Mês: janeiro 2017

Amazônia 72%moradores urbanos, 28% rurais

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Editorial – RNA 26.01.2017

A Campanha da Fraternidade 2017 vai tratar  do cuidado com o Bioma Amazônico aqui na região. Este bioma está sendo destruído rapidamente nos últimos 50 anos. Além das florestas e rios, também as cidades estão nessa avalanche. Estas que originalmente eram lugares de convivência de vizinhos, hoje vão se tornando lugares de isolamento, de destruição de culturas e sendo apenas dormitórios de trabalhadores submissos à ditadura do capital.

Empresas querem os melhores locais para seus escritórios, imobiliárias compram e vendem lotes privilegiados expulsando antigos moradores mais pobres para periferias insalubres. Vão surgindo as selvas de pedra dos arranha céus.  Nossa casa comum vai deixando de ser nossa, para ser privatizada e globalizada. Sítios arqueológicos são destruídos, cenários bonitos são obstruídos pelos prédios de escritórios, ou de apartamentos onde os vizinhos não se conhecem.

É assustador a forma como o capital esmaga a convivência dos povos da Amazônia, que em sua maioria ainda são de cultura comunitária, herança  de nossos parentes originários. Basta ver os números. Manaus, antes de ser Zona Franca em 1965 tinha uma população de 95 mil moradores. Era uma cidadezinha provinciana. Hoje alguns de seus moradores falam com orgulho que Manaus está maior que Belém, com seus 2 milhões e quinhentos mil habitantes. Como se isso fosse desenvolvimento humano com aquela floresta de pedra crescendo dia após dia, isolando as pessoas.

Em menor proporção outras cidades vão inchando, como Boa Vista, Porto Velho, Santarém, Balsas,  Oiapoque e até Cruzeiro do Sul lá longe do barulho da capital. De um ano para o outro as aglomerações humanas vão crescendo e rompendo a convivência de vizinhos e até de parentes. O êxodo rural é o novo fenômeno uma das consequências da nova era neo liberal. O meio rural vai se esvaziando rapidamente, como se a cidade fosse a melhoria de vida para as famílias. Amarga ilusão, basta ver a angústia dos pais que andam pelas escolas em busca de vaga para seus filhos. E é só verificar as filas nos hospitais em busca de uma consulta.

A população urbana dos nove estados da Amazônia era em 1970 de 44, 6 %, menos da metade dos moradores da região.  Hoje a população nas cidades é de 75% e apenas 25 de cada cem moradores da Amazônia vivem na zona rural. Até onde vai esse abandono de nossa casa Comum?

mais escândalos paraenses sem lava jato

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Análise da semana – Nossa Voz é nossa Vida – 29.01.2017

Na semana passada ouviu-se uma notícia escandalosa. O senador Flexa Ribeiro do Pará, defendeu a mudança da constituição nacional para permitir a invasão das terras indígenas por empresas mineradoras, madeireiras e o agronegócio. Seu argumento é que não se pode deixar tantas riquezas fora da exploração, pois estas geram emprego e renda.

Que uma empresa mineradora ínsista em mudar a constituição para poder saquear as riquezas das terras indígenas, não se concorda mas se entende. Afinal, essas empresas não respeitam outros valores além de seus lucros. Mas um senador da república, oriundo da Amazônia, que supõe-se conheça a importância dos direitos dos povos indígenas, tal argumento é imoral e criminoso. Ele foi eleito senador com votos da maioria de pobres, inclusive indígenas. Mas ao sentar na cadeira de representante do povo passa a criminosamente a defender apenas os direitos das empresas.

Sua lógica é que se precisa mudar a constituição, facilitar a entrada de empresas exploradoras de minérios, madeira e agronegócio, porque assim vão gerar emprego e renda. Pura balela para iludir os desinformados. Ele mesmo sabe que as empresas mineradoras prejudicam até mesmo o Estado dele, pois segundo informação oficial, o Pará deixou de arrecadar mais de 20 bilhões de reais em 20 anos por causa de uma famigerada lei Kandir, que isenta de pagamento de imposto de exportação as empresas que vendem minérios, madeira e grãos sem beneficiamento. Sabe ele também, que essas empresas modernas geram tão poucos empregos, mas geram  vultosos lucros para seus donos. Basta verificar quanto desenvolvimento acontece no município de Itaituba onde se explora calcário e onde estão empresas estrangeiras explorando ouro, como a Serabi, a GOLD e a Belo Sun. Basta verificar quanto emprego e renda gera a CARGILL em Santarém com seu ultra moderno porto granelero, que enche o porão de um navio de 50 mil toneladas com soja, em apenas 72 horas, sem um saco de soja carregado por um trabalhador.

Ao ouvir o discurso do senador paraense, se pergunta, para que serve um senador? Ele é eleito para defender quem? Nesse tempo de apuração de lava jato, seria interessante uma pesquisa para saber por que Flexa Ribeiro, eleito por maioria de pobres tenha tanto interesse em defender interesses de empresas  exploradoras de riquezas de seu Estado. Quem de fato ofereceu dinheiro para sua campanha ao cargo de senador?

Quanto aos povos indígenas e seu território, eles conseguiram a duras penas que a constituição nacional garantisse seus direitos. Um deles é a propriedade privada tão defendida por empresários e todo cidadão brasileiro. Acontece que a propriedade privada dos povos indígenas é  a casa comum deles e não apenas área para destruição, Eles são os mais protegem a mãe natureza e por isso esse direito foi garantido tardiamente pela constituição de 1988. É esse direito que o senador paraense quer mudar para favorecer as empresas, boa parte delas estrangeiras.

Com senadores desse tipo, fica a pergunta para que mesmo serve um senador da dita república?

Hoje trevas aqui e ali, quando virá o sol

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 22.01.2017

Vivemos um momento de muitas trevas, mas é preciso continuar lutando para que chegue um novo amanhecer. Hoje há tanta escuridão no país, na Amazônia e aqui na região. Mas há pequenos sinais de uma possível madrugada para a maioria da população.

As rebeliões em vários presídios são sintomas de um Estado brasileiro que transforma os presidiários em alunos de mais crimes, ignorando que são seres humanos. Simplesmente evita encarar que a desigualdade social alimentada por seus planos econômicos é que gera a marginalização da juventude, amplia o desemprego, facilita a indústria das drogas e em consequência,   crimes e presidiários. Os oito por cento mais ricos do país tem todas as facilidades, já os 55 por cento mais pobres são levados a ficarem mais pobres.

Tendo os cofres públicos sido saqueados pelos ladrões de paletó e gravata, hoje estes temem as delações do lava jato. De repente, na véspera da grande delação, morre o ministro do Supremo tribunal federal, delator das lava jato, que nos próximos dias iria autorizar as revelações dos criminosos de colarinho branco. Puro acaso essa morte do ministro? Pode até ser, mas quem vai substitui-lo será nomeado pelo presidente Temer, um dos suspeitos de envolvimento com as propinas da Odebrecht. Como crer na isenção da escolha?

Um outro sinal das trevas nacionais é a intenção de mudar as regras do jogo constitucional sobre os direitos dos povos indígenas. Primeiro, nomeando um pastor  reacionário para a presidência da Fundação Nacional do Índio, FUNAI. Agora o governo força a mudança dos direitos indígenas. O objetivo dessas maracutaias é facilitar a entrada de madeireiros, mineradoras e agro negócio nas terras indígenas.

As trevas invadem também o Estado do Pará. Chega nestes dias a seguinte informação de Belém: “Governador Jatene quer isenção fiscal para mineradora  norueguesa NORSK HYDRO que controla  ALBRÁS e ALUNORTE”. Esta é mais uma hipocrisia do atual governador. Ao mesmo tempo ele diz defender os interesses do Estado do Pará. Foi a Brasília negociar compensação pelas perdas com a lei Kandir, que isenta om pagamento de imposto de exportação, produtos primários como madeira, gado, soja e minérios. Garante ele que essa lei Kandir já deu um prejuízo de cerca de 20 bilhões de reais aos cofres do Pará. Ao mesmo tempo o próprio  governador Jatene fez pressão na Assembleia Legislativa (AL) e conseguiu aprovar uma resolução, renovando o tratamento diferenciado na cobrança do ICMS para a Mineração Paragominas, Albras e Alunorte, estas duas últimas compradas pela Hydro, em 2011. A isenção solicitada por Jatene será de R$ 7,5 bilhões, entre 2015 e 2030.

Mas as trevas também invadem Santarém. Com as primeiras chuvas de inverno a profecia concretiza sobre o programa Minha Casa minha Vida, agora acrescida… minha vida de SOFRIMENTO. Construído o conjunto habitacional em terreno arenoso e em área de  baixada já se previa o desastre com as enxurradas de inverno. Só quem não se preocupou foram, os engenheiros da construtora, a Caixa Econômica Federal que financiou e a prefeitura que deveria fiscalizar as obras. Num país sério, todos esses seriam punidos severamente, pois todos sabiam a gravidade do processo. Mas, num período de trevas, não se sabe quem será punido, além dos moradores que embarcaram nessa canoa furada.

E onde estão os sinais de uma futura chegada de um sol brilhante? Realmente são ainda fios  de luzinha  lá no horizonte. A reação dos moradores do bairro alagado Salvação, a reação das organizações indígenas nacionais contra as violações de seus direitos, o movimento contra os portos da EMBRAPS na boca do lago do Maicá, são alguns raios de luz. Mas é preciso mais raios de luz antes que seja tarde e o sol não possa aparecer.

 

 

Golpistas e os vários genocídios

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Editorial RNA = 16.01.2017

Dentro do bioma Amazônia estão habitando em torno de 30 milhões de pessoas, entre as quais você ouvinte. Dessa população, mais de cem são povos com língua própria, cultura e territórios próprios. São os Kaiapó, Mundurukú, Tapirapé, e muitos outros povos. Desde a entrada dos invasores europeus vem se repetindo a exploração, dizimação e massacre os povos nativos. Já no final do século passado, em 1988 a constituição brasileira reconhece que esses povos nativos têm direitos que tem de ser respeitados. Eles tem tanto direitos, ou mais do que os outros brasileiros que chegaram aqui mais tarde.

Porém, nestes dias a constituição de 88 está sendo rasgada pelo governo golpistas de Michel temer, submisso às oligarquias latifundiárias e mineradoras, decide oficializar a invasão das terras indígenas para mineração e o agronegócio.

Faz isso nomeando um pastor protestante reacionário para presidente da Fundação Nacional do Índio, um latifundiário para assessor da FUNAI  no Mato Grosso do Sul, justamente onde o povo Guarani kaiwá está sendo exterminado por fazendeiros. Para presidente do INCRA Temer nomeia um grileiro de terras. O que se pode esperar dessa ditadura?

Com a PEC 55 o governo golpista estraçalha a vida dos pobres, estudantes e os que esperavam uma casa do programa. Com a PEC 300 o governo violenta a lei trabalhista e, favorece os empregadores patrões. Agora, amplia o perverso plano atingindo os povos indígenas do país. Até onde o governo imposto quer chegar? Não será surpresa o estouro de uma rebelião popular dos deserdados. As rebeliões dos presídios são um prenúncio do que acontecerá em breve se o governo não mudar seu plano perverso.

Aos povos indígenas só resta resistir, se armar para a guerra. Pois o governo já iniciou sua parte desta guerra criminosa contra 900 mil brasileiros dos povos indígenas. Onde está a COIAB? E a APIB?  Salvar seus companheiros é urgente.

Administrar o bem público exige competência, honestidade e…

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa vida – 15.01.2015

O novo prefeito de Santarém começa  sua administração sob algumas pressões. Começar a provar que tem competência, pulso e ética em suas decisões. Um dos primeiros desafios será escapar vivo da lógica do governo de coalizão. Desde o tempo de Lula da Silva  esta lógica não atende a interesses tão opostos.

O prefeito de Santarém segue a mesma lógica, apesar de saber seu fim. Colocou entre auxiliares, figuras que pertencem a grupos divergentes, uns pequenos escorpiões em crescimento. Outros entram por exigirem retribuição por terem ajudado a elegê-lo e querem sua parte do butim. Não se precisa ser profeta para prever o que vem pela frente.

Uma das pressões do primeiro mês foi como decidir a realização do carnaval da cidade. Um vereador oportunista pensou angariar mais simpatia de  congregados religiosos, exigiu que a praça de eventos não fosse palco para o carnaval. Alegando que era a praça da bíblia portanto,  não poderia ser utilizada para atos profanos. Sua hipocrisia se mostrou por duas incoerências. Uma, no ano passado a congregação religiosa realizou evento espiritual dentro do estádio municipal de futebol, um espaço construído para eventos esportivos. Houve conflito,  mas a congregação se impôs e realizou seu evento espiritual, prejudicando o gramado do estádio. Outra incoerência do vereador piedoso, é que a praça de eventos  foi construída com recursos federais e não para ser praça da bíblia. Ele como vereador tem o dever de defender os interesses de toda a população e não apenas de seu grupo religioso.

O prefeito, embora incialmente vacilante, quase cedendo aos interesses particulares, tendo ouvido seus auxiliares, decidiu que a praça de eventos vai servir ao carnaval. Ganhou pontos nesse primeiro ato.

Um  segundo desafio está sendo armado. Nestes dias vazou uma informação não oficial, que vai causar mais pressão sobre o prefeito. O caso do crime da imobiliária Buriti volta à tona. A área florestal destruída alguns anos atrás, ali na rodovia Fernando Guilhon, causou um crime ambiental de grande proporção. Houve um movimento  popular que pressionou, a justiça sentenciou a empresa criminosa. Deveria pagar um milhão de reais de multa e fazer o reflorestamento com plantas nativas. Já se passaram ao menos  cinco anos, não se sabe se a multa foi paga e para onde foi o recurso. Mas se sabe que o reflorestamento ainda não aconteceu e ninguém foi preso por isso. Sentença do juiz virou piada?

Porém, agora surge informação que aquela área vai se transformada em área de construções empresariais. Será verdade? O juiz que condenou a Buriti estará sabendo disso? O primeiro crime atingiu o meio ambiente em dois focos, um destruindo a mata nativa e outro abrindo esgoto de lama para dentro do lago do Juá. Aa plantas nativas que existem lá  são, capim e alguns arbustos que a natureza teima em semear. Será que agora outro crime vai sobrepor o primeiro?

O prefeito terá que enfrentar já este novo desafio. Primeiro, cobrar da justiça o cumprimento da sentença sobre a Buriti. Segundo, respeitar o plano diretor do município que não contempla aquela área para instalação de indústrias e empresas. Ele terá que provar já agora, que foi eleito para realizar mudanças a bem da cidade, do município e das periferias. Garantiu que iria administrar junto com a população.

O que é mais urgente para a cidade e para seus moradores, cuidar do meio ambiente, ou atender à voracidade de empresários em busca de lucros? Como o prefeito foi objetivo e firme no primeiro desafio, se espera que seja também neste segundo. Mas é preciso que a sociedade civil organizada se manifeste e exija decisão pelo bem dos moradores e da cidade.

 

 

Nem toda notícia merece respeito

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Editorial RNA – 10.01.2017

Quando acontece uma chacina em presídios, ou morre uma figura da burguesia nacional, os grandes canais de televisão fazem uma novela de 4 a 5 dias badalando. Quando porém,  é mais uma agressão econômica do governo golpista, as informações são mínimas e nem sempre objetivas.

Nestes dias subiram os preços dos combustíveis em todo o país. Hoje pela manhã um desses noticiários monopolizados de um canal de televisão, anunciava  que o preço do etanol subiu muito por causa da entre safra da cana de açúcar. Não esclareceu por que também o preço da gasolina subiu na mesma proporção. Isto sem que o preço do petróleo internacional não tenha passado de 30 dólares. Além disso o Brasil é auto suficiente na produção do hidro carbureto.

O informativo deformador do canal nacional dizia que a tarifa mais cara do etanol estaria no ACRE, ao custo de 4 reais e 15 centavos por litro. Isto não é verdade, pois em Santarém, no Pará, o litro do etanol está em 4 reais e 15 centavos, já o litro da gasolina comum está em 4 reais e 28 centavos. Por aí se pode imaginar que em Cruzeiro do Sul, em Parintins e em Boa Vista, os preços variam e para mais alto do que nas capitais da Amazônia.

Ao menos duas conclusões se pode  tirar dessa desinformação televisiva. Uma, é que não se pode confiar nas informações dos grandes canais de televisão, por estarem comprometidas com as ideologias e interesses econômicos dos seus donos; por outro lado, esse aumento absurdo dos preços de combustíveis no país revelam o desprezo  dos governantes pela população nacional. O que interessa a eles é a fidelidade ao pagamento dos juros da dívida pública. Para isso, sacrificam sem escrúpulos os pobres, os estudantes, os trabalhadores e até a classe média, que usa veículos motorizados.

Até onde vai esse autoritarismo político econômico, não se sabe. Mas toda paciência tem limite, inclusive a paciência coletiva dos que sofrem os impactos desse desastre. A falta de democracia por parte das autoridades já provoca reações nos presídios, nos protestos de rua e mais adiante ou o governo muda esse absurdo administrativo, ou uma reação maior virá. A sociedade civil já se manifesta em  vários países da América latina por causas semelhantes.

No México chegou ontem uma notícia sintomática, segundo o Jornal Pág. 12 – “Desgosto, desespero, ira… Isto é o que tem impulsionado nove dias consecutivos de manifestações em todo o país, no chamado “gasolinaço“, em vigor desde 1º de Janeiro, que foi o catalisador de uma crescente tensão que encontrou saídas a partir do aumento dos preços”. No Brasil a situação caminha neste rumo.

 

As senzalas de hoje piores do que as da Colônia

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Análise da semana – 08.01.2017

Há um assunto de grande repercussão nestes dias – as tragédias dos presídios de Manaus e Boa Vista. Possivelmente alguns dos mortos eram de Santarém e do Baixo Amazonas. Os comentários são vários, as acusações são diversas.

Há quem bata palmas às chacinas e diga que se matem mais pois são todos criminosos. Criminoso bom, dizem, é criminoso morto. Foram 60 aqui, 30 ali, que se matem mais. Há outros que acusam o Estado por permitir superlotação de presídios. Também o Estado do Amazonas acusa o governo federal de cortar verba, este acusa o governador  de terceirizar os cuidados dos presídios. Assim, um acusa o outro  e todos se sentem sem culpa.

Provavelmente, depois de umas semanas das tragédias tudo voltará como antes. A não ser que as facções criminosas que estão bem organizadas continuem a protagonizar mais chacinas em outros presídios superlotados em Santarém, Belém, no nordeste e no sul. Afinal, os barris de pólvora estão cheios. O presídio de Manaus, que tinha capacidade para 550 prisioneiros, estava com 1 mil 250 pessoas. O presídio Silvio Hall de Moura em Santarém, com capacidade para 360 pessoas, está com mais de 650 prisioneiros, uns por carregarem 10 petecas de drogas, outros por espancarem esposas e outros por assassinato.

Quem de fato se preocupa com os presidiários? O município? O Estado? O delegado? O juiz? Quem? Nós da sociedade civil, que temos boas famílias que não cometemos infrações? Os presídios são senzalas mais humilhantes do que as senzalas dos escravos do tempo da colônia. No presídio de Cucurunã aqui, há um dito pavilhão, que é um barracão grande quente, coberto de brasilit e lá dentro os presos são agasalhados em “quartos” separados apenas por panos em forma de parede. Lá estão amontoados, uns acusados e ainda não apenados, por suposta agressão a uma adolescente. Ele se garante que é inocente, mas não teve advogado para defendê-lo. Está lá cumprindo pena, junto com outros de crimes mais graves.

Os presídios que deveriam ser casas  de reeducação para o retorno à sociedade, são hoje escolas de mais criminosos, como são as facções do PCC, do MC e outros. Isso quando não morrem nas chacinas. Dizer que os 90 hoje mortos brutalmente mereciam morrer é hipocrisia. Porém, tudo indica que boa parte da sociedade que já teve alguém prejudicado por um infrator, ou que vive com medo de perder seus bens, deve estar aplaudindo as chacinas de Manaus e Boa Vista.

Provavelmente, dentro de mais algumas semanas se esquecerá do que aconteceu, a vida continua  sem mais preocupação com os presídios. Os governos vão se contentar em transfer presos mais perigosos para outros ditos presídios de segurança máxima. Eles no entanto,  estão muito bem equipados com serviços de comunicação, com armas e com seus discípulos. Um dos líderes já avisou que a guerra vai continuar, porque a sociedade hipócrita  está conformada com a grande desigualdade social. O governo federal está ampliando a escola da criminalidade com os cortes de recursos públicos cortado dos pobres para atender os Bancos e o agronegócio.

E os juízes que vão  fazer  para mudar essa conjuntura? Vão trabalhar mais para separar as infrações menores dos crimes mais graves? Ou vão continuar a simplesmente mandar aos presídios vendedores de petecas de drogas e ladrões de supermercados?

Já dizia o grande brasileiro Darci Ribeiro: ou os governos constroem mais escolas e pagam dignos salários aos educadores, ou irão gastar dinheiro construindo mais presídios. A profecia dele está acontecendo.