Entre o joio e o trigo a sabedoria

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ANÁLISE DA SEMANA  NOSSA VOZ É NOSSA VIDA  23.07.2017

Arrogância dos gestores públicos e audácia dos invasores de territórios, hoje mais do que antes dominam, tanto o país, como Estados e municípios. Por outro lado, é visível e preocupante a passividade das populações rurais e urbanas, do sul e do norte. Diante da falta de respeito geral de políticos e governantes, com atitudes de donos de fazenda, com juízes julgando sem ética, só quem pode mudar este panorama é a sociedade civil organizada. Mas ela está conformada com tantas arbitrariedades cometidas, com graves consequências para a desigualdade social.

Decisões que prejudicam as vidas dos trabalhadores, estudantes, povos indígenas e quilombolas, são tomadas por autoridades, sem um mínimo de consulta aos grupos organizados. Um exemplo nacional desta arrogância destruidora é a recente lei deformadora das leis trabalhistas, transformando os trabalhadores em meros escravos, submissos aos patrões. Nem mais férias, nem décimo terceiro salário, nem poder sindical, entre outros prejuízos. Simplesmente deputados e senadores se julgaram no direito  de aprovar uma lei prejudicando as vidas dos trabalhadores, menos as vidas deles mesmos. Completando esse escândalo, dos 17 deputados federais do Pará, 14 deles votaram pela deformação das leis trabalhistas. São contra o povo e dois deles são aqui da nossa região. Será que alguém ainda vai votar neles?

Um exemplo estadual do desprezo das autoridades pelo povo. O governo do Pará ignora a recuperação séria da estrada translago, como ignora a necessidade de asfaltar a rodovia importante para os municípios da calha norte, que vai de Prainha a Oriximiná, cheia de buracos; em Santarém continua a vergonhosa Cosampa deixando bairros sem água; o estádio esportivo continua inacabado.

Nos municípios dois exemplos: em Belterra, o prefeito e vereadores decidiram simplesmente desmembrar dois mil hectares de uma Área de Proteção Ambiental para entregar a empresários portuários. Isto sem consultar as várias organizações da sociedade civil. Em Santarém, o prefeito e vereadores se acharam no direito de terceirizar a administração do hospital municipal. Apesar de algumas reações de grupos da sociedade, eles já estão procurando empresa interessada em assumir o contrato. O próprio Conselho municipal de saúde não concorda com tal decisão, mas os gestores preferem agir por conta própria.

Este é parte do clima que vive a sociedade brasileira, paraense e no Oeste do Pará, o desligamento entre as autoridades eleitas e a sociedade civil organizada. O mais preocupante dessa realidade é que só quem pode mudar a situação são, os sindicatos, as associações, as igrejas, os indígenas, os quilombolas, os pescadores, em fim a sociedade civil organizada. Mas o que há é uma passividade geral, com raras exceções, como os Munduruku na semana passada lá em Teles Pires, um ou outro grupo em casos específicos e localizados.  Isso é muito grave.

Dentro de mais alguns meses os mesmos políticos que hoje ignoram o povo, estarão pedindo votos. Mas os líderes de igrejas continuam pregando o evangelho desligados da dura realidade do povo, lideres sindicais não conseguem unir seus sócios para pensar uma estratégia de resistência a tantas agressões a população; os estudantes universitários com raras exceções, continuam indiferentes ao esvaziamento financeiro da universidade e as agressões das novas leis trabalhistas.

Urgente urgentíssimo todos esses grupos organizados dialogarem para construir uma forma solidária de enfrentamento para se mudar a dura realidade de hoje e do futuro. Aliás, sobre essa ideia, um grupo de organizações está preparando um grande encontro no próximo mês de setembro em Santarém, para se começar a construir esse plano coletivo de enfrentamento dessa situação. Este é o sinal de esperança desta semana.

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