A noite é de trevas mas brilha uma estrela

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Análise da semana – 03.09.2017

Antes de concluir o mês com fama de mês do desgosto, mais tragédias aconteceram, naufrágios, mortes e mais um desgosto causou o presidente ilegítimo, Michel Temer. Decretou a extinção da Reserva do Cobre, entre o Pará e Amapá, bem ali próximo de Monte Dourado. Como as reações a tal crime foram intensas no país e no estrangeiro, Michel Temer recuou e tentou modificar o decreto mas ficando quase tudo como antes. Finalmente a justiça deu um basta e desautorizou o presidente ditador a entregar a RENCA à cobiça de mineradoras nacionais e estrangeiras. Agora ele será mais uma vez denunciado pelo Ministério Público Federal de corrupção, em bora não se possa esperar justiça do Supremo Tribunal.

Algo interessante aconteceu aqui na região. Na última quinta feira, na cidade de Belterra foi realizado um seminário sobre os impactos à saúde humana e ao ambiente pelo uso de agrotóxicos na monocultura de soja no município. O público presente era na maioria composto de estudantes e professores da escola Valdemar Maués. Convidados à mesa de exposições estavam, o secretário municipal de agricultura, o diretor do Ministério da Agricultura, uma média oncologista do Hospital regional e um membro da ONG Fase. Cada um teve fez uma exposição do tema, impactos do uso de agrotóxicos na monocultura de soja na região. Lá estivemos o advogado Thiago Rocha e eu pela Comissão Justiça e Paz da diocese. O importante do seminário foi a oportunidade que tiverem estudantes e professores de escutar diferentes enfoques do assunto. Vários questionamentos foram levantados sobre as exposições dos mesários. Um deles: se o Ministério da Agricultura tem o papel de vigilância como é que continua a derrubada de floresta na região, sem punição dos criminosos? Lá mesmo dentro da área semi urbana do município acaba de ser derrubada à correntão floresta para plantio de soja e nem o prefeito, os secretários de meio ambiente e agricultura tomam nenhuma providência? O uso de defensivos químicos continua indiscriminado, inclusive com uso de glifosato e outros agrotóxicos altamente venenosos e ninguém toma providência. O secretário de agricultura defendeu o uso de agrotóxicos desde que com equilíbrio. Mas foi questionado, como fazer uso equilibrado numa plantação de mil e até dois mil hectares de soja?

A exposição de médica oncologista entrou na questão central da contaminação por inseticidas e seus impactos na saúde humana. Ela afirma que tem aumentado seriamente o número de doentes de câncer aqui na região. Infelizmente ainda não se tem aqui a competência para classificar os doentes contaminados pelos agrotóxicos. No entanto, em outras regiões do Brasil já há evidências do aumento de doentes de câncer causados pelo uso de agrotóxicos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o rio Grande do Sul, onde há uso intenso de defensivos químicos no cultivo de soja e milho, tem a maior taxa de mortalidade por câncer. Segundo o oncologista Fábio Frank de Ijuí, a maioria dos doentes vem de áreas rurais, porém não é só ali que está o problema, pois nas cidades o câncer chega pelas frutas e legumes contaminados.

Então, a semana que passou teve momentos trágicos e momentos ricos de eventos que podem gerar uma tomada de consciência cidadã. Afinal, a experiência dos estudantes de Belterra deve ser seguida por outras escolas de Santarém, Mojuí, Monte Alegre, Alenquer e toda a região.

Construir cidadania é mais do que tirar título de eleitor ou aprender matemática e geografia. Parabéns escola Valdemar Maués em Belterra.

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