Intensifica a disputa por território no Oeste do Pará

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida  – 11.02.2018

Mais uma vez estamos partilhando com você  uma análise de fatos, ou acontecimentos  recentes, que tem a ver com nossas vidas. Precisamos refletir sobre que atitudes tomar diante do que acontece e tema ver com nossa região, nossas comunidades e conosco mesmo.

Comecemos assim: Os 26 municípios do Oeste do Pará, incluindo aqui, Santarém, Mojuí, Belterra entre outros, são um território rico de seres humanos, florestas, rios, peixes, gados, minérios e outras riquezas. Por séculos, as populações aqui viviam da agricultura familiar, pesca artesanal, criação de pequenos rebanhos e dos frutos da floresta. Lembra disso?

Desde os anos 70 para cá, nossa região se tornou uma arena em disputa pelo território, por causa de todas as riquezas aqui existentes. Começou com a invasão do rio Tapajós e seus igarapés, pelos garimpos. Toneladas de ouro foram extraídas e exportadas, deixando toneladas de mercúrio venenoso como herança. O Tapajós azul se tornou barrento. Com a abertura das duas rodovias cortando a região, vieram as fazendas e a destruição de matas e florestas. Mais riqueza produzida e exportada, enquanto as populações continuavam pobres  e mais pobres, entre os quais você e seus vizinhos. Confirma?

Do ano dois mil para cá ampliou a disputa pelo território florestal,  agrário e dos rios. Com a invasão da multinacional CARGILL e seu porto moderno tomando parte do bairro Laguinho, disparou a invasão da soja e  milho para exportação. Hoje 70 mil hectares estão ocupados com plantação da monocultura envenenada com agrotóxicos. O hospital regional está lotado de pacientes com câncer, com pacientes até pelos corredores da área oncológica. Diminuiu o número de propriedades da agricultura familiar para aumentar as propriedades da soja e milho de exportação. Mesmo aparecendo muitos  carrões bacanas nas ruas da cidade, não se pode esconder que aumentou a pobreza na região. Só no município de Santarém, cerca de 28 mil famílias dependem hoje do programa Bolsa Família.

Nos rios e lagos se ouvem as reclamações dos moradores por causa da invasão de geleiras com seus grandes arrastões destruindo peixes que não servem para seu negócio de exportação.  Por conta disso, aumenta a oferta de peixes de criatório em tanques de sabor inferior aos nativos. Outra invasão de território. Até quando e até que ponto os moradores invadidos nas cidades e no campo vão suportar calados ou murmurando essa invasão destruidora de vidas?

A lista de invasões e disputa por território vai aumentando  cada dia. As serrarias por todo canto revelam quanta madeira está sendo extraída das florestas. Pesquisadores afirmam que 70 por cento da madeira exportada do estado do Pará sai ilegalmente, com licenças frias. Sai riqueza e fica pobreza, basta perguntar aos peões de madeireiras sobre seus salários. Acrescente-se a isso as grandes mineradoras de bauxita, calcário, e ouro em Juruti, Oriximiná, Aveiro, Itaituba, entre outras. Todas extraindo riquezas da região e deixando buracos, veneno e trabalhadores pobres. Por que essa constante disputa pelos  territórios, os moradores da região saem sempre perdendo? Até quando?

Com toda esta ladainha de invasões de empresas e capitais forasteiros, o que será de nosso território tapajônico  e Oeste do Pará? Onde estão os que se orgulham da terra em que nasceram? Hoje em Santarém se canta “teu luar Vera Paz, que saudade na gente dá…” e também cantam outra “Nunca vi praias tão belas, prateadas como aquelas no torrão onde nasci…”

Mas permitem que a CARGILL tenha invadido parte do tapajós e parte do bairro do Laguinho e nada fizeram. Hoje muitos querem nova invasão da área Verde para construção de mais quatro portos graneleiros, sem respeitar a Área de Proteção ambiental Maicá. Nos próximos dias os vereadores de Santarém devem confirmar o novo plano diretor do município aprovado por assembleia democrática. Mas suspeitam uns que os vereadores podem desrespeitar as decisões aprovadas antes para atender interesses empresariais. Será que tudo isso vai acontecendo sem que haja um levantamento popular em defesa de nosso território? Você vai cruzar os braços? Vai esperar por quem? Quem gosta de nós somos nós , será? Pense nisso e em nossa responsabilidade social e cristã.

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