Antes era água cristalina, hoje rejeito de bauxita

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Editorial RNA – 06.12.2018

Santarém presenciou ontem, mesa redonda na Universidade Federal do Oeste do Pará, UFOPA. Importante evento por ter presença de vários quilombolas atingidos pela empresa multinacional Mineração Rio do Norte, MRN na exploração de baixota no rio Trombetas, Oriximiná. A mesa redonda foi uma convocação da Comissão Pro Índio de São Paulo, que em conjunto com a Universidade federal do Oeste do Pará, realizou uma pesquisa sobe os impactos sociais e ambientais da exploração de bauxita em Oriximiná.

São 40 anos de destruição social e ambiental de populações nativas, quilombolas e ribeirinhos para enriquecimento de capital estrangeiro. A MRN é a maior produtora de bauxita do Brasil e a terceira maior do mundo.  Segundo informação do jornalista Lúcio Flávio Pinto, no início da implantação da Multinacional MRN, a reserva do minério era calculada para 160 anos de extração. Com a valorização no mercado internacional, a empresa intensificou a extração do minério, de tal forma que 20 depois, a reserva só daria para 50 anos. Hoje deve ter reserva de seis anos de exploração, mas já está negociando a licença para explorar novos platôs em Terra Santa e Faro.

O livro resultado da pesquisa revela as percepções quilombolas e ribeirinhas dos impactos e riscos da mineração em Oriximiná. Tanto as águas ficaram sem possibilidade de uso para consumo por estarem poluídas pelos rejeitos da mineração. Um depoimento registrado no livro conta o drama dos ribeirinhos  expropriados em seu território. “meu pai andava tudo por aí de canoa. (pelos lagos, igarapés, varadouros, cabeceiras, furos e igapós). Hoje no lugar da barragem, era um igarapé, uma cabeceira. Lá tinha casa, tinha roça. Tracajá desovava naquelas pontas, que era bonito”. Marina dos Santos, moradora da comunidade Boa Vista do Trombetas.     Outra moradora da comunidade Boa Vista, Maria Zuleide dos Santos, lamenta o desastre. “Antes a água era cristalina, pura e sadia. Hoje eu tenho medo, ela está poluída, não é pavulagem, a bauxita polui a água. Quando chove, a água fica só uma bauxita. Passa mais uns dias  chovendo, aí começa a vir aquela água suja da barragem…”.

Enquanto a multinacional exporta 18 milhões de toneladas de bauxita por ano e prepara expansão para explora bauxita até o ano 2.043, deixa enormes bacias de rejeitos venenosos e comunidades sem segurança de vida. Isso com apoio de órgãos públicos, IBAMA e ICMBIO que deveriam cuidar da natureza e as vidas dos moradores. Em vez de proteger a natureza esses dois órgãos proíbem os quilombolas e ribeirinhos de pescar e coletar frutas da área  de proteção biológica, onde eles sustentavam suas vidas desde seus bisavós.

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