Nem frio, nem morno na atual conjuntura

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Nesse tempo de trevas, cristão não pode ser frio, nem morno

Pe. Edilberto Sena – Comissão Justiça e Paz da Diocese – 17.04.2018B

Nosso país vive um tempo de trevas, política, social, econômica e moral. As consequências para os trabalhadores e os pobres são graves e por longo tempo. Nossa Amazônia, que já é o almoxarifado do capital destruidor, com esta ditadura fica mais destruída. A constituição nacional vai sendo ignorada cada dia, pelo desgoverno Michel Temer, pelo Congresso Nacional e pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A ditadura Temer aumenta a desigualdade social. Hoje são cerca de 60 milhões de brasileiros a depender do programa Bolsa Família e cada dia aumenta mais. O programa Minha Casa minha Vida teve um corte de investimento em 50 por cento nos últimos dias. O salário mínimo neste e no próximo ano vai perdendo valor, por não acompanhar o índice da inflação. Com a imposição do corte de gastos públicos até o ano 2036, sofre o cuidado com educação e saúde. O Ministério de educação já decidiu que o governo federal não tem mais obrigação de garantir ensino médio gratuito. Com isto jovem pobre estará excluído de concluir seus estudos, por falta de recurso para frequentar escola paga.

O ilegítimo presidente Michel Temer tem conseguido toda essa destruição de democracia, comprando consciências de deputados e senadores e conivência do judiciário. Para se ter ideia da corrupção legalizada, a destruição das leis trabalhistas, foi feita pela compra de votos dos deputados e senadores, que para isso fizeram emenda na constituição. Assim, dos 17 deputados federais do Pará, 14 venderam seus votos ao Michel Temer, ajudaram a destruir as leis trabalhistas e agora chegam à região anunciando que trazem verbas para obrinhas, como orla fluvial, hospital de Alenquer, etc. Dois dos três senadores do Pará também venderam seus votos e agora aparecem anunciando verbas para obras em alguns lugares.

As próximas eleições nacionais em outubro

Neste contexto de corrupção, a anti democracia chega a novo período eleitoral.  Dentro de seis meses todos os e as eleitoras serão obrigados a comparecer diante das urnas. Seremos chamados a escolher um presidente, dois senadores, deputados federais, um governador e deputados estaduais. Mas se a situação é assim tão imoral, em quem votar? Se os mesmos que destruíram as leis trabalhistas e se submetem ao ditador Michel Temer se apresentam como candidatos, o que esperar deles? Alguém honesto e vítima da desmoralização dos políticos, ainda vai votar num deles? Quem troca seu voto por algum favor é tão imoral quanto esses deputados e senadores que apoiam o ditador Temer.

A CNBB e a Conjuntura brasileira

Diante dessa realidade cruel, como se posicionam os bispos brasileiros, nestes dias em assembleia nacional em Aparecida do Norte, São Paulo? 200 bispos estão reunidos em oração e debates sobre o papel evangelizador da Igreja Católica e seus pastores. Eles tem recebido  questionamentos e pressões de grupos de leigos de comportamentos opostos. De um lado, grupos reacionários, piedosos criticam  bispos, padres e leigos das CEBs e das pastorais sociais. Querem uma condenação dos bispos ao que consideram desvios da doutrina cristã. De outro lado.  Cristãos comprometidos com a libertação buscada por Jesus de Nazaré, cobram  dos bispos da CNBB uma posição clara de condenação da ditadura Michel Temer e seus colaboradores. Líderes da Articulação Nordeste de Pastorais sociais, CEBs  e organismos enviaram carta aos bispos em assembleia. Entre outras afirmam que “O ano do laicato, os 50 anos da Conferência episcopal de Medellim, a canonização de Dom Oscar Romero, assim como a palavra e  testemunho do Papa Francisco nos ajudem a descobrir juntos os caminhos, vivenciando uma pastoral de conjunto, missionária, profética e pascal. O amor pelos pobres está no centro do Evangelho”.

Acontece que os 200 bispos estão divididos na CNBB. Uma parte deles é conservadora, uns até reacionários. Acham que a política não faz parte da evangelização. Outra parte dos bispos é mais comprometida com a libertação dos pobres e por isso se inquieta com os absurdos da ditadura Temer. Mas a maior parte dos bispos brasileiros é acomodada, nem quente, nem fria. Esse é o problema maior da CNBB, há unidade no louvo e não há unidade no profetismo esperado.

Até o final desta assembleia, dia 22.04 se saberá se a decisão dos bispos católicos será quente, ou fria, em relação a conjuntura  cruel do país. Independente dos bispos, diante desse tempo de trevas, os cristãos fiéis às bem aventuranças propostas por Jesus de Nazaré, não poderão ser frios ou mornos.

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