Se até os bispos da Amazônia reconhecem…

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 20.11.2016

O que começa a ocorrer nestes dias em Santarém, Belém, se alastrando pelo país, é consequência da ditadura, executivo, parlamentar e judiciária. O atual presidente está brincando com fogo e pode se queimar em breve. Mais de mil escolas, e 20 universidades estão ocupadas por estudantes e professores. No meio desta semana poderá haver uma paralisação ainda maior incluindo sindicatos, escolas, órgãos públicos. O governo acuado faz ameaças com polícias, com cortes de dias de trabalho de servidores que entrarem em greve.

A história confirma que impérios desaparecem, ditaduras são derrubadas, povos escravizados, ou humilhados mais cedo ou mais tarde, se rebelam. Assim surgiram as revoluções  na África do Sul, em Angola, em Cuba, na Cabanagem do Pará em 1835, entre outras. Só os ingênuos e os oportunistas se escandalizam com as greves e ocupações de prédios públicos neste momento. Também se incomodam os bem de vida e os políticos que se beneficiam com as reformas impostas pelo governo interino. Um caso ilustra bem este tipo de reacionarismo. Em Goiás, um pai, engenheiro tentava impedir seu filho estudante de participar da ocupação da escola. Mas o filho resistia. Um dia desses tiveram uma forte discussão, o pai tentando impedir o filho que dizia que tinha que participar da luta. E saiu andando. O pai foi atrás, em plena rua deu tiros e o filho caiu baleado, o pai chegou perto deu mais dois tiros, deitou sobre o corpo do filho e se matou.

Em Santarém, um grupo de reacionários vem tentando acabar com as ocupações de estudantes nos campi da UFOPA . Alegam que os ocupantes tem que respeitar o direito dos outros estudarem. Não levam em conta que com a tal PEC 241 o governo vai impedir de milhares de jovens frequentarem universidade por falta de verba para manutenção delas. Assim os que só pensam em seu diploma e no imediato reagem contra os que se preocupam com o futuro das escolas e universidades, como também dos direitos de trabalhadores e clientes do SUS no futuro próximo.

Já o governo Temer está nervoso e preocupado com o aumento dos protestos e das manifestações de greves e de ocupações. Na próxima quinta feira, 24 está sendo programada uma greve geral no país inteiro contra a votação da PEC 241 no senado federal. Vai aumentar o número de escolas paralisadas, operários parados e protestos de rua por movimentos populares. No dia 29 está programada uma invasão do plenário do senado federal por ser o dia da votação da PEC com o nome de 55.

Está faltando que também as associações de moradores, sindicatos dos municípios de Monte Alegre, Óbidos, Curuá, Belterra, Mojuí também entrem na resistência à reforma que vai prejudicar os pobres, estudantes e trabalhadores. Só a sociedade civil unida pode frear os crimes legalizados por um congresso nacional ilegítimo.

Ainda no final de semana a pastoral social da diocese de Santarém realizou um seminário sobre a defesa da Amazônia. Cerca de 10 lideranças dos sete municípios da diocese, junto com alguns padres discutiram durante um dia e meio sobre como enfrentar os projetos de morte que acercam a região. Também ali no seminário religioso  se pensou que não basta ficar lamentando as desgraças chegando e acabando com a vida humana e da natureza. Compreenderam que a Igreja tem responsabilidade de também entrar na luta em defesa da vida. Alguns compromissos foram assumidos e os efeitos devem surgir em breve.

Vale a pena também salientar aqui o segundo encontro de todos os bispos da Amazônia legal que se reuniram durante a semana em Belém. Após reflexão séria sobre como está sendo a dura realidade brasileira com impactos na Amazônia produziram mais um documento compromisso da hierarquia da Igreja católica da Amazônia.. Um trecho de sua mensagem dizem eles o seguinte:

“Os projetos predatórios que aqui se alastram, pelos rios e pelas matas, não levam em conta os direitos da natureza, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais que, desde sempre, convivem em harmonia e respeito com o ambiente, na casa comum, dádiva milenar. O mito do progresso sem limites e do lucro a qualquer custo continuam prometendo o sonho do paraíso aqui na terra, ao alcance de todos. Na realidade, assistimos à exclusão social, à discriminação dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, ao inchaço das periferias pobres das nossas cidades. Unimos a nossa voz a tantos que denunciam que “este sistema exclui, destrói e mata” (Grito dos Excluídos 2016).

Estamos conscientes da nossa responsabilidade de sermos testemunhas da alegria do Evangelho com as nossas vidas e com o compromisso de denunciar os males e de anunciar a esperança do reino de Deus”.

Lendo e ouvindo tal declaração dos senhores bispos causa esperança de que “Povo unido jamais será vencido”. Ainda mais com bispos assumindo seu papel profético nestes dias de sofrimento intensivo.

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