Mês: janeiro 2019

Brumadinho, obra do acaso, ou crime?

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Notícia para Rio Mar  – 28.01.2019

O que está acontecendo nestes dias em Minas Gerais, pode em breve ocorrer no Estado do Amazonas, Pará. Rondônia e outras regiões d Amazônia, você sabia? Boa parte dos moradores de Manaus,  e cidades amazonenses devem estar sabendo dos desastres provocados semana passada pela exploração mineral irresponsável da empresa VALE. Entre mortos e desamparados estão milhares, entre pessoas, animais, rios e florestas.

Para um representante da Organização das Nações Unidas, ONU,  o rompimento da barragem foi um crime hediondo. Para o advogado da Multinacional, dona barragem de rejeitos em Brumadinho, a VALE não tem culpa nenhuma, pois  foi apenas um acidente. Disse ele: “A Vale não enxerga razões determinantes de sua responsabilidade. Não houve negligência, imprudência, imperícia”. “Por que uma barragem se rompe? São vários os fatores, e eles agora vão ser objeto de considerações de ordem técnica”.  Você e eu podemos pensar uma das seguintes conclusões sobre isso: foi crime; ou foi só um acidente grave sem culpados; ou tanto faz como tanto fez, já que foi longe de Manaus. Agora reflita o seguinte ditado: “hoje sou eu amanhã será você”.

Veja só: No Estado do Amazonas existem dezenas de jazidas de minérios, boa parte delas já sendo exploradas por empresas nacionais ou estrangeiras. As jazidas minerais no Estado do Amazonas incluem: ferro, cassiterita, bauxita, nióbio, manganês, ouro, urânio, caulim.

Nióbio está em São Gabriel da Cachoeira;

Caulim em Rio Preto da Eva e Manaus;

Cassiterita em Presidente Figueiredo e Mapuera, na mina de Pitinga;

Bauxita  em Presidente Figueiredo, Urucará e Nhamundá;

Urânio na Mina de Pitinga;

Petróleo e gás em Urucu

Se ainda não foi noticiado nenhum acidente ou dano ambiental não significa que não possa acontecer daqui a pouco na sua região.

Toda exploração mineral causa danos ambientais, geram lucros fantásticos para empresas, maioria estrangeira e causam tragédias aos moradores da redondeza, como as de Minas Gerais.  Temos ou não, que entender bem o que causou mesmo aquilo lá e começar a pressionar as autoridades daqui? Vamos cruzar os braços até que mais um crime semelhante aconteça em Rio Preto da Eva, por exemplo?

 

Hoje eu amanhã será você

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Reflexão para ouvintes da RCFM Lago  – 29.01.2019

Bom dia ouvinte de nossa querida RCFM LAGO, estou aqui com vocês, preocupado com o que ocorre nestes dias lá em Brumadinho, Minas Gerais e que tem a ver com nossa realidade aqui no Lago Grande do Curuai. Diz um ditado – Hoje sou eu, amanhã poderá ser você. Pois bem, muitos de vocês ouvintes devem estar acompanhando o crime ocorrido semana passada em Brumadinho. Hoje mães e filhos choram, familiares e amigos indignados lamentam os mais de 300 mortos e desaparecidos com o rompimento da barragem de rejeitos da criminosa multinacional VALE. O advogado da criminosa alega que a VALE não tem culpa, os governos de Minas e federal, não acusam ninguém.  Nem pensam em fechar a exploração de ferro. São 65 barragens de rejeito só em Minas Gerais e os governos querem os impostos migalhas deixados pelas criminosas empresas.

Mas que o povo do Lago Grande do Curuai tem a ver com  a tragédia de Brumadinho? Afinal está tão distante, não é?? Ou será que as ameaças também podem ocorrer aqui perto de nós? Bem ali, em Juruti está outra gananciosa estrangeira a ALCOA. Além também já existem várias barragens de rejeito da bauxita. ALCOA insiste em invadir as terras do Lago Grande, pois aqui no sub solo tem mais bauxita do que em Juruti. Mesmo estando a FEAGLE resistindo em defesa dos moradores, há aqueles e aquelas que estão seduzidos pelas cantigas do monstro, oferecendo dinheiro para construção de barracão comunitário, salas de aula e outros espelhinhos e miçangas como fizeram os invasores portugueses 500 anos atrás. Prometem empregos e renda.

Mas… será que as desgraças hoje ocorrendo em Brumadinho é um alerta para moradores do Lago Grande? Será que 100 mil reais que a VALE oferece às famílias dos mortos compensam a vida de seu pai ou irmão morto?  Será que ao ver o que ocorre em Brumadinho ainda tem alguém no Curuai, ou no Lago Grande que defende a invasão da ALCOA aqui na região? Será que ainda há otários, surdos, cegos que apoiam a ALCOA?

Uma terceira guerra mundial hoje é possível? e no Brasil também?

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Análise da semana   Nossa Voz é Nossa Vida  – 27.01.2019

O que pode acontecer no mundo, nos próximos dois meses? Pode ser uma nova guerra mundial. Afinal, nossa vizinha Venezuela se tornou motivo de disputa internacional. De um lado, os gringos norte americanos, gananciosos pelo petróleo  do quarto maior produtor mundial. De outro lado, os defensores de Nicolau Maduro, Rússia, China, Irã e Índia, avisando que defenderão Venezuela diante de quem meter a cara ali. De quebra, o presidente brasileiro se mete na briga, como piolho em briga de pitbuls.

Enquanto isso, aqui em nosso país, uma outra guerra está em andamento. De um lado, um governo claramente anti povo, anti pobres, anti trabalhadores, metendo os pés pelas mãos. De outro lado, os povos da Amazônia entre outros, abandonados inclusive os milhares que votaram no Bolsonaro, esperando mudanças. Elas estão chegando, mas contra todos os pobres. Nesta semana um caso ilustrativo dessa realidade aconteceu em Santarém. Estudantes indígenas e quilombolas ocuparam salas da UFOPA desde segunda feira. O motivo foi o corte feito pelo Ministério da Educação de 95 bolsas permanência dos estudantes indígenas e quilombolas. Este auxílio financeiro foi uma conquista de alguns anos atrás, com a finalidade de diminuir a  desigualdade social em relação aos jovens estudantes indígenas e quilombolas. É um auxílio de 900 reais por mês para alojamento e alimentação. Atualmente estudam na UFOPA  250 quilombolas e 500 indígenas de vários povos. 95 destes foram agora prejudicados pelo corte do recurso.

Quem não estuda na UFOPA, nem está nos grupos prejudicados, pode até pensar que o governo tem razão em cortar verbas. Pode até pensar que indígena e quilombola não precisam frequentar universidade, que podem viver bem no meio da floresta. Só pensa assim, quem só olha pra si e com preconceitos. O individualismo é a ideologia que domina  hoje no mundo e que invade até religiosos, também no Brasil. É a ideologia do que interessa é o meu e os outros que se virem.

O governo eleito por milhões de ingênuos brasileiros, acreditando que seria pra o bem da maioria, agora revela a serviço de quem Bolsonaro se tornou presidente da república. Em um mês de governo ele tomou decisões graves contra trabalhadores, estudantes e pobres. Diminuiu o reajuste do salário mínimo,  entregou a exploração de petróleo para empresas estrangeiras, colocou a grande fábrica de aviões Embraer nas mãos da grande empresa Boing norte americana, está apressando a mudança da lei da previdência social, que vai retirar mais direitos dos trabalhadores. Isso entre outras atividades prejudiciais também aos povos indígenas e povos tradicionais da Amazônia. Por exemplo, retirou poderes da FUNAI de cuidar dos povos indígenas e colocou aos cuidados da ministra da agricultura, uma latifundiária. Enquanto o presidente retira direitos dos pobres, promete perdoar 15 bilhões de reais  de dívidas dos a produtores do agro negócio.

Os estudantes universitários prejudicados, ocuparam salas da UFOPA desde segunda feira, para pressionar a sociedade, os eleitores de Bolsonaro e o Ministério da Educação a reaverem as bolsas de permanências, caso contrario terão que interromper seus estudos. Quinta feira convidaram outros movimentos populares da região, a participarem de um diálogo que os ajude a reconquistarem seus direitos prejudicados. Hoje cada vez mais se compreende, que só unindo todos os prejudicados pelo governo se poderá reaver a democracia verdadeira. Não basta os indígenas lutarem isolados, os pescadores isolados, os defensores do rio Tapajós isolados. Povo unido jamais será vencido diz um ditador. Assim tem sido a história dos povos. Os tiranos massacram mas um dia caem, como caíram os romanos, ingleses e tantos outros.

Tragédias previstas e acontecidas

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Notícia para Rádio Rio Mar  – 25.01.2019

Tragédias, tragédias e mais tragédias, duas em Minas Gerais em três anos, sendo a de hoje em Brumadinho, próximo de Belo Horizonte. Ambas mineradoras da VALE causando desastres sociais, ambientais, mortes. Segundo os bombeiros 200 pessoas estão desaparecidas. Mas não só em Minas Gerais, há poucos meses foi a tragédia em Barcarena no Pará. Na tragédia de hoje em Brumadinho, depois do rompimento, quando pessoas foram mortas, as águas do rio foram contaminadas pelos rejeitos, prejudicando inclusive as águas de beber das comunidades, então correm as emergências. Correm gerentes da criminosa VALE, sobrevoando a área destruída para medir os estragos, correm os bombeiros, a defesa civil para achar sobreviventes. Não se sabe ainda quantos morreram e  quantos vão morrer ainda pelo desastre. Corre o governo do Estado, o Ministro do meio ambiente, o governo federal. O que vão fazer? Lamentar a tragédia, mas as dezenas de outras barragens de rejeito de Minas Gerais não serão fechadas. Não pode, dizem os empresários, vão ficar desempregados muitas pessoas, não pode, dizem os governos do Estado e Federal, pois vão perder recursos dos impostos, vai abalar a economia. Enterrem os mortos, paguem uma mixaria às famílias dos assassinados pela VALE e por outras empresas mineradoras. Mas, que garante que não virão outras tragédias do tipo?  Mineradoras com barragens de rejeitos existem em Roraima, no Amazonas, em Rondônia e no Amapá. Só no Pará, além da norueguesa de Barcarena, que continua funcionando tranquila depois dos rejeitos contaminando os rios, há barragens da mineradora ALCOA em Juruti, há várias barragens de rejeito no rio Trombetas da Mineração Rio do Norte. Não podemos esquecer também as barragens de hidroelétricas que são também passiveis de rompimento. Duas no rio Madeira (Jirau e Santo Antônio, que já causaram alagamento até na capital,  Porto Velho), Teles Pires e Juruena no Mato Grosso, Belo Monstro no rio Xingu, Tucuruí no Tocantins e outras e outras que silenciosas estão por aí como cobras venenosas esperando a vez de atacar seres vivos e mãe natureza. Até quando vão se repetir esses desastres e nós consentindo mais empresas assassinas continuarem se instalando em nossa região? Até que seus filhos morram nesses desastres? Até que seus pais morram expulsos por empresas e suas barragens de rejeito? Hoje as vítimas estão em Brumadinho, Barcarena e Mariana. Amanhã, quem será?

Entregar a Amazônia não é novidade

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Editorial  RNA  – 16.01.2019

Quem está acompanhando as notícias sobre o novo governo brasileiro, deve estar sentindo a vergonha que passa nosso país dentro e fora. Um fato foi o discurso sem sentido do presidente nestes dias em Davos, Suíça. Em seis minutos não disse nada de proveito, nem para o Brasil, nem para o mundo. Sua presença no encontro internacional foi em ridícula.

Amanhã ele volta a Brasília e a triste novela vai continuar, inclusive com ameaças de processo contra a família Bolsonaro As ameaças por parte do governo se concentram agora sobre os povos indígenas e os 27 milhões de moradores da Amazônia. Um de seus ministros, da secretaria de assuntos estratégicos, general Maynard Santa Rosa, apresentou novo projeto considerado por ele estratégico no Estado do Pará. Tal projeto  deve ser aprovado pelo presidente muito em breve. Inclui, uma hidroelétrica no rio Trombetas, Oriximiná, a continuidade da rodovia que vem do Mato Grosso até Santarém, rumo à fronteira com Suriname. Inclui também uma ponte sobre o rio Amazonas, em frente a cidade de Óbidos. Lembrando que o rio tem um quilômetro e meio de largura, com profundidade de 100 metros.

Qual a justificativa desse caríssimo projeto? Para o general Santa Rosa,  será importante para segurança nacional e desenvolvimento da região. Na realidade, faz parte da paranoia militar, herança da ditadura de 1964, que previa integrar a Amazônia para não entregar. Ignora o general, que a entrega da Amazônia para empresas estrangeiras já está ocorrendo há muito tempo na região. Basta conferir as exportadoras de soja, CARGILL norte americana, a BUNGE holandesa, a Belo Sun canadense, a Manesman alemã, a mineradora ALACOA, norte americana, as fábricas de motos e telefones celulares na zona franca de Manaus. Estas são apenas ilustrações de que a Amazônia já está invadida por estrangeiros e por empresas nacionais, do agro negócio, mineração e fazendas de gado.

Já o desenvolvimento falado pelo general para os povos tradicionais, o pouco que havia está sumindo pelo desmatamento das florestas, a invasão de geleiras e hidroelétricas nos rios da Amazônia. Estes povos  só terão uma saída para encontrar desenvolvimento, se juntarem aos povos indígenas que já estão resistindo às agressões de seus direitos.

 

Transporte público, menos carros e mais cara passagem, ideologia bolsoniana

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Análise da semana  Nossa Voz é Nossa Vida  – 20.01.2019

O presente e o futuro de todos nós não estão garantidos com justiça e direitos respeitados. A situação continua piorando no país e mesmo aqui em nossa região. Nestes primeiros 20 dias do novo governo, as decisões tomadas pelo novo presidente e seus ministros, são todas contra os trabalhadores, os alunos das escolas e entregam as terras amazônicas aos saqueadores das riquezas naturais. Compactuam  ministros do submisso Tribunal Federal, que  só tem o supremo medo dos militares.

Que fazer diante dessa ditadura? Ficar submissos e fingindo não ver? Nas celebrações dominicais em várias igrejas, a proclamação do Evangelho afirma que naquela festa de casamento, dona Maria de Nazaré, comadre da sogra da noiva, preocupada com a falta de vinho, disse aos garçons, façam o que ele mandar. E eles fizeram. Hoje o que Jesus de  Nazaré está nos mandando? Curar enfermos, expulsar demônios e anunciar boas notícias aos pobres.  Você sente que esse recado é para você e para mim? O que está acontecendo na região precisa de nossa decisão, fazer o que Ele está mandando.

Vejamos uma parte de nossa realidade em Santarém e região. A cidade tem hoje cerca de 300 mil habitantes residentes e uns 50 mil mais que chegam diariamente das comunidades  rurais e cidades vizinhas. Dois terços deste público, 240 mil que utilizam transporte público, estão ameaçados de andar a pé, por uma crise provocada  por quem não precisa andar de ônibus. Para entender as causas dessa crise, escute algumas versões. A origem já vem desde 2014, quando o Ministério Público exigiu que o então prefeito Alexandre Von realizasse licitação para empresas operassem o transporte público na cidade. Saiu governo, entrou novo prefeito e agora, já com dois anos de mandato, com ameaça do MP de bloquear verbas, o atual prefeito abriu licitação que, segundo nota oficial, apenas duas  empresas entraram na concorrência e uma delas ganhou a licitação. A forma de execução é questionada pelo sindicato de empresas de transporte, que não participou na discussão da licitação e nem foram chamadas organizações da sociedade civil. Segundo informações, até os vereadores foram deixados sem diálogo na hora da licitação, muito menos a associação dos estudantes, nem a FAMCOS.

A empresa Rezende Batista, que ganhou a concorrência,  tem apenas um sócio de Santarém, com 5 % de participação e  95% são de empresas de fora. No contrato, o consórcio se comprometeu a trazer 110 ônibus, para circular em 31 linhas de serviço. Para um informante, o comentário é que a situação para os usuários ficará mais precária. Isto porque hoje circulam na cidade 165 ônibus. Com a nova frota menor, muitos usuários ficarão penando nos pontos, a espera de um que passe.

A pergunta é, como pode o prefeito aceitar uma licitação sem consultar parte dos 240 mil usuários que vão sofrer por tal decisão arbitrária?  Será que o prefeito vai também deixar seu carro particular e enfrentar  o sofrimento dos que são obrigados a utilizar o transporte público? Desta forma o prefeito de Santarém segue a ideologia do governo federal, que despreza os trabalhadores e os pobres.  Segundo o sindicato dos empresários de transporte em Santarém, 1.200 trabalhadores que hoje operam a frota a ser retirada de circulação, perderão seus empregos. A empresa ganhadora diz que irá aproveitar mão de obra mais especializada da própria cidade. Mas não diz quantos nem quais. Esta é uma das consequências de uma decisão arbitrária do gestor municipal.

Diante dessa realidade, como em outras, nós cidadãos e cidadãs precisamos escutar o recado da mãe de Jesus – façam tudo o que ele disser. E ele já nos disse – expulsem demônios, curem enfermos e anunciem boas notícias aos pobres. Então? Que decide você?

Desmatamento 7.900 kms2, doenças das chagas 227 casos no mesmo ano, onde?

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Editorial  RNA  14.01.2019

Hoje temos uma notícia que merece uma análise e nossa atenção. Trata-se de um caso ilustrativo acontecendo no Estado do Pará. É um alerta para todos os povos da Amazônia.

Diz a notícia que o desmatamento constante provoca o aumento das populações de insetos vetores de doenças tropicais. Um deles é o transmissor da doença das chagas. Segundo especialistas do Instituto Evandro Chagas de Belém, de junho a novembro do ano passado, só no Pará foram registrados 223 casos de doença das chagas. Além dos desmatamento  constante outro fator do aumento de doenças tropicais na Amazônia é o pouco investimento em políticas públicas, especialmente a falta de saneamento básico e a pouca assistência à saúde pública. Se já vinha acontecendo essas carências, com o atual governo a situação tende a piorar.

Os novos planos são para desmantelar os órgãos de vigilância ambiental como IBAMA e ICMBIO, favorecendo a invasão de grileiros, madeireiros e mineradores. Se no ano passado foram constatados sete mil e novecentos quilômetros quadrados de floresta destruída, imagine o que vem pelos próximos anos. O governo está determinado favorecer a ocupação da Amazônia com agronegócio e fazendas, além da exploração mineral.

Além da doença das chagas, os especialistas do Instituto Evandro Chagas  constatam que tem aumentado outras doenças como malária, febre tifoide,  calazar e dengue.

Diante desse amargo prognóstico da falta de assistência à saúde pública, resta aos moradores do Pará, Amapá, Maranhão, Amazonas de demais estados da região, tomar consciência de que quem gosta de nós somos nós mesmos. Então se unirem aos povos indígenas, que já estão se mobilizando para defender suas e nossas vidas, da mãe terra e nossa dignidade. Os políticos em sua maioria, preferem defender seus interesses e só procurar aos eleitores em época de campanha eleitoral.

Serás libertador pelo direito e a justiça

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Quando os Hebreus enfrentavam inimigos e até caiam no exílio como na Babilônia, uns ficavam a lamentar com saudade de sua terra, outros choravam e se submetiam ao inimigo/ No entanto havia os que não se intimidavam e criavam resistência aos tiranos. Um exemplo está no livro dos Macabeus 10, 24-38: “Timóteo, que antes fora vencido pelos judeus, juntou numerosas tropas estrangeiras e reuniu cavalarias vindas da ÁSIA e marchou em direção a judeia, com intenção de conquistar pelas armas. Ao mesmo tempo Judas Macabeu junto com seus companheiros cobriram as cabeças com terra, cingiram os rins com cilícios e prostrados aos pés do altar suplicaram a DEUS que tivesse piedade deles, mostrando se inimigos dos inimigos… terminadas as orações empunharam as armas, retiraram -se para longe da comunidade e acamparam diante dos inimigos…”. Deus ajuda quem enfrenta as lutas e os desafios da vida e os tiranos da história.

Hoje iniciamos uma análise sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2019. Um grupo de lideranças da diocese estamos reunidos em Emaús procurando compreender o sentido do tema – Fraternidade e Políticas públicas, com o lema – Serás libertador pelo direito e justiça. A Conferência nacional dos bispos do Brasil, CNBB pensa despertar a consciência e incentivar  participação de todos os cristãos e todos os cidadãos na construção de políticas públicas, tanto nacional, como estadual e municipal. Refletir esse assunto na quaresma, com tal expectativa dos líderes na Igreja, não será fácil. Isto porque vivemos um tempo de escravidão política, econômica e social. Só mesmo com muita fé e seguimento do caminho de Jesus de Nazaré será possível ter sentido assumir ser libertador pelo direito e  ajustiça. No Brasil hoje se vive uma realidade semelhante a que viveu Jesus e os pobres da Galileia e Palestina. Lá a elite era composta de Herodes, Pilatos, Romanos, Doutores da lei, sumos sacerdotes. Hoje, esses personagens  tem novos nomes, porém  o comportamento é igual. Já os pobres da época eram como os pobres de hoje, sem vez, sem voz. Ai de quem se opuser contra os mandantes de hoje. Não se tem mais políticas públicas atendendo aos trabalhadores, aos jovens, aos pobres. Segundo um assessor da CNBB, Paulo  Renato explicou o seguinte “Políticas públicas são ações e programas que devem ser implementados pelo Estado (governos) para garantir e colocar em prática  direitos em cumprimento da Constituição Federal e outras leis”. Mas como cidadãos e cidadãs poderão participar na construção de políticas públicas se os planos do atual governo são totalmente contrários à maioria da população? Se o governo não aceita discordância e oposição?

Eduardo Pinto, analista especializado apresenta uma análise sobre a atual realidade brasileira. Diz ele:  “Para muitos, a crise brasileira chegou num momento inimaginável em que a instabilidade cresce de forma acelerada. Voltou-se a discutir a questão da intervenção militar, da ruptura democrática e da ordem constitucional. Um assunto que parecia que estava morto e enterrado, dado a nossa trajetória de 21 anos de ditadura empresarialmilitar”

O atual governo está visivelmente contra os trabalhadores, os jovens, os indígenas e os pobres. As políticas públicas de saúde, educação, moradia popular, universidades, defesa da Amazônia e respeito aos povos indígenas e quilombolas estão todas fora dos ministérios federais. Como assumir o tema e lema da Campanha da Fraternidade nesta conjuntura? Somente levando muito a sério o tempo da quaresma, buscando força espiritual em Jesus de Nazaré, que também enfrentou época tão desigual, com uma elite exploradora dos pobres. A Campanha da fraternidade chega em momento bem oportuno para você e para todos nós.

Ir além da indignação

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Análise da semana  – Nossa Voz é Nossa Vida  – 06.01.2019

É hora de ir além da indignação e do espanto, precisamos urgente de planejamento para resistir às ameaças que pairam sobre todos nós brasileiros. O que está sendo anunciado pelos governantes está indo no rumo de aumentar a desigualdade social, a miséria e escravidão dos trabalhadores. Precisamos organizar as resistências em defesa de nossos direitos ameaçados, ao território, às leis trabalhistas, a educação, às terras indígenas e quilombolas, entre outros.

Uma primeira iniciativa nessa organização é entendermos o que está por trás dos discursos oficiais da posse do novo presidente. Comunicação entre nós é necessária e urgente. Trocar informações em nossos grupos, escutar pessoas de nossa confiança, indagar por que diminuem o salário mínimo, por que querem acabar com o décimo terceiro salário e as férias dos trabalhadores, por que querem diminuir gastos com educação e saúde, entre outras questões sérias que afetam nossas vidas.  Um problema para sabermos a verdade por trás dos discursos é saber qual fonte de informação é confiável. Os canais de televisão são suspeitos, porque são comprometidos com a manipulação da informação; muitas emissoras de rádio também dão poucas informações  confiáveis. A Rádio comunitária, pode ser uma boa fonte de informação, se forem comprometidas com os interesses da comunidade.

Neste final de semana estive no Curuai, dando apoio aos voluntários da Rádio Comunitária do Lago Grande. Foi uma oportunidade para capacitá-los a produzirem programas positivos, bem informados, alegres e dando importância aos interesses dos moradores. A RCFMLAGO vem prestando serviço comunicacional há 20 anos no Lago Grande do Curuai. Enfrenta dificuldades técnicas e de manutenção, mas continua firme. Agora requereram mais capacitação para melhor servir. Para uma radio comunitária  ser útil, não basta boa vontade, é necessário saber usar a arte e a técnica da linguagem radiofônica., saber também dar espaço para as vozes do povo, afinal numa emissora comunitária o principal são os ouvintes, mas os locutores são importantes para essa comunicação ser dialogal. No caso da região do Lago Grande são cerca de 20 mil pessoas que tem a RCFM Lago como espaço de cultura, de informações corretas, de diálogos abertos entre os que utilizam o microfone e os ouvintes. Ali podem expressar suas alegrias, suas histórias, suas esperanças.

Hoje no Oeste do Pará, existem cerca de 15 rádios comunitárias em construção, ou em funcionamento, em Mojuí dos Campos, Belterra, Alenquer, Óbidos, Boim entre outras. Todas importantes para seus moradores, desde que com produtores de programas bem feitos, conteúdos confiáveis, entretenimento sadio.  Por isso, foi muito inteligente os coordenadores da RCFM LAGO buscarem capacitação de seus produtores de programas, tanto de notícias, como religiosos, culturais e musicais. Uma boa técnica aliada de capacidade artística de comunicação, só tem a ganhar os ouvintes e apoiadores.

Feliz uma comunidade que adquire sua rádio comunitária e dá importância a seus dedicados  radialistas locais. Como no Curuai eles falam, a nossa Rádio.

Quem é corresponsável pelos desmandos atuais futuros?

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Editorial  RNA  02.01.2019

Cada vez que se escuta algo do novo governo brasileiro, se é levado a pensar nos e nas eleitoras que votaram e ajudaram a eleger o atual presidente. Afinal, são eles e elas co responsáveis por algum bom resultado e pelos desastres sociais, políticos e econômicos para a maioria dos brasileiros e maioria dos povos da Amazônia.

Já ontem ele assinou medida provisória, decretando um salário mínimo menor do que havia previsto Michel Temer. Este pensara em reajustar 52 reais, passando para um mil e seis reais. Bolsonaro, numa atitude raivosa decretou apenas 998 reais a partir deste mês. Isso atinge ao menos 100 milhões de trabalhadores e aposentados que dependem do salário mínimo. Entre esses prejudicados estão alguns milhões de eleitores que ajudaram a elegê-lo.

Outro ato presidencial perverso vai atingir 850 mil indígenas em todo o país e principalmente na Amazônia. Bolsonaro praticamente extinguiu a Fundação nacional do índio, a FUNAI. Transferiu as responsabilidades sobre demarcação de terras e saúde indígena para outros ministérios, um deles o Ministério da Agricultura, hoje tendo como ministra uma latifundiária ruralista. Isso indica que as terras indígenas poderão ser invadidas para plantação de soja, milho e outras culturas, com intenso uso de veneno agrícola, como o glifosato.

Isso é só o começo dos sofrimentos da maioria dos brasileiros. Daqui a pouco virão mudança piores sobre privatização da educação, corte nos recursos para o SUS, venda da Eletrobrás, Petrobrás, Banco do Brasil e outros.  Diante desse panorama violento contra jovens, trabalhadores, indígenas, dependentes do Bolsa família, até onde irá essa ditadura governamental? Até quando os povos da Amazônia vão suportar calados e fingindo não ver? Como reagirão os e as vítimas dessas decisões desastrosas? E até quando os e as eleitoras do novo presidente vão bater palmas e aplaudir seu carrasco?