Mês: novembro 2018

Calor aumenta e floresta diminui

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Notícia para Rádio RioMar  – 26.11.2018

Você percebe que Manaus, mesmo sendo uma cidade de muito calor, ultimamente está ficando mais quente ainda?  Não vá botar culpa no verão, que ele contribui, mas não é o principal responsável por esse desastre que aumenta a cada ano. Então, a que você atribui esse aumento de calor, não só em Manaus, mas em Santarém e em toda a Amazônia? Se pensou no desmatamento intenso que está havendo em nossa região, acertou.

O Instituto Nacional de Pesquisa  Espacial, o INPE confere através de satélite como acontece o desmatamento de nossas florestas. De 2004 a 2018 a Amazônia já perdeu 139,100 quilômetros quadrados de floresta. Os estados que mais derrubaram floresta de agosto 2017 a junho 2018 foram:  Pará derrubou 2.840 kms2; Mato Grosso: 1.749 kms2; Rondônia 1.314 kms2; Amazonas 1.045 kms2, o quarto maior destruidor de florestas. Você pode perguntar, mas  onde estão desmatando no Amazonas, não é o Estado de mais floresta do país? Sim e não. Sim, por ser o Estado com maior território; mas quando se descobre que lá no sul do Estado, em Boca do Acre, Manicoré e Humaitá, o desmatamento vai sendo intenso por fazendeiros e madeireiros isso explica porque o Estado do Amazonas tem mais floresta derrubada do que os Estados do Amapá, Acre e outros da Amazônia.

Isso também explica porque está aumentando o calor não só em Manaus, Santarém e demais cidades que o digam. E aí fica a questão, que podemos fazer? Cruzar os braços? botar culpa nos outros?       Porque os sindicatos, as igrejas, as associações de bairros não fazem uma pressão forte no secretário de meio ambiente do Estado? Por que não exigem uma ação enérgica do novo governador para estancar o desmatamento?  Se em cada Estado da Amazônia nós sociedade civil e igrejas cristãos fizermos uma campanha séria o clima pode mudar. Vamos meter a cara? Começar a discutir em nosso grupo de fé e de ação? Não basta orar a Deus, diz o ditado que Deus ajuda a quem madruga, isto é, bota a mão na massa.

Rede de Notícias da Amazônia e o Sínodo para a Amazônia, alguma relação?

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Editorial RNA – 20.11.2018

Em recente encontro de diretores da Rede de Notícias da Amazônia, a RNA ocorrido em Manaus, foi enfatizada a importância da RNA para os povos da Amazônia, não só por interligar com informações objetivas das lutas e esperanças das comunidades. Hoje uma outra razão para essa importância, é a preparação do Sínodo para a Amazônia, que vai acontecer desde agora até outubro de 2019.

Esta preparação está acontecendo nas comunidades das centenas de dioceses da pan Amazônia. Por isso é necessário que essas reuniões, debates, propostas sejam partilhadas por outras regiões. Daí a importância do noticiário da RNA. O sínodo já está em andamento na Amazônia brasileira e em muitas dioceses e prelazias dos nove países da pan Amazônia.

Em recente declaração sobre a preparação do sínodo, seu secretário geral, cardeal Baldisseri afirmou que “Hoje quando falamos de Amazônia, precisamos expandir o horizonte. Os problemas nos devem ir até as causas. Se ali existem empresas, de onde elas são? E os consumidores onde estão?”. Tal preocupação do secretário do sínodo indica que a Igreja não vai cuidar apenas de questões pastorais, mas  de questões econômicas, sociais e ambientais, que fazem parte do que o papa Francisco chama de ecologia integral. Os cristãos precisam atualizar seu modo de incarnar sua fé, olhando a Amazônia  como Nossa Casa comum, onde todos tenham espaço e condições de bem viver.

A região não pode ser reduzida a um armazém a serviço das empresas capitalistas. Daí a evangelização precisa ter um rosto amazônico, a partir dos direitos dos 37 milhões de seres humanos e dos direitos da mãe natureza. A Rede de Notícias da Amazônia, por sua própria missão, deve ser o canal de interligação dessa preparação ao grande e único Sínodo eclesial para a Amazônia.

Os diretores da RNA saíram do encontro de Manaus comprometidos a divulgar os resultados da preparação sendo feita nas comunidades de sua área de atuação. De maneira que  os e as ouvintes de toda a Amazônia possam acompanhar o que pensam e esperam seus co irmãos  amazônidas do grande sínodo.

 

Para enfrentar monstro juventude é necessário

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Análise da semana  – Nossa Voz é Nossa Vida  – 02.12.2018

Vamos chegando ao fim do ano. Depois de trágicas eleições no país. Daqui a pouco vão sair velhas raposas famintas e entrarão novos lobos, vários deles, vestidos com peles de ovelhas. Como interpretar esse grave momento de nossa história? Uns continuam alegres iludidos, pensando que elegeram a mudança boa para os pobres; outros que acompanham os acontecimentos começam a sacar o beco sem saída em que entramos. Um exemplo, é a retiradas de 8.500 médicos cubanos do programa Mais Médicos. (Lago Grande Curuai, que o diga, nunca antes teve um médico morando e cuidando dedicadamente dos doentes, agora tinham esses um médico cubano morando e cuidando com simpatia e competência dos enfermos no Curuai. Agora ele vai embora. Qual o médico brasileiro que topará morar e cuidar dos doentes como aquele cubano?). E agora, como vamos encarar essa triste realidade de janeiro em diante? Cruzar os braços? Lamentar e criticar pelas esquinas?

No Evangelho proclamado nas igrejas no domingo passado, diante do Pilatos representante do poder romano enganador, Jesus enfrenta e lhe diz – Pilatos, meu reino não é do tipo do reino de Roma, nem de Herodes, nem dos doutores da lei. Esse tipo, explora e engana o povo. Meu reino é diferente, quem busca a verdade é do meu reino. Hoje essas palavras são bem atuais. 55 milhões de eleitores foram iludidos  e elegeram um reizinho que se revela muito diferente do reino de Jesus. Muitos cristãos votaram nele, pensando que seria melhor. Nem tomou posse e já se percebe que ele é do reino Roma e de Herodes. Mas não é só lá em Brasília que as coisas estão vindo contra os trabalhadores e os pobres. A disputa acontece aqui em nossa região. No Lago Grande do Curuai, um monstro de sete cabeças está fazendo de tudo para enganar os moradores da região e invadir o Projeto agro extrativista da Gleba., a estrangeira ALCOA. O que ela tem feito em Juruti é um espelho para os moradores do Lago Grande. Além de destruir matas e igarapés para extrair bauxita, há poucos dias expulsou dezenas de famílias de uma área que ela diz ser dela. Agora al ALCOA chega no Lago Grande e começa a iludir comunidades oferecendo dinheirinho para escola, barracão e outras coisinhas. Será que esses moradores vão ser otários? No Evangelho de ontem Jesus afirma: Quem busca a verdade me segue e não anda nas trevas. NA semana passada participei de um encontro bm positivo com 125 jovens do Lago Grande. Senti que os jovens compreenderam o perigo que é a sedução da ALCOA iludindo o povo. Senti que eles e elas saíram do encontro comprometidos em entrar na luta junto com a FEAGLE para defender nosso território e nossa liberdade. Deus queira que os adultos também se juntem aos jovens nessa luta da verdade, cristãos das igrejas católica, evangélicas, sindicato, colônia de pescadores, todos unidos a ALCOA não vencerá.

Mais médicos vão, menos outros entram

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Editorial RNA – 28.11.2018

O que acontecerá, quando no dia 31 de dezembro próximo, os últimos médicos cubanos  saírem do Programa Mais Médicos voltando para seu país? A irresponsabilidade do presidente eleito esvazia um programa solidário com a retirada de 8.500 médicos cubanos. Mais de 3 mil municípios ficarão sem aquela assistência médica. Como ficarão os moradores de São Paulo de Olivença, que está a mil e cem quilômetros de Manaus? Ali trabalhavam seis médicos cubanos. E quem substituirá os médicos em Cruzeiro do Sul e em Tarauacá no Acre? Quem irá dedicar solidariedade aos enfermos de Boca do ACRE, e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas? Como serão assistidos os mais de 45 povos indígenas da Amazônia, que recebiam o Mais Médicos?

O governo de Bolsonaro tenta correr atrás do prejuízo e não consegue preencher as vagas abertas. Poucos que aceitaram até agora, só para cidades do sul do país. Outros aceitaram o convite mas já desistiram. Afinal, o salário é de apenas 11 mil e 200reais, mais ajuda de custo para aluguel e alimentação. Um médico  clínico geral de Santarém, indagado se iria aceitar o convite do novo  presidente, que ele apoia, para ir trabalhar numa comunidade do município rural de Curuá de Alenquer. Ele se saiu dizendo que não porque já é idoso, mas acha que os novos médicos deveriam passar dois anos ao sair da faculdade, especialmente os formados em universidades públicas. Isto é, critica os médicos cubanos de serem escravos, mas ele não quer ser solidário como os necessitados.

Então, o que está indicado para os pobres do Brasil com o novo presidente assumindo o cargo em janeiro e fazendo trapalhadas desastrosas? Como será o funcionamento do Sistema Único de Saúde, tão elogiado no mundo? Cerca de 70 por cento da população depende do SUS em seus momentos de doença. O novo governo, no entanto, dá sinais de favorecer os planos de saúde e diminuir verbas para o SUS. Como ele aceitará a afirmação de que saúde não é mercadoria e vida não é negócio? Os que votaram no presidente, vão concordar com esses desastres? Vão baixar a cabeça, ou mais grave? E os opositores vão calar?

Vão embora os médicos cubanos, quem os substituirá?

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Análise da semana  –  Nossa Voz é Nossa Vida  – 18.11.2018

Hoje estou imitando santo Antônio,  ao estar em dois lugares ao mesmo tempo. Pela Rádio Rural faço agora uma análise de questões que podem interessar a você; ao mesmo tempo estou no Lago Grande do Curuai. Cheguei aqui sexta feira para partilhar reflexões importantes com os jovens, no encontro chamado DIA NACIONAL da JUVENTUDE. Também vieram partilhar experiências com os jovens, o Thiago da Comissão Justiça e Paz da Diocese e o Carlos Alves, do Movimento Tapajós Vivo. Fico contente de participar de um encontro como esse com mais de 120 jovens, que desejam descobrir o sentido de ser feliz, seguindo Jesus Cristo. Querem aprender a enfrentar os desafios da vida, numa  região cobiçada pela mineradora multinacional ALCOA e as geleiras que saqueiam os peixes do grande lago.

Além desse importante encontro juvenil, quero partilhar uma realidade nova e muito preocupante, acontecendo nesta semana no Brasil, mas atingindo também a região Oeste do Pará. Trata-se do fim do programa Mais Médicos, quando mais de 5 mil médicos cubanos estarão se retirando do Brasil.

O despreparado novo presidente do Brasil abriu a boca para dizer mais uma bobagem. Afirmou que os médicos cubanos agindo hoje no Brasil, pelo programa Mais Médicos, não tem capacidade médica para exercer a função aqui o Brasil e que deverão todos se submeter a um exame de validade da profissão. A reação do governo cubano foi imediata. Cancelou o contrato que havia com o governo brasileiro e chamou de volta ao seu país 8 mil e quinhentos médicos, que até estes dias prestavam grande serviço em comunidades como Curuai, Tabocal, Alenquer, Belterra e tantas outras comunidades do interior.  

Uma consequência dessa atitude do novo presidente brasileiro é que milhares de pacientes que vinham sendo bem tratados pelos médicos cubanos, agora ficarão sem esta assistência. Isto porque raros são os médicos brasileiros que se dispõem a ir trabalhar nas comunidades rurais, morar e agir em Aveiro, Piraquara e outras comunidades, onde dedicavam os médicos cubanos.  A falta de sabedoria do presidente brasileiro é desmentida pela aceitação dos médicos cubanos, hoje servindo em 60 países, através de semelhantes programas  ao Mais Médicos no Brasil.

 Além disso, se há uma coisa respeitada em Cuba até por organismos internacionais, como a ONU e Conselho mundial de medicina, é justamente o avanço da medicina em Cuba.

Agora que o caldo foi derramado e que o presidente eleito tenta remendar o mal feito, já sem jeito, que podem fazer os milhares de assistidos pelos médicos cubanos que estarão se retirando em breve? Será que o governo vai providenciar a substituição de 5 mil e 800 médicos que vão embora?  Será que agora um número de médicos brasileiros, que criticavam os médicos cubanos, vão se dispor a morar no meio rural para dar assistência médica de qualidade aos pacientes necessitados? Será que os milhões que apoiaram  e elegeram  Bolsonaro presidente, irão agora fazer abaixo assinado para exigir providência  de mais médicos para assistir os necessitados? Que você pensa ao ouvir essa notícia e análise?

Sem plano, tentando adoidado

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Análise da semana para Nossa Voz é Nossa Vida  – 11.11.2018

Duas semanas já se passaram, desde que o novo presidente do Brasil foi eleito. Neste período, ele e sua equipe tentam planejar como vão administrar a coisa pública nos próximos quatro anos. O jornalista Ricardo Kotscho analisa assim: “ou o capitão reformado Jair Bolsonaro não esperava ganhar as eleições, ou é um político irresponsável. O presidente eleito já deu suficientes demonstrações de total despreparo e de falta um programa de governo”. Isso escreveu o jornalista e assim a realidade está evidente. A equipe de assessores tem se revelado tão sem experiência, quanto seu presidente. Um diz uma coisa, outro desmente; o general vice presidente propõe um projeto, o presidente capitão desmente, e assim, não se sabe como será a administração do país.

No entanto, com a nomeação de alguns ministros, já se pode saber que o novo governo vai atender interesses do agronegócio e dos bancos. A  futura ministra da Agricultura é uma deputada que mais lutou para o congresso nacional aprovar o uso intenso de veneno agrícola na grande produção de soja, cana e milho. Além disso, falam na junção dos ministérios do meio ambiente com o da agricultura, o que vai facilitar a destruição do meio ambiente e da Amazônia em especial. O presidente eleito já manifestou desejo de acabar com o Ministério do Trabalho. Se isso acontecer, todos os direitos do trabalhador serão extintos e estes trabalharão como escravos dos patrões.

Um outro sinal da falta de planejamento sério, é o que propõe o  futuro ministro da fazenda, Paulo Quedes. Ele afirmou outro dia que a relação com os países vizinhos da América do Sul não será prioridade do governo. O Mercosul ficará para depois, o que interessa agora é privatizar a Embraer, parte da Petrobrás e abrir a Amazônia para o agronegócio. Terras indígenas e quilombolas para Bolsonaro, não podem prejudicar a agricultura e mineração, que geram lucro para a economia do país. Para garantir a violência aos direitos humanos, o novo ministro da justiça,  deixará o cargo de juiz da Lava Jato, para confirmar sua tendência politiqueira. O presidente Michel Temer, que até bem pouco era hostilizado pelo Bolsonaro, agora está de bem com ele. A ponto de ser convidado por Michel Temer a viajar junto com ele ao estrangeiro ainda antes da posse. E já está sendo anunciado como futuro embaixador do Brasil na Itália. Ele que está sendo acusado de vários crimes e seria preso assim que deixasse a presidência, agora recebe a boa notícia de que terá imunidade por ser embaixador.

Para completar  a triste e grave realidade brasileira, o congresso nacional, já em fim de mandato, aprova um aumento salarial de 10 por cento aos ministros do Supremo Tribunal Federal. De 34 mil, passarão a ganhar 39 mil reais por mês, além de outros benefícios. Um escândalo a mais, que custará aos cofres públicos a quantia de 4 bilhões de reais por ano. Para garantir esse escândalo, serão cortados recursos da saúde, da educação e dos órgãos como FUNAI, INCRA e IBAMA.

Essa é a realidade que se avizinha, resultado das recentes eleições nacionais. Hoje, milhões que elegeram o novo presidente estão sorrindo e orgulhosos. Uns ainda continuam usando camisas com imagem e apoio ao novo presidente. Daqui a dez meses, quando os sinais se confirmarem em mais sofrimento para os trabalhadores e os pobres, então se saberá de quem é a culpa de ter sido eleito um presidente sem preparo e sem uma equipe responsável para servir à maioria da população.  Diz o ditado que quem semeia ventos colhe tempestade. Hoje os eleitores vitoriosos são até arrogantes. Daqui a seis meses, como serão eles e elas? O tempo revelará. Infelizmente o caldo já estará derramado.

Oque esperar do novo governo?

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Notícia para Red Pan amazônica – 06.11.2018

O presidente fascista Bolsonaro foi eleito democraticamente. Estranho fato, mas real, 55 por cento dos 147 milhões de eleitores elegeram o capitão do exército. Explicar como isso aconteceu no Brasil, maior república da América do Sul exige longa análise. Mas o fato está consumado. Ainda nem o presidente tomou posse do cargo, o Congresso nacional já dança conforme a nova música. Nestes dias, deputados e senadores vários deles no cargo só até 31 de dezembro, por não terem sido reeleitos, apressam a mudar eis importantes de direitos da população. Mudaram a lei da previdência social, que trabalhadores só poderão ser aposentados aos 90 anos, se chegarem vivos até lá. Outra grave mudança acabam de fazer na lei de educação. De agora em diante, foram retiradas do currículo do ensino médio matérias que ajudam jovens a pensar e adquirir censo crítico. Não é mais obrigatório o ensino de sociologia, filosofia, artes, educação física e música. Também não é mais obrigatório o ensino  de cultura afro-brasileira, mesmo que mais da metade da população tenha descendência afro. Uma das promessas do presidente eleito é acabar dom a universidade pública grátis. Quem quiser ser universitário terá que custear os estudos. Quando isso acontecer maioria dos estudantes pobres perderão o direito de se formar na universidade. Dentro de mais um ano, os eleitores de Bolsonaro irão chorar de arrependimento, e todos os trabalhadores e pobres pagarão o preço de um governo irresponsável, mas eleito pelo povo.