mais escândalos paraenses sem lava jato

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Análise da semana – Nossa Voz é nossa Vida – 29.01.2017

Na semana passada ouviu-se uma notícia escandalosa. O senador Flexa Ribeiro do Pará, defendeu a mudança da constituição nacional para permitir a invasão das terras indígenas por empresas mineradoras, madeireiras e o agronegócio. Seu argumento é que não se pode deixar tantas riquezas fora da exploração, pois estas geram emprego e renda.

Que uma empresa mineradora ínsista em mudar a constituição para poder saquear as riquezas das terras indígenas, não se concorda mas se entende. Afinal, essas empresas não respeitam outros valores além de seus lucros. Mas um senador da república, oriundo da Amazônia, que supõe-se conheça a importância dos direitos dos povos indígenas, tal argumento é imoral e criminoso. Ele foi eleito senador com votos da maioria de pobres, inclusive indígenas. Mas ao sentar na cadeira de representante do povo passa a criminosamente a defender apenas os direitos das empresas.

Sua lógica é que se precisa mudar a constituição, facilitar a entrada de empresas exploradoras de minérios, madeira e agronegócio, porque assim vão gerar emprego e renda. Pura balela para iludir os desinformados. Ele mesmo sabe que as empresas mineradoras prejudicam até mesmo o Estado dele, pois segundo informação oficial, o Pará deixou de arrecadar mais de 20 bilhões de reais em 20 anos por causa de uma famigerada lei Kandir, que isenta de pagamento de imposto de exportação as empresas que vendem minérios, madeira e grãos sem beneficiamento. Sabe ele também, que essas empresas modernas geram tão poucos empregos, mas geram  vultosos lucros para seus donos. Basta verificar quanto desenvolvimento acontece no município de Itaituba onde se explora calcário e onde estão empresas estrangeiras explorando ouro, como a Serabi, a GOLD e a Belo Sun. Basta verificar quanto emprego e renda gera a CARGILL em Santarém com seu ultra moderno porto granelero, que enche o porão de um navio de 50 mil toneladas com soja, em apenas 72 horas, sem um saco de soja carregado por um trabalhador.

Ao ouvir o discurso do senador paraense, se pergunta, para que serve um senador? Ele é eleito para defender quem? Nesse tempo de apuração de lava jato, seria interessante uma pesquisa para saber por que Flexa Ribeiro, eleito por maioria de pobres tenha tanto interesse em defender interesses de empresas  exploradoras de riquezas de seu Estado. Quem de fato ofereceu dinheiro para sua campanha ao cargo de senador?

Quanto aos povos indígenas e seu território, eles conseguiram a duras penas que a constituição nacional garantisse seus direitos. Um deles é a propriedade privada tão defendida por empresários e todo cidadão brasileiro. Acontece que a propriedade privada dos povos indígenas é  a casa comum deles e não apenas área para destruição, Eles são os mais protegem a mãe natureza e por isso esse direito foi garantido tardiamente pela constituição de 1988. É esse direito que o senador paraense quer mudar para favorecer as empresas, boa parte delas estrangeiras.

Com senadores desse tipo, fica a pergunta para que mesmo serve um senador da dita república?

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