Se a Amazônia paga o preço que diremos aos candidatos em Outubro?

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Editorial RNA – 20.04.2018

Quando se ouve alguém dizer que estamos vivendo um tempo de trevas no Brasil, não é exagero. A economia vai muito mal, a política completamente desacreditada da população,  a sociedade cada vez mais desigual, bancos, empresários, fazendeiros, cada vez mais ricos; altos funcionários do Estado, junto com juízes e procuradores seguem com altos salários. Por outro lado, o desemprego chega a 18 milhões de trabalhadores; o grupo do programa Bolsa Família sobre para 14 milhões de famílias, brasileiras na miséria.

Nesse tempo de trevas a Amazônia e seus povos sofrem ainda mais. Isto porque continua saqueada pelo agronegócio, mineradoras, destruição de seus rios com barragens. Além disso o que surgiu para cuidar dos direitos dos povos indígenas, a FUNAI sucateada, agora querem os políticos destruí-la de vez. Os ribeirinhos vêm seus rios poluídos com lama e mercúrio dos garimpos, como veem a invasão das geleiras criminosas devastando seus cardumes de peixes.

O desequilíbrio climático se faz mais visível na  região, pelo aumento de calor e descontrole das chuvas, tudo provocado pelos 5 mil quilômetros quadrados de floresta destruídos a cada ano. Por isso e outras razões sociais, se esvazia o meio rural, hoje com apenas  30 por cento dos moradores, enquanto, incham as cidades com bairros de ocupação espontânea. Assim são as trevas de nossos dias no país e na Amazônia em especial.

Embora prevaleça a treva, é urgente que se acenda uma lamparina para andar nessa escuridão. Alguns já acenderam. Os povos indígenas tem dado sinais de luz. Suas organizações são mais atuantes do que as dos não indígenas. Alguns já afiaram sua ferramenta de enfrentamento, como o protocolo de consulta livre e informada, outros já pintaram seus corpos de guerra para enfrentar os perversos projetos hidroelétricos. Também em algumas cidades movimentos populares tem se organizado para defender o direito à moradia digna, enfrentam prefeitos antidemocráticos que governam seus municípios como se fossem suas fazendas. E assim, mesmo que o novo dia retarde, é preciso caminhar.

No próximo mês de outubro próximo, será vez de os e as eleitoras usarem outra arma para limpar o país de tanta corrupção e irresponsabilidade de políticos que procuram o povo apenas em tempos de campanha eleitoral. Daqui a pouco muitos desses chegarão nas comunidades, nas casas sorrindo e fazendo promessas. Eleitores que tiveram um mínimo de respeito por si, por suas famílias e por suas comunidades, rejeitarão todos os que votaram para destruir as leis trabalhistas e a previdência social. Esta será uma boa lamparina a iluminar a noite de trevas que vivemos.

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