Riquezas vão, conflitos aumentam, amazônia desfolhada

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Notícia para Rádio RioMar  – 18.03.2019

Boa tarde Gecilene (coordenadora do programa da tarde) e boa tarde você ligado neste programa rico em informações e análises da realidade amazonense. Escute este título de um texto dossiê de análise sobre nossa Amazônia. Diz ele: “Amazônia brasileira: a pobreza do ser humano, como resultado da riqueza da terra”. Que você acha disso? Este texto foi escrito por pesquisadores do Instituto Tricontinental de pesquisa social. Por que tal afirmação?

Agora mesmo no Estado do Amazonas se tem um exemplo de conflito desse choque de interesses envolvendo a terra, os moradores nativos e os interesses externos. O governo federal quer a todo custo entrar mais uma vez nas terras do povo Waiamiri Atroari para passar com as torres de energia elétrica para Roraima. O presidente Bolsonaro chega a afirmar que aquilo é  de segurança nacional. Mas os mais de mil indígenas, restantes do massacre feito pelos militares durante a ditadura nos anos 1972/74, exigem hoje que o governo reconheça os crimes dos militares da época e pague uma justa indenização  aos donos do território invadido para abertura a ferro e fogo da rodovia Manaus/Boa Vista. Este é um exemplo do conflito que afirma o Instituto Tricontinental mencionado no início.

A Amazônia tem basicamente tudo o que é necessário para o bem viver dos povos que aqui vivem: abundantes frutos da terra, animais úteis para a alimentação, água potável em abundância, medicina da floresta, madeira para utilidade doméstica e construções. Até minérios seriam fonte de renda, se fossem explorados pelos nativos sem violentar a terra. Os moradores ribeirinhos ainda conseguem viver bem com o mínimo de coisas da cidade.

O problema é que o consumismo capitalista induz e seduz as pessoas a desejarem as ilusões do supermercado e do shopping center. Em vez do suco de cupuaçu, da manga e do açaí os iludidos preferem a coca cola e  suco enlatado; em vez da batata e do cará roxo, tão sadios e  nutritivos, avançam no pão e na bolacha e assim por diante. Enquanto isso, as grandes empresas nacionais e estrangeiras tomam conta dos minérios, da madeira e das águas. Aí está a Petrobrás em Urucu extraindo petróleo e gás e rasgando floresta para construir oleoduto; aí está a mineração Taboca esfolando a terra e extraindo vários minérios, Mais ali uma das grandes violências que é a barragem de Balbina, com uma hidroelétrica ineficiente para atender ao menos Manaus.

O que deixa alguém pensativo é o conformismo de nós e nossos vizinhos que vemos a desgraça aumentando, o calor mais quente, o desemprego crescendo e nossa Amazônia cada dia mais saqueada e os inimigos saindo com os navios carregados de riquezas e rindo de nossas caras. Imagina você, aqui em Santarém passam os navios  carregados de bauxita da norte americana ALCOA vindo de Juruti e navios carregados de Bauxita da Mineração Rio do Norte de Oriximiná. E não só,  saem quase três vezes por semana de Santarém,  os navios com 50 mil toneladas de soja do porto da norte americana CARGIL. A grande pergunta que deixo pra você e pra mim, até quando vamos ver os navios passarem, as riquezas saindo e a pobreza aumentando em nossa Amazônia?

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