Luzes e trevas durante a semana

Postado em

ANÁLISE DA SEMANA – NOSSA VOZ É NOSSA VIDA – 11.06.2017

A semana que passou foi intensa de luzes e trevas no Brasil e aqui no Oeste do Pará. Vários acontecimentos foram sinais de preocupações nacionais e regionais. Importante procurarmos entender o que está por trás das palavras usadas e os atos implementados. Para onde caminha a sociedade nacional, belterrense, santarena e demais sociedades dos municípios da nossa região.

Em Brasília se amplia a vergonha nacional por causa dos que deveriam zelar pela ética e boa administração pública. Nem mais o judiciário está se respeitando. Basta ver como o superior tribunal eleitoral se comportou no julgamento do presidente ilegítimo. Manipulados por um ministro politiqueiro, por 4 a 3 votos absolveram Michel Temer, quando uns meses atrás se calaram diante dos corruptos deputados e senadores no impeachment de Dilma Roussef. O presidente Michel Temer continua com a espada sobre sua cabeça, pois há outras acusações da Procuradoria geral da República. Até quando a nação brasileira ficará com essa vergonha nacional?

Aqui na região, houve sinais de luzes e de trevas também. Em Itaituba um vereador denunciou publicamente uma empresa estrangeira que explora ouro no Tapajós, pois entre seus 380 trabalhadores, 80 são peruanos importados, sem se saber se ao menos tem carteira assinada. Na análise do vereador, isso provavelmente é trabalho escravo. Mais grave, segundo ele, a empresa utiliza quantidade de mercúrio e cianeto na exploração do ouro, contaminando solo e igarapés. O IBAMA, a secretaria de meio ambiente do estado e município não dado respostas sobre essas contaminações.

Aqui mais próximo, em Belterra brilhou luz na treva. Diante de um ato autoritário da Câmara de Vereadores do município, com apoio do prefeito, professores da escola Valdemar Maués convocaram uma mesa de debate para discutir a legalidade e justeza da decisão. A decisão política foi o desmembramento de dois mil hectares de uma Área de Proteção Ambiental, a Apa Aramanaí, às margens do rio Tapajós, para entregar a uma empresa construir porto de transbordo de produtos.

O debate teve participação de um plenário lotado de estudantes e comunitários, de autoridades municipais, de advogado, representante da OAB Santarém e militantes dos movimentos populares. Durante as várias falas e questionamentos, ficou claro o confronto entre o grupo político que defende o tal desenvolvimento com geração de emprego e renda, de um lado e o grupo que se preocupa com o presente e o futuro de toda a população municipal. Os políticos não conseguiram convencer os presentes de que uma empresa portuária vá gerar tantos empregos e renda, sem sacrificar uma bela praia apta para a indústria do turismo. Ao mesmo tempo o advogado presente mostrou a ilegalidade de se desmembrar uma APA sem um estudo sério da justificativa para o bem comum da sociedade. Estudantes, professores e comunitários ficaram de exigir estudos das autoridades antes de sacrificar uma parte da APA Aramanaí para entregar o patrimônio coletivo a uma empresa privada.

Semelhante confronto de interesses ocorreu em Santarém nesta semana. Os indígenas do Baixo tapajós, apoiados pelos movimentos populares ocuparam a prefeitura por três dias aguardando o prefeito. Isto porque em reunião anterior com empresários e vereadores, ele afirmou que estava a favor da construção de quarto portos graneleros dentro da cidade, o chamado complexo EMBRAPS. Finalmente na sexta feira o prefeito sentou para dialogar com o plenário da Câmara de vereadores lotado.

As questões levantadas ao prefeito foram diretas. Afinal, ele defende a entrada de empresas, sem medir consequências sociais e ambientais? Ele tem consciência dos impactos que serão construir mais portos graneleiros na cidade. Denunciaram o projeto, lideranças dos pescadores, membros de associações de moradores, lideranças indígenas e o procurador federal Camões.

O prefeito finalmente tomou a palavra depois de escutar a todos os inscritos. Em resumo, ele usou o mesmo discurso desenvolvimentista, afirmando que só aceitará empresas no município que gerem emprego e renda para a população, mas que respeitem as leis. Pra ser real essa afirmação, as empresas terão que fazer consulta prévia e livre com todas as comunidades ameaçadas pelos projetos, terá que haver audiência pública de verdade em que os estudos científicos revelem a viabilidade ou não, de tais projetos.

Na opinião de lideranças dos bairros próximos aos projetos EBRAPS se essas leis forem executadas previamente e o prefeito sustentar sua palavra, a EMBRAPS terá que procurar outro local longe da cidade para seus projetos. Os movimentos populares e os indígenas prometem acompanhar os acontecimentos e fiscalizar o cumprimento das leis. estas são luzes no meio das trevas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.