Invasão de território e da sociedade

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Editorial RNA – 29.03.2016

Enquanto em Brasília a imoralidade política ameaça a frágil democracia brasileira, aqui na Amazônia a ditadura do capital invade territórios, viola leis ambientais e direitos dos povos tradicionais. Assim foi 52 anos atrás, com a ditadura militar e assim é hoje, com os programas de aceleração da economia do país, o PAC. Naquele tempo, se criou a Zona Franca de Manaus, uma zona de maquiagem industrial, quando as peças chegavam e ainda chegam da China e de outros locais, para montagens de máquinas e utensílios a preço subsidiado. A humilde Manaus se tornou metrópole de favelas, chamadas de periferias. Toda vez que chega uma crise econômica como agora, os donos das maquiadoras simplesmente desempregam milhares de empregados para salvar seus lucros.

Agora, a bola da vez é a cidade de Santarém, no Pará. De repente o capital percebeu que aqui pode ser um entreposto de exportação, tanto para os produtos da zona de Manaus, como para as empresas exportadoras de grãos do centro Oeste. Primeiro chegaram os portos menores das empresas de contêineres com produtos de Manaus, ocuparam parte das praias da cidade, privatizando-as. Em seguida chegou a multinacional Cargill, com todo apoio do Estado do Pará e das autoridades municipais, invadiu parte do rio Tapajós, uma praia popular, um sítio arqueológico, destruiu um bosque dentro da cidade e expulsou os moradores de bairros que usavam um campo de esporte há 25 anos. Ali, implantou um porto, um armazém que agora ampliou para exportar 2 milhões  e 700 mil toneladas de soja e milho por ano. Em troca a empresa emprega hoje apenas 450 funcionários e paga umas gotas de imposto ISS.

Hoje, na outra parte da cidade, novos projetos de portos graneleiros estão sendo empurrados goela  abaixo da população. Nove bairros da periferia da cidade estão ameaçados, pois uma grande avenida está sendo negociada pelo prefeito com o governo federal, para garantir acesso a mais de 600 carretas carregadas de soja e fertilizante até os quatro portos.

Numa reunião de esclarecimento ontem, tanto a secretaria de meio ambiente do Estado, como a empresa EMBRAPS e o secretário municipal de planejamento, tentaram convencer moradores e movimentos sociais, de que esses novos portos vão trazer grandes benefícios para a população e o município. Não convenceram a plateia presente, que vaiou o falso desenvolvimento  anunciado. A rejeição foi tamanha que a reunião foi suspensa sem conclusão. O exemplo da Cargill que prometia empregos e desenvolvimento já não deixam os moradores aceitar falsos argumentos ditos racionais.

Na Amazônia pode acontecer progresso para poucos, mas desenvolvimento é pura mentira gerada pelo capital.

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