DEFESA NACIONAL PARA QUEM?

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Notícia para Rádio RioMar  –  11.03.2019

Boa tarde Gecilene, oi! Manauara e ouvinte da importante emissora popular do Estado do Amazonas, vou puxar um assunto e gostaria de ter sua opinião: quem tem razão diante desse problema da possível falta de energia elétrica no Estado de Roraima? Talvez você saiba que toda a energia elétrica daquele Estado vizinho, depende de uma hidroelétrica da Venezuela. Com essa incompetente intromissão do governo brasileiro na crise do país vizinho, pode ser que o governo de lá venha a cortar o fornecimento de eletricidade para 49 municípios de Roraima. E aí, que fazer?

As torres de transmissão da energia de Tucuruí já chegam a Manaus, mas não chegam a Boa Vista. Isto porque o povo Waiamiri Atroari impede que o governo simplesmente leve em conta seus direitos e quer passar as torres na marra, por 300 quilômetros de suas terras. O Presidente Bolsonaro já decretou que a transmissão dessa energia para Boa vista é parte da defesa nacional. Será mesmo?

Quem analisa de longe, pode facilmente interpretar apenas um lado e concluir que os indígenas não podem impedir que os moradores de Roraima fiquem no prejuízo. Problema é, quem faz parte mesmo da defesa  nacional de que fala o presidente? Só os moradores de Roraima? E o povo Waiamiri Atroari não tem direitos? Será que os ouvintes da Rio Mar já esqueceram que em 1972, para atender a tal defesa nacional, os militares da ditadura de então, assassinaram quase todo o povo Atroari? Em 1972 o IBGE contava com apenas 350 pessoas de um povo que  pouco antes eram 1872 viventes.  Hoje 46 anos depois,  eles se recuperaram e contam com 2.100 parentes em 49 aldeias. Se alguém medir valor apenas por números, vaio dizer que os moradores de Roraima tem mais direito do que os Atroari, mas é esse um critério honesto?

O que deve  ser o certo e justo neste momento?  Existe uma convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, OIT que o Estado brasileiro é sócio. O Ministério público federal no Amazonas defende os direitos do povo Waiamiri Atroari que deve ser consultado de forma livre, bem informado na língua deles, sobre como quer o governo passar o linhão por suas terras. Deve ser feito um acordo entre as duas partes, governo federal e povo Atroari e os direitos dos Waiamiri devem ser respeitados. Não pode o ouvinte Manauara só olhar os direitos dos moradores de Roraima e os indígenas que se lixem. Não pode o governo federal alegar defesa nacional e mais uma vez passar por cima de cadáveres indígenas. Como diz o lema da Campanha da Fraternidade desse ano “serás liberto pelo direito e a justiça”. Chega de extermínio de povos tradicionais em nome de um tal progresso, mesmo que seja garantir energia elétrica para os moradores de Roraima. Concorda?

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