Dia mundial do Meio Ambiente e destruição do rio Cupari

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Análise da semana  – Nossa Voz é Nossa Vida  –  10.06.2018

O mundo celebrou na última terça feira, 5 de junho, o dia mundial do Meio Ambiente. Papa Francisco não deixou passar em branco e deu seu recado. Disse ele “estamos de acordo que a terra é uma herança comum, cujos frutos  devem ser partilhados por todos. No entanto, o que acontece hoje no mundo em que vivemos?”.

Tem razão o Papa Francisco. Olhando bem aqui ao nosso redor, em Santarém, Belterra, Mojuí, Curuá  e toda nossa região, por que tanta poluição de igarapés, de rios, lagos, por que tanta mata derrubada? Olhe o que fez a multinacional Cargill bem ali dentro da cidade, invadiu o rio, destruiu uma praia, se apossou do bosque e do campo da Vera Paz. E agora, não bastando aquela destruição, vereadores querem permitir que outra multinacional destrua a área verde e o lago do Maicá com mais portos graneleiros, por que permitir isso?

Diante do acelerado aumento de destruição ambiental, por que governos municipais, federal  e estadual estimulam  a vinda de progresso a qualquer custo. Veja como foi construía a hidroelétrica de Belo Monte com tantos crimes sociais e ambientais. Altamira está ali como espelho.

Estranho o conformismo da nossa sociedade. Estamos como gado na fila do matadouro. Mesmo vendo como  fizeram os caminhoneiros que enfrentaram o ilegítimo governo com a paralização de dez dias. Diante a persistência deles o governo se curvou. Por que nós outros Não seguimos o exemplo? Está em jogo não apenas a terra hoje, mas o futuro de nossos descendentes. Se nada fizermos hoje o que será de Santarém, Lago Grande, Monte Alegre e todo o Oeste do Pará daqui a 15 anos? Olhe o lago do Juá, os lagos do Papucu e Mapiri; olhe os igarapés do Urumari, Cucurunã e São Brás, como eram 15 anos atrás e como serão em 2040?

Nesta semana passada Os Ministérios públicos do Estado e federal  exigiram do IBAMA e da justiça que sejam paralisadas as obras de oito projetos Pequenas centrais hidroelétricas no rio Cupari. Um absurdo criminoso com apoio da Secretaria estadual de meio ambiente, SEMA. Rio Cupari, para quem não sabe é um braço estreito do rio Tapajós no município de Aveiro.  Imagine os desastres sociais e ambientais com oito barragens num rio estreito, com licenciamento criminoso da SEMA estadual. Os MPE  MPF em boa hora embargam porque a SEMA Não tem competência legal nem moral para dar licenciamento ali, pois o Cupari é braço do Tapajós, que é um rio bi estadual e portanto exige licenciamento pelo IBAMA que é federal. Além das oito PCHs estavam previstas mais 13  ao longo do estreito e encachoeirado rio Cupari.

Estranhamente não resistiram o prefeito de Aveiro, os vereadores de Aveiro, os moradores ao longo do rio Cupari. Apoiavam as desgraças o governador Jatene, os deputados estaduais e os deputados federais. Muitos desses estarão chegando daqui a pouco pedindo ou comprando voto para continuar prejudicando as populações. Por que tanta passividade?

A terra hoje é um sujeito de direitos pela Organização das Nações Unidas, ela tem direitos como os seres humanos. Mas quem a respeita? Nem autoridades, nem sociedade civil, nem comunidades locais que abusam dos igarapés, do lixo jogado atoa, dos plásticos lançados nos rios. Mas uma coisa é certa, Nós somos capazes de perdoar erros, Deus sempre perdoa, mas a natureza não perdoa nossos crimes.  No caso do rio Cupari temos que aplaudir hoje os Ministérios púbicos, Estadual e Federal. Nos casos dos igarapés, lixão do Perema e lagos do Juá, Mapiri e Urumari, além de outros locais agredidos por agrotóxicos e desmatamento temos agir em defesa da terra, antes que seja tarde.

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