Mês: novembro 2016

IMAGINE FIDEL ENTRANDO NO CÉU

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IMAGINE FIDEL ENTRANDO NO CÉU

Edilberto Sena – Novembro de 2016

Vivendo a sociedade hoje num mundo manipulado pela ideologia neo liberal  fica difícil a maioria das populações  ter uma visão objetiva sobre as pessoas e as relações entre nações e dentro do próprio país.  Os meios de comunicação são os grandes instrumentos de manipulação das consciências. Há demais informações, porem, a maioria de difícil objetividade, já que os canais estão sob controle do sistema neoliberal.

De acordo com a essência do Projeto de vida de Jesus Cristo, há dois critérios básicos para alguém alcançar a felicidade eterna – ter fome e sede de justiça para si e para os outros. O outro critério é ser totalmente solidário com os outros. Esses dois critérios estão firmados no Evangelho de Mateus nos capítulos 5 e 25.  É como se cuida de quem, tem fome, está com sede, está nu, ou prisioneiro, quem é estranho, ou estava doente, isso é a chave da entrada no Reino.

Interessante que o mestre Galileu não incluiu critérios como, rezar, participar de culto, ou missa, nem participar de procissão. Essas práticas são interessantes  mas secundárias. Ele não construiu doutrina, mas anunciou boa notícia aos pobres.

Seguindo essa lógica, não se pode duvidar que o Comandante Fidel Castro  já tenha entrado no Reino, com carta branca. Quem se baseia apenas em critérios de doutrina e religiosidade pessoal terá dificuldade de pensar Fidel no céu. Afinal, ele era ateu e comunista, foi rígido com os opositores da revolução cubana. A burguesia que vivia de explorar os pobres saiu fora, os que agarrados à sua riqueza ficaram  e quiseram  prejudicar a revolução, foram presos e os mais recalcitrantes foram  mortos.

Mas levando em conta os dois critérios do projeto de Jesus de Nazaré, não se pode por em dúvida a recepção a Fidel no céu. Na sua ficha corrida consta que ao logo de 50 anos a vida da maioria do povo cubano mudou de água para vinho. Isso mesmo com toda a perseguição imposta durante todo esse tempo pelo império norte americano, com embargo comercial, dezenas de atentados para assassinar o comandante. O povo cubano não está num paraíso, mas da era do ditador Batista para hoje a mudança é muito grande.

Segundo fontes insuspeitas como a Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Mundial da Saúde (OMS), Banco Mundial (BM), entre outros, Cuba:

  • Tem o segundo melhor índice de desenvolvimento humano (IDH) da América Latina;
  • Tem o melhor sistema educacional da América Latina; (BM)
  • Tem o sistema de saúde modelo mundial. (OMS);
  • É o segundo país menos violento da América Latina (ONU)
  • Alfabetização é de 99,9%;
  • O desemprego nos últimos 13 anos foi de 1 a 3 % (Brasil hoje 6,5%)
  • Desnutrição infantil – 0%
  • Expectativa de vida – 79 anos (Brasil 72 anos)
  • Um médico para cada 160 pessoas (Brasil um médico para 500 pessoas)
  • Estas as principais demonstrações no país de Fidel,

Então, com esta folha corrida Fidel passou direto ao céu onde hoje está alegre batendo papo com seus principais companheiros, depois claro, de ser recebido com grande abraço pelos donos  da casa, o Galileu de Nazaré e o Pai Eterno para surpresa do antigo ateu. Entre os companheiros mais chegados que o abraçaram e sentaram para saber das coisas de Cuba e do mundo estavam:  Che Guevara, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi, Patrice Lumumba  do Ex Congo Belga, seus subcomandantes da Sierra Maestra, Darci Ribeiro, Pe. Josimo de Imperatriz Ma, Marighela que aprendeu a lutar por liberdade no Brasil com Fidel, entre outros loucos audaciosos lutadores por justiça e paz de verdade. A fila de seus admiradores, que entraram antes no céu pelos mesmos critérios, estava interminável, todos querendo abraçar o maior líder popular do planeta no século vinte.

Enquanto aqui na terra, os ingênuos, os deformados pelos grandes meios de comunicação, principalmente os canais de televisão, preferem  acreditar nos Bolsonaros  da vida e no Jornal Nacional . Não levam a sério o Evangelho de Jesus. Ave Fidel! Os anjos e santos te saúdam.

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Se até os bispos da Amazônia reconhecem…

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 20.11.2016

O que começa a ocorrer nestes dias em Santarém, Belém, se alastrando pelo país, é consequência da ditadura, executivo, parlamentar e judiciária. O atual presidente está brincando com fogo e pode se queimar em breve. Mais de mil escolas, e 20 universidades estão ocupadas por estudantes e professores. No meio desta semana poderá haver uma paralisação ainda maior incluindo sindicatos, escolas, órgãos públicos. O governo acuado faz ameaças com polícias, com cortes de dias de trabalho de servidores que entrarem em greve.

A história confirma que impérios desaparecem, ditaduras são derrubadas, povos escravizados, ou humilhados mais cedo ou mais tarde, se rebelam. Assim surgiram as revoluções  na África do Sul, em Angola, em Cuba, na Cabanagem do Pará em 1835, entre outras. Só os ingênuos e os oportunistas se escandalizam com as greves e ocupações de prédios públicos neste momento. Também se incomodam os bem de vida e os políticos que se beneficiam com as reformas impostas pelo governo interino. Um caso ilustra bem este tipo de reacionarismo. Em Goiás, um pai, engenheiro tentava impedir seu filho estudante de participar da ocupação da escola. Mas o filho resistia. Um dia desses tiveram uma forte discussão, o pai tentando impedir o filho que dizia que tinha que participar da luta. E saiu andando. O pai foi atrás, em plena rua deu tiros e o filho caiu baleado, o pai chegou perto deu mais dois tiros, deitou sobre o corpo do filho e se matou.

Em Santarém, um grupo de reacionários vem tentando acabar com as ocupações de estudantes nos campi da UFOPA . Alegam que os ocupantes tem que respeitar o direito dos outros estudarem. Não levam em conta que com a tal PEC 241 o governo vai impedir de milhares de jovens frequentarem universidade por falta de verba para manutenção delas. Assim os que só pensam em seu diploma e no imediato reagem contra os que se preocupam com o futuro das escolas e universidades, como também dos direitos de trabalhadores e clientes do SUS no futuro próximo.

Já o governo Temer está nervoso e preocupado com o aumento dos protestos e das manifestações de greves e de ocupações. Na próxima quinta feira, 24 está sendo programada uma greve geral no país inteiro contra a votação da PEC 241 no senado federal. Vai aumentar o número de escolas paralisadas, operários parados e protestos de rua por movimentos populares. No dia 29 está programada uma invasão do plenário do senado federal por ser o dia da votação da PEC com o nome de 55.

Está faltando que também as associações de moradores, sindicatos dos municípios de Monte Alegre, Óbidos, Curuá, Belterra, Mojuí também entrem na resistência à reforma que vai prejudicar os pobres, estudantes e trabalhadores. Só a sociedade civil unida pode frear os crimes legalizados por um congresso nacional ilegítimo.

Ainda no final de semana a pastoral social da diocese de Santarém realizou um seminário sobre a defesa da Amazônia. Cerca de 10 lideranças dos sete municípios da diocese, junto com alguns padres discutiram durante um dia e meio sobre como enfrentar os projetos de morte que acercam a região. Também ali no seminário religioso  se pensou que não basta ficar lamentando as desgraças chegando e acabando com a vida humana e da natureza. Compreenderam que a Igreja tem responsabilidade de também entrar na luta em defesa da vida. Alguns compromissos foram assumidos e os efeitos devem surgir em breve.

Vale a pena também salientar aqui o segundo encontro de todos os bispos da Amazônia legal que se reuniram durante a semana em Belém. Após reflexão séria sobre como está sendo a dura realidade brasileira com impactos na Amazônia produziram mais um documento compromisso da hierarquia da Igreja católica da Amazônia.. Um trecho de sua mensagem dizem eles o seguinte:

“Os projetos predatórios que aqui se alastram, pelos rios e pelas matas, não levam em conta os direitos da natureza, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais que, desde sempre, convivem em harmonia e respeito com o ambiente, na casa comum, dádiva milenar. O mito do progresso sem limites e do lucro a qualquer custo continuam prometendo o sonho do paraíso aqui na terra, ao alcance de todos. Na realidade, assistimos à exclusão social, à discriminação dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, ao inchaço das periferias pobres das nossas cidades. Unimos a nossa voz a tantos que denunciam que “este sistema exclui, destrói e mata” (Grito dos Excluídos 2016).

Estamos conscientes da nossa responsabilidade de sermos testemunhas da alegria do Evangelho com as nossas vidas e com o compromisso de denunciar os males e de anunciar a esperança do reino de Deus”.

Lendo e ouvindo tal declaração dos senhores bispos causa esperança de que “Povo unido jamais será vencido”. Ainda mais com bispos assumindo seu papel profético nestes dias de sofrimento intensivo.

O fim de um mundo está para acontecer

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Editorial  RNA – 17.11.2016

Diz Jesus  que as guerras e as graves desgraças no mundo, não são ainda o final dos tempos… Porém, na Amazônia os grandes desastres são o final  das florestas, dos rios, da biodiversidade e grande ameaça aos povos tradicionais. Um mundo está sendo dizimado, por mãos criminosas. Como duvidar, se o agronegócio da soja e fazendas já destruiu mais de 120 quilômetros quadrados de floresta, em apenas  25 anos na região? Se o governo submisso ao grande capital planeja destruir rios com 129 barragens hidroelétricas?

Este mundo ameaçado só pode ser salvo se os povos da Amazônia se levantarem, como hoje se levantam estudantes  pelo país afora, em defesa da democracia. Os povos indígenas sozinhos não conseguirão impedir  apocalipse. O sistema não tem alma e  governos não têm escrúpulos, por isso os desastres se acumulam.

Depois dos crimes das barragens de Jirau e Santo Antônio no rio madeira, depois dos crimes hediondos de Belo Monstro no rio Xingu, agora mais crimes e violências estão acontecendo no rio Teles Pires, braço do Tapajós. Notícias vasadas nesta semana através das redes sociais,  dão conta que uma turbina da usina de Teles Pires estourou e grande quantidade  de óleo se espalha rio abaixo em direção ao Tapajós. As águas que servem aos povos Kaiabi, Apiaka e Munduruku já estão envenenadas.

O IBAMA faz de conta  que está surpreso e está investigando as causas do desastre. Será que o IBAMA terá coragem de revelar toda a verdade desse desastre amazônico? Os construtores  da hidrelétrica de são Manoel, na divisa do Pará, abriram as comportas para dar vazão ao óleo poluente que espalha  adiante e em breve poderá chegará a Santarém. Peixes estão aparecendo mortos dentro do rio, inclusive cobras e jacarés.

Esse desastre ocorreu no domingo passado,  mas os grandes canais de televisão nacional não mostraram nada. Hoje se tem esta informação, graças às redes sociais dos povos indígenas daquela região. Enquanto silencia a causa do desastre,  a empresa construtora da barragem está distribuindo água mineral aos indígenas que não podem mais usar água do rio. Este é mais um daqueles horrores que Jesus previu no seu evangelho. Mas ainda não será o fim. Os governos ainda querem ampliar as desgraças nos rios  Tapajós, Trombetas e demais rios de cachoeiras na Amazônia. O único jeito é os povos tradicionais se unirem, se rebelarem contra  esses atores do apocalipse. Isso vai acontecer mais cedo do que pensam os exterminadores capitalistas. Os estudantes estão dando sinal.

Sociedade civil desperta para a resistência

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Análise da semana – Nossa Voz é  Nossa Vida – 13.11.2016

 

Finalmente a sociedade civil desperta com indignação para, tanto a ditadura parlamentar, executiva, judiciária, como suas consequências  para estudantes, trabalhadores e os mais pobres. Alguns sinais desse despertar são as greves, as passeatas, as ocupações de escolas e universidades. Curiosamente até em Santarém, há pessoas que, ou por ignorância, ou por interesses oportunistas, criticam os atos de resistência.

Há poucos dias a Câmara de vereadores de Santarém relutou em escrever uma carta de protesto ao Congresso Nacional, por causa da PEC 241, a pedido de um plenário cheio de participantes. Afinal, a PEC 241 não vai atingir os vereadores que ganham seus R$ 9.500,00 de salários/mês, para três dias de sessão. Em outra ocasião recente, um rapaz bem religioso, protestou contra a ocupação da universidade UFOPA, alegando que aquilo é uma violação do direito de quem deseja estudar. A pessoa parece não se preocupar com os cortes de verbas por 20 anos para as universidades, entre outros cortes.

Eis uma questão a ser esclarecida. Por que essa ditadura do capital é criminosa? Ela não respeita os direitos da população; os representantes  eleitos não representam mais os eleitores. O governo persegue quem resiste à imposição de prejuízos à vida do povo. Eis alguns sinais:

  1. Estudante no Ceará, com 19 anos, outro em Rio Claro (SP), outro em Pedregulho (SP) são algemados pela polícia;
  2. O chefe do Instituto de pesquisas econômicas aplicadas, IPEA, intimida funcionários por divulgarem pesquisas que ao governo não interessa divulgar. Uma pesquisadora foi intimidade ao divulgar que a PEC 241 dará um prejuízo de 743 bilhões de reais à saúde em 20 anos. Por isso pediu exoneração.
  3. Promotor em Tocantins mandou algemar estudante por que ocupava escola;
  4. O Supremo Tribunal Federal, STF reduziu o direito de greve dos servidores públicos em greve. Terão corte de salário.
  5. Ator Caio Martins foi preso porque a polícia se sentiu ofendida em uma peça teatral; Isso aconteceu em Santos há poucos dias.
  6. Juiz autorizou técnica de tortura no Distrito Federal para forçar desocupação de escola.

O advogado e professor Pedro Estevam Serrano afirmou na revista Carta Capital  “As agressões à nossa democracia se banalizam sem causar alarido e, de forma acelerada, retiram direitos e afrontam o Estado democrático de Direito”.

Mais dados para se entender a ditadura parlamentar:

  1. Enquanto o programa Bolsa família atende a 14 milhões de famílias com gastos de 28 bilhões de reais por ano; o judiciário atende a um mil 422 famílias de juízes e ministros do STF e gasta 58 bilhões de reais por ano;
  2. Enquanto a ex presidente Dilma foi afastada do cargo pelo que chamaram de crime de responsabilidade fiscal, as pedaladas, o vice dela, hoje presidente Michel Temer também gastou recursos com pedaladas, além de receber um milhão de reais de empreiteira para campanha eleitoral em 2014, mas continua livre e governando contra o povo.
  3. Hoje, antes da execução da PEC, são 3 milhões de crianças e adolescentes que estão fora da escola. Mas o diretor da polícia federal ganha salário de 40 mil reais e um ministro do STF ganha 46 mil reais mês. Não surpreende que a Ministra do STF Carmem Lúcia veja com simpatia o congelamento dos gastos públicos por 20 anos.

Dá pra entender assim por que estamos vivendo uma ditadura humilhante? E só haverá um jeito de mudar a situação. É mais e mais estudantes, trabalhadores, associações, igrejas tomarem as dores dos humilhados e ampliar a resistência.

Das trevas poderá surgir luz nova

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 06.11.2016

Santarém, Oeste do Pará, e o país inteiro estão vivendo um regime de ditadura parlamentar e judiciária. É muito grave a conjuntura, tanto para estudantes, como para trabalhadores e os pobres. Mas já começam a surgir reações da sociedade civil: manifestações de ruas, ocupações de escolas e de universidades, greves e pressões nos parlamentos.

Quem interpreta melhor suas consequências, garante que vai aumentar a indignação e revolta popular. Em Santarém já houve alguns sinais, como uma manifestação da praça com 5 mil pessoas contra a PEC 241 e pressão sobre a Câmara de vereadores em nome dos eleitores de Santarém. Nestes dias está havendo ocupação da UFOPA, universidade pública.

Por que se afirma que Santarém e o país todo  vivem debaixo de uma ditadura parlamentar e judiciária? Dois sinais explicam essa afirmação. Primeiro, o ministro da educação decreta mudança no currículo do ensino médio, retirando dos adolescentes  e jovens a possibilidade de cultivar visão crítica e filosófica da vida. Saem do currículo matérias como filosofia e sociologia, além de outras duas. Tal decisão aconteceu sem negociação com a sociedade, nem mesmo com as escolas. Outro sinal da ditadura parlamentar, é a votação do projeto de corte nos gastos públicos por 20 anos, a tal PEC 241.

Já foi aprovada na Câmara federal e está no senado, mas sob pressão do governo federal, mesmo com toda a reação nos estados e municípios. Essa famigerada emenda constitucional está feita para prejudicar gravemente estudantes, pobres e trabalhadores. Para isso, querem cortar gastos públicos até o ano 2036. Atinge principalmente, o SUS, a educação, a assistência à saúde em geral, o salário mínimo e até a aposentadoria que passará para 65 anos. E tudo isso, sendo aprovado pelos deputados e senadores, maioria deles acusada de corrupção. Nos próximos 20 anos a população brasileira deve aumentar mais 10 milhões de pessoas, a população estudantil vai duplicar, as doenças também aumentarão, mas as verbas federais serão controladas e não poderão acompanhar esse crescimento de demanda.

Esse esforço do governo Temer recai só sobre os pobres. Os Bancos, as grandes empresas do agro negócio, as mineradoras e fazendas, terão todo apoio do governo, porque dizem eles que esses fazem crescer a economia do país. Além disso,  não falam em diminuir ganhos deles.  O salário limpo, de um deputado federal hoje é de 34 mil reais, fora outras vantagens; 17 mil juízes no país, cada um teve salário e rendimentos de 46 mil reais/mês, no ano passado. E não vai mudar. Um mil e 200 promotores e procuradores de justiça, inclusive no Pará, cada um teve salário  de 33 mil e 700  reais/mês no ano passado e não vai mudar. Um ministro do Supremo Tribunal Federal custa por mês uma fábula de mais de 100 mil reais aos cofres da nação. E não vai mudar.    As maiores empresas de televisão do país, encabeçadas pela Rede Globo, tiveram negociação com o governo Temer sobre suas enormes dívidas com o Estado brasileiro. Além disso, o governo aumentou a publicidade nesses canais de comunicação. Em troca ninguém vê, nem ouve uma análise critica sobre esses absurdos do governo. São só elogios nas notícias pelos canais de televisão Que só vê esses canais está muito mal informado.

Para garantir essa ditadura seus donos usam a repressão contra quem resiste. Segundo informações que não aparecem nos canais de televisão, a Associação de juízes está lutando para acabar com a chamada presunção de inocência de quem é acusado de algum crime; o Ministério Público Federal faz campanha para endurecer a lei e reduzir as garantias dos cidadãos; promotores permitem uso de algemas  em adolescentes infratores e a polícia reprime estudantes em protesto nas escolas, por causa da reforma do ensino médio.

Assim está o Brasil e Santarém. As melhorias alcançadas pelos pobres nos últimos 14 anos, estão indo de águas abaixo. Aumentará a desigualdade social, aumentarão o desemprego e as mortes por falta de atendimento médico. Que fazer? cruzar os braços? Lastimar e xingar apenas? É preciso nos juntar aos que já estão nas ruas, greves e ocupações. Assim, da noite tenebrosa poderá surgir luz e claridade.

Reflexão a partir de um encontro de lutadores sociais da bacia do tapajós

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RESISTIR É PRECISO, PROTEGER NOSSO TERRITÓRIO É URGENTE

A BACIA DO TAPAJÓS É NOSSA VIDA – NÃO É MEU, NÃO É SEU,

 É DE TODOS

TIREM AS GARRAS DESSE NOSSO PATRIMÔNIO

Edilberto Sena,

Membro do Movimento Tapajós Vivo

Santarém, 31 de outubro de 2016

 

  1. A guerra está latente na Amazônia. O Capital comanda o Estado brasileiro e este coloca as riquezas da Amazônia ao dispor desse sistema agressor e sem escrúpulos

O Estado nacional já quebrou o rico e caudaloso rio Madeira, com duas grandes hidroelétricas, Jirau e Santo Antônio. Sem diálogo, sem respeito aos direitos dos povos tradicionais, enfiou goela abaixo dois projetos criminosos e consequências irreversíveis paras os povos tradicionais. Repetiu o assassinato de parte do rio Xingu com esse tal belo monstro. Novamente ignorou os direitos dos povos tradicionais, deixando sequelas sociais muito graves.

Agora o capital e seu servidor governo federal se voltam para a bacia do rio Tapajós. Falam de 43 projetos de barragens, e há quem diga que serão 120 entre PCHs e UHEs. Desses desastrosos projetos, sete são previstos para o rio Tapajós/Jamanxin; cinco são para o rio Teles Pires e 23 são para a sub bacia do Juruena. As outras são projetos futuros.

No rio Teles Pires já construíram uma usina e começam outra na barra de São Manoel, que segundo o professor, Chico Peixe, especialista em estudos de peixes, o Teles Pires já não é mais um rio, mas vários lagos represados. Ali houve e há resistências de povos tradicionais, porém ainda frágeis e enganados.

No rio Tapajós propriamente, o capital e o Estado brasileiro tem insistido em levar adiante a primeira de sete hidroelétricas, São Luiz do Tapajós. Porém não tem sido fácil, pois a resistência popular tem crescido. Ao ponto que o IBAMA se viu obrigado a arquivar o projeto. Porém os grupos organizados não cruzam os braços, pois sabem que arquivar é uma ação temporária. Tanto o povo Munduruku, como os movimentos sociais organizados, Movimento Tapajós Vivo, MTV, Grupo de resistência em Itaituba e Movimento dos atingidos por barragens, MAB estão apresentando formas de sensibilizar as populações que ainda não se deram conta dos desastres consequentes, como são espelhos, os casos de Xingu e Altamira em especial. Esse despertar de consciências tem ampliado a militância na região. Duas Caravanas foram realizadas nos dois últimos anos, uma na comunidade São Luiz do Tapajós e outra à cidade de Itaituba neste ano. Elas serviram muito para unir forças dos que buscam salvar nosso território.

Um sinal da preocupação do governo federal foi o arquivamento da licença ambiental feito pelo IBAMA recentemente. Mas os movimentos não cruzam os braços, pois sabem que esse arquivamento é temporário e pode voltar a qualquer momento. Assim foi com o projeto Cararaô,26 anos atrás no Xingu e que depois se tornou Belo Monstro hoje.

  1. Diante dese cenário de guerra entre a ditadura do capital e os povos tradicionais da região, o encontro Festival Juruena Vivo, ocorrido nesta semana, de 27 a 30 de outubro, foi um passo importante para a conjugação de forças. Juara, onde ocorreu o festival, é uma cidade polo na região de Juruena. Presentes vários grupos de movimentos populares, 12 etnias indígenas do Mato Grosso e Pará, representantes do Forum Teles Pires e do Movimento Tapajós Vivo do Pará, como também membros do movimento resistência de Itaituba, com um grupo de Munduruku da aldeia Sai Cinza, tudo isso deu oportunidade de troca de informações, testemunhos, debates e propostas sérias de busca de caminhos novos de resistência.

Deu pra sentir que os 400 participantes do festival sabem que a coisa é séria, a guerra está armada e não podemos esperar a casa cair para lamentar depois. Nossa grande força é a união das redes de militantes para enfrentar o monstro devorador que se aproxima.

  1. Dois encaminhamentos foram fechados ao final do festival em Juara:
  2. Cada uma das três organizações (Forum Teles Pires, Rede Juruena Vivo  e Movimentos Tapajós Vivo) fortalecerão suas alianças de grupos nas suas áreas, com uma estratégia definida de informação, consciência e enfrentamento;
  3. No próximo ano se realizará um encontro das três redes para formalizar uma união de forças a fim de segurar uma estratégia de solidariedade, onde uma rede apoia a outra nos momentos de maior enfrentamento. Um por todos e todos por um. Eis os nossos desafios urgentes.

 

Esta é uma análise pessoal a partir do que vivemos no encontro de Juara.