Mês: julho 2016

Análise da semana em 30.07.2016

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 30.07.2016

Nossa Casa Comum é responsabilidade de todos. Se é verdade,  então temos que olhar e cuidar de toda a casa. Infelizmente, como acaba de afirmar na quarta feira passada, o Papa Francisco em Polônia – “ O mundo está em guerra porque perdeu a paz. Ela é resultado de uma catástrofe política na qual todos se deram mal”. O papa Francisco se referiu à crise da Europa, que recusa acolher milhões de refugiados da África e do Oriente Médio, fugindo da guerra e da fome. Mas aqui na América do Sul, a guerra também está viva. O ex presidente do Uruguai Pepe Mujica, afirmou nestes dias em Curitiba que: “o crescimento econômico só se justifica se ocorrer para o desenvolvimento da felicidade humana. Fomos transformados em uma máquina de consumismo. A acumulação capitalista necessita que compremos, compremos e gastemos e gastemos. Vendem mentiras até que te tirem o último dinheiro”.

A catástrofe mundial atinge o Brasil. Aqui também estamos em guerra. A desmoralização da política, os roubos do dinheiro público, o golpe parlamentar que afastou a presidenta eleita, o lava jato, os escândalos de políticos com altos salários e desrespeito aos eleitores, o governo interino cortando direitos  dos trabalhadores e dos pobre para favorecer o agro negócio e os empresários e banqueiros, tudo isso é uma guerra injusta.

A catástrofe se aproxima da Amazônia e do baixo Amazonas. A cidade de Altamira hoje, é um triste espelho para os povos de Itaituba e do Tapajós. A construção goela abaixo de Belo Monte, se tornou horrível monstro para os povos do rio Xingu. Altamira uma bela cidade xinguana hoje é caos, inchada passando de 100 mil para 160 mil moradores,  com povo sem emprego, sem assistência a saúde,parte dele sem moradia dignia.

Agora o governo interino de Michel Temer teima em anunciar que em agosto irá abrir leilão para construção da hidroelétrica de São Luiz do Tapajós. Mas sabe ele, que no Tapajós não se repetirá a desgraça do Xingu. Os povos unidos dirão que “saberás que um filho teu do Tapajós não foge á luta” . Sindicatos, pescadores, ribeirinhos, povo Munduruku, moradores das cidades tapajônicas, estão se unindo para resistir. Como diz um munduruku, “queremos paz, mas se o governo quer guerra vai ter guerra”, o rio Tapajós que é nossa vida não pode ser destruído. Nos dias 27, 28, 29 deste agosto, vai acontecer uma demonstração de nossa capacidade de unir forças. Será a Caravana em defesa dos povos e culturas do rio Tapajós, na cidade de Itaituba. Certa de mil lutadores estarão reunidos do alto, do médio e do baixo Tapajós, caravanas de Mato Grosso, do Xingu, de Trairão, cerca de 400 militantes irão de Santarém para momentos de esclarecimentos, testemunhos, e formação de uma estratégia comum de resistência ao perverso plano do governo federal.

Mas não é só essa notícia  de bem. Outro sinal de vida e de cuidado com nossa casa comum está acontecendo nestes dias  em Santarém. A luta em defesa dos moradores de nove bairros ameaçados pelo desastroso projeto de portos graneleiros na área do lago do Maicá. Esta é outra guerra entre as ambições de lucro de empresas forasteiras e direitos dos moradores da cidade de Santarém. Além de violentar a paz dos moradores, as empresas querem violentar a Área de Proteção Ambiental, APA  invadindo a boca do lago do Maicá. Corre nestes dias um abaixo assinado dos lutadores em defesa da vida, para pressionar a Câmara de Vereadores a regulamentar a lei da APA, impedindo assim a destruição da área.  Quem respeita os direitos humanos deve assinar esse documento que será enviado à Câmara de vereadores nos próximos dias.

O mundo está em guerra, como bem afirma o Papa Francisco. O Brasil está em guerra, Santarém está em guerra  . Mas a paz é possível, desde que ela seja construída por todos os ameaçados das várias guerras.

Povos do rio Tapajós resistem aos projetos hidroelétricos

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Povos do rio Tapajós resistem aos projetos hidroelétricos

Edilberto Sena

Movimento Tapajós Vivo

Santarém, Pará – julho 2016

O rio Tapajós  é vida para mais de um milhão de brasileiros/as. Não só para estes povos, mas  também para a rica biodiversidade da Amazônia. A bacia hidrográfica é composta de vários igarapés e rios, entre os quais se destacam, Jamanxin, Teles Pires e Juruena. Para os povos que habitam esta bacia hidrográfica o rio é estrada, cozinha, banheiro e paisagem paradisíaca.

Hoje existe ali uma guerra de baixa intensidade. De um lado, o governo federal comprometido com o PAC, programa de aceleração do crescimento econômico do país. Do outro lado, os povos do oposto PAC, programa dos ameaçados pelas construções faraônicas.

O PAC do governo federal visa o rio Tapajós, como gerador de energia elétrica, que seus funcionários chamam de energia limpa, uma falácia para iludir ingênuos. Afinal, hidroelétrica gera energia limpa lá na ponta, mas aqui na fonte gera impactos irreversíveis, como bem ilustram as usinas de Jirau, Belo Monte e outras já funcionando. O perverso PAC do governo prevê 43 grandes e médias barragens na bacia do Tapajós. A mais próxima de Itaituba que mais assusta os povos tradicionais do  da região, é a de chamada de São Luiz do Tapajós. Terá barreira de 7 quilômetros fechando o rio, gerando imenso lago de 732 quilômetros quadrados rio acima, metade dele inundando florestas, invadindo a estrada Transamazônica, alagando 10 mil hectares do Parque Nacional da Amazônia. 150 famílias da comunidade Pimental, entre outras,  serão expulsas de suas raízes porque o local será inundado.

No verão passado o Tapajós secou tanto que o encontro das águas em frente a cidade de Santarém, cantado em versos e músicas, foi empurrado cinco quilômetros rio acima da cidade. Uma das causas de tamanha seca foi uma barragem já construída no rio Teles Pires, que diminui o fluxo das águas no rio Tapajós. O rio Amazonas invadiu  além da cota ordinária.

Do outro lado deste campo de guerra, estão os e as militantes de vários grupos e movimentos sociais da região. São os que resistem a todo custo, a essa perversidade do sistema. São ribeirinhos, Munduruku,  Movimento dos atingidos por Barragens, MAB, Movimento Tapajós Vivo de Santarém e Itaituba, MTV,  beraderios, Pastorais sociais das igrejas e sindicatos de trabalhadores rurais. São os que estão comprometidos com a Casa Comum, nosso rio e nossa vida.

Nesta guerra ainda de baixa intensidade, os agressores ligados ao governo já usaram helicópteros, força nacional e empresas pagas para iludir os ribeirinhos com promessas de compensações. Também  utilizam o apoio   da justiça federal, que justifica uso da suspensão de segurança, uma excrecência da ditadura militar, para justificar a necessidade de destruir rios e populações a fim de acelerar o crescimento econômico.

Do lado de cá desse front, os militantes da resistência trabalham com formação da consciência cidadã de moradores das comunidades ribeirinhas e urbanas. Sem armas  de fogo, usam a formação de novos militantes, porque confiam que quanto mais moradores se unirem, serão capazes de enfrentar as armas do governo. Com cartilhas, vídeos e testemunhos de quem já sofreu impactos em outras barragens vão formando grupos, discutindo formas de enfrentamento.

Pouco a pouco vai crescendo a resistência. Hoje o povo Munduruku  está na frente com sua própria organização. Já construiu seu Protocolo de Consultas, como requer a convenção 169 de Organização Internacional do Trabalho, OIT. Suas lideranças já foram a Brasília e disseram ao Ministro como eles querem a consulta, que não é a forma pretendida pelo governo. Outro grupo, o Movimento Tapajós Vivo MTV, em Santarém e Itaituba tem realizado vários estudos e seminários de formação, tendo como espelho os impactos das hidroelétricas de Santo Antônio no rio Madeira e Belo Monte no rio Xingu ilustrando as mentiras do governo, que promete desenvolvimento mas deixa desgraças para os povos da região.

Dentro da estratégia de resistência, o MTV e vários grupos estão preparando a segunda Caravana em defesa dos povos e do rio Tapajós. Vai acontecer na cidade de Itaituba de 26 a 28 de agosto. Cerca de mil participantes estão sendo esperados do alto, do médio e do baixo Tapajós, do Mato Grosso, do Xingu, das cidades tapajônicas. Haverá mesas de diálogos, testemunhos de resistência já em andamento, atividades auto gestionadas. Ao final do encontro deverá ser construído um documento acordo de todas as organizações lutadoras presentes a formar uma estratégia comum de enfrentamento aos projetos barragens no Tapajós. Também uma carta dirigida ao Papa Francisco deverá ser assinada por várias organizações presentes convidando o papa a visitar o Tapajós em sua vinda ao Brasil no próximo ano.

As lideranças sabem que essa guerra é desigual,  mas sabem também que convicções, e unidade na luta podem vencer o monstro do capital.

Plano interino que destrói vidas na Amazônia

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Editorial – RNA – 20.07.2016

O que será de uma família ribeirinha, lá em Barcelos, no Amazonas, ou em Coroatá no Maranhão, ou mesmo na cidade de Guajaramirim em Rondônia, se o plano perverso do governo interino de Michel Temer for executado?

Segundo esse plano dele e de seu ministro da fazenda Henrique Meireles, é preciso fazer cortes profundos  nos gastos do governo, pra levantar a economia. Isso implica entre outros cortes, o esvaziamento do Sistema Único de Saúde. O SUS já vem capengando há um tempo, pessoas necessitadas esperam até meses por um tratamento médico mais exigente. Porém o governo interino vem dando sinais de que o que importa agora é salvar a economia, equilibrar as contas públicas.

Mas em vez de cortar os ganhos dos ricos, decide empobrecer os mais pobres. Além de planejar cortar recursos da saúde, incluindo o SUS, agora se vê obrigado  a dispensar dois mil e quatrocentos médicos cubanos, do programa mais médicos. Isto porque o governo cubano tem compromisso sério com a justiça social e seus médicos são solidários com países onde os governos tem compromisso com a saúde dos pobres.

Então, como  Michel Temer  não liga para os pobres o governo cubano retira seus médicos ao final do contrato de três anos. Michel Temer anuncia que vai substituir por médicos brasileiros no programa mais médicos. Quais os médicos brasileiros que topam ir lá na Boca do Acre, ou em Cruzeiro do Sul, ganhando dez mil reais por mês trabalhando 8 horas por dia?

Por isso a pergunta inicial, o que será dos pobres brasileiros neste novo governo que se apossou do cargo com o impeachment de Dilma Rousseff? Tem jeito? Tem sim, se os e as eleitoras da Amazônia acordarem e começarem a mudar prefeitos e vereadores que nunca mostraram compromisso com os direitos e necessidades dos pobre s desta Amazônia e deste país. E acordados se unirem aos que estão pressionando para uma mudança mais profunda do sistema de democracia falsificada com políticos irresponsáveis decidindo a vida dos brasileiros. Uma outra democracia é possível, com cidadãos lutadores.

Uma pequena análise para América latina

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Duas vezes ao mês me pedem uma pequena análise para rádio da Associação latino americana de educação radiofônica sobre o Brasil. Colegas fazem as suas da república Dominicana, Argentina, Equador, Venezuela e Colômbia. Eis a mais recente que enviei

Análisis de Contacto Sur – 07/16/2016

Sólamente se agrava la crisis de la población brasileña. Mientras que los diputados y senadores juegan para defenderse de acusaciones graves de robo y sobornos, y el presidente se dedica a gobernar para las élites del país, antes de que se destruirán los pocos beneficios sociales de los últimos 14 años. Justo en esta alianza del gobierno interino Michel Temer acelera la aprobación de una enmienda constitucional, para la congelación del gasto público durante los próximos 20 años.

Esto significa que la educación, la salud y los derechos indígenas, entre otras cuestiones graves, tengan  el mismo valor durante 20 años. Es como si mantenga el número de jóvenes sin aumentar el número de escuelas y el número de pacientes fueran el mismo durante este período com los mismos hospedales. Esto és uma violación absurda de la gobernabilidad democrática. En el caso de los derechos de los pueblos indígenas la situación sólo empeora.

Desde hace tiempo que los gobiernos violan los derechos constitucionales de los pueblos indígenas. La Fundación Nacional del Indio,FUNAI, cuya misión es cuidar de sus derechos, está abandonada a tal punto que el presidente Michel Temer trató de nombrar a un general del ejército para dirigir el organismo.

Sin embargo, las reacciones de los diversos pueblos indígenas han sido dignas de aquellos que conocen sus necesidades y demandan respecto. En estos días 130 representantes de varias naciones indígenas se encontraban en Brasilia, se cerraron las puertas de la FUNAI a continuación, se marcharon al Ministerio de Justicia, entregaron un documento con las demandas por el respeto de sus derechos. También en Manaos, capital del estado de Amazonas, 600 indígenas hizo protesta contra el nombramiento de un general del ejército al presidente de la Funai como tambien la necesidad urgente de demarcación de sus tierras.

Los gobernantes de antes y de hoy siempre haun expresado desinterés en el cumplimiento de la demarcación de las tierras indígenas. Esto porque están comprometidas con la minería, la agroindustria, los acienderos. Esta indiferencia de los gobernantes se traduce en graves conflictos sobre todo hoy en Mato Grosso do Sul. En ese estado son 60 de cada cien indios muertos en el país. Sólo en 2014 fueron 138 homicidios de indígenas y 135 suicidios, la mayoría de ellas a causa de la desesperación por la falta de presencia y protección del estado brasileño.

 

 

Para onde estão levando os pobres do país

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Análise da Semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 17.07.2016

O que vai acontecer nas vidas dos povos e da mãe natureza, em nossa região? Não se sabe o grau, mas certamente haverá muito mais sofrimento e conflitos sociais.

Esta é uma previsão realista, a partir do que o governo ilegítimo de Michel Temer está executando lá em Brasília. Não será apenas para nós do Oeste do Pará, mas todo o país. Imagine, com um bando de políticos picaretas, o presidente interino está planejando criar leis de mais arrocho  ao povo pobre. Inclusive agora quer mudar a constituição nacional, para manter o mesmo tanto de recurso federal de hoje para gastos públicos por 20 anos. Que significa isso?

Já estão faltando recursos hoje para saúde, educação, estradas, direitos dos povos indígenas e quilombolas. O que será daqui a 10 anos, quando cresce o número de estudantes, cresce a população e aumentam as necessidades de médicos e leitos nos hospitais? Vão acabar com o Sistema Único de Saúde que está precário. O governo ilegítimo está diminuindo a possibilidade de garantir o auxílio doença, quer dilatar o prazo para  aposentaria  só aos 65 anos. Para mais desprezo aos povos indígenas, além de cortar verbas para manter a FUNAI, querem nomear um general do exército para presidente do órgão, que deveria defender os direitos indígenas. Isto é, as poucas melhorias conquistadas pelos trabalhadores e mais pobres, estão na lista para serem cortadas em seu orçamento. Para ampliar as desgraças o governo interino quer privatiza Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco da Amazônia e outras empresas estatais. Já o IBAMA, INCRA, ICMBIO estão na lista para serem esvaziados.

Será isto fantasia? Por que tanta perversidade para maioria dos brasileiros? É que os empresários, ruralistas do agro negócio e as mineradoras, já estão inquietos com as poucas conquistas garantidas pelos governos populares em 14 anos aos mais pobres. Querem tudo para eles, tanto é que o Michel Temer nomeou um banqueiro para ministro da Fazenda, Meireles, um latifundiário do agronegócio da soja para ministro da agricultura, Blairo Magi entre outras figuras do sindicato dos propineros para outros ministérios. Ao mesmo tempo, nesses 14 anos os governos populares se lambuzaram nas maracutaias também, uns estão presos, outros estão investigados. Isto foi a porta aberta para as oligarquias ricas usarem as acusações, os picaretas do congresso nacional e juízes e ministros do Supremo Tribunal Federal para derrubar o governo Dilma e entronizar Michel Temer, servo fiel.

Mas nem tudo está perdido. Onde reina o espírito da maldade, surge o anjo da resistência. O exemplo está sendo dado pelos povos indígenas,  na esperança de serem seguidos pelos movimentos populares, os sindicatos, as igrejas, associações de bairros. Vale aqui o ditado popular – Povo Unido Jamais será vencido. Em outros estados do Brasil as organizações populares já estão se organizando e resistindo.

Os povos indígenas estão na frente. Um grupo de representantes de 30 povos indígenas esteve nesta semana em Brasília, ocuparam a sede da FUNAI, foram até o Ministro da Justiça exigindo respeito a seus direitos; em Manaus e Santarém povos indígenas foram ao escritório da Funai e pelas ruas, exigindo também respeito a seus direitos. Em 25 cidades do país, os povos indígenas se manifestam contra esses absurdos do governo ilegítimo de Michel Temer.

Agora é a vez  dos movimentos sociais também mostrarem força ao governo, em defesa do rio Tapajós e seus povos. No próximo mês vai acontecer a Caravana até a cidade Itaituba, nos dias 26, 27, 28 de agosto teremos ocasião de juntar mil militantes de várias partes da região para dizer ao governo – este rio é nossa vida, aqui não se entra para destruir, fora hidroelétricas. Afinal de contas – quem morre calado é sapo debaixo do pé do boi. Não é isso? Então vamos lá, os Munduruku nos chamam.

Análise da semana para o rádio santareno

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Análise da semana – nossa Voz é Nossa Vida – 10.07.2016

Esta análise da semana pretende ser positiva e realista para animar os espíritos amazônicos e cristãos. Afinal é difícil, mas importante nossa luta em defesa da vida e dos povos da Amazônia e da mãe natureza. Aliás já o mestre Jesus afirmou certa vez – que envia seus seguidores à sociedade como ovelhas ao meio de lobos.  Hoje como lá os lobos e carcarás estão vorazes e se devorando na política, nos negócios e nas invasões das cidades e florestas de nossa Amazônia. Acontece que somos dos grupos que acreditam que é possível se construir um outro mundo possível, onde prevaleça a solidariedade, a honestidade e o respeito pelos direitos dos outros.

Então, na semana que passou, um dos acontecimentos  positivos que merece uma análise foi um encontro da coordenação da Caravana 2016 em defesa dos povos e do rio Tapajós. Foi la na cidade de Itaituba, onde em agosto próximo vai acontecer a Caravana. Já é o segundo encontro de uma coordenação ampliada de 20 militantes de Itaituba, Santarém, Munduruku, e de outras comunidades tapajônicas. Como o evento tão importante deve juntar cerca de 800 a mil pessoas de várias partes da Amazônia, é preciso haver uma boa organização para: local de concentração, hospedagem, alimentação, logística de viagens, entre outras responsabilidades. O grupo da cidade responsável pela recepção e outras atividades; já o grupo de Santarém, se ocupa da logística de viagens de barcos e de onibus. Organização da metodologia do encontro de dois dias e meio, com exposições, debates, grupos de trabalho e encaminhamentos das conclusões. Além das mesas de temas centrais ligados á resistência aos projetos hidroelétricos, haverá várias atividades ditas auto gestionadas com sub temas ligado às questões da resistência. As inscrições dos participantes  e convites a assessores de exposições já devem ser feitas durante o mês de julho e até o dia 15 de agosto via internet pelo site Tapajós Vivo, ou diretamente na sede do GDA em Santarém e na sede do SINTEPP em Itaituba. São esperadas delegações de Jacareacanga, Trairão, Mato Grosso, Xingu,, uma grande delegação de parentes Munduruku do alto e do médio tapajós.

Um outro acontecimento que merece nossa análise foi um estudo de capacitação de lideranças populares. Isto aconteceu no centro Emaús em Santarém promovido pela FASE Pará. Participaram 50 militantes de vários municípios do Baixo Amazonas. O estudo de dois dias visava ampliar os conhecimentos e formas de enfrentamento sobre a democracia que temos hoje e a que queremos em nosso país e município. Isto porque quem se empenha e enfrentar lutas pelo bem comum e de seus e suas companheiras precisa compreender bem em que campo minado se está caminhando. Afinal estão como ovelhas no meio de lobos e carcarás. A democracia que temos é só uma mentira oficial, onde as populações pagam impostos, elegem políticos que depois ignoram seus eleitores.

Uma outra conjuntura atual que merece uma análise, é a proximidade das eleições municipais em nossa região e no país todo. Pelos políticos envolvidos em roubo do dinheiro público, propinas e outras maracutaias, não se pode mais cometer os mesmos erros de votar por votar, ou a troco de algum favor. Se um vereador passou  quatro anos ganhando um salário e ficando submisso aos interesses de prefeito, como  também prefeito que passou quatro nãos sem realizar um mandato honesto, competente e fiel ás necessidades da população, devem ser excluídos de nova eleição. Não se pode continuar errando, pois pagamos um preço caro e ficamos responsáveis por maus políticos se elegendo. Daí que é preciso desde agora cada eleitor/a observar as figuras que se apresentam em busca de voto. Quem mesmo merece seu voto? Deixar para a última hora é irresponsabilidade de eleitor/a. Mais grave é, que vota a troco de favor é tão corrupto quanto os deputados federais em Brasília hoje envolvidos no lava jato.

Essas análises podem nos ajudar a refletir bem, tomar consciência e assumir cidadania.