O Brasil que não queremos

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Editorial RNA – 16.05.2016

 

Trinta milhões de brasileiros/as vivem nos nove estados da Amazônia. O que esses povos podem esperar do novo governo interino da república brasileira?  De bom não dá para esperar nada, pois o governo está comprometido em levantar a economia do país, o que significa dar estímulos para as empresas, para a exploração das riquezas da Amazônia. E então, para os moradores da região restarão, o desmatamento, a exploração mineral facilitada, a invasão de terras indígenas, o arrocho na vida dos trabalhadores, a contenção do bolsa família, entre outras consequências.

 

Basta analisar os tipos de ministros escolhidos. Que esperar para os produtores familiares, quando o ministro da agricultura é o maior latifundiário da soja no Mato Grosso?  Que esperar de equilíbrio financeiro do país com a cobrança de imposto de fortunas e heranças, quando o ministro da fazenda é um banqueiro? O que esperar de justiça e cidadania, quando para este ministério foi escolhido o ex secretário de segurança de São Paulo, conhecido por usar a força bruta em manifestações populares? E assim por diante, com José Serra nas relações exteriores, amigo dos Norte americanos e favorável a privatização do petróleo brasileiro, o que os povos da Amazônia podem esperar?

 

Certamente que com esse governo interino o que já era ruim para os povos da Amazônia, vai piorar. Certamente os projetos hidroelétricos, a exploração desenfreada de minérios por grandes empresas, a derrubada de floresta para expansão da soja e do gado, serão os próximos passos.

 

Em São Paulo, Rio de janeiro e em outros estados do sul já se fazem sentir as manifestações de protesto nas ruas. As centrais sindicais, movimentos sociais e até intelectuais prometem resistência a um governo ilegítimo e que vai desfazer as pequenas conquistas dos trabalhadores e dos pobres, em favor dos ricos empresários, industriais e latifundiários.

 

Na Amazônia os povos não podem ficar conformados. É preciso engrossar o caldo da resistência à violação da democracia. Povos indígenas, pescadores, igrejas, movimentos populares precisam fortalecer a luta por democracia de verdade. Um dos primeiros passos será a politização dos e das eleitoras para as próximas eleições municipais. Será um primeiro ensaio de resistência procurando candidatos que tenham história de compromisso com a defesa da vida, dos povos e da região amazônica.

 

Certamente poucos caberão nesta lista de critérios, mas é preciso iniciar um novo caminho de mudança política da Amazônia e do país.

A história ensina que mesmo em grandes crises, é o povo organizado que muda o rumo dela. Cruzar os braços pode ser ignorância ou covardia, por isso a hora é essa de se fazer história.

 

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