Mês: setembro 2017

Será o fim do Mundo? sim e não!

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Análise da semana Nossa Voz é Nossa Vida – 002.10.2017

Afinal, estamos chegando ao fim do mundo, por acaso? Sim e não. Da parte de Deus certamente que não, pois ele é o Deus da vida, tanto dos seres humanos, como da mãe natureza e de todo o universo. No entanto, por parte dos seres humanos, que se tornam irracionais e perversos, há um mundo que está chegando ao fim. Basta olhar aqui no baixo Amazonas, onde 70 mil hectares de matas e florestas foram substituídas por agronegócio e agrotóxicos de várias espécies. Quantos outros hectares de mata e floresta já foram derrubados para grandes fazendas aqui na região?

Há poucos dias, estive atendendo uma pessoa doente na vila Cipoal. Era doente de câncer. Em seguida,me chamaram para atender espiritualmente outra pessoa doente de câncer. Então indaguei sobre outros casos de câncer naquela área. Contaram seis casos recentes. Alguns anos atrás não se morria tanto por causa de câncer, mas desde o ano dois mil e três para cá, o caso é sério. Quem diz que não tem nada a ver câncer com o intenso uso de glifosato e outros chamados defensivos agrícolas.

Nesta semana passada, os termômetros marcaram 36 graus na sombra aqui na região. Dizer que isso é por causa do verão, é simplista. Com tanto desmatamento, esse calor é sinal de um mundo chegando ao fim. Mas não só o agronegócio é responsável por tudo isso. Nestes dias, 14 comunidades dos rios Curuauna e Mojú estão angustiadas. A Eletronorte construiu mais uma turbina em sua hidroelétrica, sem se importar com mais de mil famílias que vivem rio acima. Represa as águas para mover suas quatro turbinas e o povo que se lasque. Rio acima está secando e já mal podem arrastar as canoas e a água está poluída. Já na cidade de Santarém, siais do fim do mundo estão aparecendo. Um deles é a morte dos lagos do Mapiri e do Papucu, além do igarapé Irurá. O governo federal investiu alguns milhões de reais para construir duas Estações de tratamento de esgotos na cidade. Nenhuma funciona como devia. A ETE do Mapiri despeja fezes dentro do lago.

Nem a prefeitura, nem a SEMMA, nem a Cosampa se preocupa comesse extermínio do lago do Mapiri. O esgoto do conjunto Minha Casa Minha Vida é canalizado para a ETE, que não funciona como devia e despeja a sujeira no lago. Nem as comunidades impactadas dos bairros, Maracanã, Santa Clara, Mapiri e Liberdade tomam atitude firme em defesa da vida. Vários preferem comer peixe pescado com fezes na barriga. Há informações não oficiais de que o esgoto do Shoping Center Tapajós é lançado no lago do Papucu, anexo ao Mapiri. Será verdade? E o esgoto do novo conjunto Minha Casa Minha Vida da avenida  Moaçara irá também para o lago do Mapiri? Este é o mundo que chega ao fim.

E tem mais assassinato sendo armado agora pela Câmara de Vereadores. Amanhã, o presidente da Casa, está colocando em votação mais uma mudança da lei do solo urbano. Por essa nova, altera lei anterior de 2012 do parcelamento e uso do solo urbano. Por que os vereadores estão apressados em modificar a lei, quando ainda estamos estudando a atualização do Plano Diretor? Qual o interesse dos vereadores? Tudo indica que querem favorecer a construção de portos na área de proteção ambiental Maicá e favorecer construção de prédios de cinco ou mais andares na vila de Alter do Chão. A quem interessa tais mudanças rápidas na lei do solo municipal? Não é isso mais um fim de mundo de Santarém?

Próxima , quarta feira é dia de São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia. Será que alguém vai escutar o grito por socorro dos lagos do Mapiri e Papucu? Alguém vai ouvir o clamor do lago do Maicá e do Juá e será que a Eletronrote vai ouvir o clamor de mil famílias que vivem acima da hidroelétrica Curuauna? Resistir é urgente e necessário, o mundo da Amazônia pede socorro. Deus Pai Eterno entregou em nossas mãos o cuidado com a Casa Comum. Se as autoridades se omitem e até querem acelerar o fim do mundo, nós cidadãos temos que assumir as dores da mãe natureza e dos pobres. Você também ouve esses clamores?

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O clima esquenta e as causas são várias

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Editorial RNA – 26.09.2017

Hoje em Santarém e provavelmente, em toda a Amazônia, os termômetros marcaram 34 graus na sombra. Quem está debaixo do sol à tarde, deve estar sentindo 38 a 40 graus. É verão, setembro, mas não é só isso que explica realmente essa mudança do clima. A rapidez com que estão destruindo a natureza é irracional. São irresponsáveis as queimadas, as derrubadas a correntão de florestas, as escavações em busca de minérios, a destruição da dinâmica dos rios para construírem barragens. Tudo isso torna muitos seres humanos criminosos e genocidas em busca de lucros.

Ou será que alguém pensa ser essa mudança do clima uma coisa normal, porque é verão? Serão normais os furacões, os terremotos cada vez mais frequentes? Em sã consciência alguém pode dizer que três grandes barragens no rio Teles Pires não causa impacto no rio Tapajós? Será que alguém ousa crer que derrubadas de três mil hectares de mata aqui, três mil ali para plantar soja, dendê e outras monoculturas, inclusive pastos de fazendas, não provocam esse aumento de calor e seca de rios e lagos? Só um cínico, um ignorante ambicioso de ganhar dinheiro a qualquer custo pode dizer que isso não tem nada a ver com o clima.  O Papa Francisco afirmou outro dia que, nós somos capazes de perdoar quem nos ofende, Deus perdoa sempre quem se arrepende, mas a natureza não perdoa, aqui se faz ela reage.

Infelizmente as graves consequências da destruição não recaem só sobre os criminosos, mas recaem sobre todos os seres vivos da Amazônia. Agora mesmo no município de Mojui dos Campos no Baixo Amazonas, enquanto a Eletronorte constrói mais uma turbina no rio Curuauna e represa mais água, 14 comunidades que vivem rio acima, sofrem com o rio secando a cada dia. Pode-se bem imaginar o que está acontecendo lá em Roraima, com as mineradoras escavando terra e destruindo floresta, lá no Acre com os garimpos escavando os rios em busca de ouro e em Rondônia com a aplicação de agrotóxicos na monocultura de soja.

Até onde e até quando vai continuar essa destruição estúpida e insensata de ambiciosos que utilizam a natureza, apenas como objeto de geração de lucros? O que fazem o IBAMA, o ICMBIO, até quando vamos suportar uns deputados, senadores, presidente inescrupulosos, que continuam indiferentes aos clamores da natureza? E os povos da Amazônia, vão continuar submissos e de cabeça baixa?

Movimentos populares juntos serão muitos

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Editorial RNA – 13.09.2017

Para onde está caminhando o Brasil e a Amazônia? Ainda será possível se construir uma sociedade em que a justiça social e a solidariedade prevaleçam nas relações políticas, econômicas e ambientais? Há um ditado que diz que a esperança é a última que morre. Com ela e força de vontade coletiva é possível neste país se superar a destruição.

Enquanto a capital da república se tonou um covil, numa teia de víboras, umas ferrando as outras, na Amazônia continua a esperança sendo alimentada. Na cidade de Santarém, no próximo fim de semana, 165 militantes de movimentos sociais estarão construindo um plano estratégico para defender seu território contra a invasão do capital. São militantes de sindicatos, associações comunitárias, pastorais e o Movimento Tapajós Vivo vindos de 18 municípios do Oeste do Pará.

Eles e elas enfrentarão o desafio de escutar as experiências de lutas de cada um, analisar a gravidade das várias invasões do território por mineradoras, madeireiras, monoculturas de soja e milho com agressivo uso de agrotóxicos, projetos de portos graneleiros e hidroelétricas. Em seguida vão debater e construir juntos um plano estratégico para enfrentar essa destruidora invasão do capital.

Compreendendo que isolados não tem condição de medir forças com as articulações do grande capital, esperam com solidariedade, agindo com estratégia coletiva se tem um caminho capaz enfrentar os projetos de crescimento econômico, que destroem a convivência humana e a natureza.

O encontro dos movimentos sociais em Santarém, em dois dias e meio faz parte de um processo iniciado há três anos na região, que compreende ser necessário cada sindicato e movimento popular, escutar os outros, sentir os desafios de juntar as forças em solidariedade e eficiência, para serem capazes de defender o território comum a todos.

Esta é a esperança que alimenta várias organizações populares numa região tão agredida pela cobiça do capital. Uma outra Amazônia é possível.

Chefe da gang mercadeia o Brasil na China

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Editorial RNA – 19.09.2017

Michel Temer, mesmo sendo um presidente ilegítimo, foi até a China participar de uma reunião de chefes de Estados. Lá ofereceu à venda boa parte da Amazônia. Entre outras mercadorias ofereceu hidroelétricas a serem construídas, minérios a serem explorados e exportados, sem pagar imposto de exportação, possibilidades de terras para agronegócio e empresas estatais como a Eletrobrás. Seus colegas, mesmo sabendo que ele pode ser deposto a qualquer momento, o abraçaram e examinaram as condições favoráveis de negócio. Michel Temer não consultou as populações se concordavam com tantos negócios com as riquezas da Amazônia, ele agiu como um imperador que não precisa dar satisfação aos súditos. Ignorou até a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual seu país é assinante. Esta convenção exige que antes de iniciar qualquer grande projeto hája uma consulta livre e bem informada às populações locais. Para Michel Temer os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, moradores das cidades da Amazônia, são apenas obstáculos ao crescimento da economia do país, por isso são ignorados.

Então quem poderá defender os interesses dos povos da Amazônia? A única saída é os moradores da região organizados em sindicatos, associações, movimentos sociais, organizações de mulheres e os povos indígenas construírem uma rede planejada para tecer o enfrentamento a tanta violação de direitos e defender o território e as vidas dos moradores da região. No último final de semana aconteceu uma experiência nesse rumo na cidade de Santarém. Cem militantes de movimentos sociais de 12 municípios do Oeste do Pará, durante dois dias e meio debateram a situação e buscaram construir uma rede de enfrentamento conjunto à invasão do território pelo capital nacional e estrangeiro.

Chegaram a um acordo de trabalhar três propostas em rede solidária: Fazer um trabalho de base nas suas áreas de atuação; lutar juntos na defesa do território ameaçado de invasão e utilizar uma rede de comunicação para manter os vários grupos de companheiros interligados e informados, com vários meios, rádio, redes sociais, jornais. Esta iniciativa de trabalhar em rede de vários movimentos se espalhado pela Amazônia. É a defesa do Bem viver contra o viver bem de poucos. Certamente que governos e empresas terão uma barreira para sua sanha de destruir a casa comum dos amazônidas.

A hora está chegando

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ANÁLISE DA SEMANA – NSSA VOZ É NOSSA VIDA – 24-09-2017

A vida passa, as coisas acontecem não por acaso. Com o atual sistema capitalista, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres ainda. Sobem os preços da carne, do peixe, da gasolina e outros gêneros de necessidade, sem que subam os salários e até os empregos desaparecem. Hoje são 14 milhões de desempregados no país. Por isso, aumentam os limpadores de para-brisa de carros, vendedores de picolé, vendedores de drogas e assaltos a celulares. O que continua surpreendendo é que a situação se agrava, os corruptos negociam suas bandalheiras e a sociedade não reage. Parece que a maioria da população acha normal que a justiça ponha no presídio jovens vendedores de papelotes de cocaína, mas deixe fora do presídio ladrões de dinheiro público, ou quando são condenados vão para locais reservados para ladrões universitários, ou militares. Para a maioria,  parece normal o governo retirar pessoas com deficiência física ou mental dos benefícios do INSS, mas o próprio governo não exige devolução de mais de um bilhão de reais de dívida da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, do Bradesco, entre outros grandes devedores, para com a Previdência Social. Esses e outros devem, não pagam e nada acontece com eles.

Tudo isso acontecendo e boa parte dos pobres vibrando pelo flamengo, botafogo, vasco e coríntias, nos estádios de futebol. Outros estão em Alter do chão vibrando pelo Sairé e os botos. Os sofridos mal alimentados e até sem emprego, inclusive sindicalizados, não decidem ir às ruas, pressionar as autoridades por justiça, empego, saúde e respeito ao meio ambiente. Digo maioria, porque só quando a maioria da população do país se rebelar as autoridades vão escutar os clamores.

Mas, a indignação popular começa a dar sinais. Na semana passada em Santarém, lideranças de movimentos sociais de 12 municípios do Oeste do Pará, se reuniram por dois dias e meio discutindo a grave situação que vivem as populações da região, violentadas por agrotóxicos, extração de madeira, mineradoras, projetos de portos graneleiros, projetos hidroelétricos no rio Cupari e no Tapajós. Diante dessa realidade e a incompetência de órgãos como IBAMA, ICMBIO, INCRA, decidiram armar uma estratégia de enfrentamento a essa invasão do território. Juntos e conscientes vão partir para o enfrentamento.

Outro sinal de que a paciência do povo está se esgotando acontece na região do rio Curuauna, onde está a hidroelétrica no município vizinho de Mojuí dos Campos. Ali, enquanto a Eletronorte construiu mais uma turbina usando mais água, rio acima 14 comunidades rurais, incluindo cerca de 1.500 famílias estão com falta de água limpa, pois o rio está secando. Além disso, apenas a comunidade de Vista Alegre do Moju tem energia elétrica nas casas, todas as outras estão no escuro. Mas a Eletronorte não dá a mínima para eles. Então, a paciência está esgotando. Lideranças das 14 comunidades estão preparando uma ação enérgica para serem escutadas pelas autoridades municipais e federais. O rio seca, a empesa acumula água na barragem e o povo passa privações. Dizem eles que chega de molecagem da Eletronorte e indiferença das autoridades municipais.

Já em Santarém, o prefeito vai empurrando goela abaixo da população a terceirização da gestão do hospital municipal. Não consulta a população, induz os dóceis vereadores a aprovarem a coisa e dane-se o povo se daqui a seis meses não der certo. A empresa certamente vai organizar bem o hospital, mas limitar a entrada de apenas 30 ou 40 pacientes por dia, quando chegarem mais dez ou quinze, terão que ficar na rua ou ir se hospedar na Câmara de vereadores, ou no prédio da prefeitura esperando vagas no hospital. Será que só quando isso acontecer, é que a sociedade civil vai fazer barulho?

Eis a questão, até quando os moradores de nossos municípios vão suportar calados e fingindo não ver os desmandos dos políticos e gestores públicos? O que você, ouvinte pensa sobre tudo isso? Qual é a sua opção?

Desfiles e Gritos pelas pátrias

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 10.09.2017

A semana que passou teve muito calor, bom vento para uns e sofrimento para quem navega nos rios da região. Teve alegrias e tristezas, mas acima de tudo teve vida e a mãe natureza gritando com furacões e terremotos, a dizer que não suporta mais tanta agressão às florestas, aos rios, a poluição com agrotóxicos e gás carbônico. No Brasil, dois acontecimentos merecem uma análise também. Um de celebrações da semana da pátria, o outro do Grito dos excluídos. O primeiro induziu milhares de crianças e jovens a desfilarem pelas ruas, rufando os tambores, como se fossem soldados. Tudo pela pátria, este ser sem rosto e hoje sem dignidade por causa de seus dirigentes. A tal ponto que um deputado federal sem expressão, vende seu voto para manter o presidente ilegítimo no cargo, em troca nomeia seu irmão para superintendência do INCRA no Oeste do Pará. O moço desconhecido, não se sabe tem se qualificação, mas é irmão do deputado que vendeu seu voto. Que se pode esperar do superintendente do INCRA nomeado dessa forma?

O Grito dos excluídos, com menos participantes, até em presença em Santarém e municípios vizinhos, mas marcou presença em vários estados. É o início de uma resistência popular aos desmandos que vivem a administração pública, que garante privilégios de políticos e retira recursos das universidades e do SUS. No oeste do Pará, mesmo sem ter realizado o Grito dos excluídos na semana da pátria, vai acontecer um outro grito organizado neste próximo fim de semana. Será o encontro do Forum dos Movimentos sociais, que reunirá em Santarém 165 militantes de vários movimentos que lutam em defesa de nosso território, incluindo os que chegam de Terra Santa, Óbidos, Oriximiná, Aveiro, Itaituba e demais municípios da região, que não suportam mais tantas agressões ao nosso território. Análise da realidade, troca de experiências de pequenas lutas, busca de um caminho concreto de defesa de nossos direitos de povos tradicionais da região contra a invasão do capital.

Outro acontecimento em andamento na região é a renovação do Plano diretor do Município. Não sabemos se em todos os municípios   está ocorrendo reuniões entre poder público e sociedade civil para atualização do Plano diretor. Em Belterra e Santarém é afirmado que está sendo feito sem a participação de muita gente. Uma pena, o processo é organizado pela secretaria de planejamento do município, no caso de Santarém. Infelizmente a primeira etapa de estudo para renovação do plano foi de fraca participação também por inconveniência de datas e horários. Mas é preciso que quem sente necessidade de melhor organização de sua cidade e seu distrito, que fique atento para a data e hora da próxima audiência pública para conclusões do que deve ser atualizado e o que deve sair do plano.

No Caso de Santarém, os moradores da cidade precisam dizer se a cidade deve ser lugar para se morar dignamente, ou se deve entregar para portos graneleiros, portos para combustíveis, fábricas dentro da cidade, olarias e serrarias na área urbana. Assim por diante. Caso pouca gente participe e se cala, não poderá reclamar depois pelos erros aplicados pelo poder público se baseando no Plano diretor. Quem não participa das decisões não tem direito de reclamar depois. O presente e futuro de nossa cidade e nosso distrito depende de como nós hoje lutamos firmes pelo que é certo e justo.

Cantar louvores à pátria…que pátria?

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EDITORIAL RNA – 05.09.2017

Dia da Amazônia, proclamam uns, Semana da Pátria rufam os tambores e marcham nas ruas crianças ingênuas e jovens garbosos sem saber exatamente o que é a pátria. Mas chegou setembro, diretoras e professoras animadas ou não, botam seus alunos fardados nas ruas a um calor de 35 graus e sol escaldante. Na sombra do palanque oficial, autoridades nem sempre lideranças populares, perfilam fazendo de conta que estamos numa democracia exemplar, de Ordem e Progresso. Todos comemoram o quê? Fazem memória de quê? Eis a questão.

Dizem alguns historiadores, que o grito do Ipiranga não foi um ato de bravura com apoio popular. Foi sim pressão de uma elite sobre o imperador, com receio de voltarem a ser escravos de Portugal. Já a declaração da república foi outra pressão de elites políticas que para se manter no poder expulsaram o imperador. De lá para cá a Res pública continuou a ser a panela de elites, ora militares, ora latifundiários, ora banqueiros, ora como hoje, uma associação de Ali Babá.

Hoje a pátria amada chega ao mais fundo do poço da desigualdade social, com 14 milhões de desempregados, universidades ameaçadas de fechar por falta de recursos, juízes, deputados e senadores ganhando renda de mais de 40 mil reais por mês, povo sem mais esperança de se aposentar depois da lei da previdência. e também, um presidente ilegítimo acuado e ameaçado de cair do cargo. A pátria continua sendo de ordem para estudantes, professores, subserviência de trabalhadores e, Progresso para as elites dominantes. Um procurador da república aposentado disse que “uma economia, um direito, uma lei, uma política indiferentes à ética, só podem gerar maus efeitos. A sociedade brasileira está cada vez mais perplexa, diante da profunda crise ética, que tem levado a decisões políticas e econômicas, sem a participação da sociedade, agravando a situações de exclusão”.

Como cantar louvores à pátria, que pátria?