Há sinais de venturas e desventuras no ar

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Análise da semana – Nossa Voz é Nossa Vida – 02.12.2018

Iniciamos o último mês do ano. Pesando na balança da vida, entre bons e maus acontecimentos, podemos dizer que valeu a pena, mas esperamos que o novo ano que se aproxima, tenha mais venturas que desventuras. Verdade que as nuvens de maus pressentimentos estão carregadas. O novo presidente tem dado sinais de que não vai respeitar os direitos dos trabalhadores e dos pobres, nem os negros e dos indígenas. As críticas mais sérias revelam que ele não tem capacidade para administrar o país, para o bem da maioria dos brasileiros.

Já antes de tomar posse, expulsou 8.500 médicos cubanos do programa Mais médicos. Tentando remendar o grave erro, abriu chamada para médicos brasileiros, mas não consegue convencer os formados de graça em faculdade públicas, a irem trabalhar solidários nas comunidades rurais e pequenas cidades, como fizerem os cubanos. Assim, Aveiro, Curuá, Piraquara, Curuai e tantas outras comunidades que eram bem servidas pelos cubanos, agora estão sem assistência. Além desse tremendo fora, o presidente eleito bate continência a um funcionário do governo norte americano. Fez isso que fazia, quando na ativa do exército batia continência para  coronéis e generais. Agora num gesto subserviente, recebe o gringo, que veio negociar interesses norte americanos  nas empresas e petróleo brasileiro.

No entanto, há sinais positivos de que nem tudo será perdido para os trabalhadores e pobres deste país e desta  região. Na última quinta feira, vários movimentos populares e usuários de energia elétrica estiveram na Câmara de Vereadores em Santarém. Foram buscar apoio dos vereadores para pressionar a Rede Celpa, que está explorando os consumidores de energia. Já que não assumem seu papel de defensores dos direitos dos cidadãos, estes foram lá denunciar a indecência das cobranças  de tarifas de energia, por parte da distribuidora.

O que se paga de energia aqui no Pará é imoral. Três grandes hidroelétricas (Tucuruí, Belo Monte e Sto.  Antonio do Jari) usam as águas de nossos rios. Mas pagamos a tarifa mais cara do país. Os manifestantes aguardam que os vereadores cumpram seu papel e exijam correção de preço das tarifas.  Caso nada seja resolvido, há quem pense poderão usar outros meios que levem a Celpa decidir respeitar os usuários. Não é o melhor caminho, mas alguns pensam que assim serão respeitados. O lucro da empresa distribuidora não pode ser a custa de suor e sangue dos usuários. A solução dessa exploração deve passar pressionando o governo do Estado, que cobra um alto ICMS, também pela Eletronorte, que usa as águas dos nossos rios e vende energia como mercadoria lucrativa. Finalmente passa pela Rede Celpa que lucra alto com a distribuição. Será o caso de os ilustres Vereadores promoverem essa tríplice negociação em beneficio dos pobres usuários. Água mole em pedra dura tanto bate até que pode furar.

A pressão dos movimentos populares diante da Câmara de vereadores, precisa ser imitada pelas comunidades da Gleba Lago Grande. Alguns anos atrás, quando foi reaberta a rodovia translago,  também foi aberto um porto no Patacho. Era uma forma de encurtar viagem. Mas como era sem construção de um porto seguro, em pouco tempo as chuvas e enchentes acabaram com o dito porto do Patacho. Agora mais recente, a estrada da gleba Lago Grande veio mais perto de Santarém, na comunidade de Aninduba. Uma lancha e uma balsa fazem a viagem mais confortável em três horas até o  Curuai. Mas não tem porto que preste, apenas uma rampa feita na terra nua. Pelo caminhar da vida, em pouco tempo ali será como no Patacho. Já hoje é incômodo o embarque e desembarque de passageiros. Por que as empresas transportadoras não exigem do Estado um porto digno? Por que as populações da Gleba Lago Grande não exigem respeito a si e aos outros usuários?  Aqui vale outro ditado: Quem cala consente, sofrer calado injustamente, é indigno para seres humanos. Pensemos nessas realidades e vamos construir um outro mundo que é possível.

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