Comunicação como instrumento de transformação social

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COMUNICAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO

Edilberto Sena

Comissão Justiça e paz diocesana e

Movimento tapajós Vivo

16.07.2017

 

  1. Vivemos um dos momentos muito graves de nossa vida social, política e econômica no país e em nossa Amazônia. Os grandes canais de informação deturpam maioria dos fatos e acontecimentos, mas influenciam as populações, por estarem em redes nacionais. Ao mesmo tempo, estamos numa disputa por território, por direitos sociais, saúde, empregos dignos, etc. O capitalismo quer a todo custo escravizar os trabalhadores e os pobres para lhes render mais lucro.
  2. Diz um ditado – “Quem não sabe, é como quem não vê”. E uma cantiga popular diz “quem sabe menos das coisas sabe muito mais que eu…”. Então, como alguém pode saber se é bem informado? E como ser bem informado, dependendo só do que dizem os grandes canais de rádio e televisão? Em quem confiar?
  3. Em nossos movimentos populares, precisamos ter aliados de confiança que trabalhem a comunicação objetiva, com dados e argumentos que facilitem aos lutadores sociais formarem seus raciocínios e conclusões próprias. Não significa conhecimento neutro, O livro do Apocalipse diz que a gente tem que ser quente ou frio, pois os mornos (neutros) serão vomitados…
  4. Como na sociedade estamos numa disputa de interesses, os nossos são totalmente opostos aos dos empresários, do agronegócio, do governo e dos centros de informações deles, canais de televisão, jornais e rádios (Rede Globo, e suas vizinhas, Bandeirantes, Recor, SBT e semelhantes), os nacionais, os estaduais e os municipais. Também infelizmente a maioria dos políticos (vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, governadores e presidentes estão a serviço dos interesses de seus patrões e contra os eleitores.

Esse sistema propositadamente manipula as pessoas controlando as informações para distrair a atenção. Dão importância a cenas de violência nos bairros, dão ênfase aos jogos de campeonatos e assim tratam o povo como criança, como ignorante que se conforma com qualquer coisa que vem de lá. E muitos caem na jogada repetindo – “deu no jornal nacional… deu no fantástico…” e afirmam como verdade. Mas, nem tudo que brilha é ouro. Estas fontes são desonestas, ao não oferecerem notícias reais e completas. Um exemplo foi a forma como noticiaram as grandes manifestações dos movimentos sociais no recente dia 28 de abril. Fontes honestas falaram em cerca de 50 milhões de pessoas nas ruas do país. Já os canais de televisão, à frente a Globo, falaram de vandalismo, pouca gente nas manifestações.

  1. Como deve ser a comunicação dos nossos formadores de opinião? Primeiro, quem serão eles? Supõe-se quem está mais perto de nossas comunidades, organizações e nossas lutas. São os líderes dos movimentos, também os e as professoras, os pastores, os padres. Teoricamente estes são os principais transmissores de informações, sobre a situação social, a política, sobre os direitos coletivos, etc. Infelizmente nem todos líderes populares merecem confiança, ou por serem desinformados, ou por estarem comprometidos com os inimigos de nossas lutas. Há vários deles que não formam, mas alienam seus liderados. Temos que separar os verdadeiros aliados dos pelegos.
  2. Na realidade atual, temos que buscar informações, adquirir capacidade de formar nossa própria consciência crítica. A comunicação é uma troca de ideias, sentimentos, valores, dados corretos, para tirar dúvidas e gerar esperança. Temos que buscar fontes confiáveis, como livros, cartilhas, internet, participar de encontros, seminários. É preciso vencermos um conformismo de achar que quase nada sabemos e não podemos ampliar nosso conhecimento. Como não podemos confiar nos grandes canais de informação, o jeito é buscar nossos aliados e ampliar nossos conhecimentos com quem pode nos dar informações que nos ajudem no enfrentamento da disputa de nosso território. É preciso buscar a verdade, pois só ela nos libertará. Uma forma de se ir ao ponto é formamos uma rede de amigos/as, aliados/as com os quais alimentamos as informações úteis.
  3. A comunicação, só ela não faz a transformação social, mas é importante no caminho da mudança social. Comprometida com a ética e a moral, ela forma cidadãos. Por isso, é tão importante ter boas fontes e se comprometer com a mudança social.
  4. Questões para reflexão do grupo:
  5. Quais são suas fontes de informação de confiança hoje?
  6. Quais as maiores dificuldades do seu grupo para estar bem informado?

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