Mês: junho 2017

Irá chegar um novo dia

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EDITORIAL RNA – 30.6.2017

Amazônia, para os donos do agronegócio, mineradoras e o governo federal, é um eldorado de riquezas a serem saqueadas, sem o menor cuidado com a mãe natureza e os povos tradicionais. Até os rios e as cachoeiras são violentados para servirem no altar do capitalismo desenfreado.

Para os povos integrados na região, Amazônia, além de terra de bem viver, tem se tornado terra de martírio, encharcada de sangue. Nas últimas semanas mais dois líderes populares tiveram suas vidas ceifadas. Uma  líder quilombola foi assassinada no município de Moju, no Pará e um líder indígena foi assassinado a sangue frio na região de Abunã, em Rondônia. Um pouco mais de um mês, foram dez posseiros também assassinados barbaramente por policiais militares, em Pau Darco do Pará. Antes de Pau Darco foram trucidados nove posseiros em Colniza, Mato Grosso. É assim que a Amazônia se caracteriza como terra de sangue.

São dezenas de novos mártires tombados por lutarem por espaço de trabalho, território para viver em paz, resistência às hidroelétricas destruidoras. Raros são os assassinos punidos. A justiça se desculpa que é lenta. Mas se um posseiro mata um fazendeiro aí a justiça é imediata e o matador é jogado no presídio antes de ser condenado em última instância.

Para o crescimento econômico, o capital controla os governantes, a justiça  e favorece as chacinas dos “obstáculos” a esse chamado desenvolvimento. Até que o dia está chegando em que os deserdados se levantarão, indígenas, quilombolas, posseiros, ribeirinhos e moradores de periferias de cidades, darão o grito de basta à servidão.

A história revela que isso chegará. Assim foram os cabanos do século dezenove no então grão Pará. Sem armas de guerra, mas com as armas da indignação uniram forças e expulsaram os senhores da Casa Grande. Uma nova cabanagem está fermentando, pois não é possível que aumente o número dos mártires, sem que surja novo levante para enfrentar tanto os senhores da Casa Grande de hoje, como seus sabujos subalternos governos e justiça injusta. Tanto sangue derramado impune é fermento de uma nova Amazônia humanizada.

Quem mudará a república bananeira?

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EDITORIAL RNA – 29.06.2017

Notícias divulgadas nestes dias afirmam que amanhã o Brasil vai parar novamente, na luta contra as violações de direitos dos pobres e dos trabalhadores. Na Amazônia estão previstas paralizações sindicais e marchas populares em todas as nove capitais e em cidades maiores, como Santarém, Cruzeiro do Sul, Balsas e Guajaramirin. Nas cidades menores haverá encontros de avaliação da situação que ameaça as vidas de todos os trabalhadores, podendo surgir cartas de protestos e abaixo assinados apoiando as marchas das grandes cidades contra os crimes no Congresso nacional.

As populações pouco a pouco vão descobrindo que estão sendo enganadas por aqueles que foram eleitos com a missão de representar os direitos do povo e agora defendem apenas seu interesses. Michel Temer, Henrique Meireles, Romero Jucá, Blairo Maggi e seus colegas mentem com as tais reformas, trabalhista, previdenciária a terceirização. Todas são contra os direitos dos trabalhadores e dos pobres, porque vão acabar com o décimo terceiro salário, as férias e a aposentadoria, além de esvaziarem a força dos sindicatos.

Com a lei da terceirização, os patrões se tornarão senhores de escravos, pois os trabalhadores perderão seus direitos e poderão ser demitidos a qualquer hora, sem que o sindicato possa defende-lo.

Estudiosos independentes provam que a afirmação do ministro Meireles de que a atual reforma da previdência é para salvá-la da falência é pura mentira. O caixa da previdência tem saldo bastante, mas o governo desvia boa parte desse saldo para outros fins e assim a Previdência tem uma falsa falência.

Só há uma saída de salvação dos pobres e trabalhadores, é a pressão social, indo às ruas, fazendo greves, abaixo assinados e apoiando os que lutam pelos direitos sociais. Além disso, é importante que os eleitores de todos os estados anotem, quais os deputados e senadores da sua região estão votando por essas falsas reformas. Em seguida nunca mais votarem neles, nem para vereadores. Só a população esclarecida e unida pode salvar o Brasil e seus povos. Amanhã é dia de pressão popular. Quem compreende as ameaças vai apoiar.

O EGITO DE FARAÓ E O BRASIL DE HOJE

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ANÁLISE DA SEMANA – NOSSA VOZ É NOSSA VIDA 25.06.2017

No Antigo Testamento o povo hebreu viveu escravo do Faraó por muitos anos. Até que, animados por um líder revolucionário, os humilhados, se rebelaram contra o Faraó e romperam a servidão. Trazendo este fato histórico para nossos dias, em que estágio estamos? Já atravessando o mar Vermelho, ou ainda humilhados? Belterra, Curuá, Monte Alegre, Santarém e aí em sua comunidade, como está a situação? O clima hoje no país, no nosso Estado e municípios está mais para o Egito de Faraó, com uma diferença, o Faraó de hoje não é um indivíduo, mas vários coletivos que humilham os povos municipais, estadual e nacional, percebe? Tanto o país, como nosso Estado e municípios, estão vivendo uma época de humilhação.  

O ainda presidente da República envergonha o Brasil e a si mesmo. Lá na Noruega, a primeira ministra questionou de frente o sr. Michel Temer por que a devastação da floresta continua alta com 8 mil quilômetros quadrados devastados no ano passado. Noruega, país democrático de verdade, colabora com nosso país com alguns milhões de reais por ano para preservação da floresta amazônica, tem razão em questionar. Ela decidiu cortar pela metade a contribuição que envia cada ano ao governo brasileiro. Michel Temer deu uma desculpa esfarrapada envergonhado. Mas chegando aqui, ele continua insistindo em priorizar a construção de uma ferrovia ligando Cuiabá até Miritituba, para atender interesses dos sojeiros do Mato Grosso, com isso estimula a grilagem de terras em Novo Progresso e arredores.

No Pará, um dos Faraós, governador, é chefe da policia militar. Um mês depois de mais dez assassinatos pela polícia militar em Pau Darco, JATENE cala como se não fosse sua responsabilidade. As famílias e companheiros dos assassinados continuam humilhados e a polícia militar ainda diz que foi um confronto, mesmo só morrendo posseiros e nenhum soldado ferido. Com tanta impunidade oficial, eles se sentem seguros para continuar assassinando quem contesta as humilhações sofridas. Em nossa região, autoridades de Belterra, eleitas pelo povo decidem coisas sérias sem consulta prévia, esclarecida e livre às comunidades urbanas e rurais. Violentam uma Área de proteção ambiental, para entregar a empresários construírem seus portos. Alegam geração de emprego e renda, quando a área violentada bem poderia gerar emprego e renda com apoio das autoridades para turismo.

Já em Santarém, o Egito de Faraó está embalado. Autoridades municipais tentam modificar às pressas, o Plano Diretor municipal, para facilitar a entrada de mais portos graneleiros dentro da área urbana. Caso não houvesse reclamação modificavam o Plano Diretor, mesmo que os direitos dos moradores fossem prejudicados. Assim também reinam os Faraós em Monte Alegre, Oriximiná e outros municípios. Até quando?

Também como no Egito, os sinais de que a libertação do povo está se aproximando. A trágica comédia dos governantes em Brasília já dá indicações de que não vai demorar um desfecho. Certamente que não vai bastar a queda do presidente Temer, mas também de todos os políticos que usam o cargo para seus interesses e de seus patrões. No Pará, o Ministério Público e os defensores dos direitos humanos estão atentos exigindo punição dos assassinos e responsabilidade do chefe dos policiais militares, o governador Jatene.

Em Santarém, vários movimentos populares estão organizando participação na renovação do Plano diretor do município, para que atenda os interesses da maioria da população. Também na próxima sexta feira em Santarém, vários sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais vão se unir à greve geral que vai acontecer no país, para recusar a destruição das leis trabalhistas e da previdência que os faraós do Congresso querem executar. Estes são sinais de indignação social, o que é importante.

Da indignação, vai se chegar a uma mudança política, com nova constituição e eleições gerais. Para isso é importante que os e as eleitoras, as organizações populares, igrejas se unam na pressão sobre os faraós. Exatamente como o povo Hebreu fez com o do Egito. Só assim, o mar vermelho de hoje se abrirá e a liberdade tomará conta deste país.  

Sociedade quem dela faz parte?

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EDITORIAL RNA – 21.06.2017

Compreender a comunicação depende de quem expressa e de quem recebe. De quem expressa, para quem comunica, o que vai por trás da informação. Quem recebe precisa estar atento para interpretar criticamente o que recebe. Hoje mais do que antes predomina a comunicação que intenciona vender ideias, fatos para convencer o interlocutor da sua verdade. Aliás hoje falam de pós verdade, traduzindo este tipo de comunicação.

Por exemplo, o termo sociedade. Outro dia, um porta voz do empresariado regional, tentando justificar o que ele crer ser necessário trazer mais empresas e negócios para a região, dizia – “é preciso trazer empresas, de portos, de construção de prédios para gerar emprego e renda. A sociedade compreende essa necessidade, apenas uma minoria contra o desenvolvimento é contra.” Para o porta voz Sociedade significa empresários, políticos e moradores desinformados e carentes de emprego e renda aplaudem promessas de empresas anunciadas. Enquanto o termo minoria, para ele significa que conhecendo os impactos negativos e irreversíveis para a população, resistem aos projetos propostos pelos políticos de plantão que aceitam a pos verdade dos oportunistas.

O significado mais objetivo do termo sociedade inclui todos os moradores de uma região, cidade, ou bairro. Tanto os que são patrões como os que são empregados e trabalhadores autônomos. Mas para políticos oportunistas, ou demagogos e associações empresariais, fazem de conta que crescimento econômico seja desenvolvimento. Alguém já ouviu essa forma de comunicação em seu Estado, ou município? Em Manaus há uma zona franca e dois milhões e meio de habitantes. Quantos moradores da sociedade manauara usufruem da presença da zona franca? Hidroelétricas de Jirau e Santo Antônio em Rondônia, quanto desenvolvimento trouxe para os moradores de Porto Velho?

E assim por diante, Belo Monte em Altamira, mineradoras em vários estados da Amazônia, quanto geram de melhoria de qualidade de vida para maioria dos moradores?

Eis porque é necessário se ter cuidado ao escutar certas explicações de porta vozes de políticos e empresários.

Resistir é melhor forma de se viver

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Editorial RNA – 02.06.2017

Viver é importante, mas não humilhado. Por isso, resistir é necessário. Especialmente neste triste momento histórico nacional, com imitações estaduais e municipais.

Nossa Amazônia continua saqueada. No sul do estado do Amazonas, que antes se ilustrava como o Estado menos desmatado, grileiros invadem terras de pequenos posseiros e terras indígenas. Mas não só lá, o próprio governo federal e congresso nacional cortam Áreas de proteção ambiental para garantir invasão de grileiros e madeireiros; o Estado de Rondônia já perdeu grande parte de suas florestas, para invasão de fazendas e monocultura de soja; No Estado do Amapá grande área de proteção ambiental hoje está aberta pelo governo local para invasão de soja, além de mais hidroelétricas são construídas e projetadas no pequeno Estado, onde povos indígenas e posseiros são ignorados para o grande negócio, inclusive exploração de petróleo. O Estado do Pará continua o segundo campeão em desmatamento, só perdendo para o Mato Grosso. Na bacia do rio tapajós, estão projetadas 43 barragens hidroelétricas.

É o desenvolvimento de que falam os empresários, prefeitos, governadores e governo federal. Com a maior sem-vergonhices falam que esses projetos trarão emprego e renda para os pobres, quando na realidade é progresso para poucos ao falarem em desenvolvimento. Os pobres sem muita esperança embarcam na mentira de que terão emprego e renda, como aconteceu em Santarém com o projeto portuário da multinacional Cargill, dez anos atrás e que se repete em outros projetos atualmente.

As autoridades são eleitas para facilitar essa invasão da Amazônia. Em campanha prometem o céu e a vida para os eleitores, depois de leitos se prostram a serviços dos que financiaram suas campanhas. Já chegaram a tão alto grau de devassidão de honestidade política que a população já não pode mais ficar ignorante e submissa.

Os sinais estão aparecendo, movimentos sociais, igrejas, sindicatos estão começando a resistir. Marchas nas ruas, ocupação de Brasília, audiências públicas, são sinais de que que more calado é sapo debaixo do pé do boi. Volta a valer a cantiga popular, Apesar de você, amanhã há de ser outro dia… você vai se dar mal, edicétera e tal…. Acorda Amazônia!

Luzes e trevas durante a semana

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ANÁLISE DA SEMANA – NOSSA VOZ É NOSSA VIDA – 11.06.2017

A semana que passou foi intensa de luzes e trevas no Brasil e aqui no Oeste do Pará. Vários acontecimentos foram sinais de preocupações nacionais e regionais. Importante procurarmos entender o que está por trás das palavras usadas e os atos implementados. Para onde caminha a sociedade nacional, belterrense, santarena e demais sociedades dos municípios da nossa região.

Em Brasília se amplia a vergonha nacional por causa dos que deveriam zelar pela ética e boa administração pública. Nem mais o judiciário está se respeitando. Basta ver como o superior tribunal eleitoral se comportou no julgamento do presidente ilegítimo. Manipulados por um ministro politiqueiro, por 4 a 3 votos absolveram Michel Temer, quando uns meses atrás se calaram diante dos corruptos deputados e senadores no impeachment de Dilma Roussef. O presidente Michel Temer continua com a espada sobre sua cabeça, pois há outras acusações da Procuradoria geral da República. Até quando a nação brasileira ficará com essa vergonha nacional?

Aqui na região, houve sinais de luzes e de trevas também. Em Itaituba um vereador denunciou publicamente uma empresa estrangeira que explora ouro no Tapajós, pois entre seus 380 trabalhadores, 80 são peruanos importados, sem se saber se ao menos tem carteira assinada. Na análise do vereador, isso provavelmente é trabalho escravo. Mais grave, segundo ele, a empresa utiliza quantidade de mercúrio e cianeto na exploração do ouro, contaminando solo e igarapés. O IBAMA, a secretaria de meio ambiente do estado e município não dado respostas sobre essas contaminações.

Aqui mais próximo, em Belterra brilhou luz na treva. Diante de um ato autoritário da Câmara de Vereadores do município, com apoio do prefeito, professores da escola Valdemar Maués convocaram uma mesa de debate para discutir a legalidade e justeza da decisão. A decisão política foi o desmembramento de dois mil hectares de uma Área de Proteção Ambiental, a Apa Aramanaí, às margens do rio Tapajós, para entregar a uma empresa construir porto de transbordo de produtos.

O debate teve participação de um plenário lotado de estudantes e comunitários, de autoridades municipais, de advogado, representante da OAB Santarém e militantes dos movimentos populares. Durante as várias falas e questionamentos, ficou claro o confronto entre o grupo político que defende o tal desenvolvimento com geração de emprego e renda, de um lado e o grupo que se preocupa com o presente e o futuro de toda a população municipal. Os políticos não conseguiram convencer os presentes de que uma empresa portuária vá gerar tantos empregos e renda, sem sacrificar uma bela praia apta para a indústria do turismo. Ao mesmo tempo o advogado presente mostrou a ilegalidade de se desmembrar uma APA sem um estudo sério da justificativa para o bem comum da sociedade. Estudantes, professores e comunitários ficaram de exigir estudos das autoridades antes de sacrificar uma parte da APA Aramanaí para entregar o patrimônio coletivo a uma empresa privada.

Semelhante confronto de interesses ocorreu em Santarém nesta semana. Os indígenas do Baixo tapajós, apoiados pelos movimentos populares ocuparam a prefeitura por três dias aguardando o prefeito. Isto porque em reunião anterior com empresários e vereadores, ele afirmou que estava a favor da construção de quarto portos graneleros dentro da cidade, o chamado complexo EMBRAPS. Finalmente na sexta feira o prefeito sentou para dialogar com o plenário da Câmara de vereadores lotado.

As questões levantadas ao prefeito foram diretas. Afinal, ele defende a entrada de empresas, sem medir consequências sociais e ambientais? Ele tem consciência dos impactos que serão construir mais portos graneleiros na cidade. Denunciaram o projeto, lideranças dos pescadores, membros de associações de moradores, lideranças indígenas e o procurador federal Camões.

O prefeito finalmente tomou a palavra depois de escutar a todos os inscritos. Em resumo, ele usou o mesmo discurso desenvolvimentista, afirmando que só aceitará empresas no município que gerem emprego e renda para a população, mas que respeitem as leis. Pra ser real essa afirmação, as empresas terão que fazer consulta prévia e livre com todas as comunidades ameaçadas pelos projetos, terá que haver audiência pública de verdade em que os estudos científicos revelem a viabilidade ou não, de tais projetos.

Na opinião de lideranças dos bairros próximos aos projetos EBRAPS se essas leis forem executadas previamente e o prefeito sustentar sua palavra, a EMBRAPS terá que procurar outro local longe da cidade para seus projetos. Os movimentos populares e os indígenas prometem acompanhar os acontecimentos e fiscalizar o cumprimento das leis. estas são luzes no meio das trevas.

Amazônia de insônia e sonhos

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Editorial RNA  09.05.2017

 

Amazônia de insônia e sonhos que se realizam, quando filhos legítimos da mãe Amazônia, toma as rédeas da luta pela vida. Em Santarém nestes dias movimentos populares e povos indígenas fazem um ensaio de realização do sonho. Para cuidar da defesa do território urbano cobiçado por empresas desejando construir portos graneleiro, eles ocuparam a prefeitura na cidade por três dias. Isto porque, em reunião anterior com empresários, o prefeito assumiu compromisso de favorecer a entrada de empresas que gerem emprego e renda para a juventude e os desempregados. Hoje, ele aceitou dialogar com os insurgentes na câmara de Vereadores, que em sua maioria também apoiam a entrada de empresas portuárias na cidade.

Ouvindo os duros questionamentos dos líderes populares, o prefeito aliviou seu discurso, dizendo que só aceita novos empreendimentos em Santarém se respeitarem as leis.

Notícia vinda de Roraima falou de um parlamento amazônico que está funcionando e algumas pessoas de Boa Vista assumiram a direção da entidade. Segundo um deles, o setor produtivo da Amazônia enfrenta graves entraves como, leis rígidas ambientais, insegurança fundiária, muitas terras indígenas. Esta é a Amazônia para eles, o setor produtivo de grãos de gado, de madeiras e minérios.

Em Santarém os movimentos populares enfrentaram o prefeito, que se saiu sem assumir claramente que vai contra os projetos de portos graneleiros dentro da cidade. Porque se sente responsável em estimular o desenvolvimento, que para ele é geração de emprego e renda. Para os movimentos populares e povos indígenas significa, além de geração de emprego e renda, hospitais capacitados a atender a população, tratamento de esgotos, água potável diária e lazer.

Para atender parte dos questionamentos, o prefeito apelou para a universidade fazer um estudo dos impactos possíveis de tais projetos. Seria para ele saber se permite ou não. Como o tal parlamento amazônico, o prefeito de Santarém e seu vizinho prefeito de Belterra, usam semelhantes argumentos de busca de desenvolvimento, com geração de emprego e renda, sem medir consequências sociais e ambientais. Nem olham para espelho do município de Altamira, que aceitou a construção de Belo Monte. Durante a construção, teve mudança extrema na vida sócio econômica, mas hoje vive o caos de ser uma das mais violentas cidades do país, depois da hidroelétrica construída. Esta é a Amazônia em disputa, pelo capital e os filhos legítimos da terra.