Uma doença chamada corrupção

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Para onde caminha o Brasil ex sétima economia mais rica do planeta

Edilberto Sena

Movimento Tapajós Vivo em Santarém, Brasil

Para revista italiana MADRUGADA

21 de julho 2017

Situação política

Brasil vive hoje uma noite escura sem lua cheia de esperança. A luz de um novo sol para a população não segue o ritmo do sol do planeta. No próximo dia 05 de outubro, cerca de 130 milhões de brasileiros devem comparecer às urnas eletrônicas, para depositar 5 votos, de presidente da república a governador de Estado, de senador a deputados estadual e federal. Cada um dos 26 estados deverá eleger dois senadores. A previsão  de votos nulos, brancos e ausentes pode chegar a 45 por cento.

O grande problema que deverá causar tão grande abstenção é que quase a totalidade dos eleitores e eleitoras não sabe em quem votar. Não por ignorância,  mas pelo desgaste a que chegaram os políticos. Nunca antes nesse país, político passou a ser símbolo de corrupto e oportunista. A começar pelo ilegítimo presidente Michel Temer que usurpou o cargo da presidente Dilma Roussef, legitimamente eleita e sem ter cometido crime algum. Um congresso nacional com mais de duzentos deputados e senadores acusados de corrupção, e a forma fraudulenta  como deputados votaram o impeachment da Dilma Roussef ajudaram na perda de credibilidade dos políticos brasileiros.

O caso da condenação sem provas do ex presidente Lula da Silva e prisioneiro há 100 dias, aumentou o descrédito do poder judiciário, que se revela mais político do que cumpridor da constituição nacional que devia respeitar.   Ministros do Supremo Tribunal Federal procuram qualquer hermenêutica pessoal para manter o ex presidente no cárcere. Em recente carta ao povo brasileiro, Luiz Inácio da Silva, denuncia as injustiças do seu caso. Um parágrafo dela expressa sua desilusão com a honestidade de juízes, desembargadores e ministros do Supremo Tribunal Federal. Diz ele: “Juristas, ex-chefes de Estado de vários países do mundo e até adversários políticos reconhecem o absurdo do processo que me condenou. Eu posso estar fisicamente em uma cela, mas são os que me condenaram que estão presos à mentira que armaram. Interesses poderosos querem transformar essa situação absurda em um fato político consumado, me impedindo de disputar as eleições, contra a recomendação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas”.

A razão principal de toda a perseguição ao Lula da Silva é porque ele hoje é o único brasileiro, que seria eleito em primeiro turno nas eleições, dado que sua popularidade, mesmo no cárcere, continua na faixa de 45% nas pesquisas de opinião. Mas a oligarquia empresarial e a Rede Globo de televisão rejeitam sua pessoa, temerosos que ele, eleito desmanche todas as mudanças da estratégia que eles impuseram ao ilegítimo Michel Temer executar, desde o impeachment de Dilma Roussef. Ele mesmo já prometeu que se for eleito, convocará um referendo popular para rever todas as mudanças na legislação promovidas pela ditadura Michel Temer, inclusive as privatizações de empresas estatais.

Causas dessa noite escura do povo brasileiro é que, além do descrédito total dos políticos em ano de eleições, a crise econômica é muito grave. País que nos mandatos do presidente Lula chegou a ser a sexta economia do planeta, hoje cobra impostos para pagar dívida pública. 49% da arrecadação vai para os credores do país. Enquanto isso, a ditadura Temer corta gastos da educação, da saúde e de investimentos públicos. Ao mesmo tempo o governo privatiza empresas estatais como Petrobrás, Eletrobrás, Embraer e bancos públicos.

A conjuntura social do país

Pelo fato de a economia do país ter regredido, os que mais sofrem consequências são os pobres e a classe média. Para cumprir fielmente seus compromissos do pagamento dos juros da dívida pública, o Brasil que baseou por muito tempo sua economia na exportação de bens primários (minérios, gado e soja) a indústria foi regredindo e aumentou a importação de produtos industrializados. Com isso, o governo da ditadura Temer achou natural aumentar impostos, cortar gastos públicos e controlar o ajuste do salário mínimo. Para cumprir suas metas o governo, comprou literalmente as consciências dos deputados federais e senadores destruindo as leis trabalhistas e aumentando a idade para aposentadoria. Em consequência aumentou o número de desempregados, hoje em torno de 13,1 %, o que de acordo com o IBGE, chega a 14,1 milhões de desempregados e aumentou o número dos trabalhadores autônomos com baixa renda. Outra consequência é o aumento dos dependentes do programa bolsa família, que hoje chega a 14 milhões de famílias.  Isto significa em torno de 55 milhões de brasileiros vivendo em estado de miséria e outros 60 milhões de brasileiros da chamada classe média reduzidos à pobreza. Povo mal alimentado, começa a surgir doenças como sarampo, catapora e febre amarela. Por conta do grande uso de agrotóxicos nas plantações de soja, tem aumentado também o índice de câncer nas pessoas. Hoje dizem os pesquisadores, em média os brasileiros absorvem cinco litros de veneno dos agrotóxicos por ano.

A ex sétima economia mais rica do planeta, está hoje reduzida a uma republiqueta de banana, como diziam os antigos. E sem perspectiva a curto prazo de voltar a ser o grande líder da América do sul e forte sócio dos BRICS.

 

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