Mês: abril 2016

Quem na Amazônia confia nos deputados federais de seu Estado?

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Editorial – RNA – 14.04.2016

Nestes dias, os desacreditados políticos em Brasília decidem os rumos, ou sem rumos da administração pública do país. Entre  os desacreditados, que se dizem representantes do povo, se destacam três figuras com brilhos lusco fusco entre lilás e roxo. São eles, a presidente Dilma Russeff cai, não cai, o vice Michel Temer de olho grande no cargo de presidente, (mal sabe ele o que o espera caso isso aconteça) e por fim, o inefável cínico presidente da Câmara federal, réu de crimes contra o dinheiro público.

Se por acaso a justiça for justa no caso, mais cedo ou um pouco mais tarde, os três serão afastados da vida pública, para o bem geral do povo brasileiro. Neste primeiro estágio desta tragi comédia, será decidido se Dilma Russeff continua, ou não no cargo de presidente. O segundo capítulo da novela pornográfica será domingo no plenário da Câmara federal.

O que a grande Amazônia tem a ver com isso? Tanto faz como tanto fez? Será? São 87 ditos representantes da Amazônia legal a participar da votação no domingo. O Estado do Maranhão é o que tem mais deputados federais da Amazônia, são 18; o Pará tem 17 deputados; em seguida os outros tem 8 deputados cada um, menos o Amapá com apenas 4 representantes federais.

Pelo que já  aconteceu na comissão de impeachment nos últimos dias, se pode calcular o comportamento dos representantes da Amazônia legal. O que se viu lá foi oportunismo puro, medo de represálias dos que tem rabo preso ao presidente da Câmara. Nenhum se lembrou de consultar seus eleitores qual deveria ser seu voto.

De Santarém, Pará se tem um exemplo típico dessa espécie de cobras venenosas. O único deputado santareno eleito pelo Estado do Pará, passa por um vexame público. Poucos dias atrás, negociou com pessoal do governo, trocar seu voto contra o impeachment por pequeno prêmios, cargos federais aqui na região e alguns recursos financeiros para projetos  eleitoreiros. Recebeu a moeda exigida, mas na última hora pressionado pelo seu partido, declarou seu voto em favor do impeachment. Tentou dar uma explicação de que votava pela moralidade pública da nação. Tornou-se motivo de piada.

Afinal, alguém ainda credita na seriedade dos políticos em Brasília? Seria importante que ouvintes da Rede de Notícias da Amazônia indagassem aos deputados federais de seus Estado quando por aí aparecerem, a troco de que votaram a favor ou contra o impeachement da presidente Dilma. Que futuro tem nosso país? O presente triste já temos.

Bispos brasileiros orientam sobre voto em outubro

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Análise da semana para Nossa Voz é nossa Vida – 17.04.2016

Hoje o país vive um momento decisivo, sem que os 145 milhões de eleitores tenham voz e voto para dizer se a presidente Dilma Roussef deve ou não continuar governando ou se deve deixar o governo. Tudo vai depender de 513 ditos representantes do povo na Câmara Federal. Até a meia noite de hoje a população saberá a decisão  deles lá em Brasília. Você se sente bem representado\a de fato pelos deputados paraenses¿ Vivemos um muito triste e sem esperança na administração pública nos próximos anos. Permaneça a presidente Dilma, ou saindo ela entre o sr. Michel Temer a maioria dos pobres, especialmente aqui na Amazônia,  não  se tem garantia de melhoria de qualidade de vida. Basta olhar as estradas inacabadas, o hospital materno infantil de Santarém inacabado,  o apoio que recebem os sojeiros, os exploradores de minérios e os projetos de barragens de Belo Monte e São Luiz do Tapajós.

Sobre a grave crise ética e moral dos políticos em Brasília e aqui na região, os bispos brasileiros reunidos até semana passada em Aparecida disseram algumas coisa nos alertando sobre as eleições do próximo mês de outubro. Por exemplo:

  • Neste ano de eleições municipais, a CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL dirige ao povo brasileiro uma mensagem de esperança, ânimo e coragem;
  • Os cristãos são chamados a dar razão de esperança neste tempo profundo de crise pelo qual passa o Brasil;
  • As eleições municiais tem uma atração e uma força próprias pela proximidade dos candidatos com os eleitores;
  • Para escolher e votar bem, é absolutamente necessário conhecer, além dos programas dos partidos, os candidatos e sua proposta de trabalho, sabendo distinguir claramente as funções para as quais se candidatam:
  • De prefeito de espera “conduta ética nas funções públicas, nos contratos assinados, nas relações com os demais agentes políticos e om os poderes econômicos”.
  • Dos vereadores se requer “uma ação correta de fiscalização e legislação, que não passe por uma simples presença de bancada de sustentação, ou de oposição ao executivo”.
  • É fundamental considerar o passado do candidato, sua conduta moral e ética, se já exerce um cargo público, conhece sua atuação na apresentação e  votação  de matérias e leis a favor do bem comum.  A LEI DA FICHA LIMPA há de ser neste caso, o instrumento iluminador do eleitor para barrar candidatos de ficha suja.
  • A compra e venda de votos e o uso da máquina administrativa nas campanhas, constitui crime eleitoral que atenta contra a honra do eleitor e contra a cidadania.
  • Na hora da escolha de candidato, tenha=se em conta seu compromisso com a vida, com a justiça, com a ética, com a transparência, com o fim da corrupção, além de sua conduta na comunidade de fé.

Estas são as orientações dos bispos brasileiros para nós eleitores e eleitoras nos municípios. Seguindo estas orientações, nós temos compromisso com a ética e a moral neste tempo antes das eleições, quando os pre candidatos começam a aparecer, ou ser anunciados. Não podemos deixar para a última hora, no dia da votação, para votar em fulano, ou sicrano. Nós eleitores podemos ser irresponsáveis se não levarmos a sério o cuidado na escolha de um prefeito e um vereador, ou vereadora.

Daí a pergunta para hoje e os próximos meses: Os atuais prefeitos e vereadores de seu município passam pela peneira das orientações dos bispos brasileiros?  e se não corresponderam nestes últimos quatro anos, você acha justo votar neles?

Muitas vezes nós eleitores somos acusados de termos os maus políticos nos cargos por votarmos se medir consequências. Neste ano somos chamados mais uma vez para escolher prefeito e vereadores honestos, competentes e comprometidos com a vida, com a justiça social e com o bem da sociedade municipal.  Assim esperam os bispos brasileiros, assim espera Deus. Em nossas mãos está o destino de nosso município nos próximos quatro anos.

 

Análise da semana – Nossa Voz -10.04.2016

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Análise da semana para Nossa Voz é Nossa Vida – 10.04.2016

Vivemos uma semana muito tensa e ameaçadora no país. Além das crises econômicas e de falta de emprego para muitos trabalhadores, ainda continua a falta de respeito dos ditos representantes do povo no Congresso Nacional. O presidente da Câmara de deputados federais, Eduardo Cunha, já confirmado réu por receber propinas, é quem comanda um bando de teleguiados. Nesta semana entrante muita coisa pode acontecer, cassação da presidente ou não, revelações de mais políticos envolvidos em falcatruas e propinas e mais, porém quem paga a conta afinal, é a maioria da população, com o aumento do custo de vida, a falta de empregos e abandono da assistência à saúde, à educação. Até o programa Bolsa Família está ameaçado de ser prejudicado.

Mas, apesar dessas nuvens negras na política nacional, a chuva tem trazido esperança para os agricultores/as e os que buscam as feiras em busca de alimentos. Também, aqui na região algo bem positivo aconteceu ainda ontem lá na área da Resex Tapajós/Arapiuns: na comunidade de Tucumatuba 49 pessoas participaram de um dia de estudo sobre as ameaças existentes pelos projetos hidroelétricos na bacia do Tapajós. Entre os 49 participantes estavam 12 jovens e 4 crianças. Foi salientada a presença dos jovens e das crianças, por serem eles e elas os que mais sofrerão caso deixemos o governo cometer a desgraça de construir a hidroelétrica de São Luiz do Tapajós e a s outras. Foi lamentada a ausência de vários lideres da Associação Tapajoara e do Sindicato de Trabalhadores e trabalhadoras rurais e também de alguns catequistas, pois essas pessoas têm responsabilidade maior de despertar as consciências de seus liderados.

Durante o dia foram debatidos e esclarecidos alguns pontos básicos sobre o que pretende o governo com essa destruição do rio Tapajós. São 43 barragens projetadas para a bacia do grande rio que já está prejudicado com mercúrio e lama dos garimpos. Dos 49 participantes, apenas sete ainda se lembra do tempo quando o rio era de águas límpidas e azuis. Nos últimos 15 anos as águas se tornaram impróprias para beber e até para banho.

As informações lhes foram passadas por uma equipe do Movimento Tapajós Vivo, Simone, Amanda e Edilberto. Foram usadas cartilhas, estudas  em grupos, vídeos ilustrativos da situação ameaçadora das hidroelétricas e também foi estudado um modelo de Protocolo de Consultas já produzido pelos chamados beradeiros de Montanha Mangabal, no médio Tapajós. Este modelo serviu para os moradores do baixo Tapajós começarem a produzir seu próprio Protocolo de consultas a ser concluído em agosto na Caravana em Itaituba.  Os participantes perceberam que os parentes Munduruku do alto Tapajós já estão mais adiantados, pois produziram seu protocolo e já foram levar a Brasília para o governo saber que, de acordo com a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, OIT o governo tem que consultar as comunidades  ameaçadas por projetos na região.

Os participantes forma motivados a participar na próxima Caravana em defesa dos povos e  do rio Tapajós que vai acontecer nos dias 27 e 28 de agosto na cidade de Itaituba. Tdos e todas de Santarém, Belterra, margem direita e esquerda do baixo Tapajós, Mojuí dos Campos e cidades do baixo Amazonas poderão participar da grande Caravana a Itaituba.  Serão dois dias de debates, exposições de especialistas, testemunhos de parentes do Xingu e do Mato Grosso. Vários participantes do encontro de ontem em Tucumatuba vão se organizar a fim de participar da Caravana.

Ao final do encontro pelas 4 horas da tarde foi redigida uma carta compromisso, escrita por dois professores municipais presentes e mais duas lideranças de Boim e que foi lida e aprovada pelos presentes, cuja cópia passo a ler em seguida. Assim a semana terminou com acontecimentos muito ruins e outros de esperança como foi o encontro em Tucumatuba. Claro que houve outros momentos bem positivos.

 

Cargill na berlinda mais uma vez

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Avaliação da entrevista realizada na sede da CARGILL Santarém

a convite da direção no dia 08.03.2016

  1. Essa visita foi motivada por uma mensagem que eles enviaram, falando de um ato de “responsabilidade social” que fizeram recentemente, ao doar equipamentos para uma padaria comunitária na comunidade São Francisco da Volta Grande (na Br 163 próximo a Belterra). Estranhei a gentileza da mensagem e respondi com duas indagações  novas:
  2. Qual a preocupação  concreta da CARGILL  com as vidas humanas dos moradores das comunidades, de São Francisco da Volta Grande, de Tabocal, São José, Cipoal, também dos bairros de Cambuquira, Matinha e Esperança, onde não há nenhuma proteção aos pedestres como lombadas, pardal, etc
  3. Quanto é que a empresa CARGILL deixa nos cofres da prefeitura de Santarém por mês de impostos.
  4. Eles responderam que essas e outras questões estão dispostos a responder,  mas numa visita lá no escritório deles. Topei a parada, porém algumas amigas ponderaram que eu não deveria ir sozinho, pois não se sabe o que esse povo tem na cabeça. Marcamos dia e hora, levei um gravador e uma “guarda costa” de peso,  a Amanda Mota, única que se dispôs a me acompanhar. Ela é acadêmica de engenharia das águas na Universidade Federal do Oeste do Pará, UFOPA e levou uma pergunta sobre a questão ambiental. A entrevista foi cordial e durou 90 minutos. Presentes deles estavam: Ronaldo Donath gerente; Ricardo ? setor regional; Valéria ? fundação Cargill, Katiane de Jesus Relações públicas.

Vou apresentar esse relato em dois blocos, um de informações que conseguimos e podem ser úteis para nossas análises, e outro de avaliação de como percebi o que está por trás das palavras.

  1. A. informações  úteis:
  • Atualmente entram e saem – 4 carretas por hora nos armazéns da empresa, sem contar as barcaças. Multiplica isso por 20 horas de trabalho/a e se terá em torno de 80 carretas vindo e retornando diariamente dos armazéns. Eles disseram que carretas descarregam também de noite.
  • Pelo rio chegam as barcaças. São 12 barcaças, não ficou claro se por dia, ou por semana ou por mês. As barcaças que chegam no inverno (quando os rios estão cheios) trazem 2.500 toneladas cada e durante o verão, elas trazem 1.500 toneladas cada, devido a seca do rio Madeira por onde elas vem.
  • A empresa emprega hoje 400 funcionários fixos e mais 50 terceirizados. Sua folha de pagamentos chega a R$ 600.000,00.
  • Hoje são 190 plantadores de soja da região cadastrados e que vendem produtos à empresa; Da exportação de soja e milho a empresa compra 5% (150 mil toneladas) da região e 95% do Mato Grosso (isto dá 2 milhões  e 700 mil toneladas vindas do Mato Grosso), portanto 3 milhões de toneladas é sua exportação  atual. Eles pagam cerca de R$ 2.000,00 por tonelada ao produtor local
  • Questionados pela Amanda sobre a possível poluição com água de lastro no porto de Santarém, dizem que a água de lastro não está afetando o tapajós porque é tudo bem fiscalizado, os navios são obrigados a despejar a água de lastro antes de entrar em águas brasileiras e cada navio é fiscalizado em Macapá para  ver se tem água de outro oceano. A água que escorre em Santarém durante o carregamento do navio é água nacional fiscalizada. Valéria salientou que a empresa faz parte de uma tal coalizão Clima-Floresta – Agricultura, organização que supostamente zela pela pureza e certificação da produção de grãos.

* Quanto a questão da incidência de câncer na região pelo uso de agrotóxicos nas plantações de soja e milho, responderam que desconhecem essa incidência e o diretor Ronaldo  chegou a dizer que já cultivou soja no mato Grosso por 20anos e nunca ouviu falar de incidência de câncer na região causado por agrotóxico.

  1. Minha avaliação  sobre as informações –
  2. Ao sentar à mesa da conversa pedi licença para usar o gravador “a fim de ser fiel ao que fosse questionado e respondido”… Súbito,  olharam entre si e depois de breve silêncio, sorrindo concordaram e assim foi. Isto me deu possibilidade de fazer este relato fiel. Notei que havia uma gentileza simpática, mas curiosa deles.
  3. As duas questões básicas de minha provocação original foram respondidas ao modo deles que compreendi assim:
  • Cuidado com as vidas ao longo da Br 163 com lombadas, pardal e sonoras nas comunidades por onde passam as carretas,

eles desviaram o assunto e não responderam. Apenas Ronaldo afirmou que desde 2012 nenhuma carreta causou acidente “dentro da cidade” sic. Perguntado sobre o porquê de estarem instalados “pardal” e redução de velocidade justamente entre o final de linha, o porto da Cargill e o viaduto, quando as comunidades dos bairros desde a descida da serra de Piquiatuba até a rodoviária (200 metros além do viaduto) haviam solicitado e pressionado para terem proteção às vidas, sua resposta foi graciosa e “ingênua” –

disse o diretor Ronaldo -“não sabia que havia pardal no trecho mencionado… talvez tenha sido o Ministério Público Federal que tenha exigido devido a seu escritório estar no perímetro…” Quase cômica resposta. Afinal, ele deve transitar pela avenida Cuiabá constantemente. Também, com a maior seriedade, garantiu que “todas as carretas são extremamente fiscalizadas e disciplinadas”. Como podem ser tão rigorosos e obedecidos se são 4 carretas por hora entrando e saindo do porto? Tal resposta para fazer boi dormir.

  • Sobre a questão de quanto de imposto a Cargill contribui aos cofres do município por mês.

Não responderam. Deram uma justificativa que a Cargill contribui de vários modos: os salários dos 450 funcionários são gastos na cidade e isso gera renda ao município; a compra da produção de soja dos produtores locais é gasta em parte no município e gera renda, etc. Quando lembrei que numa pesquisa que fiz em 2014, descobri que a contribuição em ISS, único pagamento da empresa direto à prefeitura foi em dez anos apenas um milhão de reais, o que veio a dar em média, 8,500 reais/mês, eles não disseram quanto isso é hoje, mesmo já tendo duplicado a exportação de soja.

  • Questionei sobre a falta de preocupação da empresa com o uso de agrotóxicos na região, por conta da chegada da soja, que aqui chegou estimulada pelo porto da Cargill.

Falei da comprovação de 10 casos de câncer na comunidade Boa Esperança, onde há concentração de plantio de soja, a resposta do gerente Ronaldo foi: “morei 20 anos no Mato Grosso, no meio da soja e nunca vi um caso de doente de câncer”. Deve ser um milagre no MT. Em outras palavras, para eles o uso de agrotóxico não é grave, pois está vigiado pela EMATER e pela tecnologia. Isto é, o que está acontecendo aqui na região não deve ser por causa da soja…

  • Valéria mudou de assunto e me perguntou se eu notava avanço de mudança da Cargill hoje comparada com 10 anos atrás.

Minha resposta foi “mudou sim para pior. Se vocês ampliaram os armazéns, duplicaram o número de carretas entrando e saindo pela única via de acesso, a Br 163, como pensar que cuidaram mais da defesa da vida dos moradores da região? como querem nos fazer crer que melhorou o ambiente nos bairros do entorno do porto? Além disso, como a empresa ampliou fortemente a exportação de seus produtos, de que forma ampliou a qualidade de vida dos moradores do município? Vocês podem se iludir por terem dado equipamentos para uma pequena padaria comunitária, uma biblioteca pequena à cidade, mas não confere os danos sociais e ambientais que trazem para nossa população. Basta ver a destruição do sitio arqueológico da Vera Paz, como exemplo e o descuido em exigir lombadas e pardais ao longo da rodovia. Dizem que não é responsabilidade de vocês, mas é seu o maior benefício.

  • Em resumo, o progresso está entrando francamente na cidade e na região, e com ele os impactos negativos, como desmatamento continuado, ameaças às vidas de pedestres, o aumento de agrotóxicos nas plantações, etc. Quanto ao desenvolvimento real é muito pouco ou quase nada. A Cargill, como os outros projetos portuários e imobiliários, são atraso ao desenvolvimento de Santarém. E o mais triste é que a população se cala, os prefeitos e políticos aplaudem.
  • De que valeu a nossa visita à multinacional Cargill? Valeu para termos informações mesmo incompletas, ou escapistas, mas que nos permitem uma avaliação mais objetiva desse tempo de progresso que veio e está vindo à Pérola do Tapajós, literalmente entregue aos porcos.  O IDH do município continua da mal a pior.
  • Entrevistadores:

– Amanda Mota, acadêmica de engenharia das águas UFOPA;

– Edilberto Sena – Movimento Tapajós Vivo e Comissão Justiça e PAZ da Diocese de Santarém.

 

Invasão de território e da sociedade

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Editorial RNA – 29.03.2016

Enquanto em Brasília a imoralidade política ameaça a frágil democracia brasileira, aqui na Amazônia a ditadura do capital invade territórios, viola leis ambientais e direitos dos povos tradicionais. Assim foi 52 anos atrás, com a ditadura militar e assim é hoje, com os programas de aceleração da economia do país, o PAC. Naquele tempo, se criou a Zona Franca de Manaus, uma zona de maquiagem industrial, quando as peças chegavam e ainda chegam da China e de outros locais, para montagens de máquinas e utensílios a preço subsidiado. A humilde Manaus se tornou metrópole de favelas, chamadas de periferias. Toda vez que chega uma crise econômica como agora, os donos das maquiadoras simplesmente desempregam milhares de empregados para salvar seus lucros.

Agora, a bola da vez é a cidade de Santarém, no Pará. De repente o capital percebeu que aqui pode ser um entreposto de exportação, tanto para os produtos da zona de Manaus, como para as empresas exportadoras de grãos do centro Oeste. Primeiro chegaram os portos menores das empresas de contêineres com produtos de Manaus, ocuparam parte das praias da cidade, privatizando-as. Em seguida chegou a multinacional Cargill, com todo apoio do Estado do Pará e das autoridades municipais, invadiu parte do rio Tapajós, uma praia popular, um sítio arqueológico, destruiu um bosque dentro da cidade e expulsou os moradores de bairros que usavam um campo de esporte há 25 anos. Ali, implantou um porto, um armazém que agora ampliou para exportar 2 milhões  e 700 mil toneladas de soja e milho por ano. Em troca a empresa emprega hoje apenas 450 funcionários e paga umas gotas de imposto ISS.

Hoje, na outra parte da cidade, novos projetos de portos graneleiros estão sendo empurrados goela  abaixo da população. Nove bairros da periferia da cidade estão ameaçados, pois uma grande avenida está sendo negociada pelo prefeito com o governo federal, para garantir acesso a mais de 600 carretas carregadas de soja e fertilizante até os quatro portos.

Numa reunião de esclarecimento ontem, tanto a secretaria de meio ambiente do Estado, como a empresa EMBRAPS e o secretário municipal de planejamento, tentaram convencer moradores e movimentos sociais, de que esses novos portos vão trazer grandes benefícios para a população e o município. Não convenceram a plateia presente, que vaiou o falso desenvolvimento  anunciado. A rejeição foi tamanha que a reunião foi suspensa sem conclusão. O exemplo da Cargill que prometia empregos e desenvolvimento já não deixam os moradores aceitar falsos argumentos ditos racionais.

Na Amazônia pode acontecer progresso para poucos, mas desenvolvimento é pura mentira gerada pelo capital.

Democracia brasileira atacada de Zica virus

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Editorial RNA – 23.03.2016

Democracia atacada de zica vírus política

Se levarmos a sério o significado original de democracia – governo do povo, pelo povo e com o povo, no Brasil nunca houve realmente democracia. O que existe é um arremedo deste sistema de governo. Para o povo sobre a obrigação de votar e eleger ditos representantes, que ao chegar ao mandato não demonstram menor consciência de dever aos eleitores.

Mesmo levando em conta todos os desvios  de significado, tendo a democracia brasileira já passado por várias ditaduras militares e politiqueiras das oligarquias, a democracia capenga ainda é a menos humilhante para a sociedade como um todo. Hoje ela está mais uma vez ameaçada de nova ditadura. Desta vez, aparentemente não são os militares forçando a barra para assumir as leis e os cofres da nação. Os sinais indicam que a banda podre dos picaretas  deputados federais e senadores, apoiados por um judiciário visivelmente partidário é que estão cavando a derrubada da presidenta legitimamente. Mesmo tendo cometido erros graves de administração, não se encontram crimes na pessoa dela. Mas para os que tem interesses pessoais e corporativos, buscam de todo modo arranjar meios de destitui-la por impeachment.

O juiz de primeira instância e ministros do Supremo Tribunal Federal estão contribuindo para essa pantomina de querer justiçar uns e ignorando outros, também acusados de bandidagem. O juiz curitibano desmente o ditado oficial de que a Justiça é cega, tarda mas decide. Hoje se vê que ela não cega, mas caolha, só vê um lado; ela nem tarda e decide  sem concluir a análise dos supostos crimes. E mais grave, serve aos interesses de um canal de televisão, divulgando suspeitas antes de comprovadas.

A conjuntura hoje indica que o Brasil está caindo em semelhante pantomina do Paraguai, considerado um pobre país vizinho. Ali, os políticos derrubaram o presidente legitimamente eleito, para atender interesses do império norte americano. No Brasil os sinais são semelhantes, reduzindo o gigante da América do Sul a uma republiqueta de banana, como se dizia antigamente.

Em seguida, alguém sabe por que o presidente da Câmara federal, Eduardo Cunha já comprovado réu de crimes de suborno e propinas continua tranquilo presidindo a Câmara? Por que o senador Aércio Neves, comprovado de ter recebido grandes propinas da chamada lista de Furnas, não é publicamente investigado pelo juiz Moro?  Por que o vice presidente da república Michel Temer não se sente ameaçado de impeachment como a presidente sua colega? Triste democracia de papel borrão!

Motivaçõs para participação na Caravana Tapajós 2016

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Caravana 2016

em defesa da bacia do Tapajós e seus povos

Participe, Defenda o que é vida – Itaituba – 27 e 28 de agosto

 

  1. Se alguém invade sua casa, você cruza os braços ou defende sua propriedade? E quando um grupo invade a nossa casa comum (o meio ambiente), deixamos de lado conformados, ou defendemos nosso território?
  2. E quando é o próprio governo federal que quer invadir o nosso Rio Tapajós para fazer mais de sete hidroelétricas sem perguntar se o povo aceita, você se abaixa e permite?
  3. Pois fique atento/a, enquanto a presidente Dilma disse publicamente que não abre mão das hidroelétricas no Tapajós; nossos parentes Munduruku disseram que só se for por cima dos cadáveres deles. E nós, pescadores, seringueiros, trabalhadores rurais, moradores da cidade e do campo no Tapajós vamos permitir que o governo destrua nosso Tapajós com hidroelétricas?
  4. Você sabia que no plano do governo a primeira barragem em Pimental terá 36 metros de altura e 7.5 quilômetros de comprimento, fechando o rio Tapajós? Segundo eles isso vai gerar um imenso lago de 732 quilômetros quadrados rio acima. E o que vai acontecer desde Pimental até Santarém? Praias longas, margem direita do Tapajós seca em até um quilômetro o ano todo; Lago Verde de Alter do chão invadido pelas águas do amazonas; aumento de mosquitos e outras pragas; diminuição de peixes de piracema, aumento de metilmercúrio nas águas e peixes, etc.
  5. Então vamos reagir colegas, amigos e companheiras/os. Eles querem lucros, nós queremos vida. Eles querem impor na força, nós enfrentaremos com a força de nossa unidade em defesa de nosso território.
  6. Itaituba, moradores da RESEX Tapajós/Arapiuns, pescadores, ribeirinhos, Jacareacanga, Trairão, Belterra, Aveiro, Santarém; Munduruku e quilombolas, cristãos de todas as igrejas, nesta hora somos todos Tapajós, certo? Um por todos e todos por um, é questão de vida ou morte! Tapajós Vivo, nunca barragens neste rio!
  7. Nos dias 27 e 28 de agosto próximo teremos um grande encontro na cidade de Itaituba. É a Caravana 2016 em defesa da vida. E você não pode ficar de fora. Serão dois dias de informações, testemunhos, debates, oficinas e um documento nosso declarando que o Tapajós é nossa vida e não abriremos mão dele para hidroelétricas.

Sua presença lá será muito importante. Esclareça-se. Resista junto com a multidão!