Mês: agosto 2016

Primeira avaliação da Caravana em defesa do tapajós e seus povos

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Avaliação interna da Caravana (pessoal) – 30.08.2016

  1. O milagre aconteceu na Caravana em defesa dos povos e do rio Tapajós. Aliás, não um mas vários milagres. O primeiro a salientar foi o trabalho coletivo da coordenação em organizar um evento desta envergadura, sem ter recursos próprios. Com o idealismo, a generosidade e dedicação nossa equipe de organização, em Itaituba e Santarém estamos de parabéns, sem falsa modéstia. A Caravana não teria êxito, como teve, sem essa fidelidade coletiva. Demos uma aula a nós mesmos de que sendo capazes de servir a mil e cem participantes, com convocação, hospedagem, alimentação e toda a logística; se fomos capazes de organizar dois dias e meio de atividades voltadas para o fortalecimento da resistência em defesa de nosso território, somos capazes também de juntar todas as forças defensoras do Tapajós e seus povos, numa estratégia eficiente e eficaz para impedir os projetos desastrosos n bacia do grande rio.
  2. Sobre o decorrer da Caravana, numa avaliação inicial destaco alguns pontos. Um deles, que superou expectativas foi a presença de mais de mil participantes, com 550 da região de Santarém, 45 da bacia do Jururena, 130 munduruku do alto e vários do médio. Frágil foi a presença de moradores da cidade de Itaituba. Importante a participação de companheiras/os de Óbidos, Alenquer, Oriximiná, Juruti e Lago Grande do Curuai. Frágil também a presença de moradores do município de Aveiro.
  3. Chamou a atenção a grande presença da juventude, tanto da cidade de Itaituba, quanto das outras áreas, com destaque para os de Santarém, mas também muitos jovens munduruku. Isso nos enche de esperança porque a juventude pode garantir maior força na resistência.
  4. Os moradores da cidade de Itaituba infelizmente não corresponderam à nossa expectativa. A Caravana foi indicada para a cidade com a intenção de mexer com os moradores desinformados e até iludidos. Mesmo com fraca participação, eles e elas tiveram de saber que algo importante aconteceu em defesa deles/as e do território. Afinal a organização promoveu informações pela televisão, pela rádio comunitária, pelo carro som, pelos outdoors e também pela passeata na sexta feira, longa e bem motivadora. A massa entusiasmada pela longa trajetória deu o recado.
  5. As atividades durante os dois dias e meio saíram 100 por cento positivas. As mesas de conversa, os testemunhos, o painel integrado, os grupos de trabalho, tudo saiu bem e o público permaneceu atento e participativo. Resta agora dar continuidade às conclusões dos grupos de trabalho para avançar na caminha unida de resistência.
  6. Também foi positiva a presença de vários aliados/as de nossa luta. Uns vieram de Belém, do Xingu, de São Paulo, do Rio de Janeiro, da Europa e dos Estados Unidos da América do norte. Havia jornalista, produtores de vídeo. Três desses aliados apoiaram com recursos financeiros e a cartilha educativa, que foi um trabalho coletivo, entre o Movimento Tapajós Vivo e o Núcleo de altos estudos da Amazônia, NAEA de Belém.
  7. Fez falta a presença do bispo e da pastoral social da prelazia de Itaituba. Por algum motivo extra, estiveram ausentes. Precisamos coloca-los a par das conclusões da Caravana para que eles se integrem na caminhada, que esperamos ser mais unida e estratégica. A hierarquia da Igreja Católica foi bem representada pelo bispo de Santarém, D. Flávio Geovenale e pelo superior dos frades franciscanos, frei Francisco Paixão. Fez falta no momento de mística espiritual a ausência dos pastores protestantes que foram convidados mas por algum motivo não compareceram. O pastor Haroldo de Sai Cinza, teve que se ausentar na véspera por motivo de doença de sua filha, mas com sua esposa dona Márcia participaram de alguma forma.
  8. Por fim, vale salientar a carta assinada por 48 representantes de grupos e entidades presentes na Caravana. Ela vai ser enviada ao Papa Francisco convidando-o a fazer presença no tapajós no próximo ano. Um parágrafo dela para encerrar a avaliação: “Sua presença aqui no tapajós no próximo ano, será um grande reforço moral à nossa resistência. Vir ao Brasil em 2017 é uma força, vir a Itaituba e missão São Francisco dos Munduruku será um reforço dobrado para unir ainda mais os indecisos, para que nossa resistência obrigue o governo e os donos de projetos destruidores a pararem a destruição”.

 

Edilberto Sena, membro da organização da Caravana 2016

O clima da natureza está esquentando mais, porém mais grave ainda é…

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Analise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 07.08.2016

O clima da natureza está esquentando mais e mais. Em algumas horas do dia está chegando a 36 graus C`. Porém mais grave ainda é a subida do clima sócio político do país, mesmo com o circo das Olimpíadas em casa. As consequências deste clima são cada dia mais graves para os trabalhadores e os pobres. A democracia também sofre graves violações oficializadas por um congresso  cheio de políticos ficha suja, como também alguns ministros do governo interino. Dilma Roussef está à beira de ser expulsa de vez  da vida pública pelo impeachment político. O comandante do golpe parlamentar assumirá de vez o cargo de servidor da ditadura do capital. Os direitos sociais e várias leis constitucionais estão ameaçados pelo novo sistema de governo.

É nessa conjuntura tenebrosa que surge de repente uma surpresa luminosa. O que não aconteceu no rio Xingu, com a monstruosa hidroelétrica de Belo Monte, se conseguiu nestes dias com uma decisão do IBAMA de arquivar a licença ambiental para o projeto São Luiz do Tapajós.

Esta é uma notícia esperançosa para os movimentos populares, que vem lutando e resistindo a  esses crimes previstos pelo governo federal para a Amazônia e o Tapajós em especial. Afinal, este arquivamento da licença decretado pelo IBAMA é bom e definitivo, ou não? Depende, claro que é bom sinal, vencemos uma batalha, graças as pressões do povo Munduruku e dos movimentos populares do Tapajós. Porém, a guerra não terminou. O atual governo interino está acuado com tantos problemas políticos, financeiros e administrativos, que acabou aceitando o arquivamento da licença ambiental. Mas arquivar significa apenas que foi suspensa, colocada na gaveta. Nada impede que daqui a uns meses o governo federal desarquive o processo e insista no crime da barragem São Luiz do Tapajós. Afinal, essas hidroelétricas no Tapajós interessam às mineradoras, ao agronegócio e às indústrias do sul do país.

Por isso, ao mesmo tempo em que festejamos a vitória dessa batalha do licenciamento, não se pode cruzar os braços. A luta deve continuar. Alguém ao ouvir a notícia, perguntou se a Caravana do Movimento popular estaria cancelada por não ser mais necessária. Resposta é não! A Caravana em defesa dos povos e do rio Tapajós vai acontecer como prevista, nos dias 26, 27 e 28 deste mês lá na cidade de Itaituba. A coordenação da Caravana está organizando tudo para receber cerca de 800 participantes. Já confirmaram presença caravanas, do Mato Grosso, Xingu, Óbidos, Lago Grande do Curuai, Resex Tapajós Arapiuns, Santarém, Trairão, Povo Munduruku do alto e do médio Tapajós, Aveiro, entre outros. Dois barcos e um ônibus sairão de Santarém na véspera, conduzindo 400 participantes. Até o próximo dia 15 as inscrições estão abertas. Para viajar na Caravana é necessária a inscrição prévia por causa da lotação.

Itaituba poderá ter outros 400 participantes durante os dois dias e meio. Para isso a coordenação está divulgando o evento e convocando a população local. Será um momento forte de união de forças populares, testemunhos de lutadores de outras frentes de resistência, e maiores esclarecimentos sobre os perversos planos do governo e de como se pode impedir tais crimes, como Belo Monte é o espelho mais próximo do Tapajós. Ao final se esperam duas decisões, uma carta convite ao Papa Francisco para no próximo ano visitar o Tapajós. Ele já deu sinal de interesse a uma carta assinada por várias organizações sociais dará mais motivação a ele. A outra decisão será um acordo para unir rotas as organizações que lutam pela defesa dos povos do tapajós para uma resistência mais forte, todos por um e um por todos.

Se Nelson Mandela e seus companheiros venceram a escravidão negra na África do Sul, os povos do Tapajós podem vencer a escravidão que quer impor a ditadura do capital no território regional.