uma análise da semana no Tapajós

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 29.05.2016

 

Ainda deve ressoar na nossa memória o tema da Campanha da Fraternidade – Nossa Casa comum, responsabilidade de todos. Afinal, o desafio não terminou com a quaresma, basta ver a poluição dos rios e o Tapajós meio barrento é um espelho; a continuação do desmatamento com 5.500 quilômetros quadrados por ano na Amazônia; o aumento de doenças de dengue e h1n1, a gripe suína por causa de descuido de tantos com o lixo e a água parada. Tudo isso acontecendo e muitos ainda indiferentes ou conformados/as.

Na semana passada estivemos em Itaituba, num seminário sobre os impactos previstos para os povos e o rio Tapajós, caso nós aqui da região deixemos o governo federal fazer o que ele quer e como quer. Lá estava também o presidente da cooperativa dos garimpeiros regionais do tapajós. Ele defendia o direito de os garimpeiros explorarem ouro que é base da sobrevivência econômica de Itaituba e região. Questionado sobre o envenenamento do rio com mercúrio, arsênio e lama ele botou culpa nas grandes dragas, como se eles também não poluam o rio. É sempre o outro o responsável e ninguém assume. Eles ganham o lucro do ouro e as populações de todo o rio Tapajós herdam as doenças e a desgraça do rio que já não é mais azul como antes mas barrento quase como o amazonas.

 

No país vizinho também a Casa Comum não está sendo cuidada por muitos. Notícia recente de lá afirma que – “O Peru declarou estado de emergência em onze distritos da Amazônia peruana, na região de Madre de Dios, fronteira com o Brasil. A razão disso foi que detectaram níveis de mercúrio acima do permitido na população regional. Isto por causa da intensa exploração garimpeira artesanal que destrói também rios e solos”.

Então, como lá na Amazônia peruana, também aqui na Amazônia brasileira a sede de ouro está acima do cuidado com a mãe natureza e os seres humanos que vivem ao logo dos rios, que são parte da Casa Comum.

Aqui na cidade de Santarém  a fome de lucro das empresas está violentando o patrimônio comum. A desgraça provocada pela imobiliária Buriti, devastando 187 hectares de mata nativa até hoje  não houve punição e nem recuperação da mata.

 

Na antiga praia da Vera Paz a multinacional Cargill entrou em todo o campo e bosque  construindo mais armazéns, sem que as autoridades municipais e a sociedade santarena reagisse. Seus diretores afirmam orgulhosos que atualmente quatro carretas entram e saem por hora, do armazém. Porém todo esse tráfego de tantas carretas não há proteção às vidas humanas, desde Belterra até a estação rodoviária de Santarém, Nenhuma lombada, nem pardal, nem sinalização. São cerca de 40 carretas circulando por dia no trecho sem proteção à s vidas. A empresa diz que a responsabilidade não é dela, o prefeito diz que não é dele, a Polícia rodoviária federal diz que não é dela a responsabilidade pela segurança do tráfego no Tabocal, em São José, Cipoal, e descendo a serra de Piquiatuba. Os moradores estão acomodados até que mais pessoas sejam acidentadas e mortas para haver gritos e lamentações.  Agora na outra ponta da cidade, outras empresas forasteiras forçam a barra para invadir uma Área de Proteção Ambiental na boca do lago Maicá. Mesmo com ração de lideranças dos bairros ameaçados vereadores e prefeito se calam e até apoiam a destruição da casa Comum.

 

Os e as eleitoras que se preocupam com Nossa Casa Comum, como é que vão escolher candidatos/as a prefeito, e vereador/a? Certamente todos esses que estão com mandato querem ser reeleitos, mas se deixam destruir nosso patrimônio comum merecem nosso voto?

Esta é uma amostra de que a Campanha da Fraternidade passou e os problemas da Casa Comum só aumentam. Deus entregou o paraíso e disse cuidem e usufruam. Mas quem está usufruindo? E quem está cuidando desse paraíso?

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