Entregar a Amazônia não é novidade

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Editorial  RNA  – 16.01.2019

Quem está acompanhando as notícias sobre o novo governo brasileiro, deve estar sentindo a vergonha que passa nosso país dentro e fora. Um fato foi o discurso sem sentido do presidente nestes dias em Davos, Suíça. Em seis minutos não disse nada de proveito, nem para o Brasil, nem para o mundo. Sua presença no encontro internacional foi em ridícula.

Amanhã ele volta a Brasília e a triste novela vai continuar, inclusive com ameaças de processo contra a família Bolsonaro As ameaças por parte do governo se concentram agora sobre os povos indígenas e os 27 milhões de moradores da Amazônia. Um de seus ministros, da secretaria de assuntos estratégicos, general Maynard Santa Rosa, apresentou novo projeto considerado por ele estratégico no Estado do Pará. Tal projeto  deve ser aprovado pelo presidente muito em breve. Inclui, uma hidroelétrica no rio Trombetas, Oriximiná, a continuidade da rodovia que vem do Mato Grosso até Santarém, rumo à fronteira com Suriname. Inclui também uma ponte sobre o rio Amazonas, em frente a cidade de Óbidos. Lembrando que o rio tem um quilômetro e meio de largura, com profundidade de 100 metros.

Qual a justificativa desse caríssimo projeto? Para o general Santa Rosa,  será importante para segurança nacional e desenvolvimento da região. Na realidade, faz parte da paranoia militar, herança da ditadura de 1964, que previa integrar a Amazônia para não entregar. Ignora o general, que a entrega da Amazônia para empresas estrangeiras já está ocorrendo há muito tempo na região. Basta conferir as exportadoras de soja, CARGILL norte americana, a BUNGE holandesa, a Belo Sun canadense, a Manesman alemã, a mineradora ALACOA, norte americana, as fábricas de motos e telefones celulares na zona franca de Manaus. Estas são apenas ilustrações de que a Amazônia já está invadida por estrangeiros e por empresas nacionais, do agro negócio, mineração e fazendas de gado.

Já o desenvolvimento falado pelo general para os povos tradicionais, o pouco que havia está sumindo pelo desmatamento das florestas, a invasão de geleiras e hidroelétricas nos rios da Amazônia. Estes povos  só terão uma saída para encontrar desenvolvimento, se juntarem aos povos indígenas que já estão resistindo às agressões de seus direitos.

 

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