Água potável desaparece nos rios e lençol freático do Oeste do Pará

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Análise da Semana  –  Nossa Voz é Nossa Vida  –  25.03.2018

Na sexta feira passada o mundo civilizado comemorou o dia mundial da água. Como esse dom precioso foi celebrado em seu bairro e sua comunidade? Água potável é um direito humano universal. Potável significa que se pode colocar no pote para beber e usar, que está cristalina e pura. Então, quem garante que a água que sua família usa é potável? A água servida pela Cosampa em Santarém tem garantia de ser potável?  E as águas dos microssistemas tem garantia de serem potáveis? E a água que você usa do poço do quintal, ou de seu vizinho, foi examinada no último ano? Tem garantia de ser cristalina e pura? E por aí vão as questões sobre a pureza das águas do rio Tapajós, do Arapiuns, e as águas dos igarapés do Urumari, São Brás, Cucurunã, podem ser usadas na cozinha e no pote? Sem falar nas águas dos lagos do Juá, do Papucu e Mapiri. Tem-se a impressão de que nenhuma água aqui na região é potável.

Mas e daí? Que fazer? Deve estar perguntando você. Culpa de quem? Mesmo que você já tenha pensado numa resposta, creio que são dois sujeitos os responsáveis por essa agressão permanente ao dom de Deus, a água potável. O primeiro deles é nós mesmos, sociedade civil. Como calamos diante do uso agressivo de agrotóxicos na produção agrícola? 70 mil hectares de terra em nossa região estão semeados de soja e com agrotóxico. São 24 diferentes tipos de veneno agrícola utilizados, maior parte pelos cultivadores de soja, mas também por membros da agricultura familiar. Quem utiliza agrotóxicos sem preocupação com seus impactos comete grande violência.

No hospital regional em Santarém está aumentando o número de pacientes com câncer, o que não havia 40 anos atrás, por quê? Mas também o que estão fazendo nos igarapés de nossa região, é violência grande a atingir crianças e futuras gerações. Quem hoje ousa mergulhar no igarapé do Irurá, ou lagao do Mapiri? E ali a poluição é de esgotos caseiros.

Outro sujeito culposo é o poder público, tanto o municipal, como o estadual. Por lei, todo poço artesiano, todo microssistema e as cisternas da Cosampa, devem ser examinados e corrigidos a cada seis meses. Para isso, são pagos funcionários da Divisão sanitária, a Divisa, secretarias de meio ambiente municipal e estadual, entre outros órgãos ligados à saúde pública e meio ambiente. Quando foi a última vez que foi examinada a água do microssistema de Jacamim, Cipoal e bairro Floresta? Quando foi a última vez que foi publicado nos canais de TV e rádio de Santarém e Belterra, a prova de água potável servida pela Cosampa? Se a resposta for, já faz tempo ou nunca foi publicado isso, é violência contra as populações.

A Campanha da Fraternidade nos convoca a lutar firme para superar a violência. Se a água potável é um direito humano universal e se ela está sendo poluída e causando doenças nos seres humanos de nossa  região, então não podemos ficar de braços cruzados diante desse grave crime que está sendo aplicado a nossos filhos e futuras gerações. Como diz a canção – quem sabe faz a hora não espera acontecer. E um ditado afirma que quem gosta de nós somos nós mesmos.

Água contaminada em nossas torneiras, nossos igarapés, lagos e rios é grave violência. Podemos acusar os poderes públicos, devemos pressioná-los organizadamente. Para isso, em nossas comunidades há associação de moradores, há Comunidades eclesiais de base, grupos de oração, cultos e celebrações cristãs, reflexões bíblicas. Se não assumirmos esta ligação entre a palavra de Deus e a realidade que vivemos, que tipo de cristãos somos?

Aqui presto uma homenagem a dois mártires deste mês no Brasil. Uma a Mariele Franco no Rio de Janeiro; o outro Sérgio Vieira em Barcarena no Pará. Ambos deram a vida lutando por justiça, em defesa da vida de seus semelhantes. Ambos estão no céu, como Jesus Cristo amaram até a última gota de sangue. Eles são exemplos para você e para mim.

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