horários, que quando em Belém são 17:30, em Manaus são ainda 16:30 e em Cruzeiro do Sul são ainda 15:30.

Porém o mais grave dessa realidade é que essa NOSSA CASA COMUM continua sendo saqueada por inescrupulosos buscadores de lucro fácil, as mineradoras, os madeireiros, o agronegócio e o próprio governo federal. Segundo pesquisadores sérios, 17 por cento das florestas na Amazônia já foram desmatadas. Mesmo sendo nossa casa comum, poucos são seus habitantes que se preocupam em cuidar dela diante de tantos destruidores. São  mais de 150 lavras de minérios e outro tanto de pedidos de exploração, que vai da bauxita, ouro e ferro, até manganês, cassiterita e mais de 20 outros minérios existentes na região. As empresas nacionais e estrangeiras se apossam de tudo e deixam os buracos e as poluições. Quando aconteceu a desgraça em Minas Gerais com a Samarco, foi notícia nacional. Mas o rompimento da barragem da hidroelétrica de Teles Pires não foi notícia e certamente a grande maioria da população nacional nem ficou sabendo.

O tema da Campanha da fraternidade que apela à nossa responsabilidade com essa casa comum, carece de um comprometimento maior, tantos dos cristãos como de todos os que vivem nesta terra abençoada por Deus e amaldiçoada pelos sistema explorador. Embora o saneamento básico seja um dever de todos com seus quintal e sua rua, este mesmo saneamento precisa incluir a consciência de enfrentar a depredação que estão fazendo com nosso patrimônio comum, sem melhorar a qualidade de vida dos 30 milhões de filhos de Deus aqui residentes. Se a dengue, e  o zica vírus são desgraças a serem combatidas, mais graves ainda são as desgraças impostas aos povos, rios e florestas amazônicas.

 

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