Que tal um patrono atual para os padres diocesanos?

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Editorial RNA – 11.05.2016

Há uma afirmação dita e assumida pelo mestre Jesus Cristo, que vai assim: “não há maior amor do que dar a vida pelos outros”. 30 anos atrás, um rapaz de 33 anos de vida (igual como Jesus), dedicando sua vida à defesa dos sofridos camponeses, entre o Pará e Tocantins, tombou assassinado. Padre Josimo era pastor numa guerra entre grileiros, latifundiários e de outro lado, posseiros, sem terra querendo um pedaço de chão para plantar e sobreviver. A polícia fazia o jogo dos grileiros, os pistoleiros obedeciam os latifundiários.

Josimo levou a sério o projeto de Cristo, em nome de quem dedicava sua vida aos mais pobres. Além de vigário rural era membro da Comissão Pastoral da Terra na região. Jovem padre ousou enfrentar os mandões da terra, para defender os posseiros. Isto lhe custou caro.

Um mês antes do assassinato, seu carro pastoral foi metralhado, quando vinha do interior para a cidade de Imperatriz. Preocupado seu bispo, chamou uma reunião dos padres da diocese e ofereceu uma passagem e local para um tempo de estudo no sul do país, enquanto se aliviava a situação na região do bico do papagaio, onde ele trabalhava. O gesto do jovem profeta surpreendeu seus colegas e o bispo.  “senhor bispo, bem que eu gostaria de estudar mais, porém não posso aceitar sua oferta generosa, pois minha consciência não ficaria sossegada, lá tranquilo no sul e meus paroquianos debaixo do fogo e ameaças dos fazendeiros. Agradeço, mas não posso aceitar.

Um mês depois tombou Josimo pela bala assassina dos latifundiários. Tiraram sua vida na terra, mas ela ficou presente na história, ao lado de outros profetas modernos, como Oscar Romero, Irmã Dorothy, Margarida Alves e milhares de outros que levaram a sério a bem aventurança de Jesus, quando afirmou – “felizes vocês se forem caluniados, perseguidos e até mortos, por estarem lutando pelo Reino. Alegrem-se porque seu lugar está garantido no Reino”.

Nesta época em que  o sistema capitalista e consumista induz muita gente a cuidar de si e deixar que os outros cuidem de si, há muitos que como Josimo, dão testemunho de amor total, arriscando a própria vida pelos outros. Quem conheceu o jovem padre em 1985/6, certamente  via nele apenas um padresinho negro, entusiasmado, mas sem futuro. Afinal era um padre do interior da Amazônia, metido numa região de graves conflitos. Que podia esperar ele? Ou se conformava de rezar missa, batizar e ensinar catecismo, confortando os sofridos camponeses, ou se meter com os grandes e correr risco de morte.

Mas quem conhece sua história hoje, sabe que ele escolheu a melhor parte da vida, amar e amar dando a vida pelos outros. Bem que Josimo seria um patrono excelente para os padres diocesanos do Brasil

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