Povos do Tapajós mirem o espelho Belo Monte e enfrentem o monstro ameaçador

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Análise da semana  –  Nossa Voz é Nossa Vida  – 06.05.2018

O tempo avança, coisas acontecem a cada momento, às vezes bem próximo de nós. Outras vezes, na região e também na Amazônia, como também no país e no planeta. De alguma forma tudo o que acontece em qualquer local ou região atinge nossas vidas, mesmo quando não nos damos conta. Um exemplo, o governo federal continuamente faz subir o preço dos combustíveis, quase a cada semana. Com tal decisão lá em Brasília, todos somos atingidos ao ver os preços das passagens, o quilo de arroz, uma lata de óleo. Se agente reclama no comércio o dono diz  que a culpa é do pessoal lá de cima. No Pará estão localizadas duas das maiores hidroelétricas do país, mas nós pagamos a tarifa mais cara e agora inventaram mais uma tal de faixa amarela no consumo de casa.

Por outro lado aqui mesmo na cidade, se cai uma chuva mais forte, as ruas da periferia se enchem de valas e as asfaltadas aumentam os buracos. O poder público diz que não sabe o que fazer com tanta chuva, embora quando o prefeito foi candidato prometia maravilhas para a cidade e o campo. E assim as coisas acontecem e causam impactos em nós, pra bem, ou pra mal. A sociedade civil sofre, mas suporta apenas murmurando e xingando vereadores, secretários e prefeito.

Hoje em dia, as autoridades só atendem aos clamores da sociedade quando grupos e movimentos populares vão pra rua, ocupam prefeitura, INCRA, IBAMA. Quando trabalhadores fazem greve, paralisam ruas e empresas é que as autoridades tentam dar um jeito. Assim nestes dias funcionários públicos do Estado estão em greve. Embora o governador não está dando a mínima, ele sabe que seu desgaste é grande e seu futuro é incerto.

Vivemos um tempo de anarquia na administração pública. Em Santarém, a construção do hospital materno infantil continua inacabado e parado, quando deveria ser prioridade do governo municipal e vereadores fazerem esforços para concluir a obra tão urgente para a  região. Ao mesmo tempo o hospital municipal é entregue a uma empresa privada, tirando o prefeito a  responsabilidade pelo que acontecer ali em prejuízo da população. Os vereadores silenciam e fingem de que não sua responsabilidade zelar pelo bem dos eleitores.

Também hoje convido você a olhar para um espelho a nos alertar para as ameaças que pairam sobre moradores e o nosso rio Tapajós. O espelho é o rio Xingu, depois da desgraça da usina de Belo Monte. Não podemos fingir que não vemos aquele desastre social, econômico e ambiental. Hoje completa dois anos que seis turbinas estão funcionando Belo Monstro, como dizem os militantes do Xingu Vivo. Calculada inicialmente para custar 16 bilhões de reais, já consumiu 35 bilhões e se concluir chegará a 50 bilhões de reais. Tanto dinheiro gasto, tantos prejuízos causaram aos ribeirinhos, pescadores, indígena e a própria cidade de Altamira.

Em novembro passado passei seis dias na cidade. Pessoas entrevistadas só denunciavam os crimes da obra gigantesca e que não ira gerar tanta energia como  governo afirma pra iludir o povo. Uma líder do povo Juruna dizia que a irresponsabilidade dos administradores da usina é tão grande, ao ponto de seus técnicos abrirem as comportas sem avisar o povo. As águas descem como cachoeira, levando tudo e todos que estiveram na frente. A mãe indígena diziam indignada que ela não tem confiança de deixar seus filhos se banharem no rio, como era costume, por medo de morrerem afogados, já que os técnicos abrem as comportas quando menos se espera. As obrigações que a empresa construtora tinha obrigação de realizar na cidade e aos ribeirinhos que perderam suas ocupações, não são cumpridas, causando revolta na população atingida.

Este é o espelho de alerta para moradores de Santarém, do Tapajós, de Belterra, Aveiro, Resex, Flona e tapajós acima. Não podemos ficar de braços cruzados pensando que o governo esquecerá seu projeto de sets grandes hidroelétricas no Tapajós. Não podemos ficar parados, não podemos esperar pelos políticos e menos ainda pelos juízes. O projeto São Luiz do Tapajós está arquivado mas não está abandonado. Ou nos organizamos e resistimos, ou vamos chorar o caso sem retorno. Cada associação de moradores, cada delegacia sindical, cada Igreja cristã precisamos estar unidos, organizados e partir para a resistência como hoje fazem os indígenas Munduruku. Eles nos dão exemplo.

 

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